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Edição da meia-noite com António José Soares e a começar com o Conselho Nacional do PSD, está reunida em Lisboa. O Primeiro-Ministro discursou na abertura e acusa adversários de ataques de caráter devido ao sucesso do Governo.
Neste Conselho Nacional dos Sociais Democratas, são vários os ministros a sair em defesa de Luís Montenegro. Sucedem-se as intervenções de apoio ao Primeiro-Ministro e presidente do PSD. A reunião decorre a esta hora, com as principais figuras do partido a defenderem a postura do Primeiro-Ministro e a criticar, sobretudo, Pedro Nuno Santos. A acompanhar a reunião, está o jornalista do Observador, Miguel Viterbo Dias, que se junta agora a nós em direto. Boa noite, Miguel. Qual é o discurso do PSD para enfrentar estas mais que prováveis eleições antecipadas?
É colocar as responsabilidades em Pedro Nuno Santos e no Partido Socialista, e no fato de estar a copiar táticas do Chega. Na última hora, foi esse o tom ditado por Miguel Pinto Luz, Ministro das Infraestruturas, e também pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, que fizeram intervenções no Conselho Nacional. Miguel Pinto Luz, com elogios ao trabalho de Luís Montenegro e a garantir que o partido está unido à volta do líder, que é o general nesta guerra para a qual o PSD vai sem medo. São as palavras utilizadas por Miguel Pinto Luz. Mas nestas intervenções elogiosas, os destaques vão também para duas figuras vistas como senadores dentro do partido. Primeiro, José Pedro Aguiar Branco, atual presidente da Assembleia da República, diz que Pedro Nuno Santos atacou mais o regime no debate de ontem do que André Ventura nos últimos seis anos e criticou o fato de a oposição estar à espera das opiniões dos comentadores televisivos para tomar decisões políticas. Também, na grande surpresa da noite, a presença de Manuel Ferreira Leite, ex-presidente do partido, que aliás, deixa a esta hora esta unidade hoteleira onde decorre o Conselho Nacional do PSD. Manuel Ferreira Leite a dizer que veio aqui para se certificar que o partido estava unido à volta de Luís Montenegro e para dizer que Mário Soares e Jorge Sampaio não fariam campanhas como as que Pedro Nuno Santos está a fazer e a dizer, e cito, "que este é o caminho certo para a ditadura". Estas intervenções vêm na sequência do discurso de abertura de Luís Montenegro, com o Primeiro-Ministro a dizer que a oposição procurou atacar o caráter do presidente do PSD por não ter outra forma de parar o que diz ser o sucesso do Governo.
Atacar pessoalmente o Primeiro-Ministro é apenas um instrumento de jogo político baixo daqueles que não querem discutir a realidade do país. É apenas a última esperança com que os mais fracos se lançaram para tentar quebrar uma caminhada de afirmação de um país inteiro. Foi: "Não os conseguimos vencer nas políticas, não os conseguimos vencer nos resultados. Vamos tentar vencê-los cortando a cabeça ao Governo".
Nem uma palavra sobre o caso da empresa Spin on Viva, nem as polémicas das últimas semanas. Apenas o foco no discurso pré-eleitoral e no tom que será ditado na campanha, com esta recusa dos ataques de caráter ao presidente do PSD, Luís Montenegro, e com o partido unido à volta do líder. Aliás, prova disso é que esta reunião do Conselho Nacional decorre de portas entreabertas. Não há propriamente intervenções à porta fechada, apesar de os jornalistas terem sido convidados a sair e não poderem gravar. O fato é que as portas continuam abertas e é possível ouvir qualquer discurso que é feito dentro da sala desta reunião, que para já ainda vai decorrendo.
E tu vais continuar aí, Miguel, a ouvir o que sai por entre essas portas entreabertas. O jornalista Miguel Viterbo Dias, do Observador, que está a acompanhar o Conselho Nacional do PSD, que decorre esta noite num hotel de Lisboa.
Agora 00h13, e há um grupo muito elevado de suspeições sobre o Primeiro-Ministro.
Quem o afirma é o presidente do PS. Entrevistado esta noite na grande entrevista da RTP, Carlos César diz que Luís Montenegro quis fugir a responder a uma comissão parlamentar de inquérito.
Não só o Primeiro-Ministro queria fugir e quis fugir ao escrutínio de uma comissão parlamentar de inquérito e quis fugir a responder às questões que têm sido colocadas com o maior melindre e que seriam colocadas em consequência de eventuais respostas, como acha que por virtude do maior conforto da situação econômica e financeira no plano nacional e europeu, por ter também a possibilidade de provavelmente perder as próximas eleições autárquicas e com isso ver fragilizada a sua liderança e ter em mãos uma potencial negociação muito complexa do Orçamento do Estado para 2026, onde o Primeiro-Ministro achou por bem associar o útil ao desagradável para forçar eleições antecipadas.
Carlos César, na grande entrevista desta noite na RTP.
O Conselho de Estado reúne-se esta quinta-feira para discutir a crise política. É um encontro convocado por Marcelo Rebelo de Sousa na sequência do chumbo da moção de confiança.
Já esta quarta-feira, o presidente da República recebeu os partidos com assento parlamentar no Palácio de Belém e não existe unanimidade entre eles na escolha da data das próximas eleições legislativas antecipadas Os partidos dividem-se entre os dias 11 e 18 de maio.
E o presidente da Câmara Municipal de Cascais foi condenado a pagar € 15 mil por ter feito publicidade institucional proibida.
O caso remonta ao período eleitoral das últimas eleições autárquicas de 2021. Em causa estão denúncias apresentadas à Comissão Nacional de Eleições pelo Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal e vários cidadãos que deram conta da existência de cartazes espalhados por Cascais. O gabinete do presidente da autarquia já assegurou que vai recorrer da decisão do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste.
Agora no desporto, o Vitória joga esta quinta-feira frente ao Bétis de Sevilha. O jogo é decisivo da Liga Conference.
O treinador vimaranense tem a ambição no máximo, mas lembra que o Vitória não está em vantagem. A formação de Guimarães leva da primeira mão dos oitavos de final um empate a dois. Na conferência de imprensa de antevisão, Luís Freire garante que estudou bem o adversário e que a expectativa é alta.
Sabemos os pontos fortes também do adversário, que tem qualidade, continua a ser uma equipa com jogadores mundialmente conhecidos, um treinador mundialmente conhecido, uma equipa que tem objetivos que até assumiu a candidatura a vencer a Conference League. Portanto, independentemente de tudo, sabemos o que pode ser o jogo, mas principalmente o que queremos fazer no jogo. E é por aí que vamos. Se o Bétis está mais avisado ou menos, isso nós não controlamos, não sabemos. Eu não sei. Sei é o que nós temos para fazer amanhã e a confiança que tenho em que vamos fazer novamente um grande jogo. Tenho muita confiança nisso, tenho convicção no que estamos a fazer, tenho convicção na qualidade tanto coletiva como individual e estamos com a máxima ambição para o jogo de amanhã.
O treinador Luís Freire, na antevisão do Vitória-Bétis, que se joga esta quinta-feira em Guimarães, a segunda mão dos oitavos de final da Liga Conference da UEFA. O jogo vai ter relato em direto aqui na Rádio Observador, numa emissão especial de desporto que arranca às 19h30.
Agora é 00h07. E para fechar, que outras notícias estão a marcar a atualidade?
Vladimir Putin ordenou ao exército russo que liberte totalmente a região de Kursk. De acordo com o chefe do exército russo, as forças de Moscovo capturaram 430 soldados ucranianos na região. O presidente da Rússia assegurou também que todos os soldados ucranianos capturados e detidos devem ser tratados como terroristas. São declarações de Putin na primeira visita que faz à região de Kursk desde a invasão da Ucrânia naquela zona em agosto do ano passado. Foi novamente adiado o lançamento da missão Crew 10 rumo à Estação Espacial Internacional. Trata-se da missão de resgate dos dois astronautas norte-americanos que partiram para o espaço numa missão de oito dias em junho de 2024, mas que não conseguiram regressar devido a uma falha no motor da nave. O lançamento estava previsto para as 23h48, hora de Lisboa. Foi abortado na última hora devido a problemas técnicos. Nuno, para terminar, satisfaz-me aqui uma curiosidade: qual é o teu heterônimo favorito de Fernando Pessoa?
Eram quatro, não era? Portanto, era Álvaro de Castro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares. Talvez o Ricardo Reis.
O meu é o Álvaro de Campos.
Era o mais fora da caixa.
Identifico-me um bocadinho com ele. Pois olha, para nós que gostamos de Fernando Pessoa, uma boa notícia, vai sair um filme com Fernando Pessoa e o escritor norte-americano Lovecraft, que se chama "Cartas Telepáticas".
Então qual é o tema do filme?
Olha, é sobre uma troca de correspondência entre o poeta português e o Lovecraft, onde falam nessas cartas de temas como o cosmos, o fantástico, arte, moralidade. É do realizador Edgar Pera, que encontrou pontos de contato desde que começou a lê-los na sua adolescência.
Exatamente. Por acaso é verdade. Há aqui a questão do estoicismo, que era uma corrente muito filosófica de Atenas e tem também muito esta particularidade de ser muito também do Ricardo Reis. Se calhar é por aí que vai embarcar no filme. E como é que é feito o filme?
Olha, isso é que é uma grande curiosidade. É feito de aplicações de inteligência artificial. O autor criou imagens em movimento, cenários e paisagens, e tudo isto permitiu escrever, filmar e montar esta longa-metragem praticamente em tempo real. Reais aqui neste filme é apenas as vozes com a narração dos vários atores.
Então para quando é essa estreia?
Não falta muito. A estreia está marcada para dia 20 deste mês e o filme é produzido pelo Bando à Parte.
É a nova realidade da inteligência artificial. Nunca o Fernando Pessoa pensou que ia ter um filme com inteligência artificial e sem atores.
Mas olha, ele sem IA artificial, tinha muita.
Pois tinha.
Ainda estamos a aprender muita coisa com ele.
A informação de regresso à 00h30, já não contigo, já não comigo aqui também ao comando da nave. Portanto, amanhã estaremos de regresso.
Estarás tu.
Pois, estarás tu.
Eu estou de folgas antecipadas, que venho trabalhar no fim de semana.
Muito bem. Então olha, até amanhã. Um abraço e bom descanso.
Adeus, bom descanso.