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Não se fala de outra coisa.
Não, eu sinto uma mancha vermelha no pescoço do Donald Trump.
Também vi.
Não sei se perceberam. Viste isso?
E depois a makeup, não é?
Sim, e a makeup do lado direito, junto ao colarinho, até com algumas crostas. Não estava bonito. Isto foi durante a cerimónia de entrega de medalhas de honra na Sala Este da Casa Branca, nesta segunda-feira, início da semana, início também dos ataques ao Irão. E isto deu azo a enormes especulações, mais uma vez, uma discussão em torno do estado de saúde do presidente dos Estados Unidos. E foi de tal forma, que o próprio médico pessoal teve de vir explicar o que se passa e diz que Trump está a fazer um tratamento preventivo para a pele. Foi assim que ele disse à CNN.
Aqui foi o teste para ver se a pele reagia.
E se calhar reagiu muito mal. Ele diz que é um creme muito comum, o que também dá azo a muitas especulações, que creme comum é esse, mas que é um tratamento preventivo e que está a fazer há uma semana, e o médico já explicou que espera-se que esta vermelhão dure ainda mais algumas semanas, sem explicar qual é a terapêutica e o que está exatamente a tentar prevenir. Nada ficou claro. E isto é mais um problema, porque não é a primeira vez que a pele do Donald Trump suscita um debate.
Também foi nas mãos, não é?
Sim. Em agosto foi fotografado com uma camada de maquiagem na mão direita. Estava a visitar um museu em Washington. Na altura, a Casa Branca também justificou as manchas e a maquiagem, e a explicação é surpreendente, diz que tem a ver com os sucessivos apertos de mão que o presidente dos Estados Unidos dá.
E não foi o Barcelo.
E não foi o Barcelo.
Que provoca lesões.
Estávamos sempre aqui a falar de problemas de saúde do Joe Biden, mas Trump também já tem aqui um historial complicado. Se nos recordarmos, em 2020, primeiro mandato de Trump, ele esteve internado com Covid-19. Aparentemente, esteve mais doente do que aquilo que foi, na altura, tornado público. Houve também um teste cognitivo a que o próprio se submeteu. Aqui também não adiantou pormenores, mas disse que passou com distinção. E a equipe médica do presidente também tem feito sucessivas declarações a falar sobre um estado de saúde excepcional de Trump. A verdade é que a oposição, o Partido Democrata, vários opositores têm aproveitado para criticar todas estas suspeitas e apontando para um estado de saúde frágil do presidente e até jornais muito respeitáveis e recentemente, nos últimos dias, têm abordado as capacidades cognitivas de Trump. Há vários leaks, várias notícias que vão saindo até de diplomatas estrangeiros que se encontram com Trump e que ficam mal impressionados com o estilo da conversa. Se isto é especulação e também um sinal dos tempos e das redes sociais, ou se há algo mesmo de grave a afetar o presidente dos Estados Unidos, isso não sabemos, mas há muita atenção a qualquer detalhe de Trump. Está muito escrutinado também a esse respeito.
Sim, mas também há um secretismo que só é próprio de regimes totalitários.
Mas que também aumenta as suspeitas de algo que se passa. E se pensarmos no que foi a história de Biden, os últimos meses de Biden presidente, isto começa a ser aqui um pouquinho comum.
Mas isto, politicamente, Trump é mesmo muito pele.
É.
Problema de pele.
Também.
Para muita gente. Olhe, não se fala também de outra coisa, o desaparecimento, a morte de António Lobo Antunes. E o Observador seleciona 25 frases do escritor. Não vamos passar pelas 25. Aliás, a primeira que dá título apetece logo mergulhar nelas. São precisas três coisas para escrever: paciência, solidão e orgulho. Mas vamos aqui mergulhar em algumas. Portanto, António Lobo Antunes na primeira pessoa: "Para mim, os lançamentos e as inaugurações de exposições são sítios pouco agradáveis, cheios de conflitos. E depois não tenho muito a dizer às pessoas, nem muito para ouvir. Cada vez mais essas pessoas cansam-me. Ao fim de uma ou duas horas fico cansado e apetece-me estar sozinho. Aquilo que dizem não me interessa muito e aquilo que eu lhes digo, provavelmente, também não lhes interessa muito a eles."
Tantos que partilham este pensamento.
Muito.
Sim.
Eu acho que, por vezes, todos pensamos um pouquinho nisto. "Sempre gostei de estar com o que chamam pessoas humildes. Foi com essas que aprendi mais. As classes altas não me interessam. Nunca fui esnobe. Costumo comer numa tasca e vou ouvindo." Aqui hoje o Rodrigo Guedes de Carvalho, na história do dia, dizia que isto é a matéria-prima de um escritor. Andar por aí a ouvir.
A ouvir.
O Ruisinho que também nas redes sociais ontem publicou qualquer coisa sobre um restaurante onde os dois se encontravam e que ficou vazio. Uma mesa vazia.
Claro, de repente.
Sim.
"Não sou uma pessoa muito alegre. Sou introvertido, fechado, cheio de dúvidas. Não me é fácil viver comigo. Parece que estou sempre em guerra civil." Outra ainda: "Tive sempre a sensação que um livro é um organismo vivo que nos escapa. Não tenho nenhum plano escrito, nunca. Escrevo à mão, não tenho computador, não tenho telemóvel, não tenho carro." Eu fui ver a data desta, é 2020. Ou seja, não é do final dos anos 80 ou 90.
Não é uma reação à mudança. Há seis anos.
É o mesmo.
É importante.
E outra que tem uma carga de ironia muito forte: "Seria incapaz de dizer mal de um livro, mesmo que o livro fosse desonesto, mesmo que o livro fosse mau, não falaria sobre ele. Portanto, se fosse crítico literário, era uma maçada, porque quase não tinha sobre o que escrever."
Adoro.
Esta tem uma grande carga de ironia. Há aqui outra muito engraçada: "Eu gosto da parte masculina das mulheres, mas não gosto da parte feminina dos homens. Como mulheres, os homens deixam muito a desejar." E para acabar, só mais uma: "A gente não vive em democracia, como é evidente, não vive. Há algumas quase democracias, a Holanda, a Bélgica, a Suíça, com aquele arranjo federal complicado. A democracia implicava um constante referendar pelo povo das decisões de poder. Não existe."
E temos recuperado muitas entrevistas, ainda ontem eu ouvia uma antiga, e há uma entrevista maravilhosa à Ana Sousa Dias na RTP, em que ele começa difícil, como era nas entrevistas e ontem na emissão especial.
Com certo enfado, sempre, não era?
Sim. E depois vai por ali e é deliciosa. Acho que vale a pena ir recuperando essas entrevistas agora. E os livros, sim.
E os livros, claro