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As notícias com João Lourenço.

Muito boa noite. O Presidente da República diz que era preciso reconhecer o Estado da Palestina agora, porque amanhã teria sido tarde demais. Palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, em Nova York, na Alta Conferência das Nações Unidas para a solução dos dois Estados no Médio Oriente. Marcelo enquadra a decisão de reconhecer o Estado da Palestina como a continuação de uma política de longa data de Portugal e sublinha ainda a necessidade urgente de alcançar a paz no Médio Oriente.

Esta decisão reflete a nossa convicção de que a solução de dois Estados é o único caminho viável para uma paz justa e duradoura no Médio Oriente. Portugal está a contribuir para a paz, justiça e estabilidade. Se não agirmos agora, a crise vai deixar uma cicatriz durante gerações, alimentando extremismos e aumentando a instabilidade. Então, o acesso de ajuda humanitária deve ser garantido, os reféns devem ser libertados e os atos de terrorismo, como os cometidos no dia 7 de outubro de 2023, nunca poderão ser justificados.

No passado domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangeão, fez na missão permanente de Portugal na ONU, a declaração formal de reconhecimento do Estado da Palestina. E Marcelo Rebelo de Sousa vai discursar esta sexta-feira pela última vez na Assembleia Geral da ONU, enquanto chefe de Estado de Portugal. Vai ser a sexta intervenção do Presidente da República no plenário das Nações Unidas. Durante a última década, as intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa ficaram marcadas por palavras de união e por um apoio contínuo a António Guterres. Na despedida, espera-se que não seja diferente. Vamos recordar agora os discursos de Marcelo Rebelo de Sousa ao longo dos anos na Assembleia Geral das Nações Unidas. Matilde Malva Sabino.

A primeira vez que Marcelo Rebelo de Sousa participou na Assembleia Geral das Nações Unidas foi em 2016. Na altura, não escondeu que a prioridade da viagem a Nova York era contribuir para a eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU. No entanto, ao contrário de outros, inibiu-se de o fazer diretamente. Preferiu garantir o compromisso entusiástico de Portugal com a organização. Na segunda visita de Marcelo à sede da ONU, em Nova York, em 2018, a atenção centrou-se na reforma das Nações Unidas. Marcelo exigiu o empenho de todos os Estados e defendeu que não reformar o Conselho de Segurança com consenso alargado seria ignorar a geopolítica do século XXI. Já no ano seguinte, a mensagem do presidente português teve um destinatário principal, Donald Trump. Na altura, o presidente norte-americano, que cumpria o primeiro mandato, interveio na Assembleia Geral com discurso focado no patriotismo, o que levou Marcelo Rebelo de Sousa a apelar para o combate ao isolacionismo e para que não se repetisse o mesmo erro de há 100 anos, avisando que os patriotas precisam de mais Nações Unidas e não menos.

Ser-se patriota é ter-se orgulho no passado, é ter-se orgulho nas raízes, é ter-se orgulho na história própria. Mas é também ter-se a exata noção de o mundo é como é e de que os outros têm direito a ter orgulho nas suas próprias pátrias.

Em 2021, quando o mundo travava uma luta contra a Covid-19, o chefe de Estado português reforçou que o mundo é multipolar e que os parceiros são necessários. Sempre alinhado com António Guterres, o presidente português apontou para os desafios das alterações climáticas, da desinformação e, evidentemente, dado o contexto, das pandemias. A última vez que Marcelo Rebelo de Sousa subiu ao púlpito no plenário das Nações Unidas foi em 2023. O presidente português pediu mais respeito pela Carta das Nações Unidas, mas também que os países cumprissem com as promessas feitas, nomeadamente no que diz respeito à ajuda do povo ucraniano.

A jornalista Matilde Malva Sabino a recordar as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, desde 2016, na Assembleia Geral das Nações Unidas. Faz esta semana o último discurso enquanto presidente da República na sede da ONU, em Nova York. E a França reconheceu oficialmente o Estado da Palestina. Emmanuel Macron afirma que nada justifica a guerra em curso na Faixa de Gaza. Na abertura da conferência de alto nível sobre a solução dos dois Estados, copresidida por Paris e também por Riad, o presidente francês criticou Israel por continuar a operação militar em Gaza. Emmanuel Macron apela à existência de dois Estados que possam viver lado a lado, em paz e segurança.

Existe uma solução para quebrar o ciclo da guerra e da destruição. É o reconhecimento do outro, da sua legitimidade, da sua humanidade, da sua dignidade. Que uns e outros reabram os olhos e vejam rostos humanos onde a guerra colocou a máscara do inimigo ou os traços de um alvo. É o reconhecimento de que israelitas e palestinianos vivem numa solidão gêmea. Solidão dos israelitas após o pesadelo histórico de 7 de outubro de 2023, solidão dos palestinianos exaustos nesta guerra sem fim. Chegou a hora, pois o pior pode acontecer.

Emmanuel Macron revelou ainda que a França vai abrir uma embaixada na Palestina, mas só depois da libertação dos reféns e de um cessar-fogo. Depois da França, também Luxemburgo, Malta, Mônaco e também a Bélgica reconheceram formalmente o Estado da Palestina. E entretanto, o presidente da Autoridade Palestiniana garantiu que o Hamas não terá qualquer papel no governo da Palestina. Uma declaração feita também nas Nações Unidas, mas à distância, devido à rejeição do visto para entrar por parte dos Estados Unidos. Na política portuguesa, José Luís Carneiro avisa que os números do Conselho das Finanças Públicas dão razão aos avisos do Partido Socialista. As projeções mostram que o crescimento da economia vai abrandar, mas isso não surpreende o secretário-geral do PS. Em declarações esta tarde de segunda-feira aos jornalistas, acusa o governo de falhar em toda a linha.

O Conselho de Finanças Públicas está a dar razão ao Partido Socialista quando alguns meses atrás afirmou que o governo estava a falhar em todas as suas previsões em relação ao orçamento. Falhou em relação ao crescimento econômico, quer nas projeções que enviou para Bruxelas, quer naquelas que nos apresentou aqui em termos nacionais, porque a economia está a crescer menos do que aquilo que foi projetado.

José Luís Carneiro dedicou a tarde desta segunda-feira a encontros com a CGTP e com a Confederação de Comércio e Serviços de Portugal para discutir as alterações à lei laboral. A CGTP pede ao PS que torne as críticas à proposta de lei consequentes. Já os patrões, na voz de João Vieira Lopes, da Confederação de Comércio e Serviços, defendem que a lei laboral volte a ser discutida em sede de concertação social. João Vieira Lopes explica por quê.

E a experiência tem nos demonstrado que quando estas questões são acordadas em concertação social, em geral, são mais duradouras para além dos ciclos políticos e também têm mais hipóteses de passarem na Assembleia da República sem grandes alterações. É esse o esforço que vamos fazer e neste momento temos uma posição aberta. Preferimos fazer um acordo mais integrado, mais global, mesmo que nem tudo aquilo que gostaríamos lá estivesse.

João Vieira Lopes a defender novamente que esta lei laboral deve ser discutida novamente em sede de concertação social. O governo já assegurou que está disponível para negociar, mas não quer que estas negociações se arrastem. A Confederação de Comércio e Serviços avisa também que o processo pode demorar. Em Lisboa, falamos novamente do descarrilamento do Elevador da Glória. Alexandra Leitão considera lamentável que Carlos Moedas se recuse a esclarecer o que considera factos novos e gravíssimos antes das eleições autárquicas. A oposição em Lisboa pediu uma reunião de emergência para esclarecer as novas informações sobre o acidente do Elevador da Glória, mas Carlos Moedas agendou esse encontro para o dia seguinte às eleições autárquicas, ou seja, para dia 13 de outubro. Ora, a candidata à autarquia da capital pela coligação Viver Lisboa não gostou do prazo escolhido e acusa Moedas de confundir politização com escrutínio democrático.

Causa-me grande estranheza que esta reunião seja marcada para o dia seguinte às eleições, com o argumento de não se politizar. Eu acho que o atual presidente da Câmara de Lisboa e também candidato, o que é um fator relevante, confunde politização com escrutínio democrático.

O pedido de reunião surgiu na sequência de duas reportagens que deram conta de outros dois acidentes anteriores no Ascensor da Glória. No desporto, o Sporting está de regresso às vitórias no campeonato. Em Alvalade, esta noite, os leões bateram o Moreirense por 3 x 0. Um jogo de sentido único, mas apenas desbloqueado nos últimos 15 minutos, com dois pênaltis, o primeiro marcado pelo avançado colombiano Luis Suárez e já depois um golo de Pedro Gonçalves. O terceiro golo da turma de Alvalade foi da assinatura de Fotis Ioannidis, o grego que marca o primeiro golo ao serviço dos Leões. No final da partida, Rui Borges destacou a exibição convincente da equipa do Sporting.

Fomos sempre dominantes, tivemos sempre bola. A percentagem de gols disparados, acho que nem nunca vi, 4,66 hoje de gols disparados. Da nossa parte, quer dizer, demonstra bem aquilo que foi o lado ofensivo e a quantidade de situações de finalização que tivemos. Por isso, só posso enaltecer aquilo que foi o grupo, não perdeu o raciocínio de início ao fim do jogo, o equilíbrio. Fomos insistindo, insistindo, até que aconteceu com naturalidade e com todo o mérito e a equipa merecia muito, não só vencer o jogo, vencer por 3 x 0, não sofrer gols, por toda a capacidade que teve ao longo do jogo.

Do lado da equipa de Moreira de Cónegos, o técnico Vasco Botelho da Costa assume que a equipa melhorou com o intervalo. Ainda assim, reconhece que o triunfo do Sporting é justo.

Nós tentamos ao máximo pressionar o Sporting. Eu acho que o Sporting na primeira parte, com a variedade que estava a ter na construção, ali o posicionamento do Costa muitas vezes montava três, outras vezes fazia o quadrado, criou-nos muita dúvida e é muito difícil comunicar num estádio destas dimensões com este ambiente e, portanto, precisávamos claramente do intervalo para ajustar. E curiosamente, eu acho que nós na segunda parte acabamos por conseguir controlar muito melhor o Sporting. A grande diferença foi que depois cometemos ali alguns erros em lances que devíamos ter controlado de maneira diferente.

Sporting 3, Moreirense 0. Com este resultado, os leões seguem no segundo posto da tabela classificativa com 15 pontos. Já o Moreirense ocupa a quinta posição com 12. Esta terça-feira joga-se um encontro que estava agendado para a primeira jornada desta Liga Portuguesa. É o Benfica frente ao Rio Ave, com relato e comentário aqui na Rádio Observador. Antes de terminar este noticiário, digo-lhe que Volodymyr Zelensky e Donald Trump vão se encontrar já esta terça-feira em Nova York. O anúncio feito pela porta-voz da Casa Branca, Caroline Leavitt. Os presidentes da Ucrânia e dos Estados Unidos vão reunir-se à margem da Confederação Geral das Nações Unidas, que decorre na cidade norte-americana. Esta vai ser a terceira vez que os dois chefes de Estado conversam presencialmente. Ponto final neste noticiário da 1h. Regresso dentro de 20 minutos para a síntese informativa. Continue com a Rádio Observador.