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Temos os smartphones, os smartwatches e agora, embora não seja bem novidade, temos mais uma opção tecnológica: os smartglasses, os óculos inteligentes Ray-Ban Meta, uma parceria entre a marca norte-americana e a Meta de Mark Zuckerberg. Só no ano passado venderam-se mais de 7 milhões em todo o mundo, o triplo das vendas anteriores. E a febre é tanta que a marca quer aumentar a produção para os 30 milhões e fez uma pausa no lançamento de novos modelos para poder dar vazão a esta procura do primeiro. À primeira vista, parecem uns óculos de sol normais, muito estilosos, mas, na verdade, são câmeras 3K com inteligência artificial montadas na nossa cara. É muito à frente, parece coisas do futuro, não é? Tudo a acontecer. Podemos ouvir música, fazer chamadas, pedir à inteligência artificial para traduzir um menu ou contar as calorias de um menu, daquele prato.
Não sei se isso vai ser bom.
O problema é que a promessa de que a privacidade estava garantida tem sido posta em causa.
Ah, que estranho. Não me digas que isso não estava garantido.
Uma investigação revelou que os milhares de pessoas, aquelas que estão encarregadas de assistir aos vídeos produzidos pelos óculos para gerar dados para a inteligência artificial, para a empresa, passam os dias a rever as gravações que os utilizadores fazem. E o que eles andam a ver? Pessoas gravadas involuntariamente na casa de banho, a comer, momentos íntimos, até os utilizadores a digitarem o código PIN do multibanco. E as pessoas nem sonham que foram filmadas. Os óculos têm um pequeno LED que acende quando filma, mas na internet, como em tudo, já há autênticos tutoriais sobre a forma dessa luz não aparecer, de tapar. E os crimes já começaram. Em Barcelona, um homem foi detido por usar estes óculos para gravar secretamente centenas de mulheres na rua. O plano dele é vender os vídeos como cursos de sedução por uns absurdos €3.000. Isso é tão ridículo, mas ele já tem mais de 700 mil visualizações nas redes sociais.
Há pessoas para isso.
Há sempre. Para piorar as coisas, um grupo de estudantes provou que ao ligar estes óculos à base de dados públicas, a inteligência artificial consegue fazer reconhecimento facial e descobrir o nome, morada, telefone de qualquer desconhecido na rua em poucos segundos. Ainda assim, outras grandes tecnológicas preparam-se agora para entrar neste mercado. A Apple está a desenvolver os seus próprios óculos inteligentes, enquanto a Google volta a apostar nesta área mais de uma década depois do fracasso do Google Glass.
Houve momentos de lançamentos precoces. Enfim, provavelmente o mercado não estava preparado.
Existe este da Ray-Ban Meta, está a funcionar, mas viste o preço destes óculos?
Não vi, por acaso. Também não faço ideia, mas vou ver já. Enquanto o Paulo fala, eu vou ver.
E nós vamos até Roland-Garros, ao torneio de tênis. Um jogador masculino foi penalizado por declarações sexistas. Trata-se do tenista paraguaio Adolfo Daniel Vallejo. Ele é o número 71 do ranking mundial e as declarações aconteceram depois de ele ter sido derrotado por um tenista francês, o francês Moise Kouame, isto durante a segunda ronda precisamente de Roland-Garros. O jogo foi arbitrado por uma mulher, pela árbitra brasileira Ana Carvalho, e no final do jogo, o tenista paraguaio disse que este tipo de encontro deve ser arbitrado por um homem. É muito difícil para uma mulher fazê-lo. Deve ser arbitrado por um homem, porque é um público muito exigente. É preciso ter muita força para enfrentar o público. Disse ele. Ele estava a jogar contra um francês, em França.
Ele não conhece muitas mulheres.
Ele ficou insatisfeito durante o jogo com o tempo que o adversário francês, que o derrotou, teve para fazer o serviço. As regras dizem que os jogadores têm direito a 25 segundos entre os pontos para servir. Há um cronômetro no corte sempre para fazer a contagem regressiva, para se perceber quando é que esses 20 segundos passam. Só que os árbitros podem usar e, por regra, usam o seu próprio critério para decidir quando é que essa contagem começa. Por quê? Por causa do ruído das pessoas que ainda não estão sentadas nas bancadas e sobretudo por causa dos aplausos e dos ruídos.
Se não passar muito do normal, eles fecham os olhos, por assim dizer.
Sem dúvida. O que faz sentido, mas são regras que acontecem durante o jogo. E depois os próprios tenistas não querem servir enquanto veem uma pessoa em pé na bancada, por exemplo, e as entradas e saídas dos cortes dos jogos de tênis não são abertas, isto é, as entradas e saídas acontecem só quando há as pausas para os jogadores descansarem. Mas ele fez as declarações, depois pediu desculpa por elas, mas já era tarde, porque a diretora do torneio, a Amélie Mauresmo, uma ex-tenista, anunciou imediatamente a penalização. Ela disse que é claramente algo que não é aceitável no torneio. Disse que este tipo de discurso não tem lugar ali e a sanção é de €65 mil, metade do prêmio de 130 mil que ele iria receber.
Estava a pensar que seria à volta disso. Tendo ele ficado na segunda ronda.
Ficou na segunda ronda. É dinheiro, metade do prêmio, por declarações. Não estou a dizer que não seja grave, mas basicamente é para haver muito cuidado com aquilo que se diz. Aliás, a arbitragem feminina no tênis é uma presença que já está consolidada no circuito há muito tempo, desde a década de 90 que árbitras mulheres começaram a apitar jogos de homens, de uma forma indistinta, de homens e mulheres. Em 2007, a primeira final do Grand Slam, de um jogo masculino, foi arbitrada também pela primeira mulher. E mesmo na questão dos prêmios monetários, é capaz de ser o desporto que vai mais à frente. O Open dos Estados Unidos já tem uma igualdade.
Sim, eu creio que os Grand Slams, pelo menos, têm todos igualdade de prêmios.
Acho que a Austrália ainda precisa fazer um caminho para isso. O que houve este ano em Roland-Garros foi protesto, mas de homens e mulheres, em relação ao montante dos prêmios, mas de uma forma genérica. Não é questão da desigualdade.
É deixarem que eles são baixos.
Deixarem que são baixos, em função às receitas do próprio torneio.
O que há é, de facto, uma grande desigualdade, mas é entre aqueles que vão mais longe, os que ganham, e depois os outros, que, por exemplo, ficam pela segunda ronda. Aí a disparidade é grande. Exatamente, porque os custos são muito elevados para todos os tenistas e aqueles que estão mais abaixo no ranking normalmente têm de pagar mais despesas. Nem todos têm, logo à partida, os mesmos direitos e os mesmos valores. E depois isso agrava-se à medida que vão avançando na competição.
Até entrares na casa dos milhões.
Claro, com uma grande disparidade entre quem vence e aqueles que ficaram nas rondas iniciais.
Olha, os Ray-Ban Metas não custam milhões. Custam a partir de €250 até 600, depende conforme o modelo.
Então vou já comprar dois.
Isso também explica.
Para um Ray-Ban é barato. Desligas o equipamento e ficas com os Ray-Ban.
Mas há outras marcas de óculos inteligentes.
E se comprares uns logo sem equipamento? Também é giro.
Claro.