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As notícias que mexem com o nosso bolso com o Paulo Ferreira. Paulo, boa moeda, má moeda e confirma-se a subida da inflação. Ora que surpresa.
É verdade. Surpresa nenhuma. Confirma-se, de facto, a subida para 3,6% em setembro. E, obviamente, também sem qualquer surpresa, são os combustíveis que estão a puxar para cima os preços. A classe dos produtos energéticos subiu 15,3%. Estes 3,6% são uma média do cabaz de produtos e serviços que consumimos. Quando olhamos com detalhe, 15% são combustíveis, produtos energéticos, energia. Depois vamos para os alimentos não transformados, uma subida de 3,7% dos preços em termos homólogos, isto é, mesmo ano passado. Aqui já na normalidade, isto é, na média. Restauração e hotelaria, 4,8%, por exemplo, habitação, água, eletricidade e gás, 4,2%. Portanto, há aqui uma série de classes acima da média. Os transportes 3,9%, também muito afetados, obviamente, pelo aumento dos custos dos combustíveis. Portanto, isto foram as classes que mais subiram. Depois temos o reverso da medalha. Há aqui duas classes de produtos que até tiveram quedas de preços nestes 12 meses que estamos a analisar, de setembro a setembro. As comunicações e telecomunicações, uma queda de 1,2%. Tem a ver com a concorrência entre as várias propostas, entre operadoras e por aí fora. Ainda reflexo da entrada da Digi no mercado também. E depois o vestuário e calçado, uma queda ligeira de 0,4%. Aqui tem a ver com as promoções de final de estação e basicamente os saldos que são feitos. Mas fazendo a média, cá temos então uma subida da inflação. Vamos ver até que ponto é que se mantém ou não esta aceleração. E sabemos que isso influencia depois os juros que pagamos.
Com o FMI já com alertas muito preocupantes.
Claro, alertas a vários níveis, até porque a inflação pode se tornar de alguma forma endêmica. Estamos numa altura em que começam a ser negociados os salários para o próximo ano. Se esta inflação levar a um aumento de salários, isso de alguma forma vai perpetuar também com o aumento de consumo, com mais salários, uma pressão sobre os preços e obviamente que tudo isto nasce e pode morrer no Golfo e naquilo que se passa no Médio Oriente, entre os Estados Unidos e o Irão.
Paulo, pedes aqui também atenção a alguns produtos comprados nas plataformas de comércio eletrónico. O que é que se passa?
Mais de um terço do calçado, aqui estamos a falar só de calçado vendido nas plataformas de e-commerce como a Shein e a Temu, não cumpre as regras europeias. Isto é um estudo feito pela Confederação Europeia de Calçado, portanto, no fundo representa os fabricantes que são concorrentes.
Os prejudicados.
Os prejudicados também. Também não nos é difícil imaginar que de facto o cumprimento de regras apertadas na Europa não seja feito a 100%. Isto partiu de uma análise de 76 pares comprados nestas plataformas, a partir de sete países europeus, incluindo Portugal, e então chegou-se à conclusão que 35% das amostras testadas apresentaram falhas graves relativamente a limites de substâncias químicas nocivas. Entre os compostos proibidos ou acima daquilo que são as regras, os tetos legais na União Europeia, estão os ftalatos, eu acho que é assim que se diz, os ftalatos, que são usados para dar flexibilidade ao plástico, também o crómio e parafinas, e num dos casos a concentração dos ftalatos era 370 vezes superior ao limite máximo permitido pela regulamentação comunitária. Este problema ganha maior dimensão no calçado vendido como equipamento de proteção individual. No fundo, calçado profissional, usado em obras.
Pode ser ainda mais inflamável e mais tóxico, se calhar.
Ou pode não proteger também por isso e não proteger como devia. Dos 10 modelos que foram comprados e analisados nesta categoria, oito chumbaram nesses testes de segurança, porque apresentaram falhas ou na resistência ao impacto, ou na capacidade com que facilmente eram perfurados, no escorregamento também, isto além da ausência de documentação obrigatória de certificação. É um alerta então da Confederação Europeia de Calçado, mas também alerta que os padrões de segurança e a regulamentação da Comissão Europeia são muito exigentes, são difíceis de cumprir. Obviamente que os fabricantes cá e vendedores têm que o fazer, mas isto também alerta um bocadinho para aquilo que, em vários setores, não só no calçado, muitos fabricantes e vendedores na Europa dizem que há uma desigualdade muito grande nas regras que são cumpridas e obviamente que as pessoas depois olham para os preços através destas plataformas e obviamente preferem comprar mais barato sem olhar muitas vezes a estes detalhes.
Boa moeda, má moeda, todos os dias aqui na Rádio Observador com o Paulo Ferreira a dar-nos notícias que mexem com o nosso bolso.