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Sabiam que todos os anos muitas pessoas são atropeladas ao saírem dos seus veículos depois de um acidente ou de uma avaria por terem de colocar o triângulo de sinalização?
Sim.
É também assim que começa um vídeo feito pela Direção Geral de Trânsito de Espanha, que anunciou esta semana que para evitar estas situações, estes atropelamentos, os triângulos vão ser substituídos por uma luz de emergência. Chama-se V16, é um dispositivo intermitente, portanto a luz fica assim a girar como se fosse uma sirene. Emite um sinal visível a 360 graus, pode ser vista a mais de um quilômetro de distância e em caso de emergência, não precisamos de sair do carro. Basta abrir o vidro, colocar no tejadilho e ativá-lo a partir do interior do carro. Muito mais inteligente. Muito mais.
Porque são tantas as notícias, tantas vezes que isso acontece, que as pessoas até têm medo.
Completamente.
Imagina.
Uma via rápida, e mesmo que não seja. Eu já vi numa autoestrada uma pessoa desesperada a sair do carro para avisar para o acidente e o risco que corremos. Num dia também como o de ontem, com muita chuva e vento, que só complica mais. A pessoa já está em stress.
Já me aconteceu ter uma avaria e fazer tudo, mesmo indo a 20 km/h, para não ficar parado naquele lugar, porque teria de sair do carro e tinha medo de sair do carro.
Mas além da vantagem de não termos que sair do carro, o dispositivo vem com geolocalização e ligação direta à Direção Geral de Trânsito Espanhola. O que isso quer dizer? Que assim que é ativada, transmite automaticamente a posição do veículo às autoridades e vai atualizando a localização a cada 100 segundos. Isso não só permite uma rápida resposta por parte dos serviços de emergência, o que for, as ambulâncias, a polícia, como serve também de ajuda para alertar outros condutores através dos painéis informativos, aqueles que existem nas autoestradas, e também com alertas nos Wazes lá do sítio. Não sei se lá também se usa o Waze. Esta nova norma aplica-se exclusivamente a veículos registados em Espanha, ou seja, se formos no nosso carro para Espanha, podemos continuar a utilizar o triângulo. Isto porque de acordo com a Convenção de Viena sobre a circulação rodoviária, que reconhece os dispositivos exigidos no país de matrícula. Também por isso, os condutores espanhóis que circulem cá, ou seja, em Portugal ou noutros países europeus, vão poder usar esta tal luz V16 sem serem multados por falta do triângulo. Muito interessante. Pode ser o princípio de uma boa ideia. Acho que devíamos adotar, porque isto parece tão mais tranquilo e mais seguro.
A quantidade de vezes que ouvimos notícias em que isto acontece.
Até porque o triângulo é aquela coisa que se carrega num botão e está ligado. Muitas vezes há dificuldade, há pessoas que têm dificuldade em montar o triângulo, portanto é mais um estresse. Diz, Paulo.
É uma coisa de século XIX, basicamente.
É verdade.
E a tecnologia chega a tanto lado, como é que ainda não tinha chegado aqui?
É verdade. Às vezes é o ovo de Colombo, depois de ser inventado, toda a gente: "Era isto". É como a Via Verde. A Via Verde. É um ótimo exemplo. De repente, parece que é uma boa ideia. Aqui ao lado pode ser que pega. Olhem, não se fala de outra coisa senão da Cláudia. Pois é. Da Cláudia. E não é raia. Não, não é. Mas está a dar muita raia. E eu li um artigo no Expresso e que tem a ver com dados da E-Redes, mas que me fez pensar numa outra coisa. Foi aqui enumerado, a E-Redes fez um levantamento ou divulgou ao Expresso um levantamento do número de clientes afetados quando há tempestades. E fez-me pensar e fazer aqui um levantamento do que têm sido as tempestades que têm afetado o país nos últimos anos. Querem recuar até 2024, o ano passado? Vamos lá. Nós lembramos bem, não é, Carla? O ciclone extratropical Kirk foi entre 8 e 10 de outubro, que levou 840 mil clientes sem eletricidade. Mas se formos para o ano anterior, 2023, a 1 de janeiro, já tivemos uma primeira tempestade. Depois, o outono, depressão Babette, em outubro. A depressão Aline.
Aline, eu lembro-me bem da Aline.
A depressão Bernarda. A Babette, não estou a lembrar. Ainda a depressão Ciarán, que foi em novembro. Mas os nomes começam a fazer-nos uma luz. Em 2022, tivemos um temporal na região Sul do país em dezembro, 33 mil clientes ficaram sem eletricidade. A depressão Efraín. Vamos recuar aos anos da pandemia. Tivemos a depressão Glória, devemos lembrar. A depressão Jorge. A Glória foi em janeiro, a Jorge foi em março. A depressão Hortense.
Ai, a Hortense.
Houve um rio atmosférico em outubro.
E teve nome?
Esta não tem nome, pelo menos no artigo não tem nome. Coitada do rio. Ficou sem nome. Se recuarmos até à pré-pandemia, vamos ainda de certeza lembrar-nos da tempestade Helena. Isso foi em 2019. A Elsa, a depressão Elsa, Fabiane, também. Em 2018, a Ema, a Giselle, a Leslie.
A Giselle, eu lembro-me bem.
A tempestade Dóris. E de repente, parece que foi antes de ontem que isto aconteceu. A tempestade Ana. Muitas tempestades.
Eu vou vos contar uma coisa. Em 1991, já havia isto de tempestades. E havia uma grande tempestade nos Estados Unidos, que foi anunciada, que era a tempestade Hugo. E eu tinha um colega Hugo, e fiquei muito ciumento, cheia de inveja, porque eu tinha uma tempestade e nunca aparecia a tempestade Bruno. Pronto, ganhou-me dessa vez.
Um dia vai vir uma tempestade Bruno. Os nomes começam a escassear.