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As notícias com Carla Jorge Carvalho. A taxa de inflação voltou a acelerar em maio para 3,1%. Foi quase mais um ponto percentual do que em abril, é o que indica a estimativa rápida divulgada há pouco pelo Instituto Nacional de Estatística. O INE explica que esta aceleração surge do efeito associado à redução mensal de preços registrada em maio do ano passado. Isto no seguimento do IVA Zero, que isentou de imposto uma série de bens alimentares. Os dados finais vão ser divulgados a 14 de junho. O primeiro-ministro recebe a esta hora, em São Bento, uma delegação que representa os signatários do Manifesto dos 50, que exige uma reforma profunda na Justiça. A eurodeputada socialista Maria Manuel Leitão Marques é uma das signatárias que vai ser recebida por esta hora por Luís Montenegro. Ouvida na última hora, aqui na Rádio Observador, Maria Manuel Leitão Marques destaca que os problemas na Justiça não são novos, ainda que a gota d'água tenha sido o processo que levou à admissão do então primeiro-ministro António Costa. No entanto, deixa claro que não quer centrar esta audiência e o manifesto num único processo e dá, por isso, outros exemplos.
Outras situações, como dificuldades dos cidadãos no acesso à Justiça, problemas de morosidade em algumas áreas da Justiça. A morosidade não se distribui por todos os processos judiciais, está mais presente em alguns do que em outros. A própria formação dos magistrados, que é um problema que eu tenho referido, que não é revista, acho que desde que foi criado o Centro de Estudos Judiciários, e, portanto, provavelmente, falta de proporcionalidade na investigação penal, nas escutas e buscas domiciliares. Estou apenas a referir algumas das prioridades que identificamos.
Maria Manuel Leitão Marques, ouvida esta manhã aqui em direto na Rádio Observador. É por esta hora que começa a reunião do primeiro-ministro com uma delegação de personalidades do Manifesto dos 50, que assinaram o documento em defesa do que chamam de um sobressalto cívico para resolver os problemas do setor da Justiça. O representante deste grupo já tinha sido ouvido pelo presidente da República. Agora, além do primeiro-ministro, a delegação vai reunir-se mais tarde com os líderes parlamentares. E viramos atenções para as europeias. Na história do dia de hoje, Luís Marques Mendes e Sérgio Sousa Pinto fazem um balanço positivo da campanha, mas consideram que está a ser demasiado marcada por temas nacionais. Como o SNS, que pouco importa em Bruxelas, é a análise feita pelos dois comentadores num episódio especial da História do Dia, da Rádio Observador. Luís Marques Mendes, antigo presidente do PSD, sublinha que nas europeias é muito difícil fazer chegar a mensagem aos eleitores e que por isso os candidatos têm de ser mais profissionais.
As eleições europeias, nesse plano, são de facto as eleições mais difíceis de todas. Já foram, são e provavelmente continuarão a ser. Portanto, o que é que isso significa? Se são mais difíceis, significa que os candidatos têm que ser mais profissionais. E o que é ser mais profissionais? Em grande medida, é terem, de facto, em primeiro lugar, uma mensagem. Se uma pessoa vai para um debate ou vai para uma entrevista, ou vai para uma intervenção e não tem previamente selecionado uma ou duas, ou três mensagens, não é um bom candidato porque não fez o seu trabalho de casa, não foi verdadeiramente profissional.
Luís Marques Mendes considera ainda assim que os candidatos estão a fazer um esforço louvável e destaca a importância do carisma nos contactos de rua. Já Sérgio Sousa Pinto critica o tom dos debates. O deputado socialista considera que foram fastidiosos e pouco esclarecedores.
Neste momento, o que interessa do ponto de vista europeu, evidentemente, não são só estes temas, mas é a situação da paz e da guerra na Europa e a situação da pressão migratória sobre o continente. Estes são os dois temas. Mas há outra coisa, os apoios agrícolas, a PAC, a gente sabe os temas. Agora, mas nós aqui em Portugal, os nossos debates sobre as eleições europeias são sempre paroquiais. Estamos sempre a ver se conseguimos levar isto para os temas da terra. Em matérias relativamente às quais a União Europeia não tem nem atribuições, nem competências. Mas pronto, debatemos aqui o estado do serviço só de saúde e não sei o quê. Não tem nada a ver com o papel que os eurodeputados podem vir a desempenhar utilmente.
É uma crítica deixada por Sérgio Sousa Pinto na História do Dia. Ele destaca ainda que as campanhas são autênticas provas físicas muito exigentes para os candidatos. E já a seguir, no Contracorrente, vamos fazer uma ronda pelos jornalistas que estão a acompanhar os cabeças de lista dos vários partidos. Donald Trump acusa a administração Biden de estar por trás da condenação no âmbito do caso Stormy Daniels. Os jurados do tribunal de Nova York consideram que o antigo presidente é culpado de todos os 34 crimes de que estava acusado, relacionados com falsificação de documentos, no âmbito de um pagamento que terá sido feito à atriz de filmes pornográficos Stormy Daniels. Em reação, Donald Trump diz que este é um ataque com objetivos meramente políticos por parte de Joe Biden. Fala numa vergonha. Agora, Mário Silva da Costa, já é conhecida a condenação, quando é que vamos ficar a conhecer a sentença para o antigo presidente norte-americano?
Dia 11 de julho, quatro dias antes da convenção do Partido Republicano, que deve confirmar Trump como candidato do partido às presidenciais de 5 de novembro. Donald Trump pode ser condenado a uma pena de prisão efetiva até quatro anos. No entanto, os juízes costumam ter em conta, para evitar a pena de prisão efetiva, fatores como o facto de Donald Trump não ter cadastro e de já ter 77 anos. E por isso, em cima da mesa estão possibilidades como a prisão domiciliária, uma multa e liberdade condicional.
E Mário, há ainda algumas possibilidades de recurso para o antigo presidente norte-americano.
Donald Trump pode recorrer para a divisão da Relação de Manhattan e ainda para o Tribunal da Relação de Albany. A condenação também não impede a candidatura à presidência dos Estados Unidos. É, portanto, improvável que todo este processo esteja resolvido antes das eleições presidenciais do dia 5 de novembro.
E Donald Trump, na reação, reagiu a Donald Trump.
Igual a ele próprio, ao ataque contra Joe Biden.
"This was done by the Biden administration in order to wound or hurt an opponent, a political opponent, and I think it's just a disgrace."
Um ataque para ferir um adversário político, uma vergonha, são as expressões utilizadas por Donald Trump. Já a campanha de Joe Biden, do presidente norte-americano, afirma em comunicado que esta condenação de Trump prova que ninguém está acima da lei.
Mário Silva da Costa, com a condenação de Donald Trump por falsificação de documentos. Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, um antigo presidente é condenado em tribunal por um crime federal. E para o especialista em política internacional, Nuno Gouveia, o impacto que esta condenação pode ter nas eleições norte-americanas é imprevisível. Vai ser difícil definir qual vai ser o comportamento do eleitorado, aquilo que está indeciso entre Donald Trump ou Joe Biden. Quanto ao apoio do Partido Republicano, Nuno Gouveia entende que não se vai alterar por causa desta decisão da Justiça.
Em termos do partido, em termos também do eleitorado republicano, já se percebeu que eles vão continuar com Donald Trump, mesmo que ele, na eventualidade, seja condenado a pena de prisão efetiva. A grande dúvida aqui será saber se aquele eleitorado independente, que até nem gosta de Joe Biden e que está descontente com as políticas da administração Biden, mas que no final irão inclinar-se para votar contra Donald Trump. Eu acho que aí é que residirá o foco desta questão.
Análise do especialista em política internacional, Nuno Gouveia. Ele falou às primeiras horas da manhã de hoje aqui na Rádio Observador, a comentar a condenação de Donald Trump no caso Stormy Daniels. E este é o assunto que faz manchete a esta hora no site do Observador. Carla, o calor já chegou. O IPMA prevê temperaturas acima dos 30 graus a partir de hoje. As previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera apontam para uma subida acentuada das temperaturas. O IPMA emitiu ainda um alerta de risco muito elevado de exposição à radiação ultravioleta. Com o calor, há também muitos cuidados a ter. Está conosco agora, em direto neste jornal, Miguel Telmo de Arriaga. É chefe da Divisão de Estilos de Vida Saudável na Direção-Geral da Saúde. Muito bom dia, Miguel Telmo de Arriaga. Perante as perspetivas de calor alto, forte, quais são as recomendações a ter em linha de conta?
Muito bom dia. Muito obrigado por esta oportunidade também para partilharmos as recomendações da Direção-Geral da Saúde. De facto, aquilo que nós temos é um período de tempo quente, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera dando exatamente essa nota, mas eu diria que também temos que ter aqui uma primeira palavra de alguma tranquilidade. Apesar de estarmos com máximas elevadas para esta altura do ano, e aliás, eu diria que são elevadas em qualquer altura do ano, as máximas que estamos a enfrentar agora, mas ainda assim, temos também algo que nos ajuda a proteger um pouco a nossa saúde, que é o facto das temperaturas mínimas, nalgumas zonas ou na grande maioria do país, não estarem ainda acima dos 20, 21 graus. O que nos permite também podermos arrefecer e termos um conforto térmico até nas nossas casas, que é tão importante. E é isso que protege tanto a nossa saúde, o facto de podermos também arrefecer durante alguns períodos do dia e permitir-nos ter esse mesmo conforto. Mas, no entanto, o facto de termos temperaturas superiores a 38 graus e algumas a aproximarem-se de temperaturas máximas de 40 graus em algumas zonas do país, sobretudo nas zonas mais interiores, levam a que tenhamos que ter obrigatoriamente alguns cuidados, que são coisas relativamente simples de podermos adequar, mas que protegem, de facto, a nossa saúde. A primeira é, sem sombra de dúvida, a hidratação. Devemos beber água, devemos consumir pelo menos um litro e meio de água por dia, o que equivale qualquer coisa como a cerca de oito copos de água durante todo o dia. Claro que as pessoas que estiverem a praticar algum tipo de atividade mais intensa devem reforçar também esse mesmo consumo de água. E, portanto, esse ponto é muito importante. Depois, um ponto muito relevante é o fato de as populações mais vulneráveis, e falamos em concreto de pessoas com doença crônica, pessoas com mais idade, grávidas e os mais jovens, devemos ter aqui uma especial atenção a estes grupos. E aqui temos recomendações também específicas. A primeira será evitar estarem diretamente expostos ao calor durante as alturas de maiores temperaturas, habitualmente entre as 11:00 e as 16:00, 17 horas. Também aqui fazermos um reforço da hidratação, portanto, do consumo de água, para que as pessoas, mesmo que tenham baixa percepção de sede, possam ir bebendo água ao longo do dia. E termos aqui um papel muito importante, que é cada um de nós, junto da nossa família, das pessoas que nós conhecemos com essas características, podemos também alertar de alguma forma para estes cuidados que devemos ter. Um ponto ainda também importante para as pessoas com doença crônica é o facto de podermos e termos que ter a nossa doença o melhor controlada possível. E com isto dizemos o tomar a sua medicação de forma atempada e tentarmos evitar que o calor possa de alguma forma interferir, porque muitas vezes o problema não é apenas o calor em si, mas é o calor surgir quase como se fosse um desencadeador de problemas para aquelas que são as doenças de base que as pessoas já podem ter.
E essas recomendações são importantes. Muito obrigada, Miguel Telmo de Arriaga, por tê-las deixado aqui. É chefe da Divisão de Literacia, Saúde e Bem-Estar da DGS. Com esta ideia, também importante, há uma amplitude térmica que vai permitir o fator do arrefecimento e que vai ajudar a lidar com este calor. São agora 10:12. Carla, que outras notícias marcam a atualidade? Alexandre Palma é o novo líder da Fundação Jornada Mundial da Juventude. Sucede a Américo Aguiar na liderança da fundação que organizou o evento do ano passado em Portugal. A notícia avançada pela Renascença surge no dia em que vão ser apresentadas as contas finais da JMJ. O secretário-geral da NATO acredita que a Ucrânia vai ser responsável e vai respeitar o direito internacional no uso de armas doadas pelo Ocidente em território russo. Jens Stoltenberg afirma que Kiev tem o direito de se defender, o que inclui atacar alvos militares dentro da Rússia. As declarações foram feitas esta manhã à chegada à reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Praga. Também nas últimas horas, Joe Biden autorizou a Ucrânia a usar armamento norte-americano para atacar alvos russos, desde que limitados à defesa da cidade de Kharkiv. Começou ontem o Festival Primavera Sound, em Barcelona. Quem não conseguiu garantir bilhete pode assistir aos concertos na mesma. Pode assistir aos concertos na mesma, cada um com uma varanda, através da varanda, binóculos. Bem pensado, isso vai ser a outra alternativa. Para já, temos uma mais simples. Então. Transmissão via streaming é o que o festival catalão vai fazer, isto através da Amazon Music e no Prime Video. São cerca de 40 concertos. A lista completa ainda não foi divulgada, mas já sabemos que alguns nomes estão garantidos neste streaming. Contando tudo assim, já tenho planos pro fim de semana. Então, temos já no menu Pope, The National, PJ Harvey, Disclosure e também um dos grandes nomes deste ano. Ah, estava a ver que era para cá. Lana Del Rey. Lana Del Rey. Vamos esperar pra ver se podemos ouvir à distância neste streaming. Vamos ver então. Carla Jorge Carvalho, Jornal das 10 da Rádio Observador.