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Não se fala de outra coisa de uma localidade no centro de Itália chamada Pesaro, que fez com que uma simples pista de gelo de Natal se tenha transformado em uma grande polêmica. E por quê? Porque uma estátua em bronze de Luciano Pavarotti, de braços abertos, com aquele lenço que ele costumava ter numa das mãos, que tinha sido inaugurada o ano passado como homenagem ao tenor italiano, ficou literalmente entalada no meio da pista. A pista foi construída à volta da estátua e quando o gelo foi colocado, a figura de Pavarotti ficou rodeada por uma parede e gelo até aos joelhos. A imagem está a correr as redes sociais. Não caiu nada bem, sobretudo à viúva do tenor, que acha isso tudo uma falta de respeito para com a memória do marido. Para ela, ver a figura de Pavarotti literalmente congelada no meio de uma atração natalícia foi triste, revoltante, ofensivo. Para piorar, o presidente da Câmara publicou uma foto da estátua congelada com uma legenda a incentivar as pessoas a darem o high five no Pavarotti.
Que agora chega lá em cima, não é?
Sim, agora ficou mais ao nível deles. O gesto caiu mal. Ele acabou por pedir desculpa, admitindo que a coisa foi mal pensada. A imprensa italiana também reagiu, descreve a cena como caricata, um ícone da ópera transformado sem querer, numa figura congelada entre luzes de Natal, grandes grades metálicas e patinadores, não artísticos, mas daqueles principiantes.
A pista é provisória, não é só para agora.
Sim, é de Natal. A autarquia diz que não planeou nada disto, mas que desmontar a pista agora seria demasiado caro, portanto lá vai ficar o Luciano Pavarotti, pelo menos até, se calhar, o Dia de Reis. No meio do gelo, a servir de cenário para os patinadores e a cidade está com uma grande controvérsia nas mãos, isto ainda vai dar mais o que falar do que já está a dar, porque agora por enquanto é só na imprensa italiana, mas vai chegar.
Vê se o Natal passa depressa, é o que estão a pensar agora os promotores dessa ideia. E sem Itália, em Portugal, o assunto foi outro. Foi uma publicação da Direção Geral de Saúde ontem, a propósito do Dia Mundial da Sida, uma publicação nas redes sociais.
Não toda a gente conseguiu ver, porque foi retirada.
De facto foi retirada, há printscreens.
É, pois. Ainda bem.
Um cartaz com a frase: "A Sida não acabou". É uma frase que parece factual, mas embaixo, o problema para algumas pessoas é que tem três pessoas de punho erguido, todas elas negras. E depois no texto mais alargado podia ler-se que há um caminho para fazer relativamente à Sida, para atingir a meta de acabar com a doença como ameaça de saúde pública até 2030. Pois, não foi preciso muito tempo para que as caixas de comentários da DGS fossem invadidas por críticas a acusar a autoridade de saúde de estar a reforçar estereótipos e a estigmatizar ideias racistas a propósito da doença. E podia ler-se de tudo na caixa de comentários como uma publicação desnecessária, inadmissível, desajustada da realidade. Mais impactante terá sido o facto de uma própria deputada do Partido Socialista, Eva Cruzeiro, ter escrito que considerava o cartaz profundamente problemático e que vários utilizadores se queixassem mesmo de que a campanha era miserável. Eva Cruzeiro escreve mesmo: "Este tipo de comunicação não é neutro, reforça estereótipos raciais perigosos, associa uma doença a um grupo específico e ignora por completo o contexto real em Portugal". Isto levou a uma discussão acesa, ao ponto do cartaz ter sido retirado por parte da DGS, sem qualquer explicação.
Não precisa.
Pois, não precisa.
Só o retirar já. É um assumir.
Entretanto, houve uma explicação enviada a órgãos de comunicação social, inclusivamente ao Observador, a dizer que a DGS utilizou uma imagem produzida e disponibilizada pela ONU Sida, que engloba uma série de organizações de 11 países, dando a entender que é uma campanha internacional e que não tinha qualquer objetivo de discriminar o que quer que seja.
Mas podiam ter sentido crítico.
Uma coisa é aquela foto a ser utilizada num país africano, outra coisa é ser utilizada em Portugal, como é evidente.
Pois, e é sempre uma palavra a dizer.
Podiam não usar aquela imagem.
O que é certo, e o trabalho do Observador faz isso, vai ver o que esta publicação pela Organização Mundial de Saúde sugere, ou melhor, se há algumas reações nas caixas de comentários, e não. Parece que houve uma reação nacional a esse cartaz, não necessariamente noutros espaços. O que é certo é que se continua a falar sobre isto e se calhar ainda vai continuar por aí.