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Não se fala de outra coisa depois do assalto do Louvre, agora o roubo de 12 toneladas de KitKat. É um horror. Eu não sei o que é pior, o que é mais grave. Toneladas de KitKat.

É uma operação.

É um enorme atentado ao patrimônio. A carga foi vista pela última vez num caminhão que saiu da Itália, de uma das fábricas da Nestlé, seguia para a Polônia para fazer a distribuição habitual pelos vários países europeus, mas algures, não se sabe onde, nem quando, nem como, mas o certo é que algures no caminho, a Nestlé perdeu-lhe o rasto. Até agora não há sinais nem do caminhão, nem das tais 12 toneladas de KitKat. Isso não é brincadeira, são mais de 413 mil embalagens de chocolate.

Fizeram uma pausa os turistas.

Fizeram uma pausa. Ainda por cima, de uma nova gama pensada para chegar às lojas nesta altura do ano, justamente quando aumentou o consumo de chocolate na Europa, porque é chegada da Páscoa. Portanto, a Nestlé confirmou oficialmente o roubo e deixou um pedido, explicou que cada barra tem um código de lote único e que por isso pode ajudar a identificar os produtos que surgirem à venda no mercado negro. Ou seja, quem encontrar essas barras pode escanear o código e seguir as instruções para alertar a empresa. Duvido que o façam. Mas a empresa comentou isto até com um toque de humor, dizendo que apesar de apreciar o gosto excepcional dos criminosos, o roubo de mercadorias em trânsito é um problema crescente em toda a Europa. As autoridades têm estado a investigar o que aconteceu, mas até agora não há pistas claras sobre quem foram os responsáveis ou para onde levaram a carga. Por isso, não se admirem se por esta altura nas prateleiras de supermercado não houver fartaza nesta edição especial de Páscoa do KitKat.

Deve estar no Dubai. Deve haver.

Em segunda mão.

Já assim com a dentada. Nas redes sociais, o caso claro, ficou viral. Há muita gente a comentar, a brincar ou a reagir àquilo a que já está a ser chamado por alguns de "o grande roubo de KitKat", com o chocolate a ser o protagonista desta história.

Ontem passou, depois nem verifiquei se é mesmo assim, de um clube futebol, se não me engana, do Amadora, que emitiu um comunicado a dizer que não são responsáveis pelo roubo do KitKat.

Se fizeram, fizeram muito bem.

Sim, há muitas piadas na internet.

Não sei se há uma piada para além disto, de onde é que vem este desvio.

A ligação.

A ligação. Mas, de facto, esse é daqueles muito estranhos.

É muito estranho. E não saber o paradeiro.

Se ainda fosse chocolate do Dubai, dizem que é mais caro.

Pois.

Sim.

Mas ainda por cima não é fácil de esconder 12 toneladas de KitKat.

12 toneladas? É imenso. Derrete-se.

Mas depois mistura, fica tudo misturado.

Depois faz aquelas fontes de chocolate.

Claro, eu também trago um assalto.

Também.

Mas este é muito mais fácil de entender. O teu é...

Depende os gostos.

Depende os gostos. Deve haver tanta gente a gostar de chocolate como de cultura.

Olha que comer um Picasso não tem o mesmo efeito de comer um KitKat.

Pois, é mais saboroso o KitKat, seguramente. Neste caso, era um pouco mais de 4 da manhã, numa pacata localidade italiana, perto de Parma, Mamiano.

Como é que se chama?

Mamiano. Queres que eu anote?

Não, eu vou contar. Mamiano.

Mamiano. Tens outra para apontar. Fundação Magnani Rocca.

Ah, Magnani.

Ah, Magnani.

Magari.

Magari Rocca.

O golpe parece ter saído, de facto, de um daqueles argumentos de Hollywood ou de filme de plataforma de streaming.

É a vida a imitar a arte?

Completamente. Muitas ideias viram daí, certamente. E o grupo de assaltantes conseguiu contornar a segurança e levar três obras-primas de pintura impressionista e moderna. Já ontem falamos disso aqui. Vão-se sabendo agora mais detalhes. Tudo aconteceu em menos de três minutos. Os criminosos, que a polícia italiana acredita serem profissionais altamente especializados, forçaram uma porta lateral do museu. Depois, uma vez lá dentro, sabiam exatamente o que procuravam, ignoraram dezenas de outras peças, focaram-se em três nomes que fazem, obviamente, vibrar o mercado de arte mundial: Matisse, Cézanne e Renoir. As obras roubadas são a Natureza Morta com Cerejas, de Cézanne, Os Peixes, do Renoir, e uma das famosas Odaliscas, de Matisse.

Mas as primeiras eram de comida. Cerejas, peixe.

Há aqui uma ligação.

Eu acho que eram os mesmos senhores. Estão com o caminhão do KitKat à porta e carregaram com os quadros.

Vão disfarçar os quadros no meio dos KitKat.

Aproveitaram e levaram. O sistema de alarme chegou a ser acionado, embora mais tarde. Provocou a fuga precipitada do grupo de assaltantes. Havia uma quarta tela que chegou a ser retirada da parede, mas foi abandonada no chão do museu antes dos ladrões saltarem para um carro de alta cilindrada que os esperava no exterior. E os peritos avaliam o prejuízo em cerca de nove milhões de euros, mas o valor histórico e cultural é, segundo a direção deste museu, incalculável. Esta fundação, Magnani Rocca, eu já disse de outra forma, não já?

Já, mas ficou sempre bem.

É isso mesmo.

Manana. Não.

Tens que usar mais os braços.

Mario Bellini.

Marco Bellini, é que eu sei.

Marco Bellini, das pizzas. Esta fundação é conhecida como a Vila das Obras-Primas e é um dos centros privados de arte mais importantes de Itália, tendo as melhores coleções privadas.

Agora já não, agora já não tem das melhores coleções.

Não sei se estas três devem fazer muita falta, certamente. E as autoridades fecharam as fronteiras da região, estão agora obviamente a passar a pente fino as imagens das câmaras de segurança, a fazer as investigações. O receio, de facto, é que as obras tenham sido roubadas por encomenda e que possam desaparecer no mercado negro internacional antes de serem recuperadas.

Maria João, agora que andas em mudanças, dava jeito.

Eu acho que há aqui um denominador comum.

Com os chocolates. Eu acho que dava jeito, se calhar, lá na tua casa agora.

Os caminhões davam.

Um Cézanne.

Um Cézanne.

Um Cézanne na sala, não?

Fica ali aquela parede vazia. Tem que vai.

Exato, com aquela marca na parede. Aquela sombra.

Exato, aquela que não sai.

Ou para tapar um buraco, imagina.

Mas é mais um assalto este.

Mais um.

Em outubro houve o do Louvre. Oito minutos, luz do dia, quatro homens, joias da coroa, se quisermos, da coroa francesa. E em dezembro passado, na Biblioteca Mário Andrade, em São Paulo, oito gravuras de Matisse. Matisse está a ser muito procurado aqui. Qualquer coisa com Matisse. Oito gravuras de Matisse e cinco de Cândido Portinari foram levadas numa operação também que expôs as fragilidades da segurança em espaços públicos. Enfim.

Mas bons conhecimentos. Sim, mas bons conhecimentos. Estamos a falar de ladrões com altos conhecimentos de arte.

Ou pelo menos.

Bem instruídos.

Bem instruídos.