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Bem-vindos ao Nota 20. No programa de hoje, vamos focar nas competências digitais dos alunos portugueses. Os jovens são capazes de usar as novas tecnologias para aprender? Serão aquilo que habitualmente se chama nativos digitais? Nota 20, programa da Rádio Observador, com a Iniciativa Educação. Viva, professor Nuno Crato.

Viva.

Professor, já vamos ao tema desta semana. Antes, os resultados da sondagem lançada no último programa. Perguntamos a quem nos ouve se esta geração é mais capaz de utilizar as novas tecnologias do que as anteriores. E não há margens para dúvidas. Quase 90% respondeu: "Sim, é mais capaz." Professor, o que é que lhe apraz dizer sobre as respostas dos nossos ouvintes?

Muito bem, duas coisas. Primeiro, o termo nativo digital não é inocente. As pessoas pensam: "Nativo digital são aqueles que nasceram com as novas tecnologias," tudo bem. Mas foi um termo que foi lançado no princípio do século, talvez 2001, por Prensky, que deu a este termo a seguinte ideia, que é: estas pessoas nasceram já com a tecnologia e aprendem de maneira diferente da maneira como nós aprendíamos. Ou seja, eles agora precisam de tecnologia para aprender, sem a tecnologia não conseguem aprender e com a tecnologia é que aprendem. Portanto, todo o sistema de ensino deveria ser modificado. Como nós aqui já várias vezes discutimos, as pessoas continuam a aprender essencialmente da mesma maneira, porque o cérebro humano não mudou do século XX para o século XXI. Agora, pode ser ajudado ou não ser ajudado pelas tecnologias, mas o termo não é ingênuo. Agora, sobre esta enquete em si, não fico muito espantado, porque as pessoas se calhar estão a falar da destreza com que os jovens conseguem, por exemplo, no telemóvel, enviar mensagens ou participar em chats ou participar em redes sociais, que naturalmente fazem melhor que nós, mas também correm mais depressa que nós. Isso não quer dizer que façam tudo melhor do que nós. A experiência também conta, às vezes. E eu acho que é um tema bom para nós hoje discutirmos com o professor João Marujo.

Muito bem, e no programa de hoje vamos focar precisamente nos estudantes, nomeadamente nas capacidades digitais que eles têm. É nosso convidado, João Marujo, professor de Estatística e coordenador em Portugal durante três anos das avaliações internacionais de alunos, nomeadamente o PISA, o TIMSS e o ECIL. João Marujo, viva.

Olá, boa tarde, como estão?

Tudo bem, João Marujo, começava por lhe perguntar o que é que nos dizem os estudos sobre a literacia digital dos jovens portugueses. Eles estavam preparados para usar o computador como ferramenta de aprendizagem?

A resposta em grandes números é sim.

Estavam preparados?

Estavam preparados. Noventa e três por cento dos nossos alunos do oitavo ano, de acordo com um estudo recente que foi feito em 2018, mas os resultados só saíram em 2019, o ECIL, que é um estudo internacional em que Portugal participou, Portugal e mais 11 países. De acordo com esse estudo, 93% dos nossos alunos do oitavo ano tinham competências acima do nível um de literacia digital. E estas competências de nível um dizem o quê? Dizem que o aluno é capaz de abrir uma hiperligação no navegador da internet, utilizar um aplicativo de comunicação, fazer a utilização básica do e-mail, utilizar aplicativos para elaboração de textos e de apresentações e, portanto, todo um conjunto de conhecimentos e de competências que lhes permite, de uma forma geral, ter acesso à educação à distância ou ensino online. Deixe-me dizer que, de facto, estes 93% é um número muito significativo e, obviamente, quer dizer que a grande maioria dos nossos alunos tem conhecimentos e tem capacidades para poder usufruir do ensino à distância, mas ainda assim, 7% dos alunos que foram inquiridos neste estudo, não têm as tais competências nível um, portanto, têm competências abaixo do nível um. E se pensarmos nas últimas estatísticas da Pordata, que diz que nós temos cerca de 600 mil alunos no segundo e terceiro ciclo, 7% destes 600 mil alunos são 42 mil alunos que, de facto, não têm as competências mínimas para usufruir do ensino à distância.

Diga, diga.

E, portanto, um sistema educativo inclusivo como o nosso, que se orgulha de não deixar, ou não tentar deixar, talvez seja a expressão mais correta, não tentar deixar nenhum aluno para trás, obviamente, tem que dar resposta. E não estamos a falar de dois, ou três, ou quatro, e mesmo que fossem dois, ou três, ou quatro, era preciso encontrar resposta para esse aluno.

As assimetrias regionais também são muito grandes, não é verdade?

Quarenta a 50 mil. É, e quando olhamos para os dados a nível regional, os dados do ECIL, por exemplo, na Região Autónoma dos Açores, 27% dos alunos não atingiu o tal nível um, que é o nível mínimo de competências básico de literacia digital. E, portanto, isto quer dizer que um em cada quatro alunos da Região Autónoma dos Açores não tem as competências para poder usufruir do ensino à distância, do ensino online. Pelo contrário, se formos para o Algarve, só 2% dos alunos da região do Algarve que participaram no estudo é que não atingiu este nível. Portanto, temos, no caso do Algarve, 98% de alunos que têm competências suficientes para usufruir do ensino à distância e conseguir, obviamente, adquirir conhecimentos e competências que lhes permitam evoluir no seu percurso escolar. Mas como o professor Nuno estava a dizer, o país é extremamente heterogêneo em termos de conhecimentos e competências dos nossos alunos.

E uma questão, isso significa que eles são capazes de aceder à internet, mas significa que são capazes de fazer uma tabela no Excel, significa que são capazes de corrigir um texto Word, porque essas são as capacidades que nós precisamos no dia a dia em quase todas as profissões modernas.

Essa questão é muito pertinente e vai de encontro àquilo que falámos ainda há pouco, ou que vocês falavam ainda há pouco, do que é ser um nativo digital. Para dizer o quê? Para dizer que os dados do ICILS também demonstram que cerca de dois terços dos nossos alunos, portanto, um terço dos nossos alunos, não têm essas competências de saber criar um texto, de saber criar uma apresentação, de saber gerir a informação que encontram online. E isso é diferente de conseguir estar online e conseguir assistir uma aula à distância, uma aula online, conseguir de fato mandar um e-mail ou conseguir entrar num chat com os colegas e com os professores. Mas essa é a tal competência mínima. Quando nós falamos de competências um bocadinho mais avançadas, por exemplo, utilizar um processador de texto ou uma folha de cálculo para fazer cálculos matemáticos simples, um terço dos nossos alunos não têm essas competências. Portanto, estamos a falar de competências nível dois, um bocadinho acima do nível um, mas de fato, estas competências nível dois indicam, e os dados do ICILS são muito claros relativamente a isso, que estes alunos precisam de apoio, precisam de supervisão para utilizar as ferramentas digitais. Ou seja, eles conseguem entrar na internet, conseguem assistir uma aula, mas depois tudo o que vai para além disso, eles precisam de apoio e obviamente precisam do papel do professor. E claro que o papel do professor, apesar de ser um ensino à distância, continua tão ou mais fundamental que o papel do professor no ensino presencial.

Duas perguntas, se me é permitido. Primeira pergunta: que parte disso é que é uma questão de conhecimento geral, ou seja, por exemplo, fazer uma tabela. O problema de muitos alunos não conseguirem fazer uma tabela é porque não percebem o conceito de tabela, não têm uma ideia do que é uma tabela, ou do que é uma matriz, do que deve estar nela, do que são as colunas e as linhas, etc. Ou é uma questão de transpor para o computador esse seu desconhecimento? Primeira pergunta.

Ambos. De fato, os nossos alunos e os alunos dos outros países que participaram no ICILS estão habituados a utilizar a internet, mas a informação na internet chega digerida, a tabela está feita, a tabela está construída. Mas a verdade é que muitos deles têm dificuldade em interpretar essa informação que conseguem aceder na internet. E, portanto, o facto de verem os dados tabelados numa tabela, muitas vezes, quando nós pedimos aos alunos, e temos também resultados muito interessantes de um outro estudo internacional, do PISA, onde há esse tipo de literacia matemática, de leitura de tabelas e de gráficos, os alunos revelam imensas dificuldades na leitura dessas tabelas de dupla entrada, por exemplo, cruzar a informação das linhas com as colunas. E, portanto, por um lado, há essa dificuldade, porque eventualmente não há treino na leitura desses suportes de informação. E, por outro lado, claro, uma coisa é saber ler uma tabela, outra coisa é saber no Microsoft Word ou no PowerPoint ou no Excel, quais são as ferramentas que eu tenho que utilizar para criar uma tabela. E se há muitos alunos que conseguem fazer isso, e esse tipo de aplicativos, nomeadamente da Microsoft, são lecionados nas disciplinas de TIC, há também muitos alunos que não têm a tal autonomia para utilizar essas ferramentas e conseguirem produzir informação com essas ferramentas. E, portanto, há muitos alunos que de fato continuam a precisar do apoio. Os dados do ICILS dizem que são cerca de um terço, cerca de 30% dos nossos alunos precisa de apoio para utilizar as ferramentas de literacia digital.

E é o que os professores dizem. João Miguel, se não se importa, eu fazia uma segunda pergunta, muito rapidamente.

Estava a espera que a fizesse.

Muito bem. Há uma distinção entre o que se passa no aspeto quantitativo e no aspeto qualitativo? Ou seja, os alunos têm também dificuldades ou do mesmo grau quando estão a construir um texto, em perceber o que é um sinônimo, o que é uma pontuação, etc., e em saber aplicar as ferramentas que existem digitais para corrigir o texto, para o tornar claro, etc. Quer dizer, é diferente no quantitativo e no qualitativo, ou não?

Não, acaba por não ser diferente. Por quê? Porque quando um aluno está a criar um texto, ele está a evocar ou está a eliciar um processo cognitivo relativamente complexo. Na taxonomia de Bloom, exatamente o último ponto da escala é a criação, quer de textos, quer da interpretação de problemas matemáticos e resolução de problemas matemáticos. E os nossos exames nacionais do nono ano, 11º, 12º ano, revelam exatamente isso, que é onde os alunos têm mais dificuldade. É na interpretação e na criação. E têm mais dificuldade por quê? Bom, relativamente a quê? Relativamente àqueles itens que simplesmente necessitam da memorização e de relembrar conceitos que foram aprendidos e que foram memorizados. Por quê? Porque cognitivamente esses também são os menos complexos e, portanto, é natural que um processo que envolva uma educação cognitiva mais complexa, seja mais difícil, quer pra um aluno, quer pra um indivíduo comum, pra um humano comum, do que um processo que exija simplesmente a mobilização dos conhecimentos e, portanto, recordar aquilo que se memorizou. Não é por ser mais qualitativo em criação de um texto ou mais quantitativo na resolução de um problema matemático, que os processos cognitivos são muito diferentes. E claro que existem ferramentas, existem os corretores ortográficos, mas mais uma vez, temos alunos de nível cinco na literacia do ICILS, que conseguem fazer isso e fazem isso de forma autónoma e independente. Eles próprios vão explorar as ferramentas, eles próprios vão perceber o que a ferramenta faz e qual é a vantagem de utilizar, por exemplo, um corretor ortográfico, com todas as correções dos erros ortográficos e não só, e sugestões também gramaticais. Na língua portuguesa, esses corretores e essas ferramentas de construção gramatical estão um bocadinho menos desenvolvidas do que na língua inglesa, mas de fato, os nossos alunos nível cinco conseguem fazer essa aprendizagem autónoma e independente. Os nossos alunos nível dois e nível três, não. E nós, no ICILS, temos cerca de 46% dos alunos, quase metade dos nossos alunos, que estão no nível dois. Ou seja, eles não têm estas competências avançadas e não têm a independência e autonomia para aprender como nós pensaríamos que eles teriam, uma vez que são nativos digitais. Esta ideia que estes jovens nasceram na era da informação digital e, portanto, cresceram na era da informação digital, e basta entregar-lhes um tablet ou um computador e eles conseguem, de repente, começar a programar o computador e fazer tabelas e gráficos no PowerPoint, no Excel. E não é assim.

Pegando em tudo o que disse, João Marocco, e partindo de uma ideia preconcebida, que é a de que os jovens são nativos digitais, o que lhe pergunto é: são mesmo? Ou eles são mais aventureiros do que nativos digitais?

Eu acho que a expressão é mesmo essa. Para além da utilização básica, a definição de nativos digitais diz que eles nasceram na época da tecnologia, mas não diz que competências eles têm. E, portanto, eles não têm estas competências nem autonomia para utilizar as novas tecnologias de informação. O que eles são, de facto, é menos receosos em estragar o equipamento. Se calhar com os pais ou com alguém da nossa geração, nós muitas vezes temos alguma dificuldade em explorar, porque achamos que eventualmente as coisas vão deixar de funcionar e depois já não as conseguimos recuperar. E os jovens não têm esse receio. Os jovens mexem com muita facilidade na tecnologia, exploram com muita facilidade e obviamente quando têm interesse, eles conseguem explorar e conseguem aprender por eles próprios.

E podemos confiar na capacidade de autoaprendizagem dos jovens?

Não completamente, porque existe imensa informação e os jovens precisam, como eu disse, os resultados do ICILS são muito claros a esse respeito, eles precisam de orientação e de apoio nestas aprendizagens online. Por quê? Porque existe imensa informação e é difícil, muitas vezes, um jovem conseguir distinguir aquilo que é um facto, daquilo que é uma opinião. E, portanto, por vezes tomam as opiniões por factos e têm alguma dificuldade em conseguir distinguir o que é que tem que ser levado a sério, porque tem evidência científica, nomeadamente por trás, e o que não pode ser levado a sério, ou não pode ser tomado de outra forma que não seja, é uma simples opinião e, portanto, tem a validade que tem.

Ou seja, para aprender através do computador, também é preciso aprender a usar o computador. É isso?

Sem dúvida nenhuma.

João, numa das avaliações internacionais, o ICILS, os alunos portugueses revelaram algumas fragilidades, sobretudo ao nível do pensamento computacional, também denominado raciocínio matemático. O professor Nuno Crato sabe o que é, a mim acendem-me algumas luzes sobre o assunto, mas explique-nos o que é e qual é a sua importância.

Eu não diria exatamente raciocínio matemático, diria raciocínio lógico sequencial. Mas o professor João Marouço saberá explicar melhor que eu, mas do ponto de vista mais abstrato, a capacidade para pegar num problema e conseguir parti-lo em bocados de forma a atacá-lo sequencialmente, resolver as coisas passo a passo, até chegar à solução desse problema. É isso, João?

É isso mesmo.

Já agora, professor Nuno Crato, quer dar-nos um exemplo prático?

Um exemplo prático, sei lá, um aluno tem que fazer uma soma muito complicada e tem que fazê-la à mão. Se calhar, para não se enganar, é melhor decompô-la em parcelas. Suponhamos que existem 100 parcelas. Se calhar é melhor, em vez de estar a somar as 100 e a transportar para outra coluna, o que tem que transportar, será melhor dividir em parcelas e dizer assim: "Eu vou primeiro somar este grupo de termos, depois vou somar este, depois vou somar este". A dar um exemplo muito simples. Isto significa que é necessário uma lógica que diz: "Eu faço isto, depois faço aquilo, depois faço aquilo outro e, portanto, resolverei o problema". Estou a dar um exemplo que deve ser péssimo, mas julgo que se compreende.

E aí nesse domínio, João Marouço, os alunos portugueses revelaram fragilidades.

Exatamente. Nos participantes do ICILS que fizeram esta avaliação do pensamento computacional, e já agora, a definição do ICILS de pensamento computacional ou pensamento algorítmico, é aquilo que o professor Nuno se estava a referir, é a conceptualização de problemas complexos, naturalmente, e formulação de soluções que podem ser implementadas num computador. E isto aplica-se não só à informática e à programação informática, mas a todas as áreas das ciências e tecnologias, à matemática, o professor Nuno Crato acabou de dar um exemplo, à química. Por exemplo, um aluno a fazer uma experiência no laboratório, sabe que tem que adicionar os reagentes de forma sequencial e em função da reação que está a obter, otimizar o reagente que vai adicionar a seguir, para conseguir obter os produtos que é suposto obter com essa experiência química. A biologia é a mesma coisa. A matemática, o professor Nuno já falou, as engenharias, por exemplo. E, portanto, são tudo áreas em que é muito importante ter este, eu não diria raciocínio matemático, mas diria o raciocínio lógico. Pensar desta forma: se acontecer isto, então eu tenho que fazer aquilo. E isso é a forma como os computadores funcionam, como os programas informáticos funcionam, em função dos inputs que eles recebem, eles vão produzindo outputs e vão ajustando os cálculos e os procedimentos que fazem. E isto é extremamente importante, não só pra informática, mas pra todas as outras áreas das ciências e tecnologias. Nuno, deixa-me só terminar. E, de facto, os nossos alunos ficaram muito mal posicionados, ficaram na penúltima posição, só ficaram à frente dos alunos do Luxemburgo.

Eu diria que o pensamento computacional é um pensamento que não tem a ver com a existência de computadores. Claro que hoje nós chamamos de computacional e associamos a computadores, mas é algo que podia ser aplicado a uma discussão no século XVIII, antes de haver computadores. Claro que existiam computadores teóricos, do ponto de vista algorítmico, mas isto tem uma abrangência maior do que propriamente a era digital.

Estamos mesmo no fim. Professor João Marouço, uma última pergunta, pedir-lhe uma resposta muito rápida. Já nos posicionou em relação a outros países, portanto, nesta matéria, só estamos atrás do Luxemburgo, certo?

Só estamos à frente do Luxemburgo, no pensamento computacional.

No pensamento computacional. O que é que este estudo, ICILS, nos diz sobre as escolas e os professores? Muito rapidamente.

Muito rapidamente. Os nossos professores são daqueles que referiram utilizar mais as tecnologias de informação e comunicação na preparação das aulas e nas aulas, portanto, aí ficamos em primeiro lugar, relativamente aos outros professores de todos os outros países. Eles referem também que tiveram formação, mas que precisam de apoio para utilizar as tecnologias da informação e comunicação na sala de aula. Apoio, essencialmente apoio de infraestruturas da escola. Isto por quê? Porque três em cada quatro dos nossos alunos frequentam escolas, onde os coordenadores TIC referiram que o principal problema à utilização das TIC é a inexistência de computadores em número suficiente. Esse é um dos problemas, e o outro problema é o grande déficit da qualidade de acesso à internet.

Professor João Marouço, muito obrigado por ter vindo ao Nota 20 desta semana.

Obrigado eu.

Professor Nuno Crato, ainda temos cerca de minuto e meio. Em resumo, o que diria sobre este assunto chamado nativos digitais dos estudantes?

Num resumo que eu espero ser mais ou menos fiel àquilo que foi discutido, eu diria, primeiro: o nativo digital é um mito, no sentido em que as pessoas que nasceram na época digital, por si sós, têm um cérebro diferente e aprendem de maneira diferente. Isso é um mito. Segunda questão, os professores precisam dar apoio e os professores muitas vezes têm que, eles próprios, ter algum apoio e fazer alguma pesquisa para que os jovens se integrem nesta capacidade digital de resolver problemas, de utilizar ferramentas de aprendizagem, de utilizar ferramentas de resolver problemas, etc. E em terceiro lugar, eu diria que, felizmente, parece que estamos relativamente bem preparados, mas isso não quer dizer que não haja dificuldades pela frente e que não tenhamos todos que trabalhar para isso. E eu terminaria com uma espécie de homenagem, que eu acho que é muito merecida, aos professores portugueses, porque enfrentaram esta situação com grande coragem, com grande determinação e conseguiram que os nossos alunos continuassem a ter uma aprendizagem escolar nestes tempos difíceis.

E o próximo Nota 20 é sobre a importância do pré-escolar, numa altura em que os mais pequenos estão a regressar às creches. Teremos como convidado Hugo Reis, economista da educação. Até lá, pode responder à nossa sondagem no Twitter da Rádio Observador. A pergunta que colocamos é a seguinte: o pré-escolar tem impacto no desempenho cognitivo futuro dos alunos ou é uma forma de os preparar socialmente e de ajudar os pais? Sim, tem impacto decisivo no futuro ou nos futuros resultados escolares. Não, é uma forma de os preparar socialmente para o trabalho das escolas. Professor Nuno Crato, até para a semana.

Até para a semana. Muito obrigado.