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Na Rádio Observador. Começa agora o Jornal da Meia-Noite, edição do jornalista José Rafael Lopes. José, o acampamento em Lisboa, em protesto pelos preços da habitação, contesta a apreciação da ilegalidade feita pelas forças de segurança em relação ao protesto.

Na Praça do Rossio continuam centenas de pessoas na capital portuguesa. Os porta-vozes do protesto asseguram que não estão a fazer nada de ilegal e pretendem manter-se na praça lisboeta mais uma noite, apesar dos avisos da PSP de que vai intervir caso as tendas se mantenham em Lisboa e no Porto. No Rossio está a Rita Lourenço, agora em direto. Rita, os manifestantes já se preparam para mais uma noite na praça lisboeta?

Mais uma noite de protestos, a terceira consecutiva em Lisboa. Estou aqui com o João, um dos porta-vozes do protesto desta acampada. João, alguma perspectiva para esta noite?

Manteremo-nos fortes aqui, a ocupar a praça pública, porque é nosso por direito, não estamos a fazer nada de ilegal, como está a ser passado por grande parte da imprensa. E é isso.

Alguma estimativa de quantas pessoas estejam aqui na acampada esta noite?

Não faço a menor ideia, para ser honesto. Vi na imprensa que haviam 120 tendas. Eu não vi nenhuma contagem interna.

Houve várias pessoas a juntarem-se a vocês esta noite. Já vi aqui várias pessoas, tanto com tendas como apenas presentes, de corpo presente aqui convosco. Houve alguma informação passada a vocês por parte da polícia?

Tanto quanto eu sei, hoje eu não soube nada, pelo menos. Não posso falar, porque também não interajo com a polícia.

Mais cedo, durante a tarde, na vossa assembleia popular, foi aprovado que a comunicação social não pode estar dentro do recinto das tendas e que vão criar uma zona específica para a comunicação social. Já têm mais algum detalhe em relação a essa informação?

Não, vai ter que ser formado um grupo de trabalho pelas pessoas que propuseram essa proposta. E depois vai ter que ser decidido democraticamente.

Pelo menos da vossa parte, espera-se uma noite tranquila aqui em Lisboa?

Esperança, sempre. Temos sempre esperanças.

Há pouco ouviu-se um estouro que parece ter sido um petardo. Não foi de ninguém ligado à acampada, correto?

Não, eu vi, foi um carro preto que passou aqui, não sei se alguém conseguiu tirar a matrícula. Foi de certeza um provocador.

Pronto. São estas as declarações de João, dos porta-vozes da acampada. São muitas as pessoas que se juntaram aqui desde o cair da noite, mais tendas, mais pessoas. Estamos neste momento, à meia-noite e cinco, muito perto da hora em que a polícia diz passar a ser ilegal estar a manifestar-se em praça pública, algo que os manifestantes alegam ser ultrapassado pela Constituição de 1975.

A reportagem da Rita Lourenço, a partir da manifestação no Rossio. No Porto, há também centenas de pessoas que pretendem manter a manifestação por mais uma noite, na Praça Dom João I. Laura Figueiredo, agora em direto. É visível algum tipo de reforço policial?

Boa noite, José. Não, e é de facto uma diferença relativamente aos últimos dias. Por volta desta hora, nas últimas noites, a PSP já costuma cá estar, mas hoje ainda não chegou. Vimos apenas nos últimos minutos a passagem um carro da PSP, mas passou e não ficou. Os manifestantes por aqui estão, como habitualmente, em vários grupos. Há também música ao vivo, algo que, pelo menos nas últimas noites, não tem acontecido a esta hora. E há também um ambiente de expectativa para ver o que vai acontecer nas próximas horas. O procedimento tem sido aguardar. A polícia tem aguardado até à meia-noite e meia e depois disso, tem tentado falar com os representantes do movimento. Ontem, os avisos da PSP sobre estarem a incorrer os manifestantes no crime da desobediência não chegaram para demovê-los. Depois de uma votação, decidiram passar mais uma noite aqui na Praça Dom João I. Foi já a segunda consecutiva que a polícia tentou conversar, explicar que é ilegal permanecer na praça com as tendas depois da meia-noite e meia, mas nas duas últimas noites a polícia acabou por abandonar a praça, depois de perceber que o movimento pela habitação não ia ceder. Já hoje, como davas conta, a PSP prometeu esgotar ao máximo a via do diálogo, mas avisou que vai haver uma intervenção policial caso as tendas não sejam desmontadas. No entanto, Sérgio Soares, o porta-voz da PSP, que disse isto, diz também que desconhece quando será feita essa intervenção, que assegura que, a acontecer, será proporcional e adequada. Vamos continuar por aqui, também nós na expectativa, para ver se a PSP vem até à Praça Dom João I tentar novamente conversar com os manifestantes do protesto pela habitação, como tem acontecido. Mas até agora, como dizia, nada de polícia aqui na praça. Vamos aguardar para ver se chegam para as conversas habituais da meia-noite e meia.

Reportagem da Laura Figueiredo, a partir do Porto, onde há também centenas de pessoas na manifestação contra os preços da habitação. Pretendem passar mais uma noite, os manifestantes, quer na Praça Dom João I, no Porto, quer na Praça do Rossio, em Lisboa.

E o Presidente da República apela ao governo e aos partidos da oposição que se entendam para resolver o problema da habitação.

Já há contributos, agora é altura de os transformar em soluções. É o que pede António José Seguro e Vasco Maldonado Correia. Este apelo é deixado em plena sede do governo. Ao lado do Ministro da Presidência, no edifício que alberga grande parte do governo, e coincidência ou não, às oito da noite em ponto. O apelo de António José Seguro é claro: entendam-se.

Há, de facto, um problema de habitação no país e, portanto, ele precisa de ser resolvido. E se há contributos de todos, governo, partidos da oposição, então é útil que todos se entendam para encontrarem as melhores soluções para resolver os problemas.

O presidente quer medidas para o curto e para o longo prazo.

Agora é necessário dar o passo seguinte: entenderem-se sobre essas propostas, umas através de políticas duradouras, é esse o entendimento que eu tenho apelado, e outras com medidas urgentes.

E lembra que o problema é transversal, dos mais novos aos mais velhos.

Por exemplo, de estudantes que têm dificuldades em pagar o quarto quando estão deslocados, de pessoas que mesmo tendo trabalho, têm dificuldades em pagar a renda, porque elas têm subido.

Seguro volta a sublinhar o apelo à responsabilidade.

Os preços das casas têm aumentado, portanto, é necessário olhar para esse problema com seriedade e com o contributo de todos. É esse o meu apelo.

E se o argumento de autoridade não for suficiente...

É fundamental ouvir Álvaro Siza Vieira, quando dizia ter dúvidas sobre a expressão "habitação social", porque toda a habitação é social. Ora, a habitação é uma das preocupações centrais do nosso tempo e do nosso país. É aqui que a dignidade humana e casa se encontram.

Por uma questão de dignidade humana, fica o aviso do presidente da República: o problema da habitação precisa de respostas e precisa delas para o imediato. Um trabalho do jornalista Vasco Maldonado Correia, com esse apelo deixado pelo presidente da República ao governo e aos partidos para que se entendam, para tentar resolver o problema da habitação em Portugal.

E o ministro da Administração Interna garante que a PSP não se vai exceder perante os manifestantes.

Luís Neves diz que essas são as instruções da própria lei. O ministro lamenta que tenham havido feridos durante os protestos e diz que o direito à manifestação é respeitado por todos, mas deixa o aviso de que as formas de protesto não podem violar a lei.

Nós todos temos que ter bem certo que a lei é para cumprir, a firmeza da ação tem que ser tida e, por isso, é evidente que ninguém fica satisfeito, nem as forças de segurança, de ver pessoas que tenham ficado feridas, que foi o que sucedeu. Mas por isso, esse trabalho está a ser feito. As forças de segurança, conforme ontem assistimos, quer no Porto, quer em Lisboa, falaram com os representantes dos manifestantes, comunicando aquilo que é a necessidade de se fazer cumprir a lei.

Luís Neves garante que a organização já foi informada de que a polícia poderá agir para terminar a ocupação do espaço público. A própria PSP já reforçou esse aviso de que pode mesmo vir a intervir perante as manifestações.

E o secretário-geral do PS admite que o Orçamento do Estado para 2027 merecia um voto negativo do partido, mas ressalva que o dever dos socialistas é servir o país.

Justificação de José Luís Carneiro para explicar a intenção de se abster perante o orçamento, o que vai permitir a passagem do documento. O líder do PS insiste na explicação, embora admita que não tem confiança no que o governo vai apresentar, mas diz, José Luís Carneiro, que é um mal menor face a uma crise política.

Este orçamento merecia um voto contra, mas o nosso primeiro dever é servir o país. Nós fazemos oposição ao governo, mas não fazemos oposição ao nosso país. Temos o dever de defender o nosso país perante um quadro externo muito difícil e que está a ter impactos brutais nas famílias portuguesas, nas empresas, nas instituições e com o governo insensível e incompetente para responder às necessidades.

Palavras de José Luís Carneiro em Faro. O líder do PS garante que há responsabilidade no Largo do Rato e que um orçamento chumbado seria sinônimo de caos em Portugal.

E agora com 11 minutos para lá da meia-noite, que outras notícias marcam a atualidade, José?

André Ventura garante que o PS é cúmplice na crise da habitação e desafia o partido a aceitar as propostas do Chega de deduções fiscais ao crédito da habitação. O secretário-geral do PS tinha acusado o líder do Chega de hipocrisia por se mostrar preocupado com a habitação agora, sendo que viabilizou a lei das rendas do governo com uma abstenção. André Ventura fala numa tremenda hipocrisia e diz que dar luz verde ao documento sem o conhecer, no caso o Orçamento do Estado, é prova precisamente disso por parte do PS. O presidente dos Estados Unidos diz que a Ucrânia já podia estar em paz se o tivessem ouvido no passado. Donald Trump assegura que já teria um acordo de paz com Vladimir Putin em nome da Ucrânia. Na Casa Branca, o líder norte-americano aconselha ainda Volodymyr Zelensky a mudar a postura perante as negociações de paz. Na Ucrânia, Volodymyr Zelensky promete não atacar as instalações energéticas da Rússia se Washington entregar mais mísseis Patriot ao país. São declarações que surgem depois dos Estados Unidos terem chegado a um acordo com a Rússia para que o país libertasse grandes quantidades de gasóleo nos mercados globais. Uma medida, acredita Donald Trump, que vai resultar numa baixa dos preços dos combustíveis.

E é o ponto final no Jornal da Meia-Noite, edição do jornalista José Rafael Lopes, que está de saída por hoje. Eu também. Já a seguir fique com o Porque Sim, Não Há Resposta. José, até amanhã.

Até amanhã.