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É hora de mais um Não Se Fala de Outra Coisa. Do que não se fala?

É verdade.

Ou do que é que só se fala?

Do que é que só se fala?

O nosso explicador. E cá estamos.

Não se fala de outra coisa, não se fala.

Não se fala. E cá estamos nós. Primavera e outono, neste caso no outono, a discutir a mudança da hora.

É já no próximo fim de semana.

É já no próximo fim de semana.

Sábado para domingo.

Desta vez ainda muda, independentemente das decisões que forem sendo tomadas. E desta vez os ponteiros andam para trás.

Para trás uma hora. Sábado para domingo.

Dormimos mais.

Ganha-se uma hora de sono.

É sempre essa contradição, dormimos mais, mas os dias ficam mais curtos.

Pois. Pagas isso a prazo. E desta vez a polémica veio, a voz discordante, se quisermos, veio de Espanha, com Pedro Sánchez a dizer que mudar a hora duas vezes por ano não tem sentido. Ele gravou um vídeo para as redes sociais, precisamente a defender este ponto e a dizer que Espanha vai propor à União Europeia acabar, de facto, com essa alternância de horário de verão e de inverno. Quais são os argumentos? Os argumentos são antigos. Pedro Sánchez argumenta que a maioria dos cidadãos é contra esta mudança da hora, que a ciência afirma que já não representa uma economia de energia e perturba os ritmos biológicos. O presidente do governo espanhol lembrou também que há seis anos o Parlamento Europeu votou a favor da proposta, precisamente para acabar com esta mudança da hora. É um debate antigo, como sabemos, isso aconteceu em fevereiro de 2018. Houve essa resolução aprovada pelo Parlamento Europeu, em que pedia à Comissão Europeia para fazer uma análise profunda da legislação relativa à mudança da hora e para, se necessário, apresentar uma proposta para fazer a alteração. O tema nunca avançou, apesar de terem feito vários inquéritos e vários estudos. E não avançou por quê? Porque para um tema destes avançar, é preciso uma maioria no Conselho, e o Conselho é onde estão representados os governos de todos os países da União, e não havendo uma maioria de países a favor, ou de governos, se quisermos, a favor da decisão, a decisão não avança. Vamos ver se desta vez o trajeto legislativo é feito em Bruxelas e se chegamos a esse ponto. Na altura, o que se disse é que houve uma sondagem online colocada pelo Parlamento Europeu, onde mais de 80% dos 4,5 milhões de inquiridos que votaram disseram que gostavam que as mudanças da hora fossem abolidas. Pode haver aqui uma ideia. Atenção, quando estes inquéritos são espontâneos, isto é, só lá vai votar quem quer. Não é uma amostra representativa.

Vão os que estão mais-

Motivados

Motivados, e neste caso, motivados a alterar.

A alterar, claro. Não é para manter.

Exatamente. Poucas pessoas vão votar para manter.

Não há o entusiasmo para manter.

Exatamente. E portanto, isto pode ser enganador de alguma maneira. Eu diria que é melhor fazer sondagens à séria sobre este tema para não ficarmos um bocadinho iludidos com estes 80%. Na altura, também esta consulta pública foi a mais participada de sempre, o site chegou a ir abaixo. Lá está, mas nem todos os países da União reagiram favoravelmente. E a posição portuguesa? Portugal, neste momento, não tem posição assumida. Paulo Rangel, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, disse ontem que percebe a urgência espanhola, porque para uma grande parte do território espanhol é importante ter uma hora legal que seja igual à portuguesa e à inglesa, e neste momento é diferente, nós sabemos, em Espanha é mais uma hora do que em Portugal e no Reino Unido. Mas diz que o assunto em Portugal ainda não foi discutido pelo governo, em Conselho de Ministros, que é uma decisão que tem impacto econômico e para a saúde e que por isso não vai ser definida só pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros. Vamos aguardar o que é que o governo português diz, mas vamos aguardar, sobretudo, os desenvolvimentos na frente europeia e se há uma maioria ou não de Estados a favor.

Mas agora há outra coisa com que os franceses e muitos europeus estão mais preocupados: com o roubo no Museu de Louvre, é aquilo de que se fala. Todos nós adoramos filmes, eu pelo menos gosto muito de filmes de roubos, aqueles golpes.

E há uma série do "O Cego do Pan".

Do "O Cego do Pan". Mas toda gente tem esse fascínio pelos filmes de golpes, seja o "Oceans Eleven", vários filmes clássicos com roubos a museus, a bancos. Toda a gente gosta dos filmes, mas quando há um roubo bem feito, executado na perfeição, toda a gente se queixa a dizer: "As falhas de segurança." Não, não pode ser assim. Isto foi um golpe de mestre. Aliás, o roubo durou pouco mais de sete minutos. Quando disserem que sete minutos é pouco, não acreditem. Aqui está a prova do que se consegue, dos estragos que se conseguem fazer.

Em sete minutos.

Em sete minutos, é verdade. E eu estive aqui a olhar para a lista dos objetos que foram roubados. O Ministério da Cultura francês divulgou logo que oito joias eram estas, de valor inestimável, uma tiara, um colar, brincos de safiras. Encontrei aqui também no jornal "O Público", a descrição do colar de esmeraldas que Napoleão ofereceu a Maria Luísa da Áustria e está a imagem, poderão ver no site. É, de facto, lindíssimo, é um colar maravilhoso e que agora a grande questão é saber, afinal, o que os ladrões vão fazer com isto.

Esse é o grande tema, de facto, neste tipo de peças.

É saber, porque não poderão ser exibidas em lado nenhum.

Não, ninguém pode saber que alguém as tem.

Se alguém encomendou o roubo para ficar com as joias, de facto, nunca as poderá exibir.

Só para prazer próprio.

Pois, mas que prazer é que podes ter se não o podes exibir? Quer dizer, podes exibi-lo.

Eu acho que nem aos amigos se pode dizer que se tem lá.

Que se tem. A verdade é que há aqui uma contradição.

As joias de Napoleão.

A outra possibilidade é, de facto, depois vender aquilo, desmontar as peças, por assim dizer, mas nunca valerá o mesmo que a peça em sima. Portanto, também não faria muito sentido. E, aliás, o valor está no facto de serem estas peças, não exatamente a composição. E o valor histórico.

Claro, não é pelo ouro que aquilo tem ou as pedras que aquilo tem como matéria-prima.

É a história das próprias peças que lhe dá este valor. Mas houve uma peça que ficou para trás, já foi falado, parece que ficou danificada, que foi a coroa. A coroa de Eugênia, será?

Uma das companheiras do Napoleão, não é?

Por acaso, agora não sei, mas houve uma que ficou aqui para trás, foi a coroa da Imperatriz Eugênia, que foi encontrada nas proximidades do Museu do Louvre. Eles deixaram-na cair, mas parece que está danificada. Ainda assim, foi aquela que sobreviveu das nove peças ao todo que foram roubadas. E agora vamos aguardar pelos desenvolvimentos. Estão a ser feitas investigações. E aqui o mais importante para as autoridades francesas será a recuperação das peças e perceber exatamente como é que isto foi planeado, porque têm sido apontadas, e ouvimos isto na história do dia, várias falhas de segurança ao Museu do Louvre ao longo dos tempos, e perceber exatamente como é que foi possível fazer este roubo, conseguindo levar as peças e desaparecendo quase como se tivessem evaporado.

Magia.