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Se pensam que os videojogos são um exclusivo dos adolescentes que ficam fechadinhos no quarto durante horas a fio, enganam-se.
Enganam mesmo.
O talento, a rapidez de reflexo e até o entusiasmo pelos jogos virtuais não têm absolutamente idade limite. E o exemplo disso chega da Escócia. Acaba de entrar pro Guinness. Kath Bowie vive em Aberdeen, na Escócia, acabou de fazer 78 anos e pra uma comunidade de dezenas de milhares de pessoas na internet, ela é simplesmente conhecida pelo alcunha online: GrumpyGran1948. Nome de guerra. Estou a imaginá-la com aquelas duas bainhas na cara.
1948.
Diz muito.
Diz muito, diz logo. Revela muito. Ela foi oficialmente consagrada a streamer feminina de Fortnite mais velha do mundo. O Fortnite, pra quem não conhece, é um dos jogos de combate e sobrevivência online mais populares, onde acho que cerca de 100 jogadores se enfrentam ao mesmo tempo até ficar apenas um vencedor. Conheces, Paulo?
Conheço, os meus filhos jogam.
Os meus filhos.
Eu pensava que já tinha passado moda o Fortnite.
Não, eles não jogam Fortnite. Uma vez ou duas só pra experimentar. Jogo FIFA, jogo bastante FIFA.
Pensava que já tinha passado, o Fortnite, que tinha sido uma vibe.
Lá em casa a hype já passou.
Já teve.
Já teve mais. Mas continua.
Aterram numa ilha, todos, e pronto.
São 100, só um sobrevive. Enquanto a maioria das pessoas da idade da Kath passa o dia noutras atividades, vai lá jogar bingo.
A jogar as cartas.
A fazer trabalhos manuais, a jogar as cartas, a Kath liga o computador todos os dias pra jogar e transmitir as suas partidas em direto pro mundo inteiro. O mais curioso é como tudo começou. Foi há nove anos. Foi o neto que lhe apresentou o jogo pela primeira vez. Diz que experimentou e ficou imediatamente rendida à adrenalina e ao ritmo do jogo. Mais tarde, quando decidiu que queria começar a fazer estas transmissões em direto pra que outras pessoas pudessem ver as suas partidas, foi o próprio neto que disse: "Vó, ninguém vai querer ver uma avó a jogar Fortnite." E foi essa reação, que disse à BBC, que funcionou como um estímulo pra ela, como um verdadeiro: "Ah, não, então vais ver." Hoje tem mais de 24 mil seguidores na plataforma Twitch, joga diariamente e construiu uma comunidade online que a apoia e acompanha com entusiasmo. Para além do recorde mundial, o objetivo de Kath Bowie é inspirar outras pessoas, claro, seniores, a perderem o medo da tecnologia e do mundo dos videojogos, como a própria faz questão de sublinhar ao receber o prêmio do Guinness: "Nunca deixem que ninguém vos diga que são velhos demais, nunca é tarde pra começar a jogar." E as imagens são maravilhosas. GrumpyGran1948.
Força aí.
De headset azul camuflado. Muito bom.
Tenho que ver isso.
Li na BBC, mas está um pouco por toda a imprensa.
É uma adolescente, continua a ser uma adolescente.
Sim. E vejo aquilo e faz-me uma imensa confusão. Portanto, 78 anos, ter reflexos pra jogar.
Claro. Eu quando jogo com os meus filhos videojogos, eu estou sempre à espera, aqueles Super Mários, sempre à espera de haver o dia em que lhes vou ganhar. Mas depois começo a perceber que já não tenho velocidade de reflexo pra aquilo.
Agora imagina, 78.
E depois tendinites e coisas assim. Enfim, parabéns à senhora.
Vamos passar pra outro extremo aqui da escala da vida, se quisermos. Vamos passar pra primeira infância, porque a Direção-Geral de Saúde publicou o primeiro manual nacional que tem orientações para as refeições nas creches, que é aplicável a crianças até aos três anos. Isto depois de quê? Depois de diagnósticos que detetaram falhas nas ementas dessas instituições, nomeadamente, enfim, aquilo que nós conseguimos adivinhar: excesso de açúcares nos lanches, escassez de vegetais, de peixe gordo e de ovos nos pratos principais. E por isso as novas diretrizes querem não só uniformizar as práticas em todo o país, como criar hábitos saudáveis desde os primeiros meses de vida das nossas criancinhas. Vamos então olhar para os alimentos e ingredientes proibidos ou a limitar. Sal e açúcares, começa por aí. O sal até aos 12 meses, o açúcar adicionado até aos dois anos, estão proibidos, incluindo aqui, obviamente, os açúcares.
Proibidos, não é sequer pouco recomendado, é proibido.
Incluindo aqui, no caso dos açúcares, que estão nas bolachas, em bolos ou em iogurtes aromatizados. Também é proibido ou limitado os ultraprocessados, alimentos industriais com elevado teor de gordura, com aditivos, como quê? Charcutaria, fiambre, salsichas, refeições pré-feitas e por aí fora, e as bebidas com açúcar, refrigerantes, sumos de pacote, chás adoçados. Portanto, isso são alimentos, claramente ingredientes a proibir ou a limitar. Depois, há aqueles que, pelo contrário, devem ser privilegiados no menu: vegetais e hortícolas, que devem ter presença obrigatória reforçada nas sopas e nos pratos principais. Proteínas de qualidade, aqui falamos de quê? De peixe gordo, de ovos, de carnes magras, leguminosas como feijão, grão e lentilhas, fruta fresca e cereais, fruta da época, em vez de sobremesas doces ou de cereais integrais. Leite materno. Aqui também a ideia é dar o apoio e facilidade para manutenção da amamentação na creche, espaços também para as mães se deslocarem. E para beber, água, que é bem bom. O manual determina ainda que a evolução das texturas alimentares. Quem tem pensado nisso.
Sabe o que é o problema das texturas.
Dos líquidos para as papas e das papas para os sólidos e por aí fora.
Aquilo que é mole ou aquilo que tem grumos.
Ou carocinhos. Carocinhos, não.
Isso é até aos dois anos, disse?
Até aos três, neste caso, nas creches. Que esta evolução das texturas alimentares deve ser feita de forma gradual, claro, e adaptada ao desenvolvimento de cada criança. E a passagem dos cremes e purês para alimentos moídos, picados e em pedaços é essencial para o treino da mastigação. Isto é, não prolongar demasiado as papas. É muito mais fácil dar uma sopa líquida.
Não, têm tempo pra isso depois quando forem mais velhotes.
É assim, isto no papel.
Ia comer as papas outra vez.
Dar-lhes logo grandes bifes.
Isto no papel fica tudo muito bem e é meritório, de fato, exatamente este manual da Direção-Geral de Saúde.
Na prática, a teoria é outra.
Na prática, olhando para a forma de funcionamento do país e das creches também não serão exceção, não vai ser fácil fazer esta adaptação. E já agora, as famílias em casa têm um papel fundamental.
O trabalho não é da creche.
Claro, porque se em casa há sal e açúcares sem limitações, depois as criancinhas não vão gostar da comida da creche e o problema não está na comida da creche. Mas estão aí as normas publicadas. Era bom que as pessoas também olhassem pra elas.