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Apito inicial para mais um relatório de jogo. Acompanhamos esta noite na Rádio Observador a primeira derrota do Sporting em jogos oficiais esta época, depois de duas vitórias na Liga dos Campeões. A terceira, perdeu em casa frente ao LASK Linz por três bolas a duas, num jogo, Gabriel Alves, onde o Sporting até parecia começar com fogo tudo, acabou por marcar, vindo de uma grande penalidade, logo no minuto cinco, mas a partir de então o LASK Linz foi ganhando o meio-campo, foi ganhando o jogo, foi sempre uma equipa mais objetiva na maneira como atacou a baliza e também com um porte físico de fazer inveja.
Sim. Boa noite a todos os observadores. E acima de tudo, trouxe uma estratégia para o jogo, trouxe um plano de jogo, utilizando, portanto, aquilo que é a sua técnica da força, a sua fisicalidade e o Sporting, aquilo que trouxe em termos de matéria de estratégia, falhou por completo. Naturalmente que tivemos a oportunidade de ouvir o Rui Borges e os próprios jogadores, que reconheceram aquilo que foram as limitações dos Leões para esta partida. E acima de tudo, isso, na minha opinião, acontece na casa das máquinas, fundamentalmente, onde a casa das máquinas tem que ser o local onde o projeto de jogo, quer em termos defensivos, quer em termos ofensivos, tem que ser gerido, planificado, determinado e onde o Sporting hoje, naturalmente, não esteve. De resto, o Sporting também esteve ausente daquilo que é jogo sem bola, porque se tu tens bola e tens um ou dois jogadores que estão a trocar a bola, a verdade é que onde a bola não está, esses jogadores também têm, efetivamente, que se movimentar para que criem as chamadas linhas de passe e que se fuja àquilo que são os duelos, que foram aqui também bastante focados no homem a homem projetado pela equipa. Portanto, para fugir a esse homem-homem projetado pela equipa austríaca, porque aí entra, de facto, o valor da fisicalidade e nesse valor, esses duelos são ganhos por quem tem mais capacidade atlética. Portanto, a verdade é esta: os jogadores. E portanto, também houve menos intensidade, menos energia. Porque é assim, no futebol, com e sem bola, tu tens que correr para diante e tens que correr para trás. E o Sporting hoje não o fez. Não conseguiu ganhar situações de profundidade, porque esse meio-campo, essa casa das máquinas, tem que ser quem difunde essas ações, a bola nos espaços, para que os jogadores em corrida, com e sem ela, naturalmente possam envolver aquilo que é a estrutura adversária. O Sporting não o fez. Depois, naquilo que foi a definição daquilo que granjeou, eu quero vos dizer que o Sporting, isto são números estatísticos, tem quatro bolas entre paus e o LASK tem sete bolas entre paus. Independentemente do Sporting ter mais bolas, remates à baliza, a verdade é que enquadrou pouco. Claro, marca dois, e um é de bola parada, que é de grande penalidade. Portanto, ter isso e é uma das bolas enquadradas pela equipa leonina. Daí que houve uma falta de sentido de jogo defensivo do Sporting, que permitiu aquilo que era a estratégia de sair em transição e o contra-ataque da formação à Austria. A sala das máquinas não funcionou, não projetou o jogo, quer a atacar, quer a fazer aquilo que é o papel do coletivo em termos globais defensivos. As jogadas com e sem bola foram completamente desarticuladas, sem circulação de bola, porque quando tu não podes ir e o jogador não pode obviamente levar porque tem o contacto, tu tens que fazer circular a bola e a bola tem que ter futebolistas que estejam em movimento para criar as linhas de passe, os espaços por onde essa bola possa ser entregue. Portanto, não houve esse envolvimento.
Falámos até na primeira parte de uma falta de criatividade, da dificuldade do Sporting em passar essa linha e falámos na lógica do carrossel, aquele carrossel que deu muita volta, mas não foi a lado nenhum.
Não, e essa circulação tem que ser feita com velocidade, com rapidez, com energia, com determinação, com intensidade. E lá está, volto outra vez a falar, o jogador tem que correr, quer para a frente, quer para trás, quer tenha a bola, quer não tenha a bola e esses movimentos têm que ser perfeitamente articulados, concisos, obviamente, e tem que haver alguém, também no meio disso tudo, que tenha um mínimo de criatividade, mesmo nas situações de um para um. Portanto, o Sporting sem tunição, sem objetividade, sem intensidade, sem esclarecimento, um jogo mal lido e o LASK mostrou, obviamente, que estudou muito bem o Sporting e tirou partido daquilo que são os seus valores. E por isso eu digo, e digo sempre, que as partidas ganham-se na relva. Nunca é por aquilo que o adversário ou os adversários possam mostrar no papel, em termos de currículo, em termos de histórico, histórico recente, histórico médio, histórico longínquo e em termos de qualidade do futebol do país onde jogam. Porque senão os resultados estavam feitos e os resultados não são feitos. Os resultados fazem-se naquilo que são os 90 minutos de jogo. E o Sporting hoje, a intensidade não esteve. Olhou talvez o adversário com uma distância demasiada Dado o currículo que o adversário trazia, e isso é muito mau, é preciso ter essa noção. Entrou por aquilo que o adversário mais lhe apetecia, que era o duelo homem a homem, onde naturalmente tirou partido da sua fisicalidade e acaba por ser um desastre para a equipe portuguesa.
E acaba por ser um desastre só para eles.
Não é só o resultado. É o resultado, a estratégia e a exibição.
E também a pontuação das equipes portuguesas no ranking da UEFA.
Não.
Que agora leva já duas derrotas nesta jornada da Liga dos Campeões.
Ainda tens o Braga, etc. Isso é da Liga dos Campeões. E até na própria Champions, o Sporting e o Porto descem. O Porto nem pontos tem, está zero.
Mas apesar de tudo, um calendário um pouco mais complicado que o do Sporting, que hoje tinha aqui uma espécie de última oportunidade para, pelo menos, os pontos mais fáceis até o final. Não sei se concordas com esta análise, sendo que o próximo adversário é o Shakhtar.
Eu nunca digo que o próximo adversário é mais fácil. Não posso dizer que é mais fácil. É um adversário, talvez, mais à medida das nossas capacidades. Agora, nunca digas que é um adversário menor, porque hoje o que tivemos a oportunidade de observar é que não só ganhou o jogo o LASK, como mereceu ganhá-lo. E ganhou por 3 x 2, mas se tivesse ganho por quatro ou cinco, também não tinha sido nada de anormal.
Durante algum tempo, aquele 4 x 1 foi uma espécie de fantasma que pairou, parecendo acontecer outra vez o 4 x 1 de 2020.
Sim, e o Sporting tem um arranque mais de coração do que esclarecimento à ponta final do jogo, com o LASK a cometer erros. Não geriu a posse de bola. O LASK não gera a posse de bola, com o seu treinador, naturalmente à linha, irritado com os seus futebolistas, a chamar a atenção para dentro das quatro linhas, porque também foi na onda daquilo que era sair com bola, tentando o contra-ataque, tentando surpreender, e quase que surpreendeu, é verdade, a equipe do Sporting. E depois o Sporting, o desastre foi completo, porque aquele lance do Derry na ponta final do desafio mostra bem a inconsequência toda daquilo que foi o jogo leonino. Agora, eu quero deixar aqui uma nota. Eu continuo a dizer que o Rui Borges está a construir uma excelente equipe, uma boa equipe. E é nos erros, é nas derrotas e é neste que têm que ser estudadas as situações. Não é tu estares a ganhar. "Epa, ganhamos." Não. É no zero, porque não há equipes invencíveis. Veja-se o Barcelona, enfim, estou a falar noutra dimensão, com o Paris Saint-Germain, que é campeão europeu, duas grandes equipes, mas o Barcelona ontem foi trucidado pelo PSG. E, no entanto, não se esperava que o Barcelona fosse tão dizimado pela equipe campeã da Europa, dada a qualidade do seu futebol, do seu jogo. Obviamente que o próprio Flick veio reconhecer também a superioridade do seu adversário. É tão bonito não se falar dos árbitros, não se falar dos erros, não se falar daquela conversa, que é uma conversa que Jorge Valdano, que é um grande senhor do futebol, campeão do mundo.
É uma conversa que dá pano pra mangas, mas depois não faz nenhum casaco.
É o que ele diz: "Estou farto." E tem toda a razão. "Estou farto. Joguem futebol." O que não quer dizer que não haja erros e que tenham que ser retificados, mas não fiquem só nos erros, porque a qualquer dia temos grandes jogadores, acabamos por não olhar para eles. Temos grandes jogadas, acabamos por não as definir. Temos grandes projetos. E perdemos tudo aquilo. O árbitro, a guerrinha entre o treinador e não sei quem, o que disse o presidente e o que disse o outro presidente, o que o outro fez. Não, falemos de futebol, mas se o negócio do futebol é esse, se é o fair de ver, então pronto. Mas eu quero vos dizer, porque há estudos disto, muitos dos jovens hoje, ao nível mundial, estou a falar ao nível global, têm por aquilo que são os bons jogadores de futebol, uma atração. Eles são do clube Y, Z, T, X, se o jogador de futebol que lá está ou os jogadores de futebol que lá estão, são jogadores que lhe atraem pelo seu jogo. Portanto, os Lamine, os Doué, os Dembélé, os Arda Güler, os Lamine Yamal, os Olise.
Os Vitinhas também.
Os Vitinhas.
Um pouquinho mais atrás, mas com muita presença.
Não, à frente. Eu não vou pôr atrás. Eu estou a mencionar vários. E hoje muitos dos jovens vão ao futebol e querem ir para ver exatamente esses futebolistas, a forma como jogam. E não vão pelo árbitro e pelas outras questões. Parece que o árbitro é que é importante. Eu acho que o árbitro devia vir carregado de sponsorização. Se só se fala dele, devia ter uma marca, duas marcas, três marcas, 10 marcas, eu não sei.
Vou abordar esse tema com o Pedro Henriques hoje, não sei se é em falta. Está a falta de patrocínios para eles.
Está a falta, deviam vir todos. São só os falados, são mostrados, portanto deviam estar cheios de patrocínios.
Depois têm que fazer o unboxing, essas coisas que se diz hoje em dia de forma muito moderna do apito e essas coisas.
Exatamente. E o apito também tem que vir muito bem sponsorizado e com coisinhas pequeninas que é para ser depois projetado em extensão. A verdade é que, e posso vos dizer que as transmissões televisivas, se calhar, a breve ou a médio prazo, vão ter muita atenção a estes estudos que estão a ser feitos. Eu estou a falar ao nível global. A estes estudos que estão a ser feitos para que a juventude tenha a atração e possa lá ir ver aquilo que é o seu ídolo. Olha, tu tens um jogador agora, é muito interessante, que ainda há poucos dias, chamado Akliouche, francês, que quer Luís Enrique, quer Zinedine Zidane, estão encantados. Ele ontem marcou um golo. Akliouche. Observadores, estejam atentos ao Akliouche. É um garoto.
E fiquem também atentos a este relatório que ainda não terminou. Temos, para fechar aqui com o Gabriel Alves, de determinar o que é que foi o pior esta noite em Alvalade entre Sporting e LASK, derrota dos Leões frente ao campeão austríaco.
Olha, a estratégia do Sporting foi um desastre completo e acaba em derrota. Ponto, parágrafo. E tem que ser muito bem, certamente, são pessoas crescidas, muito refletida, porque como eu disse, é uma equipe que está, na minha opinião, a ser construída para uma excelente equipe, mas na verdade, é no erro que se tem que fazer os estudos para que não volte a acontecer.
E para fechar, Gabriel Alves, o que é que foi o melhor esta noite em Alvalade? O LASK Linz, que voltou a ter um futebol muito atrativo do ponto de vista ofensivo.
O LASK Linz, porque vinha para perder, ganhou e ganhou com mérito, tirando partido daquilo que é a sua qualidade física, daquilo que é a sua qualidade tática, daquilo que é a sua qualidade de circulação, derrubando pura e simplesmente aquilo que foi o jogo do Sporting Clube de Portugal.
Está feito e entregue o relatório do jogo assinado pelo Gabriel Alves na derrota do Sporting frente ao LASK Linz por três gols a duas na terceira jornada da Liga dos Campeões 2026/2027. Gabriel Alves, até breve. Um abraço e bom descanso.
Boa noite a todos os observadores. Fica aquele abraço.