Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Estou, Pombares?

Sim.

Olá.

Olá, Maria João. Tudo bem?

Tudo bem. Vamos devorar uns coscorões?

Vamos a isso. Sou muito a favor disso.

Vamos lá, então. Frederico Pombares, és argumentista responsável por programas como o "Terra Nossa", "O Último a Sair", "Telarural", entre tantos outros, mas o teu nome é mais conhecido publicamente pela gastronomia, sobretudo no teu Instagram, onde mais de 28 mil seguidores te pedem constantemente recomendações de restaurantes. E também por isso tu criaste a hashtag #DizQueVaisDaParteDoPombares. Isto resulta, isto tem resultado?

Tem resultado e é muito engraçado. Isso, como deves calcular, surgiu organicamente por um gosto ridiculamente exagerado que eu tenho por comida. E acabou por ultrapassar a minha profissão, que faço há 17 anos, mas de repente sou o cara da comida. E está tudo bem.

E dás por ti es uma espécie de guia Michelin da gastronomia.

Isso. Essas mensagens que tu me dizes que eu recebo, eu recebo diariamente e dão-me mais trabalho que o meu próprio trabalho. Portanto, eu já não sei qual é o meu trabalho, já estou meio baralhado.

E nesta altura do Natal, quais são as dicas que mais te pedem?

Olha, neste momento, o que mais me pedem, para ser honesto, e que é difícil para mim, porque me perguntam sobre outros restaurantes, mas eu não sei, na realidade, o que está aberto a 25, o que está aberto a 24. O que me perguntam mais é se o meu restaurante está aberto nos dias de Natal e no fim de ano.

Eu gostava precisamente de falar nele. É por conheceres tão bem o que se come no nosso país que deste o nome Lêz a Léz ao teu primeiro restaurante, que fica no Campo Pequeno e que foi inaugurado em plena pandemia, em setembro.

Exatamente. Disseste uma coisa bonita e outra menos bonita. Menos bonita é ter sido parvo o suficiente para isso, para inaugurar um restaurante no meio da pandemia. E nem sequer se pode dizer que estava planeado e que foi azar. Não, eu decidi abrir mesmo no meio da pandemia.

E Lêz a Léz porque tem gastronomia de todo o país.

Exatamente. E porque eu acho sempre meio injusto alguém que venha, por exemplo, ao nosso país, a Lisboa, e não faça sequer ideia do que se come no resto do país.

Eu ouvi falar em sonhos com molho de farofas no teu menu, parece-me tão bem. Há assim mais novidades como esta para o Natal?

Ouviste muito bem. Os sonhos é uma coisa que nós temos, e foi falado e foi propositadamente colocado no menu, para ter o ano todo. Nós já tínhamos, desde que abrimos, que achamos que são aqueles doces que toda gente gosta, mas que toda gente só come no Natal. E achamos que era extremamente injusto, porque é uma coisa que nós gostamos e não há grande razão.

Exatamente, para só comer em dezembro, não é?

Exatamente.

Portanto, que és um bom garfo, não restam dúvidas. E na cozinha também és tu a tratar da ceia de Natal com a tua mini ajudante, a tua filha, a Irene?

A minha filha é muito boa a ajudar a comer. Isso ela faz muito bem.

Então sai ao pai.

Sim, felizmente. Mas não, de resto sou eu e os meus pais que tratamos disso há muitos anos e é uma tradição, é mais por aí.

Gostam de ir todos para a cozinha, pôr uma música, até.

Exato. Fazemos as nossas coisinhas e como somos uma família muito pequena, acaba por ser só isto. Somos nós e a Irene, e é mais do que suficiente.

E a comida. O que é que vais ter à mesa no dia 24 à noite? Bacalhau, polvo, peru, cabrito?

Não. Polvo e peru não é a minha cena para Natal. Não me parece. O que nós vamos ter e temos sempre é bacalhau e cabrito. Isso é certinho. E no dia seguinte, 25, fazemos a tradicional roupa velha, etc, com o que sobra. Comemos o resto do cabrito, que já está apuradíssimo e é muito melhor. Portanto, é uma época muito feliz em termos também de gastronomia.

E a Irene, ela tem alguma exigência para o jantar ou almoço de Natal, ou só importa mesmo os presentes? É só o que importa nesses dois dias.

O que importa, na realidade, são os presentes. Entre se lhe deres comida e presentes, ela fica em jejum durante duas semanas. Portanto, ali diferente.

Pombares, e um argumentista como tu tem que ser muito criativo. Qual foi a receita que te recordes mais inventiva que tenhas feito?

É difícil. Eu vou te dizer o que aconteceu. Sabes por quê? Porque é mesmo sem querer. O que eu faço é: eu vejo o que tenho em casa e começo a fazer e a juntar coisas. Isto aconteceu, por exemplo, no Instagram. Eu comecei a pôr nos destaques uma coisa que se chamava receitas. E foi durante o confinamento, que foram dois meses e meio de uma prisão maravilhosa para mim, que já adoro estar em casa, portanto, isso foi só legitimar a minha carreira de argumentista.

Também é conhecido esse sabor, por ficar em casa.

Exato. Como as grandes superfícies estavam a atrasar imenso as entregas, eu comecei a mandar vir coisas do país inteiro. As minhas encomendas começaram a chegar, eu até tive que comprar uma arca frigorífica, porque não cabia tudo, e de repente comecei a fazer os meus almoços, os meus jantares, visto que não podia ir comer fora. Comecei a fazer os meus almoços e os meus jantares. Então, tenho lá receitas que fui fazendo e truques que vou aprendendo e que partilho com as pessoas, mas que na realidade nunca repito aquelas receitas porque nunca tenho ao mesmo tempo aqueles ingredientes.

Aqueles ingredientes todos.

Exatamente.

E tens imensas receitas no teu Instagram. Há alguma dica que seja preciosa, sobretudo nesta altura das festas? Sei lá, como, por exemplo, um bom recheio para o peru, tirar o sal extra do bacalhau.

Eu não sou a melhor pessoa para isso, porque eu adoro sala mais. Portanto, eu não sou a melhor pessoa para isso. Eu adoro mesmo sala mais e ponho a do melhor bacalhau. E tenho agora um bacalhau maravilhoso aqui em casa e o dono da marca disse-me: "Seis dias". E eu: "Sim, senhor, quatro". Essas são as minhas contas normalmente.

São as tuas contas.

Sim.

São as tuas medidas na cozinha.

Exatamente. O que é normal para a pessoa, é normal para mim.

E a decoração natalícia em casa fica a cargo de quem?

Vou ser muitíssimo sincero. Neste momento, estava a meio da minha decoração natalícia com a Irene.

Muito bem.

Eu comprei as coisas e tenho de esperar por ela, obviamente, senão é gravíssimo. E tive de esperar por ela para fazer a decoração.

Para montarem os dois árvores. Boa.

Exatamente. E era o que estávamos a fazer neste momento quando vocês ligaram.

Então agora umas perguntas curtas para sabermos mais sobre ti e os teus gostos natalícios. Pode ser?

Vamos a isso, claro.

Rabanadas ou azevias?

Rabanadas.

Bolo rei ou boloinha?

Bolo rei.

Arroz-doce ou aletria?

Arroz-doce.

Presépio com musgo ou com alcatifa verde?

Se eu tiver a opção não presépio, prefiro. Mas se me deres a escolher só as duas, alcatifa verde, para não estar a tirar musgo dos sítios.

E no presépio, alumínio ou espelho para fazer de água? Lembras-te?

Está me a levar muito para trás. Espelho.

Árvore de Natal verde ou branca?

Verde. Na realidade é verde.

Bolas de todas as cores ou só de uma ou duas?

Não, várias cores.

Pai Natal ou Menino Jesus?

Eu não acredito em nenhum deles. Portanto, deixa ver.

Pergunta à Irene.

Pode ser Pai Natal.

Meias ou bombons?

Meias.

"Sozinha em Casa" ou "Música no Coração"?

"Sozinha em Casa".

Falamos aqui de recordações. Qual é aquela memória que guardas com mais saudade?

É o Natal em família, nomeadamente à volta da mesa. E acho que é sempre engraçado, não tanto as prendas, não tanto os presentes, mas o facto de reunirmos muitas pessoas à mesa que não costumamos reunir ao mesmo tempo. Ou seja, há sempre aquela partilha, mas ou vêm uns tios um dia, ou vêm uns tios outro dia, ou vêm uns avós num dia, ou vêm uns avós no outro. E o Natal é aquela altura em que realmente juntas a família toda, com o que de bom isso traz. E às vezes também não traz muito bom, porque como bebe mais um copo ou outro, é capaz de rebanar ali a noite, mas faz parte. Há sempre um tio mais marado da cabeça.

E a terminar, Pombaris, que mensagem de Natal gostavas de deixar num ano atípico como este?

O que eu gostava muito, tal como toda a gente, era que isto tudo passasse e que vai passar muito em breve. Eu acho que é muito em breve, não sou tão pessimista como a maior parte das pessoas. Temos de voltar à nossa vida normal, temos de voltar a comer, temos de voltar a sorrir. O meu grande medo é que as pessoas se tenham esquecido como é que se abraça e que percam esse hábito. Quando nós nos pudermos abraçar outra vez, se eu for na rua e vir pessoas a cumprimentarem-se com os punhos.

Sim. Que se percam os abraços, não é?

Sim, que se percam os abraços e se percam alguns carinhos e coisas que tornavam as relações mais quentinhas e mais bonitas. Tenho algum receio, realmente, que se percam o hábito do carinho e do afeto entre as pessoas.

Frederico Pombaris, muito obrigada por ter estado conosco. Aconteça o que acontecer, boas festas e boa sorte para o teu restaurante Lé Lé.

Muito obrigado, Maria João.

Um beijinho. Já a seguir, uma curiosidade de Natal. Será que Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro? Provavelmente não. Pelo menos não existem provas que apontem para este dia como o do nascimento, nem na Bíblia. Aliás, segundo alguns investigadores, especula-se que Jesus possa ter nascido na primavera, no início de março. No entanto, no século IV, a Igreja convencionou o dia 25 de dezembro como o dia de Natal, provavelmente de forma a coincidir com celebrações pagãs realizadas na mesma época e que estavam ligadas ao solstício de inverno, quando os dias começam a crescer e as noites a diminuir. Os dias maiores trazem mais luz, como Jesus traz luz ao coração dos cristãos. Eu sou a Maria João Simões. Obrigada pela companhia neste "Natal com Sabor". Beijinhos, abraços e boas festas.