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Jornal da Meia Noite com Martim Madeira. Martim, o Ministério da Administração Interna rejeita as acusações do ex-secretário-geral do ministério, Ricardo Carrilho.
Um comunicado da tutela explica que o afastamento do dirigente foi determinado pela necessidade de encontrar um perfil adequado e comprometido com os objetivos políticos e estratégicos do Ministério da Administração Interna, objetivos que dizem estar enquadrados no programa do governo. Lê-se também que um vasto conjunto de episódios tornaram a relação com Ricardo Carrilho insustentável e são episódios como, por exemplo: nos últimos meses, assumiu uma permanente atitude de confronto, procurando por todos os meios prejudicar o funcionamento do SIRESP, o único sistema de comunicações de emergência do Estado. O ministério também conta outro episódio que, em plena época de incêndios, extinguiu o Centro de Operações e Gestão do SIRESP, que é um centro nevrálgico da rede de comunicação de emergências, à revelia da tutela, sem apresentar soluções alternativas, tendo sido necessário o apoio da GNR e da PSP para assegurar a continuidade do funcionamento. A recusa também de pagamento por parte da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, da indenização compensatória à SIRESP, SA, no âmbito do mecanismo em vigor desde 2021, no valor de cerca de €26 milhões. São os exemplos que o ministério dá. E a tutela afirma também que as recentes declarações do antigo secretário-geral comprovam que este não tinha condições para os desafios que a profissão exige.
Em reação ao comunicado, o secretário-geral do Ministério da Administração Interna, demitido hoje por Luís Neves, acusa o ministro de total ausência de respostas e bloqueio institucional.
Em entrevista à CNN Portugal, Ricardo Carrilho manifesta surpresa pelo comunicado do Ministério da Administração Interna. Diz que as razões invocadas para justificar o afastamento do cargo do secretário-geral não são verdadeiras.
Manifestar a minha total surpresa relativamente a este comunicado, que terá sido emitido pelo Ministério da Administração Interna. Esta surpresa fica associada ao fato de, nas declarações que hoje o senhor ministro prestou aquando da reunião comigo, ter tido apenas palavras elogiosas relativamente ao trabalho que eu desenvolvi enquanto secretário-geral e aos resultados que foram alcançados ao longo do último ano. É absolutamente falso que tenha havido qualquer tipo de manobra da parte da Secretaria-Geral no sentido de proceder a mecanismos dilatórios quanto aos pagamentos à SIRESP, SA. É absolutamente falso que tenha havido qualquer esforço no sentido de alterar o tal Centro de Operação e Gestão do SIRESP neste verão. É mentira. O Centro de Operação e Gestão já estava na SIRESP, SA desde 2022. Portanto, é no mínimo curioso que o senhor ministro venha agora alegar isto.
Ricardo Carrilho diz ainda que tem havido uma atitude de desresponsabilização por parte do ministério Luís Neves e sublinha que a falta de respostas tem impacto na atuação das forças de segurança.
Ao longo destes meses, o que eu tenho sentido é, de facto, um esforço permanente no sentido de imputar à Secretaria-Geral responsabilidades que não são suas. Em todos os domínios, há uma ausência total de resposta por parte da tutela. Aliás, se me permite, João, esta é uma lista com cerca de 10 páginas em A3, dependentes de decisão por parte do senhor ministro e dos senhores secretários de Estado. São meses, se não anos, de trabalho da Secretaria-Geral, totalmente desconsiderados. Portanto, há, de facto, um bloqueio institucional ao nível do ministério, que eu lamento, que tem impacto direto na atuação das forças de segurança.
As declarações do ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna, Ricardo Carrilho, em reação ao comunicado da tutela divulgado esta noite.
E agora falamos das declarações que levaram ao comunicado do ministério. O secretário-geral da Administração Interna, demitido hoje pelo ministro Luís Neves, fala numa purga política cirúrgica.
Num artigo de opinião publicado no Expresso, Ricardo Carrilho garante que nunca sofreu tantas pressões ilegítimas em duas décadas de serviço público. O responsável agora afastado justifica este afastamento com o cumprimento rigoroso da lei. Hugo Furtado de Oliveira.
Ricardo Carrilho diz que o afastamento é fácil de explicar. Respeitou a lei e isolou pelo erário público, que colidiu frontalmente com os interesses políticos e os esquemas de favorecimento. O ex-secretário-geral da Administração Interna explica que em julho deste ano apresentou ao ministro Luís Neves uma proposta de reestruturação que permitiria poupar mais de €16 milhões por ano ao Estado. Foi aqui que diz ter cometido o crime que ditou a sentença: propor a extinção da SIRESP, SA, a empresa responsável pela gestão da rede de comunicações críticas. Ricardo Carrilho afirma que, segundo uma auditoria interna da Secretaria-Geral, a SIRESP, SA recebe €26 milhões por ano do Estado, mas que o funcionamento da rede custa menos de 15 milhões. Deixa, por isso, uma questão: para onde vão os €11 milhões de diferença? Uma pergunta que não fica sem resposta. O responsável diz que são absorvidos por despesas com pessoal, consultorias, assessorias, escritórios de luxo e viaturas de topo. A resposta que recebeu à proposta, diz, foi a destituição. Afirma, por isso, ter sido vítima de retaliação e deixa um aviso: tanto no Ministério da Administração Interna como no atual governo, quem cumpre a lei é punido, quem protege o sistema é preservado.
O jornalista Hugo Furtado de Oliveira com os trechos do artigo de opinião de Ricardo Carrilho, no Expresso, intitulado "A Ditadura da Incompetência". O ex-secretário-geral da Administração Interna acusa a tutela de escolher deixar na gaveta dossiês que colocam hoje o país em risco sistêmico por conveniência, incapacidade ou cálculo político. Foi isso que levou ao comunicado do Ministério da Administração Interna.
Passamos agora para outro tema. Luís Montenegro diz que o país não ganha nada em ter o PSD acorrentado ao Chega.
Depois de Passos Coelho ter defendido uma aliança à direita entre PSD, Chega e Iniciativa Liberal, o primeiro-ministro afasta um entendimento. Diz que não seria bom para o partido nem para o país.
Este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa direita e que é hoje o segundo partido com representação parlamentar na Assembleia da República.
O primeiro-ministro e presidente do PSD em discurso durante o jantar de aniversário da vitória autárquica de Pedro Duarte, no Porto. Luís Montenegro garante que o governo vai continuar fiel aos princípios, mas reconhece que é preciso reforçar a competência e a eficácia
André Ventura diz que um entendimento com o PSD não é possível e que o Chega deve construir uma outra maioria.
É a reação do líder do Chega às declarações de Pedro Passos Coelho, também na SIC Notícias, em entrevista à RTP Notícias. André Ventura diz que esse tempo já passou e que o partido deve agora procurar liderar uma maioria de reformas que o país precisa.
Não, e nunca seria possível com esta liderança atual do PSD. Vou lhe dar um exemplo: eu nunca estaria num governo onde Luís Neves estivesse no governo também. Isso estaria fora de questão. Acho que nenhum dirigente do Chega, nenhum membro do Chega aceitaria estar num governo onde há suspeitas de irregularidades, de ilegalidades, onde há coisas mal explicadas. Acho que esse tempo passou, francamente. Agora o Chega está à frente do PSD nas sondagens. Então agora é que o PSD vem dizer: "Afinal, agora faz sentido termos um acordo." Agora eu acho que é o momento de começarmos a construir outra maioria, uma maioria de reformas que o país precisa, mas não necessariamente uma maioria que o PSD lidere, uma maioria que o Chega possa liderar.
O líder do Chega manifesta ainda confiança pelas mais recentes sondagens que colocam o partido à frente do PSD e destaca que, desde as eleições presidenciais, o Chega já não é visto apenas como um partido de protesto.
Martim, vamos agora a outras notícias em destaque a esta hora.
O presidente dos Estados Unidos considera que Vladimir Putin está mais disponível a negociar o fim da guerra na Ucrânia do que Volodymyr Zelensky. Ainda assim, Donald Trump mostra-se confiante em relação a um eventual acordo. Vamos então ouvir essas declarações de Trump a caminho de Ohio, em que diz que Volodymyr Zelensky não está tão disponível para negociar como Putin.
I think they're gonna make a deal. I think actually Putin wants to make a deal more than Zelensky.
Neste áudio, com um avião por cima, dificulta um cadinho esta audição, mas Trump em inglês a dizer que Vladimir Putin está mais disponível para negociar o fim da guerra do que Zelensky. Acredita também que os dois países querem um entendimento, mas apenas não sabem como alcançá-lo. Os Estados Unidos garantem que vão ajudar. E sobre o cessar-fogo energético entre a Rússia e a Ucrânia, Trump diz que ainda precisa perceber se os dois países estão a cumprir as tréguas, mas reconhece que há violações de ambos os lados. Questionado sobre as reações de Moscou e Kiev, que disseram ter sido apanhadas de surpresa com o anúncio do cessar-fogo, Donald Trump afirmou que os dois países aceitaram a proposta porque ele próprio lhes disse que tinham concordado. Noutro conflito, Benjamin Netanyahu quer avançar com uma ofensiva conjunta com a Arábia Saudita contra os rebeldes houthis. A notícia avançada pelo jornal israelita Haaretz, que dá ainda conta da oposição do príncipe herdeiro saudita à operação. O receio é de que o envolvimento de Israel provoque uma forte rejeição por parte da população saudita com esta iniciativa. O líder israelita pretende também estreitar as relações com Riade. Um dos principais objetivos geopolíticos de Netanyahu é levar a Arábia Saudita a aderir aos acordos de Abraão e a estabelecer relações diplomáticas com Israel. Filipa, vamos fechar este jornal com uma notícia engraçada. Há momentos no futebol que nem o vídeo-árbitro consegue tirar a limpo, sabias?
É aquele fora de jogo mais difícil, não há o poste para tentar ver onde é que está o fora de jogo.
É, o Vítor do poste. O Vítor do poste da liga dos últimos às vezes é necessário, para ver entre o poste se está ali a linha.
Exato. Mas é por quê?
Não é o famoso Vítor do poste. É na China, durante um jogo de futebol do segundo escalão, um gol foi anulado porque duas bolas entraram ao mesmo tempo na baliza.
Mas como é que isto aconteceu? Eles não mandam parar logo o jogo quando há outra bola em campo?
Pois, eu não faço ideia como é que se calhar as regras na China são diferentes. No jogo entre Shaanxi Yungue e Foshan Nanhai.
Nomes simpáticos para conseguirmos dizer.
A dizer o melhor possível.
Também não te sei corrigir.
A primeira equipe cobrou um lançamento lateral com uma segunda bola ainda dentro do campo. Estava uma bola já dentro de campo e a equipe decidiu lançar outra bola para dentro de campo. Um dos jogadores da equipe adversária tentou afastar essa mesma segunda bola, mas ao tentar tirá-la de dentro de campo, acabou por metê-la dentro da própria baliza. Enquanto a bola oficial do lance também entrou na baliza em simultâneo.
Isso parece a brincar, não é? Parece a gozar.
Isto é para os apanhados. Só pode.
Exatamente.
A decisão do árbitro foi anular o gol, claro. E o Shaanxi Yungue também não saiu muito prejudicado. Venceu por 5 x 1, também não fazia muita diferença.
Menos mal.
Mas podia ter vencido por 5 x 3, não é? Duas bolas lá dentro.
Isto se calhar às vezes era preciso sim duas bolas para os nossos clubes, os clubes por que nós torcemos, ganharem mais um golinho.
É verdade.
Muito bem, Martin. Até amanhã. Bom descanso.