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Jornal das 10 com Miguel Videira. E Miguel, agosto começa com muitos constrangimentos nos hospitais. Mais de metade das urgências de obstetrícia da região de Lisboa estão fechadas neste primeiro fim de semana do mês.
Tradicionalmente, a situação nos hospitais agrava-se com a entrada dos profissionais de saúde em férias e este ano não é exceção. A Grande Lisboa é a região do país mais afetada pela falta de médicos, sendo que 10 das 10 maternidades estão encerradas. É o que indicam os dados divulgados pelo Ministério da Saúde. O jornalista Carlos Pedro faz agora um resumo do mapa das urgências para este fim de semana.
A região mais afetada vai ser a de Lisboa e Vale do Tejo. Neste fim de semana, seis das 10 maternidades da área metropolitana vão estar encerradas. Falamos dos serviços de urgência dos hospitais Garcia de Orta, em Almada, Beatriz Ângelo, em Loures, São Francisco Xavier e Santa Maria, em Lisboa, São Bernardo, em Setúbal e ainda o Hospital Amadora-Sintra. A funcionar vão estar apenas quatro unidades. Na cidade de Lisboa, com quase 3 milhões de habitantes, apenas a Maternidade Alfredo da Costa vai estar apta a receber grávidas. Ainda na área metropolitana de Lisboa, acrescentam-se outras três urgências de obstetrícia, isto nos hospitais de Cascais, Vila Franca de Xira e Barreiro. Quanto ao resto do país, há mais quatro urgências fechadas no domingo. No Norte, vai estar encerrada a urgência de pediatria em Chaves. No Centro, fecham no Hospital de Santo André, em Leiria, as urgências de obstetrícia, ginecologia e pediatria. Já a sul, no Hospital de Portimão, não haverá urgência de obstetrícia e ginecologia. O SNS divulgou as escalas de urgências até à próxima quarta-feira e em todos os dias da semana há a previsão de urgências fechadas. Quanto ao motivo, falta de médicos. Uma situação que se agrava durante o mês de agosto, com muitos profissionais a tirarem férias e outros a recusarem fazer horas extraordinárias. É uma situação cada vez mais preocupante e que se vai começar a sentir já neste primeiro fim de semana de agosto.
Jornalista Carlos Pedro, com os constrangimentos nas urgências de obstetrícia de Norte a Sul do país, o Observador falou com vários profissionais de saúde que pedem mais medidas e planeamento e alertam que esta situação de constrangimentos nos serviços de urgência só tem tendência a piorar.
E Miguel, como destacámos, a Maternidade Alfredo da Costa é a única na cidade de Lisboa que está a receber grávidas.
E uma das poucas abertas na região da Grande Lisboa. É lá que está a esta hora a repórter do Observador, Nadine Soares. Nadine, bom dia. Isto está a levar a uma pressão adicional sobre esse serviço onde te encontras ou não há por aí muita gente a esta hora?
Bom dia, Miguel. Estou na Maternidade Alfredo da Costa. Para já, tudo muito calmo. Ao que o Observador conseguiu apurar a esta hora, tem sido uma manhã controlada. Várias pessoas falaram ao Observador. Confessam que nem se tinham lembrado que a Maternidade Alfredo da Costa era a única aberta para esta região, só quando confrontados com esta ideia. Para já, posso adiantar que aqui na sala de espera das urgências estão quatro grávidas em espera. Já esperam há mais de duas horas. Aparentam não ser casos urgentes, por isso aguardam com alguma tranquilidade. No site do Serviço Nacional de Saúde e também nos ecrãs aqui dispostos, pode-se ver que os tempos de espera nesta maternidade, para já, encontram-se dentro dos 10 minutos para os urgentes, sem ambulâncias a chegar e nesta última hora também não têm chegado. A zona aqui que recebe as ambulâncias tem estado completamente vazia dentro desta hora que tenho aqui passado. Para já, um cenário bastante calmo com esta entrada de mês de agosto, em que vários profissionais de saúde alertavam que podia ser uma altura caótica para a hipótese de um verão caótico, neste caso, com apenas esta maternidade em funcionamento para receber uma região com 3 milhões de habitantes. No entanto, neste primeiro fim de semana de agosto, pelo menos aqui na Maternidade Alfredo da Costa, para já, tudo decorre dentro da normalidade.
É isso que testemunha a repórter do Observador, Nadine Soares, que está a esta hora, como ouvimos, junto à Maternidade Alfredo da Costa, a única em Lisboa que este fim de semana está a receber grávidas. Quanto às urgências gerais, a esta hora, destaque para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, com mais de 11 horas de espera para doentes urgentes. Tempo de espera semelhante no Amadora-Sintra, sendo que há 17 pessoas à espera para serem atendidas.
E Miguel, um ano depois do maior incêndio de 2023, o presidente da Câmara de Odemira pede ao Governo verbas do PRR para evitar que a situação se repita.
Falamos do incêndio que começou na freguesia de Santo António, em Odemira, em agosto de 2023. Mais de 7500 hectares arderam, neste que foi declarado pelo ICNF como o maior incêndio do ano. Um ano depois, o presidente da autarquia, Helder Guerreiro, defende que o PRR pode ajudar a tornar o território queimado mais resistente a novos incêndios.
Nós fizemos tudo, só falta agora, de facto, com o ICNF fizemos esse trabalho, e neste momento, a única coisa que falta é o governo admitir e abrir um aviso para que possamos candidatar, neste caso, o ICNF poder candidatar, para podermos ter uma área integrada de gestão de fogos florestais naquele território, que precisa óbvia e evidentemente dessa intervenção para o futuro. Aí sim, pensamos que é uma solução de fundo que vai preparar o território para o futuro.
Helder Guerreiro, em declarações à Agência Lusa, o presidente da Câmara de Odemira sublinha o trabalho feito desde 2023, depois dos incêndios, com o ICNF, precisamente para recuperar os terrenos queimados. O incêndio alastrou-se aos concelhos algarvios de Monchique e Alcoutim, e só foi dado como dominado seis dias depois de ter começado.
E Miguel, como já dissemos, estamos no primeiro mês de agosto, altura de férias para muitos portugueses e tradicionalmente dentro de Portugal, o Algarve é o destino preferido de muitos.
Sim, é. E por isso mesmo, junta-se a nós em direto o Helder Martins, é o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve. Bom dia e obrigado pela sua disponibilidade. E começo por lhe perguntar como está a taxa de ocupação hoteleira neste início de agosto.
Muito bom dia. A taxa de ocupação hoteleira na hotelaria classificada e nos associados da AHETA, que é aqueles que conseguimos medir com mais facilidade, está em níveis do ano passado, que foi um ano excelente. Mais de 0,5% acima, 0,5% para baixo, não foge muito disso. Os dados do INE do primeiro semestre mostraram todos os indicadores a subir até essa altura, inclusivamente, a ocupação dos portugueses. Se me perguntar se hoje temos mais portugueses ou menos portugueses, dentro daquilo que são os dados que nós temos, teremos menos portugueses. E isso tem a ver exatamente com o que se passava já no ano passado, algumas questões económicas e também a promoção aguerrida de outros destinos. Destinos que estão fora do euro, os principais destinos, segundo a APAV, de onde os portugueses viajam são fora da Europa e isso entende-se com as questões fiscais e com as facilidades que esses destinos têm, concorrencial pelo preço.
E relativamente aos turistas estrangeiros que escolhem o Algarve para as suas férias, mantém-se aquilo que é o padrão, turistas essencialmente oriundos do Reino Unido, França, por exemplo?
Sim, mantém-se. Aliás, o aeroporto tem vindo a registar crescimento, e crescimento muito superior àquilo que é o crescimento na hotelaria, porque repare que existe a imobiliária turística, existe muita gente que tem a segunda habitação no Algarve e que viaja frequentemente para cá. Em várias reportagens que temos visto, dizem exatamente que repetem várias vezes o destino, que repetem todos os anos e portanto, esses mercados estão dentro do normal e até a crescer, o mercado norte-americano que está a crescer bastante para o Algarve. Estes mercados com mais poder económico crescem essencialmente nas unidades de mais alta categoria, o que é normal. E deixe-me dizer-lhe também outra nota, que é uma luta que nós temos há muito tempo, é que o INE apenas considera alojamentos com mais de nove camas. E o Algarve tem muitos milhares de unidades de alojamento local que não têm nove camas. Se fôssemos considerar, e a ALEPU já fez esse trabalho, aquilo que era a estadia nessas unidades, o Algarve crescia bastante, mas o INE não considera e, portanto, esperamos que um dia possa mudar essa política.
A falta de mão de obra do setor continua a ser um problema ou amenizado nos últimos meses?
Sim, amenizado. Nós contratámos mais cedo, já no ano passado o fizemos, para fazer formação, para integrar as pessoas nas equipas, mas é claramente um problema que temos. Vamos começar um trabalho com a Organização Internacional das Migrações, no sentido de descobrir outros destinos onde possamos trazer mão de obra. O problema tem sido até aqui os vistos, a morosidade na obtenção de vistos. O segundo problema, creio que o governo já nos deu um sinal nesse sentido, é a questão do alojamento. Nós temos que construir alojamento para os nossos funcionários, não conseguimos captar, fixar pessoas, fixar talento, se não tivermos o mínimo de condições, porque o alojamento é caro, o mercado está a funcionar e, portanto, este ano digamos que melhorou um pouco. Mas é uma questão que precisamos, de mais mão de obra e de mais mão de obra qualificada.
Que garantias tem do governo relativamente à questão do alojamento? O que é que vai ser feito para minorar esse problema?
O que temos falado com o governo, até no âmbito da Confederação do Turismo, é a possibilidade de vir a haver, não só para o turismo, como sabe, este problema da falta de mão de obra é transversal em todos os setores, é a possibilidade de haver a construção de casas de função. Ou seja, o que os hoteleiros querem é a possibilidade de construir alojamentos para os seus funcionários, que é no fundo habitação social, que esse alojamento, é a nossa sugestão, e o governo também tem essa ideia, que esse alojamento apenas possa ser utilizado nesta área, não pode ser vendido, não pode ser alugado, só pode ser para funcionários e que isso tenha alguma facilidade em termos de aprovação. Como sabe, os projetos no Algarve demoram muito tempo a ser aprovados. O que nós queremos, e o governo penso que está a trabalhar nesse sentido, não só nesta área do turismo, mas na área da habitação, que falta para as pessoas, para os residentes, é a possibilidade de haver uma libertação de terrenos que nós iremos comprar, mas comprar com garantia de que rapidamente possamos ter a aprovação, porque há unidades a gastar centenas de milhares de euros por ano para alugar apartamentos ou para alugar casas, para pôr o seu staff. E portanto, com esse investimento, permite comprar e permite nós termos a garantia que quando trazemos um determinado número de trabalhadores, nós temos condições condignas para que eles possam cá ficar.
Obrigado, Helder Martins. Já agora, deixe-me perguntar-lhe, um sol radioso aí embaixo no Algarve?
Sim, previsão 34 graus hoje e de facto um tempo espetacular, sem vento. Portanto, quem está a usufruir do Algarve há dois anos, deixe-me também dar esta nota, a grande crítica que o Algarve sofria é que não havia lugar na praia para pôr a toalha. Neste momento há lugar e neste momento todo o Algarve está disponível para receber quem nos quer visitar.
Obrigado Helder Martins pela sua disponibilidade. É o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, com este balanço no primeiro fim de semana de agosto, tempo de férias para muitos portugueses e não só.
Neste jornal das 10h, vamos ao futebol. É dia de Supertaça. Sporting e Futebol Clube do Porto encontram-se esta noite em Aveiro, no jogo que marca o arranque oficial da nova época.
O campeonato nacional, o Sporting vai estar frente a frente ao vencedor da Taça de Portugal, o Porto. Rúben Amorim, o técnico dos Leões, espera um excelente jogo de futebol.
Em relação ao jogo, é uma época diferente, um jogo diferente. Eu sinto que há muito entusiasmo em Alvalade, mas também há muito entusiasmo do lado do Porto. E os ciclos são assim quando se começa uma história nova. Será importante para o Porto vencer, mas é muito importante para nós vencermos. É importante termos 11 jogadores, e às vezes é difícil nos clássicos termos 11 jogadores. Temos que melhorar também nesse aspecto. Agora o jogo, vamos ver. Eu acho que sempre, mais do que o que passou, o primeiro toque na bola, a primeira jogada, o primeiro lance de perigo, tem mais influência do que qualquer outra coisa que ocorreu na pré-época. Nós estamos preparados, de certeza que o Porto também está. Vai ser um excelente jogo.
É isso que espera Rúben Amorim, o técnico do Sporting. Já Vítor Bruno, o novo treinador do Futebol Clube do Porto, foi questionado sobre se este será um desafio mais difícil para o Sporting, pelo fato de precisamente o Porto ter uma nova equipa técnica, que pode apresentar outras ideias. O treinador dos Dragões rejeita essa ideia.
Esse foi o lado mais generoso do Rúben, a tentar dar-me um comprimido para adormecer e ficar quase bêbado com aquilo que ele acabou de dizer nesse momento. É verdade que há nuances que podem aparecer e que poderão ser de mais difícil acesso, apesar do escrutínio que eles fazem e que nós fazemos também de forma detalhada e criteriosa, mas ele, como nós, antecipou com certeza todos os cenários que poderá encontrar. Cenários do passado, cenários do presente. Ele saberá aquilo que vai encontrar. Não há aqui grandes segredos hoje em dia, naquilo que é a questão da organização coletiva, a defender, a atacar, em todos os momentos do jogo. Eu penso que ele terá o trabalho feito e bem feito, como nós também o fizemos.
A edição número 46 da Supertaça entre Porto e Sporting está agendada para hoje, 20h15, em Aveiro.
E é um jogo que tem relato em direto aqui na Rádio Observador. Vamos também fazer a antevisão daqui a pouco no "E o Campeão é?". Para já, 14 minutos para as 10h, Miguel, vamos a outras notícias que marcam a atualidade.
Ainda no desporto, destaque para os Jogos Olímpicos. Pedro Boaró avança na qualificação do salto em vara. O atleta português está integrado no grupo B. Ainda esta manhã, destaque para a prova de fundo do ciclismo de estrada, com Rui Costa e Nelson Oliveira a pedalar pelas ruas de Paris. Já a seguir a este jornal temos mais um episódio de "Missão Olímpica". Vamos até Paris, precisamente ao encontro do enviado especial Bruno Roseiro. Quase 5 mil jovens ainda não receberam o reembolso das propinas por causa de erros de validade do IBAN. É uma notícia que está a ser avançada pelo Jornal de Notícias. A Autoridade Tributária apela aos jovens que corrijam o número no Portal das Finanças, uma vez que o pagamento só vai ser feito depois das correções. Donald Trump anuncia um acordo com a Fox News para um debate com Kamala Harris a 4 de setembro. É o que dá conta o candidato republicano na rede social que o próprio criou. Ainda não se sabe se Kamala Harris aceitou ou não debater com o candidato republicano Donald Trump. O Hamas anuncia a morte de um líder local na Cisjordânia. Foi na sequência de um ataque de Israel. Pelo menos cinco pessoas morreram. O Hamas revela que entre as vítimas mortais estava precisamente um comandante militar. Dia de manifestações em toda a Venezuela. A líder da oposição convocou para hoje protestos em todas as cidades do país para contestar a anunciada vitória de Nicolás Maduro. Entretanto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, volta a pedir transparência neste processo eleitoral. A fechar, vamos falar de uma coisa que sei que gostas muito, Filipa. Até trouxe uma música para te ajudar a adivinhar. Vamos lá ouvir.
Oh, não! Eu não acredito que é Star Wars. Eu não me livro disto, nunca.
Precisamente. Hoje não está aqui o jornalista André Maia, mas não te livras do Star Wars.
Mas há alguma novidade, Miguel, é isso, esta saga de filmes?
Um raro protótipo do boneco de ação da personagem Boba Fett vai a leilão. O brinquedo foi feito como protótipo em 1979, já lá vão 45 anos, mas nunca chegou ao mercado e por isso, como deves calcular, é extremamente caro.
Superbaratinho.
É considerado o brinquedo vintage mais valioso do mundo. Já estamos a fazer aqui uma coleta na redação para te presentear, Filipa. Aliás, este objeto até é descrito pelos colecionadores como o Santo Graal.
Pronto, é assim, temos de avisar rapidamente o jornalista André Maia, que foi de férias, mas tem aqui uma oportunidade única, ele que adora Star Wars. Aparentemente ele vai embora, mas tem de sempre deixar aqui um pouquinho do Star Wars para nós. Muito bem, é assim que fechamos este jornal das 10h, desta edição do Miguel Vieira.