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Carla, não se fala de outra coisa.
Não, sobretudo quem estava pelo litoral centro, na zona da Figueira da Foz, na segunda-feira, ao final da manhã, meio-dia, ouviu um enorme estrondo. Não só na Figueira da Foz, os municípios vizinhos de Mira e de Cantanhede falam de um estrondo muito forte, alguns falam de uma explosão. O próprio presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, disse que ouviu um estouro enorme, um barulho estranhíssimo, que o deixou assustado, e perguntou por que não havia nenhuma explicação para isso. Houve algumas tentativas de entendimento. Terá sido um sismo? Terão sido descargas elétricas? Nunca nenhuma autoridade confirmou uma ocorrência anormal, não havia nenhuma explicação. Um sismo não era. Até que finalmente chegou um esclarecimento, que chegou da Força Aérea de Portugal. Afinal, foram caças F-16M, numa missão operacional, que ultrapassaram a barreira do som. Foi um comunicado enviado às redações, em que explica a origem do estrondo. Foi uma missão operacional em que houve a necessidade de ultrapassar a barreira do som. A Força Aérea diz que este é um tipo de atividade que é essencial, e agora vou citar: "Para garantir a prontidão e eficácia dos meios nacionais na salvaguarda do espaço aéreo. E as condições atmosféricas terão permitido que o som se propagasse de outra forma e com maior intensidade sentido pelas populações". Ainda assim, a garantia também chegou no comunicado que não houve qualquer situação de perigo para a população. E de facto, consta que houve vidros a abanar, algumas estruturas tremeram um pouco, mas foi um enorme susto. Agora, o que é isso de ultrapassar a barreira do som? O Observador fez um artigo em que tenta explicar o que isso é na prática. Isto acontece quando um avião ultrapassa a velocidade do som. Estamos a falar de cerca de 340 metros por segundo. Ontem, Paulo, falavas aqui do recorde da maratona. Isto é um pouquinho mais.
Ainda lá próximo. Claro.
É como se o avião deixasse de empurrar o som à frente dele e ultrapassasse o som. O som fica para trás, isto cria uma onda de choque que produz este estrondo que se ouve no solo. À medida que o avião se aproxima desta velocidade, o ruído do avião tende a ficar comprimido, aumenta a intensidade, que é capaz de ser ouvida a grandes distâncias. Isto acontecia quando acontecia com o Concorde, mas exatamente pelo efeito que tinha no solo, é proibido o voo supersônico de aeronaves civis na Terra. O Concorde só fazia isto quando estava no mar, no oceano, exatamente para impedir algum alarme. O coronel José do Carmo, que conhecemos muito bem aqui do gabinete de guerra, diz que nem sempre a passagem da barreira do som é planeada. Isto acontece nos treinos, mas não se define: "Vamos ultrapassar a barreira do som". É qualquer coisa que acontece e por isso a população nunca pode ser avisada antecipadamente. Agora, há riscos para quem ouve? Era uma das preocupações. Não, pode causar um desconforto momentâneo, um susto, mas é um fenômeno que está a acontecer a grande altitude. Outra pergunta: então os pilotos podem sofrer alguma coisa com isto? O coronel José do Carmo diz que eles nem sequer chegam a ouvir o estrondo porque estão dentro da aeronave, é uma coisa que acontece fora. Os principais desafios para os pilotos estão muito mais ligados às condições do voo, às acelerações e, por exemplo, à necessidade de sistemas de oxigênio. Ainda assim, é mais uma vez recordada a experiência com o Concorde, em que os passageiros também estavam lá dentro sem qualquer tipo de proteção adicional e passavam a barreira do som. Está explicado.
São os sustos a que temos direito, não é? Com a utilização dos aviões de guerra. Ainda bem que são esses.
Exatamente.
Quando usam os aviões de guerra. Também não se fala de outra coisa, o novo embate entre a Casa Branca e o humorista Jimmy Kimmel, dos Estados Unidos. O apresentador fez uma piada ao jantar de correspondentes da Casa Branca, fez uma rábula, uma paródia, no seu programa Jimmy Kimmel Live, isto dois dias antes do evento. No fundo, ele simulou que era o comediante escolhido para entreter os convidados, que incluíam, naturalmente, o presidente Donald Trump, Melania, a primeira-dama, e altos funcionários do gabinete. Foi a primeira vez que o Donald Trump aceitou ir a este jantar anual, que é uma tradição. E já agora, o formato daquele jantar é aquilo que nós conhecemos como roast cá, isto é, os participantes trocam piadas diretamente entre eles, com críticas muitas vezes ácidas a pessoas que estão ali à frente, olhos nos olhos. E entre as piadas, Kimmel fez uma alusão à primeira-dama, com uma comparação irônica. Ele descreveu a primeira-dama, e agora citamos, como uma radiante, como uma futura viúva. Esta foi a frase, basicamente, que carregou no gatilho da polêmica. Portanto, ele estava ali a antever um Donald Trump morto, basicamente.
É uma piada com mais ou menos gosto, mas é um gosto.
Certo, mas é uma piada. E por que isto deu polêmica? A polêmica não foi imediata, houve aqui dois dias ainda.
Até porque aconteceram coisas.
Aconteceram coisas. Porque dois dias depois aconteceu o que sabemos, o presidente, a primeira-dama, todas as autoridades, tiveram que ser retirados no sábado à noite da sala, depois daquele homem armado ter ultrapassado a barreira de segurança no hotel, em Washington, onde se realizava o evento, e ter começado a disparar tiros em direção à porta onde corria o jantar. Portanto, terá havido aqui uma tentativa de atentado, não se sabe se ao presidente ou a outras figuras da administração. E a partir daí, de facto, perante este alarme, tudo descarrilou. Melania Trump afirmou que o conteúdo do programa de Kimmel não é comédia, acusou o humorista de contribuir para aprofundar a divisão política nos Estados Unidos. Afirmou ainda que figuras como ele, como o Kimmel, não deveriam ter acesso aos lares americanos todas as noites para disseminar aquilo que ela chama como mensagens de ódio. Donald Trump acusou-o de fazer um vil convite à violência, com uma piada dirigida, de facto, à primeira-dama. Disse que isto foi longe demais e que Jimmy Kimmel devia ser despedido imediatamente pela Disney e pela ABC. A Disney é dona da ABC, estação de televisão onde Kimmel tem o seu programa diário. Também a Melania instou a ABC a tomar medidas após os comentários feitos por Kimmel. Diz que é uma retórica odiosa e violenta. Chamou cobarde a Kimmel, enfim, houve aqui um escalar de acusações. Ela diz que ele se esconde atrás da ABC porque sabe que a estação vai continuar a protegê-lo. Kimmel, entretanto, já respondeu na noite de segunda-feira, portanto, no programa seguinte, no dia 27 de abril, desta segunda-feira. E ele começou assim o seu programa: "Vocês sabem aquele dia em que acordam e a primeira-dama fez um comunicado a pedir a vossa demissão? Já todos passamos por isso, certo?" Ele tinha acabado de passar por isso. O Kimmel recusou o pedido de desculpa sobre a sua piada. Diz que a Melania devia antes falar com Trump quanto à retórica odiosa. Diz que foi uma piada sobre a diferença de idades e o ar de felicidade que se vê neles sempre que estão juntos, e aqui citamos: "Foi uma piada leve ao fato de ele ter quase 80 anos e ela ser mais nova do que eu. Não foi, de forma alguma, um incitamento ao assassinato." Entretanto, o regulador americano das telecomunicações, a FCC, uma espécie de ERC.
A ERC norte-americana.
A ERC lá do sítio, neste caso, com responsabilidades também nos media, já ordenou esta terça-feira, portanto, ontem, ordenou ao grupo Disney que apresente um pedido de renovação de licença para as estações locais da cadeia ABC, antecipando-se assim vários anos ao calendário que estava previsto. Ou seja, Donald Trump já largou a matilha das entidades reguladoras contra a ABC. Não é a primeira vez que Kimmel provoca a ira com a direita norte-americana e com a Casa Branca. Em setembro passado, ele acusou esta direita norte-americana de explorar politicamente o assassinato do influenciador pró-Trump, o Charlie Kirk. A propriedade da Disney ABC, na altura, suspendeu o apresentador durante algum tempo, mas, no entanto, face às críticas e às acusações de censura, a emissora de televisão acabou por trazê-lo de volta às ecrãs uma semana após a demissão. Enfim, é um assunto que ainda está a correr.
Sim, vai continuar agora.
Vai continuar, certamente, e vamos ver o que é que ou a ABC ou as entidades reguladoras vão fazer em relação a mais este caso.