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Não se fala de outra coisa. Peguei num trabalho do Observador que mostra como é possível comprar armas proibidas online em Portugal com a maior das facilidades. É escolher.

Como quem compra uma t-shirt.

Exato. Estamos a falar de soqueiras, facas, gás pimenta, tasers, bastões extensíveis, tudo anunciado como defesa pessoal, disponível em plataformas de venda, com preços que vão dos 8 aos 85 €. Oito euros, por exemplo, foi o que pagou aquele miúdo de 16 anos que há uns dias foi apanhado numa escola da Marinha Grande a brincar com um taser. Depois de questionado pela PSP, admitiu ter comprado na Vinted. E é preciso licença para utilizar estas armas, que acabou por ser apreendida pela polícia. Se é assim tão fácil ter acesso a uma arma destas em Portugal, através de sites como a Vinted, OLX, Shein, a Temu. Sim, é. Apesar das políticas contra a venda de armas que estas plataformas têm em vigor, a verdade é que em poucos minutos é possível aceder ao mais variado tipo de produtos proibidos. A Deco garante que esta facilidade de acesso não deveria simplesmente existir. As próprias plataformas que gerem estes serviços garantem que há a intenção de impedir o comércio de armas ilegais, mas a realidade é outra completamente diferente. Várias plataformas de venda online assumiram ao Observador que, da teoria à prática, nem tudo funciona como planeado e há vendas que escapam por entre as malhas da triagem. Há filtros automáticos e denúncias, é verdade, mas muitos anúncios escapam e ficam online durante dias ou semanas. O fenómeno da compra de armas através destas plataformas não é novidade para as forças de segurança. A GNR, por exemplo, detalha que nos últimos sete anos foram registadas 55 apreensões de tasers, duas delas a jovens entre os 16 e os 18 anos. Só este ano foram apreendidos seis tasers, cada um em seis distritos diferentes: Aveiro, Braga, Castelo Branco, Faro, Viana do Castelo e Porto. No total, o ano passado foram apreendidos 14. Foi o ano com mais apreensões destas armas. Se os pais puderem, de alguma forma, tentar perceber o que os filhos compram e o que chega lá a casa, por exemplo.

António, mostra lá essa tua lanterna nova.

Mas quando chega uma encomenda, se calhar terem mais curiosidade, não pensarem que estão a entrar no terreno deles.

Sim, há um controlo de casa.

Era importante, se calhar. Mas a maior responsabilidade é mesmo destas plataformas que vendem, e quando o controlo falha. Fica complicado.

É certo, é muito complicado controlar essas coisas todas. Mas enfim, olha, não se fala de outra coisa senão de eleições autárquicas.

Pois, está quase.

E há aqui várias reportagens sobre aquele que é considerado o grande dinossauro das Juntas de Freguesia. Chama-se Bernardino Pereira, tem 71 anos, foi eleito pela primeira vez em 1979, na altura para tomar conta de três aldeias do Conselho de Mirandela, em Trás-os-Montes, Freguesia do Romeu. Tinha 24 anos quando foi eleito a primeira vez, portanto, 79, logo cinco anos depois da Revolução. Ele próprio estava a entrar na maioridade quando se deu a Revolução. E ele vai só agora deixar, de facto, este posto. Nos primeiros anos de atividade, a Junta de Freguesia funcionava de forma improvisada, na casa do próprio autarca. Nesse tempo, o presidente da Junta não era remunerado. Começámos assim em democracia, sem remuneração para os presidentes de Junta. Não havia orçamento para obras, sequer. Mas ele, que também era empreiteiro, recorreu à própria empresa sem nunca ter recebido nada em troca. Portanto, foram 12 mandatos consecutivos, 12 vezes quatro, a fazer as contas. Primeiro, não havia limite de mandatos e, em 2013, ele escapou, Bernardino Pereira, à lei de limitação dos mandatos, porque a Junta de Freguesia do Romeu agregou-se com a de Vantos, formaram uma nova união de freguesias.

E zerou.

E zerou o contador. Exatamente. E portanto, ele aí renovou, se quisermos, a possibilidade de se recandidatar. E agora para mais três mandatos, que estão agora a chegar ao fim. São cerca de 400 eleitores destas duas, que agora são uma, freguesias. Lá está, chegam agora ao fim os três mandatos. O povo de Romeu, pelo menos, que é a freguesia original que ele presidiu, viveu 46 anos sob a regência do mesmo presidente de Junta. Reconhecem grandes qualidades ou não o teriam reeleito tanto tempo, tantas vezes. Ele deixa agora a Junta, mas é candidato a deputado municipal para continuar a defender a terra, portanto vai ser candidato a um posto da Câmara Municipal. Este mês, ele foi homenageado lá na terra, em Mirandela, pela Associação Nacional das Assembleias Municipais, Associação Nacional de Freguesias e outras entidades. Muita gente e muitas entidades lá estiveram. E ele diz que deixa aqui já um aviso, Bernardino Pereira, ele pode voltar a ser candidato em 2029, porque se não for candidato agora, volta a zerar contadores. E ele diz que daqui a quatro anos, se a equipa que ficar não fizer nada ou não me agradar e eu estiver de saúde, eu posso continuar, diz ele. Portanto, fica aí o aviso à navegação para quem vencer, exercer este posto agora nos próximos quatro anos.

Se não cumprir o que promete.

Sem dúvida.

Lá estará candidato.

E ainda pode vir a tempo então de, fazendo mais quatro anos, completar 50 anos do decimatório da presidência da Junta de Freguesia.

Em Romeu.

Em Romeu. Deve ser, de facto, o autarca com mais anos de exercício de cargo, até por causa desta conjugação da lei, que lhe permitiu renovar e fazer mais 12 anos. Bernardino Pereira, 71 anos, Mirandela.