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Vamos falar de outra coisa, Luís.

Eu hoje vou precisar muito da vossa ajuda numa árdua tarefa que é a de trazer emojis para a rádio.

Uhum. Pois é.

Pronto.

Trazer imagem para a rádio.

Emojis.

Imagens emojis.

Exato, imagens.

Imagens emojis.

Quais são os emojis que vocês mais usam?

Basta ver aqui, eles aparecem logo. O sorriso.

Uso muito pouco o "fiz". Emergam muito pouco.

Só como resposta a mensagens para dizer: "Ok, está recebido, está lido."

Em vez do OK.

É isso. O sorriso normal, o piscar do olho.

O beijinho.

O beijinho, o piscar do olho e um que eu adoro, que talvez seja esse mesmo, é o revirar de olhos para cima.

Também adoro o revirar de olhos e adoro um novo, tem muito a ver comigo que acorda às 04:00 da manhã, aquele que parece com olheiras. Os olhos assim meio caídos.

Sim. Depois aquele que tem os .

Nenhum desses está no top.

O coraçãozinho vermelho.

O coraçãozinho está também, mas não é o primeiro.

Não é o primeiro.

Não é o primeiro. De acordo com um estudo divulgado pelo New York Times, os jovens estão a trocar os emojis mais típicos, que serão esses que estamos aqui a falar, por novas opções. Por exemplo, no ano passado, o emoji mais usado foi aquele que mostra uma expressão de choro intenso com lágrimas abundantes.

Sim, tipo a rir.

Este é o triste.

É aquele que tem aquelas lágrimas mesmo.

Tem um Amazonas em cada.

Um rio. Um rio mesmo. Não é aquelas gotinhas. À primeira vista diríamos que é para mostrar uma tristeza profunda.

Com tudo o que se passa à nossa volta.

Mas não, para as novas gerações este é um emoji multiuso, serve para muita coisa.

É o Six and Seven.

É usado tanto para quando uma coisa é engraçada como emocionante ou mesmo constrangedor que dá vontade de chorar. Está para muitas coisas esse emoji.

Está para bastantes coisas.

É o Cido Padre dos emojis.

Perfeitamente. Dá para tudo. O New York Times analisou vários posts no Reddit com o apoio de linguistas que explicam que parte da popularidade do emoji no último ano pode ser explicada por uma mudança cultural. Os jovens passaram a considerar que alguns emojis estavam sendo usados em excesso e depois migraram para outras opções como esse, por exemplo. Outro exemplo é o emoji de caveira, só aquela caveira, que foi usado por adolescentes para indicar que alguém morreu de rir.

É, já estamos.

Não é outro programa. Temos de acompanhar isto.

Em determinado momento, esse uso chegou a superar o tal emoji do choro intenso, mas depois perdeu força.

Não vingou.

Não vingou.

Morreu.

Cadáver para esse emoji.

Os adolescentes costumam ser os primeiros a adotar novas formas de linguagem, especialmente as meninas, as mulheres, que tendem a manter mais conexões sociais, um vocabulário emocional mais amplo.

Os adolescentes não gostam nada do ponto de exclamação e do ponto final nas frases. Dizem que é muito agressivo.

É.

É ralhete. E muito menos caps lock. Nem ousam pensar.

Nunca pensar. Mas é verdade, já tive essa conversa.

E enquanto as gerações anteriores se preocupavam mais com a comunicação em massa nas redes sociais, os mais jovens buscam uma comunicação mais direta, mais íntima, seja em conversas em grupo ou mesmo nas várias comunidades.

Confirmo.

E segundo este jornal, os mais jovens têm substituído emojis amplamente usados por outras gerações, por alternativas que transmitem sentimentos semelhantes. Por exemplo, o caso da flor murcha, adotada por muitos utilizadores no lugar do coração partido, por exemplo. Ou o emoji do fogo, aquele fogo, que passou a ocupar o espaço antes ocupado pelo emoji dos 100 pontos, aquele 100.

Sim.

Mas o 100 é o fogo.

É o fogo, é o " está on fire".

Exatamente. Parte da popularização dos emojis está ligada ao avanço da comunicação digital, em detrimento das interações presenciais e com isso mesmo, as expressões faciais, os gestos, o tom de voz, deixando de fazer parte da conversa, o que aumenta a necessidade de outros recursos como os emojis para transmitir essas emoções e essas intenções. Vocês sabem quantos emojis estão disponíveis? Quantos emojis existem?

Meu Deus.

Cerca de...?

Não, muitas centenas.

3600.

São muitas centenas mesmo.

São mais de 3600 emojis disponíveis, sendo que os 10 mais usados correspondem a 36% de todos aqueles que foram usados no ano passado. Enfim, aquele que eu vos falei inicialmente é o mais usado, mas há outros também que são mais usados. No segundo lugar está aquele que aparece de lado a rir com aquelas lágrimas.

Sim, com as bochechas a saltar.

É o segundo. O outro a rir mais direitinho, também com as lágrimas a rolir é o terceiro. Depois também aparece o polegar para cima, o rosto sorridente e aqui mais à frente o coraçãozinho aparece, desculpem, deixem-me só ver aqui.

Mas é giro sabermos isto que é para interpretarmos as mensagens dos jovens.

O coraçãozinho aparece no quarto lugar. O coração vermelho e as mãos unidas no quinto lugar.

Esse é o obrigado, não é?

Exatamente.

Carlos Pedro, qual é o emoji que mais usas? Tu que és mais novo do que nós. Eu, como estou muitas vezes a rir, uso aquele emoji a chorar de rir. A chorar de rir. Mas aquele que está inclinado?

O inclinado ou aquele que aparece mesmo o riozinho de lágrimas?

O riozinho de lágrimas.

É o mais usado. Confere, o Carlos Pedro usa o emoji mais usado.

Eu usaria esse para transmitir uma profunda tristeza.

Sim, também.

É o revirar de olhos também, está no meu top três. Vamos lá, vamos revirar os olhos para o outro lado. Olha, não vamos continuar a falar de emojis, mas vamos continuar a falar de representações gráficas. Vamos à galeria de imagens.

Ainda bem que estamos em imagens.

Exato. Estamos no meio certo para falar de imagem e para mostrar imagem. Vamos à galeria dos governadores do Banco de Portugal, porque o atual governador, Álvaro Santos Pereira, decidiu pôr em ordem e pôr no calendário, retomar uma tradição que tinha sido quebrada pelo seu antecessor, Mário Centeno. E que tradição é essa? No fundo, é quando um governador assume de novo o lugar, assume o cargo, ele encomenda a um artista o retrato do seu antecessor, que fica depois exposto. Esse retrato fica exposto depois na sede, ao lado de todos os outros que exerceram a função no passado, no fundo, aquela parede que existe em muitas instituições, o Banco de Portugal também, a galeria, neste caso, dos ex-governadores. Mário Centeno não o fez em relação ao seu antecessor, Carlos Costa. Sabemos que a relação entre ambos não era a melhor, estou a ser simpático aqui na classificação. Quer dentro do banco, onde eles conviveram antes de Mário Centeno chegar ao governo, quer depois fora do banco. Enfim, terá tido as suas razões para não encomendar o retrato, mas Álvaro Santos Pereira agora decidiu repor essa normalidade da tradição. E o Banco de Portugal vai pagar mais de € 15 mil pela encomenda. E assim os ex-governadores, Costa e Centeno, ficam ali também pendurados, tal como os seus antecessores. Sigo aqui o relato do Expresso sobre isto. Isto é uma tradição que tem 57 anos, portanto, foi em 69 que foram encomendados os retratos de seis ex-governadores. E esta encomenda foi feita pelo então governador à altura, no final dos anos 60, Pinto Barbosa. Foi ele que começou esta tradição. Como é que isto funciona? O Banco de Portugal tem um limite máximo no orçamento definido para contratar os artistas que vão fazer o retrato. Depois faz-se uma seleção de potenciais artistas para que os retratados possam escolher. É só uma indicação, eles também podem escolher fora dessa lista, se tiverem uma ideia diferente sobre o autor ou a autora do seu retrato. Carlos Costa já tem o seu retrato feito, por exemplo, por Carolina Piteira, aliás, o retrato dele já substituiu a foto que lá estava no lugar do retrato enquanto ele não era feito. E Mário Centeno escolheu um artista também novo, tal como Carolina Piteira. Carlos Costa disse ao Expresso que Carolina Piteira é uma das melhores e mais importantes artistas, é a escolha dele, e faz também com que seja a primeira vez que uma senhora ou uma mulher faz o retrato para esta galeria do Banco de Portugal. Carolina Piteira tem 36 anos, licenciou-se em Belas Artes de Lisboa e depois na Universidade de East London, no Reino Unido. Mário Centeno escolheu o João Abel Mota, diz que por indicação também de artistas da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. É um jovem promissor, diz Mário Centeno, que estudou também na Escola de Belas Artes em Paris, tem 27 anos e isto também é feito por essas instituições. Há várias que os têm, o Parlamento tem também, há partidos que também têm a galeria, aí com fotografias, sobretudo, galeria dos ex-presidentes. Sabemos que o Palácio de Belém também tem a galeria dos presidentes. É uma forma também de dar a conhecer artistas novos quando são convidados para estes trabalhos, que têm uma grande exposição. Portanto, Banco de Portugal, está tudo ok já na galeria.

Está reposta.

Está reposta a normalidade na galeria dos ex-governadores.