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Estou, Rita?

Sim.

"La Dolce Rita". Olá.

Olá, boa tarde.

Olá, Rita. Vamos devorar uns sonhos?

Sempre pronta para devorar sonhos.

Vamos a isto. Rita Nascimento, quatro livros, um canal de YouTube, blog, tudo sobre receitas. Como é quando chega esta altura das festas, ainda te resta criatividade para cozinhar uma boa ceia de Natal?

Esta é a altura alta. A época alta é o Natal. Tem que se trabalhar o dobro para conseguir.

Portanto, não há hipótese de passares para outro e ficares apenas a saborear.

Era bom, não era? Não. Tem que se concentrar, porque são poucos dias e muitos doces para comer e para fazer, sobretudo.

E o que tu mais gostas de comer nesta altura das festas?

As coisas tradicionais, que não é que saibam mal noutra altura do ano, mas acho que nesta altura do ano tem um sabor especial. Os filhoses, o bolo rei. Eu gosto mais de bolo rainha, mas esse tipo de coisas sabem muito bem. Uma coisa que eu tenho feito nos últimos anos e que não pode faltar é um pudim abate de brioscos, que é uma sobremesa.

Leve, não é?

Sim, levinha. Por isso é que não se pode comer sempre, mas nesta altura faço isso.

Gosta esse pecado.

Exatamente, esse prazer.

Já deu para perceber que tu és uma apaixonada por doces. Tens alguma receita reinventada por ti de uma sobremesa típica de Natal?

Olha, por acaso tenho uma receita que fiz no canal do YouTube e que começou por ser feita quase como uma brincadeira e que acabou por ser uma receita que é das que faz mais sucesso no canal.

Não vais falar do tradicional bolo rei em cinco minutos?

É este mesmo.

Eu tinha aqui pronto para te perguntar.

Estás bem preparada. Olha, essa receita obviamente é uma brincadeira, porque o bolo rei tradicional demora um dia inteiro a se fazer, é uma massa fermentada, fermenta duas ou três vezes, portanto é um compromisso de um dia inteiro. E essa massa do bolo rei rápido ou bolo rei em cinco minutos, faz-se realmente em cinco minutos, mais depois o tempo que coze é meia hora. Mas em 35 minutos temos o bolo rei pronto a comer. E claro que não é uma massa igual, é impossível.

Mas os sabores estão lá todos.

O sabor, e fica ótimo, quentinho. Então as pessoas que não têm nem tempo, nem habilidade, nem paciência para fazer um bolo rei tradicional e que querem sentir aquela ideia que fizeram um bolo rei, quando fazem esta receita sentem-se satisfeitas. Então é feito e refeito. Eu a partir de setembro começo a ver as pessoas a marcarem no bolo rei rápido.

Portanto, é procurar no teu canal do YouTube, "La Dolce Rita", onde este mês voltaste a reunir os teus seguidores, a quem chamas carinhosamente gulosos anônimos, para um especial Natal. Falas de doces natalícios, presentes comestíveis e a melhor maneira para se prepararem para a noite de 24. O que é isto, presentes comestíveis? Dá-me alguns exemplos, eu ainda não fiz as compras todas.

Todos os anos as pessoas me pedem ideias, porque cada vez mais eu acho que as pessoas estão a apostar em dar, em vez de comprarem coisas, em darem umas lembrancinhas à família, aos vizinhos, às professoras dos filhos, e então querem dar alguma coisa personalizada. E nada melhor do que umas bolachinhas, uns bombons, umas compotas. E então a ideia era dar um bocadinho essas ideias. E este ano eu fiz no canal um especial de bolachas, que é um presente ótimo, porque tem uma durabilidade boa, não é propriamente os sonhos, que se não são comidos naquele dia, depois não ficam tão bons. As bolachas podem se fazer com duas, três semanas de antecedência. Então fui dando várias ideias de tipos de bolachas que as pessoas podem usar para oferecer ou para comer.

Rita, e tu varias muito na altura de escolher presentes ou cais sempre nessa tentação de uma compota feita por ti, as bolachas numa embalagem gira?

Eu acho que se não fizer as pessoas até já ficam tristes. Se eu for comprar, não sei, alguma coisa e não der nada de comer, já ficam tristes, acho que já estão à espera que eu dê alguma coisinha assim de comer.

E o que é que te costumam oferecer? Rolos de massa, formas e aventais ou já recebes algo mais original?

Não, recebo muitas coisas de cozinha e pastelaria, mas eu adoro, portanto podem continuar a dar.

Já deu para perceber que doces não vão faltar na tua mesa e como é em termos de salgados, também ficam a teu cargo ou passas isso a outro chef?

Não, isso é já com o resto da família, mas o bacalhau é tradicional, não fugimos muito a isso. Bacalhau no dia 24, no dia 25 gosto de peru, é uma tradição. A família da minha mãe é do Alentejo e é aquele peruzinho alentejano, isso está sempre presente.

A tua carreira levou-te a Espanha, Itália, também ao Reino Unido. Trouxeste lá alguma tradição que sigas desde então?

Tento. Olha, vou variando. Todos os anos vou tentando fazer coisas diferentes, planeio-me sempre e nunca consigo fazer tudo o que eu quero, mas gosto sempre de fazer umas bolachinhas espanholas, são muito típicas desta época, que são polvorones. Também tem a receita no canal, é umas bolachinhas de banha.

De banha?

Sim, eu adoro banha.

Isso dita-se assim. Eu adoro banha.

É superpolêmico. Cada vez que eu faço uma receita com banha, as pessoas ficam: "Ai, não posso substituir". Não.

Portanto, Rita, já sabes onde é o observador. Também quero provar essas bolachinhas de banha.

Podes fazer, está lá no canal.

Eu não sou muito dada à culinária, confesso.

Olha, não.

É fácil?

É fácil, é superfácil. Quase todos os anos tento fazer. E depois vou variando, umas vezes umas receitas mais americanas, outras umas receitas mais italianas. Não dá para fazer tudo sempre.

Claro. Rita, e falaste aí da família, das memórias de infância. Qual é aquela de Natal que ainda hoje gostas de lembrar?

Eu tive um Natal durante a minha infância, daqueles de filmes. Eram muitos tios, muitos primos, havia sempre alguém que se vestia de Pai Natal. Punha-mos os sapatinhos nos sítios onde o Pai Natal chegava à meia-noite para deixar os presentes e cresci com essa mística do Natal. Mesas muito fartas de coisas e tenho memórias ótimas dessa altura. Hoje em dia já não é assim, é um Natal mais comedido, mas ficaram essas boas memórias.

Rita, antes de irmos embora, perguntas rápidas para respostas ainda mais rápidas. Pode ser?

Vamos.

Rabanadas ou azevias?

Azevias.

Arroz doce ou aletria?

Arroz doce.

Presépio com musgo ou com alcatifa verde?

Com musgo.

E no presépio, alumínio ou espelho para fazer de água?

Que pergunta difícil! Alumínio.

Árvore de Natal verde ou branca?

Verde.

Bolas de todas as cores ou só de uma ou duas?

Só de uma.

Pai Natal ou Menino Jesus? Ui, esta.

Eu vou para o Pai Natal.

Meias ou bombons? Esta quase que adivinho.

As duas, porque comer bombons com os pés frios não é grande coisa.

Sozinha em casa ou música no coração?

Música no coração.

Rita, e agora sim, a terminar, uma mensagem de Natal para os nossos ouvintes.

Que o Natal seja doce, obviamente, é a mensagem que posso deixar.

"La Dolce Rita", Rita Nascimento. Muito obrigada por estes minutos e por todas as dicas. Aconteça o que acontecer, boas festas.

Um beijinho, boas festas e obrigada.

Já a seguir, uma curiosidade de Natal. Hoje vou falar-lhe das janeiras. Não vou cantar, prometo. Todos conhecemos ou já ouvimos grupos que se juntam e vão de porta em porta cantar as janeiras a anunciar o nascimento do Menino Jesus e a desejar um bom Ano Novo. Mas de onde virá esta tradição tão natalícia que aquece os primeiros dias de janeiro? As janeiras começam no primeiro dia do ano e vão até ao Dia de Reis, dia 6, mas em algumas vilas e aldeias acontece nos dias 24 e 25 de dezembro. Muitas tradições cristãs têm origem em costumes pagãos da Roma Antiga e as janeiras não são exceção. Supõe-se que tenham sido inspiradas nas homenagens ao deus Jano, responsável por todos os começos e finais, por afastar os espíritos e que serviu de inspiração para o nome do primeiro mês do ano, janeiro. Pode confundir-se o Cantar os Reis com as janeiras, o que é compreensível, dado que com o tempo houve uma espécie de simbiose, sendo que o primeiro anunciaria a chegada dos três Reis Magos e as janeiras, um bom ano. Porém, o que é certo é que as janeiras apenas pretendem desejar um bom começo a todos. É por isso comum encontrarmos grupos de amigos ou vizinhos que cantam porta a porta o desejo das boas festas. Terminada a canção, é então esperado que lhes ofereçam as janeiras, que originalmente eram frutos secos, enchidos ou outros bens, ficando a decisão à mercê dos donos da casa. Venham então de lá as janeiras para nos alegrarem e celebrarmos esta época de união. Eu sou a Maria João Simões, obrigada pela companhia neste Natal com sabor. Beijinhos, abraços e boas festas.