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É uma hora. As notícias com Guilherme Pires.

Boa noite. É uma da manhã, hora de atualizar as notícias na Rádio Observador. Começamos com uma notícia de última hora. A embarcação principal da flotilha humanitária que vai rumo a Gaza, onde está a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, foi atacada no porto de Tune. Isto, de acordo com uma denúncia publicada na última hora na rede social X pela relatora especial da ONU, Francesca Albanese, diz que o barco foi aparentemente atacado por um drone e refere ainda que outras duas embarcações da flotilha estão a caminho de Tune e precisam de proteção urgente. Além de Mariana Mortágua, ainda o ativista português Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício integram a comitiva da flotilha. Agora, tempo de olhar para a atualidade política. Farto das críticas sucessivas, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa pede à oposição que pare de politizar a tragédia do Elevador da Glória. Em entrevista à CMTV, na noite desta segunda-feira, Carlos Moedas voltou a garantir que vai assumir as responsabilidades, caso seja provado que o executivo municipal não deu condições à Carris.

Assumirei sempre as minhas responsabilidades.

Mas evita o termo político, porque acha que implica demissão, é isso?

Não, eu assumirei. E se for provado ou se existir alguma prova de que o presidente da Câmara tinha conhecimento, ou o presidente da Câmara não investiu na empresa Carris ou não deu as condições à empresa Carris, então o presidente da Câmara demite-se. Obviamente que me demito. Não tenho qualquer dúvida sobre isso. O ponto aqui é que a responsabilidade que eu tenho em relação a uma empresa que é autónoma da Câmara, é dizer qual é o orçamento desta empresa.

Carlos Moedas diz ainda ter ficado profundamente ofendido com a sugestão de que esteve quatro dias sem fazer nada. Explica que esteve a acompanhar as diligências que se seguiram ao acidente no Elevador da Glória e que por isso nem sequer pensou na comunicação. Carlos Moedas diz ter sentido alguma mágoa e repugnância por ter passado quatro dias a ser atacado por políticos e quer que chegue ao fim a politização do acidente.

Há uma estratégia, e essa estratégia é uma estratégia de politizar uma tragédia, porque só pode, porque quando alguém diz que eu estive quatro dias sem fazer nada, eu acho que é absolutamente inconsciente. Como é que alguém pode pensar que perante uma estratégia dessas, um presidente da Câmara, eu falo de qualquer partido, qualquer presidente da Câmara, estaria quatro dias sem fazer nada? Eu sinto-me profundamente ofendido.

As declarações do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, entrevistado na CMTV, diz ainda que não é um moderado fofinho e que por isso tem de se defender. E o secretário-geral do PS diz que uma vitória eleitoral não iliba qualquer titular de cargos políticos. Uma mensagem a Carlos Moedas. Isto depois de no domingo, José Luís Carneiro ter dito aos jornalistas, na Feira do Livro do Porto, que o escrutínio político a Moedas vai ser feito nas autárquicas. Na noite desta segunda-feira, em entrevista à CNN Portugal, o líder socialista reitera: mesmo que Moedas vença as eleições, não fica ilibado de possíveis responsabilidades que lhe sejam imputadas no caso do descarrilamento do Elevador da Glória.

Isso não o iliba das responsabilidades que venham a ser apuradas por força das investigações que estão em curso. Mas é evidente que quando não estamos tão próximos de um ato eleitoral, o escrutínio político que se faz nesse momento é um escrutínio político, desde logo à conduta, aos comportamentos e às opções políticas.

O líder socialista José Luís Carneiro sublinhou ainda que há muitos esclarecimentos por dar, neste caso, nomeadamente em questões como o investimento na manutenção de infraestruturas. E a candidata socialista à Câmara de Lisboa diz que é falso que tenha havido uma combinação no PS para pedir a demissão de Carlos Moedas. Em entrevista à Sic Notícias, Alexandra Leitão diz que não quer alimentar a questão dos ataques pessoais de Moedas, reafirma que não exige demissões e garante que não há combinações no PS.

Que havia qualquer tipo de combinação entre mim e essas pessoas, e isso é falso.

Isso é falso.

E, portanto, o secretário-geral disse uma coisa, eu própria já disse várias vezes, e acho que é importante reiterar, que não peço a demissão de Carlos Moedas, mas peço, sim, penso que isso é que é importante, peço, sim, o esclarecimento cabal e o apuramento de responsabilidades face ao que aconteceu.

A candidata socialista à Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão, diz ainda que se for eleita, vai avaliar qual é a melhor solução para a manutenção dos elevadores da cidade e não descarta que volte a ser feita pela Carris.

Enquanto presidente da Câmara, farei exatamente o seguinte: avaliar, do ponto de vista técnico e gestionário, qual é a melhor solução, mas provavelmente avaliar com critérios técnicos e gestionários a reinternalização, tornar a internalizar. Agora, isto tem que se fazer gradualmente.

As declarações da candidata à Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão, entrevistada na Sic Notícias, acusa ainda Carlos Moedas de pouca ação nos últimos dias e diz que o autarca se tem escondido atrás de figuras como o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Vice-Presidente da Câmara de Lisboa. E a juntar-se às críticas, o secretário-geral do PCP considera que fazer a manutenção dos veículos da Carris através de organismos externos foi uma opção errada e reforça a ideia de que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa deveria ter-se demitido depois do acidente do Elevador da Glória. Estas posições foram defendidas por Paulo Raimundo durante uma visita às festas das Vindimas, em Palmela. O líder comunista mostrou-se contra a externalização da manutenção da Carris, mas assume que não é só o PSD que tem responsabilidade nesta matéria.

Nós estamos ainda à espera das conclusões finais das investigações que estão a ser feitas, mas podemos já Partir de um princípio, que eu acho que é correto, de que a opção de externalização da manutenção da Carris foi uma opção errada. E essa opção errada, temos que ser justos, não foi da responsabilidade do PSD, foi da responsabilidade do PS e do PSD. Portanto, diria que as responsabilidades políticas são mais amplas.

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, fez ainda referência às declarações de Carlos Moedas sobre a polémica do Russiagate, quando o atual autarca de Lisboa pediu a demissão do então presidente da Câmara, Fernando Medina, para dizer que Moedas devia tomar uma posição coerente depois do acidente com o elevador da Glória.

Carlos Moedas disse o que disse há uns anos. E eu sei que a coerência é coisa que hoje já não há muito, infelizmente, não se pode dizer que seja uma máxima de determinadas pessoas e determinados políticos. Para nós é muito importante. E portanto, se Carlos Moedas fosse coerente com as suas afirmações, teria que, em consciência, tomar uma decisão sobre essa matéria.

As declarações do secretário-geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo. E o antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, diz que Moedas está a mentir para fugir do Moedas oportunista de 2021. Em entrevista à Renascença, o socialista acusou o atual autarca de mentir sobre o caso Russiagate, onde na altura Moedas exigiu então a demissão de Medina e o antigo autarca socialista condena também a entrevista que ontem Carlos Moedas deu à SIC Notícias, diz ter ficado profundamente indignado.

É uma entrevista em que Carlos Moedas mente para se salvar de Carlos Moedas oportunista. Em 2021, Carlos Moedas foi o mais lesto de todos a pedir a minha demissão na praça pública pelo caso do envio de dados a embaixadas estrangeiras na convocação de manifestações. Foi afirmar ontem na televisão, algo que ele sabe que é perfeitamente mentira, de que havia responsabilidade direta minha, de que eu tivesse qualquer conhecimento sobre a situação que se passava e que tivesse havido um erro que eu pudesse ter corrigido. Carlos Moedas sabe que isso é falso, mas afirmou ontem na televisão.

O antigo autarca de Lisboa, Fernando Medina, diz ainda que o Moedas de 2025 já está demitido pelo Moedas de 2021. Mudamos de tema. Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa vão manter a greve parcial marcada para esta terça-feira. Isto depois de terem chumbado, na noite de segunda-feira, em plenário, uma proposta da empresa. Uma representante da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações indica ainda que está em aberto uma paralisação marcada para quinta-feira. Segundo o Metro de Lisboa, o tribunal arbitral não decretou serviços mínimos para esta greve parcial e por isso o serviço vai abrir apenas a partir das 10h30 da manhã. Tempo ainda de olhar para o desporto. No surf, as surfistas portuguesas Yolanda Hopkins e Francisca Veselko avançaram para a terceira ronda do Mundial da Associação Internacional de Surf. Nesta competição, que está a decorrer em El Salvador, outra portuguesa, Teresa Bonvalot, caiu para as repescagens. Yolanda Hopkins fez 11,27 pontos, o suficiente para bater Zoe Eitz, Enida Alonso e Michella Castro. Já Francisca Veselko fez 16,74 pontos em 20 possíveis, o que representa o melhor resultado até agora na competição. Teresa Bonvalot acabou então relegada para as repescagens, depois de garantir apenas 7,77 pontos. É o ponto final neste noticiário. A informação regressa à 01h30 da manhã com uma síntese de notícias. Até já!