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São muitas as reações do mundo da música e não só à morte de Dolly Parton, a cantora ícone da música country, que morreu ontem aos 80 anos, devido a complicações relacionadas com o câncer, mas deixa uma obra musical inigualável.

Milhares de músicas.

É, são 3000.

3000.

Exatamente. Isso, 3000 músicas. É impressionante. É uma obra inigualável e que, naturalmente, não deixa ninguém indiferente. Desde logo, Elton John, Paul McCartney, passando por Beyoncé, Sabrina Carpenter. São muitos os que deixaram uma homenagem à cantora. Acho que não vou conseguir falar deles todos, mas vamos a alguns deles. Por exemplo, Paul McCartney recorda uma mulher cheia de vida, pelo que lhe é difícil encarar a ideia da morte da cantora. Destaca a escrita de canções, a interpretação, a filantropia. Diz que é difícil imaginar um mundo sem a Dolly. É uma mensagem deixada pelo ex-Beatle. Sir Elton John também reagiu com choque e consternação à notícia da morte de uma artista gigante, única, insubstituível, de coração bondoso.

Sim, ela tinha esse lado.

Tinha esse lado filantrópico também, com muitas ações, em particular para ajudar na questão da literacia de muitas crianças. Ela tinha um programa de distribuição de livros para crianças e que, a dada altura, esse programa levava os livros dedicados àquela criança em particular. Ou seja, as crianças recebiam o livro com o nome delas escrito. Isto porque ela dizia, Dolly Parton, que o pai não sabia ler nem escrever e que achava que podia mudar a vida de alguém com este projeto, pra além de muitos outros, incluindo um mais recente relacionado com a COVID-19 e com o desenvolvimento da vacina, para o qual ela contribuiu com uma doação de um milhão de dólares. Mas a influência musical de Dolly Parton atravessou e inspirou várias gerações. Por exemplo, Sabrina Carpenter, como já falei, ou Miley Cyrus, de quem era madrinha.

Pois é.

E as duas atuaram num especial de Ano Novo comandado por Miley Cyrus em 2022, onde cantaram uma das canções mais conhecidas de Miley Cyrus.

Até me arrepiei.

Wrecking Ball.

Tão bom. Lembro perfeitamente de ter visto.

E além desta versão, que fez com Miley Cyrus, há mais anos, naturalmente, Dolly Parton também apareceu em vários episódios da série conhecida Hannah Montana.

Pois foi, com a Miley Cyrus.

O pai de Miley Cyrus, que é Billy Ray Cyrus, também ele uma estrela da country, que nos anos 90 ainda teve algum sucesso. Nunca o sucesso depois alcançado pela filha, mas daí o fato de ela ser madrinha de Miley Cyrus. E o próprio pai de Miley Cyrus lembra a cantora como fazendo parte da vida deles.

Da família.

Naturalmente. Fosse na televisão, fosse ali na sala de estar, ao lado. Mas as homenagens surgiram de vários quadrantes da música. Por exemplo, o rapper Eminem, que sublinha que apesar de nunca ter conhecido pessoalmente Dolly Parton, ela marcou a vida dele porque lhe enviou um bilhete, a ele diretamente, em que dizia que ele era uma pessoa muito especial. Ou seja, ele, apesar de não a conhecer pessoalmente, sublinha este momento como algo que o marcou e que foi importante também para a vida dele e que mostra também o que era Dolly Parton. De resto, muitos outros artistas deixaram palavras de homenagem. Taylor Swift também deixou uma mensagem dizendo que o mundo sem a Dolly não parece possível nem real. Sir Rod Stewart também. Mick Jagger lembra uma fabulosa cantora, escritora também de canções. Cyndi Lauper, Gloria Estefan. Muitos artistas, não tenho tempo pra citar todos. Não, quase todos reagiram, os grandes nomes da música. Lembrando que Dolly Parton não era só uma cantora. Nós já dissemos aqui que ela compôs cerca de 3000 canções. E isso não era assim tão frequente, sobretudo na área do country, de ter uma mulher que pra além de intérprete, pra além de cantora e de beneficiar muito, claro, da sua imagem espampanante.

E que sempre foi assim.

E que ela assumia com total naturalidade e isso marcava também a questão da personalidade. Tinha também o lado de criação, da composição. Aliás, a canção que nós começamos por ouvir, "9 to 5", faz parte da banda sonora do mesmo filme e foi uma das duas nomeações de Dolly Parton para o Oscar de melhor canção original

Depois, em 2006, teve outra nomeação por uma canção, "Traveling Through", para o filme "Transamerica". Isso também nos lembra outra das vertentes da Dolly Parton. Ela era muito apreciada pela comunidade LGBT. Foi uma defensora da comunidade LGBT numa altura em que não era-

Poucos se chegavam à frente para defender a causa.

Eram capazes de assumir isso. E mais uma vez, sobretudo, alguém vindo da área da country, associado a uma América mais conservadora. Esse é outro dos aspectos que também tem sido sublinhado na hora da morte de Dolly Parton. É que ela era uma estrela, de facto, transversal e que conseguia unir a América numa altura de grande polarização social e política. Viu-se isso também na reação da própria Casa Branca.

Era precisamente aí que eu ia chegar agora, porque na política há essas reações de todos os quadrantes. Surgiram mensagens de consternação e homenagem. O presidente norte-americano, Donald Trump, precisamente, fala numa perda para milhões de pessoas e até ordenou que as bandeiras nos Estados Unidos fiquem em meia haste, que é uma honra rara, quase só reservada a políticos. Mas também do lado democrata, só para dar um exemplo, o antigo presidente Bill Clinton lembra a cantora como alguém que contou as histórias do dia a dia dos americanos e que nunca esqueceu de onde veio. Ainda nas homenagens, o Empire State Building foi iluminado com luzes cor-de-rosa, também em memória da cantora, e em Nashville, no Hall of Fame da música country, muitas pessoas juntaram-se durante a noite para recordar a rainha deste gênero musical. Homenagens que, de resto, têm acontecido um pouco por todo o país. Dolly Parton foi criada no Tennessee, atingiu a fama no fim dos anos 60 com canções até autobiográficas sobre crescer pobre, sobre amor e perda. Entre elas, há uma que eu queria trazer aqui, porque ficou mais conhecida noutra voz, mas que é original de Dolly Parton.

This is a song about that special person in my life. It's called "I Will Always Love You". If I should stay. Thank you. I would only be in your way. So I'll go, but I know I'll think of you each step of the way. And I will always love you.

Ficou mais conhecida na voz do Whitney Houston, de "Bodyguard".

Na banda sonora do "Guarda-Costas", que se não fosse uma canção já gravada, certamente teria ganhado o Oscar de melhor canção nesse ano. Eu acho que a banda sonora original do "Guarda-Costas" é a banda sonora mais vendida de sempre e o single, o "I Will Always Love You"-

Por causa desta música.

Muito por causa desta música. E o single é um dos mais vendidos de sempre por uma intérprete, por uma mulher, neste caso também uma canção composta por outra mulher.

E, de resto, é uma canção a pedir ao mentor musical de Dolly Parton que a deixe ir e seguir a carreira a solo. Uma carreira de sete décadas, 10 Grammys, mais de 100 milhões de discos vendidos no mundo inteiro. Disse que esperava ser lembrada pelas canções e como alguém que levava o trabalho a sério e deixou como conselho: nunca ignorem as raízes, nunca ignorem a casa, nem o cabelo.

Agora estiveste bem. E ao longo do dia vamos continuar a homenagear este grande nome da música. Depois do jornal das 14h, vamos ter uma edição especial do "Isto Não Passa na Rádio" com o Nelson Freire, com o Bruno Vieira Amaral, dedicado, claro, a Dolly Parton. Conosco vão estar também Joana Almeirante, Rita Red Shoes e o jornalista do Observador, o António Moura dos Santos, que hoje tem um artigo assinado sobre a história dos 80 anos de Dolly Parton.