Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Não sei se têm lá por casa uma daquelas camisas havaianas. O Paulo deve ter, é a cara do Paulo, não é?

Sim, várias, várias.

Vai ser aquela florcente.

Claro, várias novidades.

É melhor ir só uma, uma das especiais. Mas isto para falar de um designer alemão que decidiu criar aquilo a que chamou, sem modéstia, a camisa havaiana mais feia do planeta. Só que não foi por falta de gosto ou por ser daltônico, ou um surto de más escolhas de cores. Foi de propósito, há uma razão. É quase filme de espionagem por trás desta camisa que está a dar o que falar nas redes sociais. Ele chama-se Simon Beckert e o objetivo dele não era de todo entrar na Semana da Moda em Milão, era enganar a inteligência artificial. A camisa tem um padrão abstrato, meio psicadélico, em tons fortes de rosa, laranja e verde, e foi criado com um algoritmo que ele testou e ajustou de todas as formas, repetidamente, até fazer com que a câmera de inteligência artificial deixe de reconhecer aquilo que é um corpo humano. Para nós, parece uma camisa havaiana extravagante. Para a inteligência artificial, o algoritmo cega e simplesmente não vê pessoa nenhuma ali, fica baralhado. Qual é a magia disso? Hoje em dia, as câmaras de vigilância no trânsito das grandes cidades usam algoritmos que analisam as imagens em tempo real e desenham uma espécie de caixa à volta de cada veículo que vem na estrada para o identificar, o mesmo com as pessoas. O que é que acontece quando alguém veste esta camisa e vai dar um passeio a pé? O software fica baralhado. A câmera olha para o tecido, lê o padrão impresso no peito e nas costas e fica sem conseguir identificar.

Diz que é feio.

Se trata de uma pessoa, é tão feio que nem vê.

O que é isto?

Há, no entanto, aqui uma diferença importante entre enganar um algoritmo numa demonstração e desaparecer perante qualquer sistema de vigilância. O criador deixou isso bem claro e por isso é que a peça não impede uma câmera de filmar quem a veste, o rosto e o corpo continuam na imagem, mas aquilo que pode falhar é a identificação automática da figura como pessoa. Portanto, o objetivo não era incentivar as pessoas a vestirem-se mal.

Para enganarem os sensores.

Mas antes provocar aqui um debate sério sobre a quantidade de câmaras, sensores e algoritmos que vigiam todos os nossos passos nas cidades, muitas vezes sem o nosso conhecimento ou consentimento. Ele quis mostrar que, por mais avançada que a inteligência artificial pareça ser, ela ainda pode ser cegada por uma simples ilusão de ótica vestida por um peão. Por isso, Paulo, é pensares nesta camisa para juntares à tua coleção.

Vou ter que correr o risco.

É bonita.

Usar essas minhas camisas havaianas.

Saquem das vossas camisas mais feias.

Mais psicadélicas. Pode ser que enganem.

Mais esquisitas, porque assim podem não ser detectados. Ora, eu cheguei aqui a uma notícia que eu ouvi muita gente a falar, porque desperta sempre uma grande curiosidade quando tentamos perceber como é que os nossos animais domésticos, aqueles que estão mais próximos de nós, nos ouvem. Será que eles percebem o que estamos a dizer? Eu acho que toda gente que tem animais-

O tom devem perceber.

Sim.

Grande questão essa, claro.

Se eu falar, ele percebe as palavras que eu estou a dizer. Todos nós temos aquela impressão quando dizemos uma determinada: "Ah, ele está a perceber". E muito provavelmente é verdade, porque agora com o estudo que foi divulgado recentemente, chegou-se à conclusão que os cães segmentam aquilo que ouvem com um viés para as consoantes, que é semelhante ao dos humanos. Até agora pensava-se que os animais reagiam mais às vogais, mas eles conseguem compartimentar aquilo que está a ser dito através dos sinalizadores, que são as consoantes. E isso, até agora pensava-se que era específico dos seres humanos, mas afinal não, os cães podem também ter esta capacidade de segmentar aquilo que ouvem através das consoantes, o que lhes permitirá, e aqui é que é a grande questão, perceber certos padrões, não reconhecer as palavras, mas reconhecer certos padrões. E por causa desta notícia, cheguei aqui a uma outra, que também tem a ver com cães, que é capaz de ser ainda mais interessante. Por que os cães inclinam a cabeça quando ouvem certas palavras?

É tão giro, eles fazem aquela cabeça.

Eles parecem que estão, nós dizemos: "Ele está atento ao que eu estou a dizer." Todos nós já nos perguntamos, e a inclinação da cabeça pode estar relacionada com a forma como os cães direcionam a atenção para aquilo que estão a ouvir. E este comportamento, que há anos chama a atenção de quem tem um cão, também despertou o interesse dos investigadores. E então procuraram perceber por que isso acontece. E uma das primeiras pesquisas a investigar especificamente esta inclinação da cabeça foi publicada em 2021, na revista científica Animal Cognition. E o estudo, conduzido na Hungria, acompanhou cães durante testes que envolveram o nome de brinquedos que eles costumavam usar. Os animais foram divididos entre cães considerados comuns nesse tipo de tarefa e um grupo formado pelos chamados aprendizes habilidosos de palavras, capazes de memorizar os nomes de vários objetos. E então foi detectada aqui uma diferença. Os cães que conseguiam identificar os brinquedos inclinaram a cabeça em 43% das tentativas. Entre os restantes animais, ou seja, aqueles que não identificaram os brinquedos, isso aconteceu, a inclinação da cabeça, apenas em 2%. Isto não significa que aqueles que inclinam a cabeça estejam a perceber o que lhes está a ser dito, porque não há aqui uma causalidade. Mas há, de facto, uma correlação entre aqueles que inclinaram a cabeça e perceberem, ou pelo menos irem buscar aquele objeto a que os investigadores se estavam a referir.

Não deixam de ser fofinhos.

São muito fofinhos nessa altura. Eu acho que também há aqui uma espécie de chantagem que eles usam. É tipo os olhos do Gato das Botas.

Sim, fazem assim com a bolinha.

Os cães inclinam a cabeça e eu acho que eles nos conseguem levar à certa quando inclinam a cabeça, mas podem também estar a perceber, se não a palavra em si, pelo menos a detetar padrões. E quanto mais, isso é uma conclusão do outro estudo, aquele que eu falei inicialmente, quanto mais são expostos à fala humana, à linguagem humana, e quanto mais cedo são expostos à linguagem humana, maior é a sensibilidade deles para esses padrões em que as consoantes desempenham papel fundamental. Portanto, se calhar estamos mais próximos dos cães do que às vezes pensamos.

Até começamos a falar com eles desde pequeninos.

Desde pequeninos.

Em vez de gugu, dadá.

Não, falar logo palavras que eles são capazes de entender.