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Não se fala de outra coisa de uma pizzaria brasileira que usou um vídeo polêmico para promover o negócio nas redes sociais. As imagens já estão em todo lado. No vídeo, há uma figura que representa uma mulher atingida por uma bala na zona do estômago. Já viste, Carla?

Já vi.

No entanto, a bala perfura a pele e encontra uma grande camada de gordura e começa a desacelerar, começa a perder força. Isso faz com que a bala perca a força e não consiga chegar a qualquer órgão vital. Basicamente, a pizzaria transforma gordura num colete à prova de bala. Mas eu tenho aqui o vídeo só para ter uma ideia.

A bala perdida a atingiu bem no estômago, perfurou a pele, mas começou a desacelerar quando entrou em sua gordura corporal. A gordura absorveu mais energia da bala como uma almofada. No momento em que atingiu o tecido mais profundo, a bala havia perdido a maior parte de sua força, parando antes de atingir qualquer órgão vital. Então compre nossas pizzas e salve sua vida de uma maneira deliciosa. Pizzas doces e salgadas. Escolha seus sabores preferidos e faça seu pedido.

Pode imaginar, uma gordura salva.

Quais coletes à prova de bala? Para quê gastar tanto dinheiro em coletes?

A quantidade de médicos que devem ter posto as mãos na cabeça.

As imagens estão a dar o que falar nas redes sociais. Há vários comentários: "O melhor marketing de todos", "Marketing de milhões", "Antes morrer de diabetes e infarto do que atingir". Mas está mesmo a dar o que falar.

Também o que está a dar o que falar, deu tanto que falar que foi logo comentado, foi um dos temas do debate entre António José Seguro e André Ventura, foi a regularização extraordinária de meio milhão de imigrantes a residirem em Espanha, que foi aprovada precisamente na terça-feira em Conselho de Ministros. E é uma notícia, é uma medida que está a ser noticiada, por exemplo, até no New York Times, tem falado bastante sobre esta medida, que já era exigida pelos partidos da esquerda em Espanha, mas que só avançou depois de longas negociações entre o Podemos e o governo socialista de Pedro Sánchez. Aliás, foi mesmo o Podemos que anunciou a medida antecipadamente na segunda-feira, antes mesmo do governo fazer esse anúncio. E esta medida serve para dar resposta a pessoas que vivem em Espanha com medo de serem detidas pela polícia. Foi essa a afirmação de uma eurodeputada do Podemos na segunda-feira. E essa comparação com o que se passa, não só nos Estados Unidos, mas noutros países, relativamente a imigrantes, foi feita também no New York Times, que claro, deu o exemplo do que se passa nos Estados Unidos com o ICE e esta campanha agressiva para detenção e deportação de milhões de imigrantes. No Reino Unido também existem regras mais estritas neste momento para refugiados. Na Grécia, houve a imposição de períodos de sentenças para migrantes que permaneçam no país quando os seus pedidos de asilo já foram rejeitados. E também há medidas mais rigorosas em Itália e na Albânia. Portanto, esta medida do governo espanhol acaba por vir em contraciclo. O período para pedir a regularização começa no início de abril e vai até ao dia 30 de junho, e destina-se a quem já estava em Espanha até 31 de dezembro de 2025. É necessário não ter antecedentes criminais relevantes e é necessário estar no país há pelo menos cinco meses no momento em que pede a regularização. Quem tiver aprovação para permanecer no país terá uma autorização de residência legal durante um ano. E a ministra do governo socialista diz que o simples facto de pedirem a regularização já permite que os migrantes possam ser contratados para trabalhos de qualquer setor e em qualquer parte de Espanha, nesse mesmo dia. E sublinha as vantagens quer para os trabalhadores, quer obviamente para as empresas, que ficam aqui todos protegidos, juridicamente salvaguardados, porque não há o risco de haver situações de ilegalidade. A direita, o PP e o Vox, foram bastante críticos desta medida. Claro que depois entrou-se aqui numa discussão ideológica com a vice-presidente do governo a dizer que a extrema-direita mais não fez do que seguir o trumpismo com esta tentativa de parar a alteração a esta medida agora aprovada pelo governo. Mas não foi só a extrema-direita, não foi só o Vox. O PP, o Partido Popular, também criticou, disse que regularizações em massa são ilegais, que o que há a fazer é regularizar pessoa a pessoa, caso a caso, o que, claro, põe algumas dificuldades, imaginando um universo de tanta gente, tantos imigrantes, pensar caso a caso, se calhar, é um bocadinho mais complicado. O Vox promete levar esta situação ao Tribunal Supremo Espanhol, diz que é uma medida, uma loucura, é uma barbaridade. Mas também houve reações, por exemplo, da Conferência Episcopal Espanhola. O presidente da conferência disse que é uma notícia positiva, é uma boa notícia para facilitar a contribuição para o bem comum de muitos imigrantes que já estavam a trabalhar, a frequentar a escola. Na prática, já estavam integrados na sociedade, estavam a trabalhar, os filhos estavam na escola, o que não estavam era regularizados, não tinham a situação regularizada. Fica aqui um exemplo em contraciclo com o que está a passar em muitos outros países, nomeadamente nos Estados Unidos.

Uhum.