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Paulo, foi fácil escolheres o nome dos teus filhos?
Foi. Com as mães houve um acordo muito rápido. Sim.
Boa!
Eu perguntei à Maria João e é a história da manhã.
Trago duas histórias de pais que deixaram que o próprio universo, e quando digo universo é literalmente o universo, decidisse o nome dos bebês, tudo por causa dos eclipses solares totais.
Isso é mesmo colocar o destino nas mãos do universo.
A primeira história aconteceu no estado da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, em agosto de 2017, durante o famoso Great American Eclipse. A mãe Freedom e o marido Michael tinham tudo pensado. A bebê devia nascer mais tarde, depois do eclipse, e o nome escolhido era Violet. Mas, em tom de brincadeira, fizeram uma aposta e disseram: "Se ela decidir nascer no próprio dia do eclipse, muda tudo, vai ter de se chamar Eclipse."
E assim foi?
E assim foi. A pequena não quis perder a oportunidade.
A mãe também se chama Freedom, não é?
Exatamente. Fazer assim uma entrada triunfal. Na madrugada do eclipse, a mãe começou com contrações, foram correr para o hospital em Greenville e às 8:00 da manhã nascia uma menina de 2,800 kg. A mãe nem sequer conseguiu ir à janela ver o Sol a ser coberto pela Lua, mas cumpriu a promessa. A bebê foi registrada como Eclipse Aiylisabeth Eubanks. Coitada.
Está bem.
Não é Elizabeth, é Aiylisabeth. É tudo diferente. E Eclipse. Anda cá, mãe. Saltamos para abril.
Eclipse, não desapareças.
Não te escondas, Eclipse.
Ela vai ganhar sempre com as jogadas às escondidas, tenho a noção disso.
Saltamos para abril de 2024, no Texas. Alicia Alvarez estava grávida e já tinha em casa uma filha de quatro anos chamada Luna, lua em espanhol. Como queriam ter o par perfeito, os pais já tinham decidido há muito tempo que a nova bebê se chamaria Sol. O que eles não sabiam é que a natureza ia levar este conceito demasiado a sério. O parto só estava previsto para maio de abril, mas a bebê resolveu antecipar-se exatamente para o dia do eclipse solar total. E também por causa disso tiveram de enfrentar umas filas de trânsito intermináveis para conseguir chegar ao hospital, porque havia milhares de pessoas na estrada a tentar ver o fenômeno. A pequena Sol Celeste acabou por nascer à 13h15, poucos minutos antes da Lua cobrir o Sol por completo. A mãe contou mais tarde que deu à luz no quarto do hospital, claro, e no minuto seguinte ouviu a multidão lá fora na rua a aplaudir e a celebrar, exatamente quando o céu ficou completamente escuro. Ou seja, a Lua e o Sol cruzaram-se no céu exatamente no momento em que a pequena Sol Celeste chegava ao mundo. Será que também há histórias portuguesas de bebês nascidos no dia do nosso eclipse?
Não sabemos, nessa família pode haver eclipses todos os dias, com a lua a esconder o sol todos os dias.
A brincar um atrás do outro. Olhe, mas partilhe connosco, se por acaso deu à luz, e se tem um nome original.
No dia e na hora.
Mas com um nome original e que tenha uma ligação aqui ao eclipse.
Não sei se nós não temos uma restrição até administrativa para nomes maior do que nalguns países.
Pronto, se for original, envia-nos o seu áudio: 91 002 41 85.
A Maria João quer prolongar este eclipse.
Este debate já passou.
Sol, Lua e Eclipse.
Daqui a 100 anos haverá outro e logo vemos.
Exatamente, o que é que vai surgir aí.
Tem dado que falar também, para além do eclipse, naturalmente, que já lá vai. Tem dado que falar também uma declaração do ator Brad Pitt, que após sete anos sóbrio, afirmou numa entrevista recente à revista Esquire que voltou a beber, ainda que de forma moderada. Isto tem gerado aqui alguma polêmica. Só para recordar, em 2017, o ator Brad Pitt admitiu que enfrentava um consumo excessivo de álcool ao longo da vida e comentou que deixou de beber durante o processo de separação da atriz Angelina Jolie. Apesar do ator afirmar que tem consciência de que o hábito não lhe faz bem, nessa entrevista mostrou-se confiante ao dizer que passou a beber, mas de uma forma mais controlada. E passo a dizer aqui uma frase do ator Brad Pitt: "Posso tomar algumas taças de vinho, mas não posso exagerar. Tenho de encarar isto com profissionalismo." Foi a frase que ele disse à revista.
É sempre um risco, não é, um ex-alcóolico?
Ora aí está. O problema é que os especialistas alertam que quem já enfrentou problemas com vício do álcool, para essas pessoas não é seguro voltar a beber de todo. E por quê? Eles explicam que o corpo da pessoa que teve problemas com o consumo de álcool guarda uma memória biológica em relação à ingestão excessiva dessas substâncias, sendo que nessas pessoas o conceito de moderação não se aplica da mesma forma para aquelas pessoas que bebem apenas socialmente, ou seja, o cérebro não volta à estaca zero e os circuitos ligados ao desejo e à recompensa seguem sensibilizados mesmo depois de muito tempo sem beber. E por isso, as quantidades que para estas pessoas num primeiro momento parece que não são excessivas, podem desencadear depois um processo de recaída, mesmo que a própria pessoa não se aperceba disso e, evidentemente, também do tempo da abstinência.
Escapa-lhe à vontade.
Exatamente. Neste contexto, um dos grandes perigos é o excesso de confiança que uma pessoa pode desenvolver depois de conseguir passar largos períodos sem beber, haver aqui um excesso de confiança. E de resto, o próprio Brad Pitt, nessa entrevista, afirma que algumas vezes se sentiu confiante demais nesse processo e percebeu que a vida em excesso não lhe fazia bem. O certo é que quando uma pessoa com problemas de álcool para de beber, a tendência é que diversos aspetos da vida possam melhorar, como a melhor qualidade de sono, perda de peso. E tudo isso pode levar a uma falsa impressão de que o vício foi superado.
E que está tudo bem, que pode voltar a beber.
Exatamente.
Em segurança.
Exatamente. O facto da vida estabilizar reforça a leitura de que o problema ficou para trás, só que é essa sobriedade que permite sustentar e continuar com esse novo estilo de vida. Os especialistas alertam que muitas vezes a recaída acontece no momento em que a pessoa não está à espera, não dá propriamente sinais claros e geralmente a criação de regras para beber costuma ser um indício de que alguma coisa não vai bem. Ou seja, "vou beber só uma cerveja no fim de semana" ou só em ocasiões sociais. Geralmente, quando essas regras começam a ser flexibilizadas pela própria pessoa, é um alerta de que algo já não está certo.
Já não está sob controle.
Exatamente. E a partir daí, a tendência é que a pessoa aumente a frequência, já não é só uma cerveja de vez em quando, já são duas ou três, ou a quantidade, e passa a beber também sozinha ou escondida e, portanto, afasta-se também de quem acompanhava essa recuperação. Em alguns casos, uma sobriedade de 10 ou de 20 anos pode-se perder em questão de minutos.
Lá está. E esse tempo que se esteve sóbrio, sem beber, dá ideia, de facto, de uma recuperação.
Exatamente.
Sinto que tenho controlo sobre a vida.
Já passaram 10 anos, portanto, sem recaídas.
Exatamente. Os especialistas explicam também que a vontade de haver esse teste, de se estar tudo bem.
Ver se é capaz.
É um dado clínico também relevante, porque quase sempre existe algo por trás dessa ideia. Um estresse, uma perda, um incômodo, está sempre por trás disto. E portanto, os psiquiatras explicam que em poucas situações se considera seguro retomar o consumo de álcool. Os especialistas entendem mesmo que para pessoas com vício, apenas uma minoria, só mesmo muito poucas pessoas é que conseguem voltar a beber de forma social sem que isso seja um problema. Ainda assim, seja para quem for, os especialistas lembram também o aviso da Organização Mundial da Saúde: não existe uma dose segura de álcool para ninguém, seja para quem tem algum problema, ou seja, mesmo socialmente, não há uma dose segura de álcool para ninguém.