Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A nossa vida hoje em dia passa quase toda à volta de ecrãs. São as redes sociais, agora o TikTok também.
Vou preparar-me.
Não, eu já ia lá muitas vezes.
As compras online, as séries na Netflix. Eu não estou a falar só do telemóvel, é ecrãs no geral. Até há quem veja séries no telemóvel também, no tablet. Nos Estados Unidos, há um espaço absolutamente incrível, que é o oposto disto tudo: um bar que não tem site, não tem redes sociais, nem sequer tem telefone. Tem apenas duas coisas: copos e piadas.
Ah, parece ser bom.
Bebida e piadinha. E o segredo para este sucesso analógico tem nome próprio, nome e apelido: Irving Kotz. É o barman mais velho do mundo, com 103 anos.
Estavas a falar disso.
103 anos. E mais de 63 a trabalhar ao balcão como barman.
Isto vai dar ideias a quem quer aumentar a idade da reforma.
Exato.
Olha aqui o exemplo, o senhor a trabalhar até aos 103.
Se eu posso e em mais de 60 anos atrás do balcão, ele virou um verdadeiro mestre a contar piadas. Quem lá vai diz que tem o timing cômico perfeito, faz a piada no momento certo, depois faz aquela pausa de suspense e depois dá aquele sorriso meio maroto com os quatro dentinhos que ainda lhe restam e o olhinho azul. Ali não há ecrãs, não há telemóveis a tocar. Há só, de fato, boa conversa, copos e gargalhadas à antiga. E a verdade é esta, que nós andamos sempre à procura de mezinhas para viver mais anos, mas aqui o Irving, de 103, mostra que o segredo é tão simples: é gostar daquilo que se faz, estar entre amigos e ter sempre uma boa piada pra contar.
Há aqueles cartazes que às vezes encontramos nos restaurantes mais populares que: "Aqui não há Wi-Fi, falemos com os outros."
Muito bom. Muito recomendado.
Olha, eu vou aqui voltar a um tema que já tínhamos falado, o livro do autor Tel et Son O'Reillyan, que é o finalista do Prêmio Goncourt, e que havia suspeitas sobre a utilização de inteligência artificial na escrita deste livro. O autor, na altura, negou, quando surgiram estas acusações, negou as acusações, disse que não tinha utilizado inteligência artificial nem na estrutura, nem no conteúdo deste livro. Disse sim, reconheceu que tinha plagiado noutras obras, tinha feito plágio, claro, de outros autores, e penitenciava-se por isso, mas negava o recurso à inteligência artificial na escrita deste romance, "C'était ça ou mourir", que, como disse, era um dos finalistas do Prêmio Goncourt. Mas agora, houve novos dados e parece que, afinal, houve aqui utilização indevida.
Dedinho.
Houve aqui uma intervenção.
Houve um prompt.
Houve um prompt qualquer e foi a própria editora canadiana, Les Éditions du Boréal, que veio emitir um comunicado e dizer que com os novos elementos confirmados nos últimos dias, confirmou-se que foi utilizada inteligência artificial na elaboração do livro. A editora disse que reuniu todas as versões do trabalho, do romance, e pediu uma análise externa aprofundada e os resultados detectaram vestígios de marcadores de inteligência artificial nos metadados de alguns documentos. Eu não imagino como é que isto tenha sido feito, ou como é que tenha sido descoberto, mas provavelmente terá havido copy e paste.
Com inteligência artificial.
Pois, também, muito provavelmente usaram ferramentas de inteligência artificial pra detectar isso. Mas, claro, houve aqui da parte da editora, um trabalho de investigação aprofundado, porque estava-se perante um verdadeiro escândalo. O livro tinha sido, e continuava a ser, um sucesso de vendas. Aliás, ainda mais a partir do momento em que houve toda esta controvérsia à volta do livro, que começou quando uma conta anônima no X indicou que haveria vários trechos do romance que poderiam ter sido gerados por inteligência artificial. E a partir daí, começou toda esta polêmica à volta do livro. No dia 13 de outubro, o autor respondeu publicamente às acusações, através de uma extensa declaração, que foi divulgada na altura pela editora, a negar qualquer recurso à inteligência artificial, mas depois começaram a aparecer então outras situações do passado, situações que envolviam aqui plágio, que ele terá feito noutras obras dele, mas também no uso de plataformas na internet e o uso de textos já de outros autores, que depois eram republicados na plataforma de internet de O'Reillyan. Agora, vamos ver, provavelmente o livro sairá de circulação, será retirado de venda, das livrarias, porque a primeira decisão da editora tinha sido a de manter o livro enquanto não houvesse um esclarecimento do que se tinha passado. A partir do momento em que há essa confirmação da utilização de inteligência artificial, muito provavelmente, então o livro sairá.
Tu que és escritor, é tentador?
É, eu acho que sim.
Quando tens aqueles bloqueios.
Eu acho que sim, a vários níveis. E eu acho que pode ser utilizado, honestamente, acho que há uma utilização que pode ser feita sem que se trate de batota.
Pois.
Em que momentos? Porque uma escrita ficcional é, sobretudo, criativa. Se calhar, quando existem os bloqueios criativos.
Claro, mas é criativo. Vamos ver Isso dependerá depois também da honestidade e da transparência dos próprios autores. Se reconhecerem que em determinados momentos da criação foi utilizada inteligência artificial.
Certo. É útil mesmo em ficção. Atenção, descrição de lugares, pesquisa de dados que vão comentar a história e por aí fora. A questão é que nível de utilização da inteligência artificial. Isso é que nós temos que resolver.
Dá um exemplo concreto.
Por exemplo, tu queres descrever uma cena que se passa numa determinada cidade onde nunca foste. Imagina, queres pôr duas personagens numa conversa num café. E tu nunca foste àquela cidade.
Descrever uma ambiência, será?
Por exemplo, qual seria o local indicado nesta cidade para pôr estas duas personagens a falar?
É uma busca por informação, não é escrita.
Exatamente.
É utilizar.
A mesma coisa em relação à estrutura.
Devolve-te logo, se for preciso, se tu lhe pedires: "Escreve 10 parágrafos sobre o assunto." Ele escreve 10 parágrafos.
Imagina que tu fazes uma descrição dessa cena.
Desse café em Viena.
Em Viena, imaginemos. Fazes essa descrição e pões o texto na inteligência artificial e diz: "Há aqui alguma incongruência, alguma coisa que não faça sentido. Por exemplo, estou aqui a descrever qualquer coisa que não poderia existir num café deste tipo."
Isso é o trabalho de um editor depois, a seguir.
Pois.
Ou um revisor.
Mais ou menos.
Os limites são, de fato, muito ténues. Eu acho que é possível e acho que é admissível usar a inteligência artificial como ferramenta até um certo ponto, desde que isso também seja transparente e dizer: "Eu utilizei a inteligência artificial para isto." Aqui o que temos é que parece que foi mesmo utilizado de uma forma mais extensiva e negado logo à partida que tivesse sido utilizado.
Eu acho que daqui a cinco ou 10 anos não vai ser assunto já. Quando apareceu a internet também, fazer uma pesquisa também não nos apropriávamos.
Eu conheço muitos autores.
Diga um.
Que, por exemplo, utilizam, e obviamente que isto não é comparável a pedir à inteligência artificial para escrever um texto, são coisas diferentes. Mas, por exemplo, que utilizam o Google Maps para estar a ver ruas de sítios onde nunca estiveram.
E ninguém acha isso batota.
E ninguém acha isso batota, porque ou não esteve lá ou não conhecia verdadeiramente. Como há muitas vezes pesquisa de outras fontes, em que muitas vezes depois fica ali na fronteira, será que isto é plágio, não é, porque realmente são informações que poderiam ser utilizadas noutro contexto qualquer. Eu acho que o Paulo é capaz de ter razão, daqui a uns anos isso já não vai ser discussão.
Não vai ser tema.
Não vai ser tema e provavelmente quase todos os livros virão com aviso.
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