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Não se fala de outra coisa. Está aberta a época da sardinha. São 33 mil toneladas de sardinha com salada de pimentos, uma cama de pão saloio.

É que não se fala mesmo.

Pronto, era esta a história que eu tinha.

Vamos fazer um minuto de silêncio agora.

Ficar a imaginar e a salivar.

Hum, tão bom.

Onde é que vamos?

Tão bom.

Não sei, temos de salgar. Ali naquele sítio onde fomos da outra vez. Hoje vim era lembrar-me disto, daquela vez que fomos.

À Fuzeta, não foi?

Não, da última vez foi aqui em Lisboa.

Foi aqui em Lisboa. Éramos quatro, não te lembras? Um pato-mugiro.

Agora o sítio é que não me lembro.

Era para estar muito interessada nesta conversa.

Super. Mas estão a pensar seguramente na sardinha como nós.

Onde é que se pode comer uma boa sardinha?

Onde é que se pode comer uma boa sardinha? Mas já se imaginaram a viver dentro de um centro comercial? A viver literalmente.

A pernoitar.

Nós já fizemos uma emissão no centro comercial.

Nós acordámos muito cedo.

Acordaste muito cedo, não é?

Mas é isso que está a fazer o escritor Afonso Reis Cabral, o vencedor do Prémio José Saramago em 2019, trocou o conforto da sua caminha, a sua rotina, para ir morar numa antiga loja de sapatos no Centro Comercial Colombo, em Lisboa. E o que é que leva um autor de renome, trineto de Eça de Queirós, a instalar-se num espaço comercial? O próprio Afonso diz que tem um fascínio por locais como este, que para ele o Colombo é como uma cidade dentro da cidade. Passam por lá milhares de pessoas todos os dias e onde há tanta gente, só podem surgir boas histórias. A experiência começou na última segunda-feira e claro que tem aqui um propósito literário muito claro. O escritor está a preparar uma nova obra para a coleção Retratos da Fundação Francisco Manuel dos Santos. O objetivo é observar de perto a vida daquele espaço, as pessoas que o visitam, quem lá trabalha e até quem o utiliza para combater a solidão. Afonso descreve-se mesmo como o único verdadeiro autóctone desta moderna metrópole, mas é uma daquelas experiências que nos faz olhar para o espaço de maneira diferente. Será que nos imaginávamos a passar durante uma semana a viver numa cidade dentro de uma cidade, como ele a descreve, no nosso país, que local é que escolheríamos? Provavelmente não o Centro Comercial Colombo, mas foi a opção do escritor e já está a produzir efeito.

Sim, eu sigo-o nas redes sociais e leio os comentários. Muitas pessoas dizem: "Não se esqueça daquela história daquelas pessoas que ali estão todos os dias." Ele está a ter muito feedback.

E depois ele é assim também muito ativo e isso depois também puxa pelas pessoas.

Sim, muito interessante.

Vai bem o ensaio.

Mas se calhar vem inspiração para mais algum livro.

Muito bem. E vocês eram pessoas para voltar a ver à hora certa o ALF ou o Justiceiro? Viste a notícia mesmo. Há um novo canal de televisão linear com séries como esta.

Dos nossos tempos.

Séries históricas.

"Quem Sai aos Seus", não era?

"Quem Sai aos Seus", exatamente. É o canal que vai substituir o Panda Biggs. Chama-se Vin TV, Vin de vintage. E começa precisamente hoje para mostrar séries que não estão nas plataformas de streaming, nem na RTP Memória. É dirigido a uma faixa etária, assim como a nossa, de quem viveu a década.

Ou aos mais novos que querem ficar atrás.

Ou também aos mais novos que têm curiosidade.

Às vezes há esses fenómenos, de coisas vintage que acabam por querer.

Exatamente. Estou a imaginar os mais novos agora com toda a tecnologia que existe, olharem, por exemplo, para o ALF.

E o ALF é uma série que vai aparecer mesmo com o grão da época, dos anos 80. Não é remasterizada, ao contrário de outras que vão ter um tratamento de imagem um bocadinho mais apelativo.

O 4:3, talvez.

Provavelmente. O ALF era aquele extraterrestre que comia gatos.

Era.

Politicamente incorreto.

Muito politicamente incorreto.

Dava sempre atrás do gato.

A ideia é juntar aqui a geração Z, os millennials mais curiosos, porque é uma perceção grande de que existe uma procura pelas séries vintage. Eu arrisco-me a dizer que séries como o "Stranger Things" ajudaram a criar algum fascínio, alguma curiosidade por essa época, quer pelas roupas, as músicas.

E de certeza que vai aparecer uma ou outra série que nem nós nos lembramos. Que vamos estar a ouvir: "Olha isto!"

Olha isto, exatamente. Como a RTP Memória tem um bocadinho desse exercício. Eu às vezes paro a ver "Uma Casa na Pradaria", que é mesmo das minhas memórias mais antigas, e é uma delícia olhar para aquilo.

Das séries boazinhas.

Eram todos bonzinhos. Mesmo os maus, afinal, eram bonzinhos, agora quando olhamos para eles. E este canal tem uma programação muito previsível, tal como era no nosso tempo, em que havia um canal ou dois. Quando houve o segundo canal, em que tudo era ali à hora certa.

Só falta mesmo encerrar. Aquela hora.

Com o hino e a mira técnica. Temos o "Quem Sai aos Seus", agora para já nesta estreia. "Quem Sai aos Seus" com o Michael J. Fox, ainda antes do "Regresso ao Futuro". Muito bom.

O jovem Wolf Salvador.

Exatamente.

Que irritava os pais hippies.

Os pais hippies, muito boa. Muito datada, deve ser muito interessante ouvir agora.

Os certeza ideológicos.

Exatamente. O ALF, como já falámos. "O Crime do Ice-L", que de facto passa num canal.

Passa na Fox, creio eu.

O serviço de urgência, quando agora estamos todos a ver estas séries mais modernas e temos o Justiceiro, "Knight Rider" com o KITT, o carro que fala.

Na altura em que se falava para o relógio de pulso, que era uma inovação falar para um relógio eletrónico.

Foi muito à frente na altura.

Então e o MacGyver? O MacGyver, para já, "Dukely" ainda não está disponível.

A série favorita de Cavaco Silva, na altura.

O MacGyver? A sério?

Aquelas perguntas uma vez.

Era incrível. A bolinha de Sport Billy que ele tinha, tinha tudo lá dentro.

Sport Billy, outra grande série. E depois, este canal tem também aquela coisa como havia no nosso tempo, que à sexta-feira há um filme, e já estão agendados as duas primeiras sextas-feiras, dia 8, agora o primeiro filme é o "Flashdance".

Noite de cinema, é isso?

Noite de cinema.

Adoro o Flashdance.

E na semana seguinte.

Quem é que protagoniza?

Não me lembro do nome dela.

Não é o Patrick Swayze, não é?

Não.

"Dança Comigo", "Dirty Dancing".

"Flashdance" é com aquela atriz, não me lembro o nome dela.

Os caracóis.

Na semana seguinte, o "Footloose" com o Kevin Bacon. Isto só assim para terem uma ideia.

A Maria João já está a marcar lugar no cinema.

Marca lugar e vamos pensar já em setembro, porque já há uma grelha preparada para setembro com outras produções como "O Príncipe de Bel-Air". Lembram-se?

Will Smith.

Will Smith. E também esperam transmitir produções portuguesas como "Massa Fresca", que eu não sei o que é. "Massa Fresca". "Herman Enciclopédia". Isso já sabemos. E "Duarte e Companhia". A ideia é a cada ano e meio a dois anos, há uma rotação de títulos. E há muita expectativa, li esta notícia no Público, a ideia de quem está à frente do canal é que acham que isto vai contagiar os outros canais. E há de haver aqui uma corrida às séries vintage. Vamos ver se pega. Há aqui um mercado a nostalgia que está a ganhar.

Tem aqui três espectadores.