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São agora 10h e começa daqui a uma hora a Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. Mariana Mortágua está de saída da liderança e José Manuel Pureza, Miguel, é o favorito à sucessão.

Precisamente, os trabalhos vão ter lugar, como dizia, no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa. Começa às 11h esta convenção, com a intervenção inicial, o discurso de Mariana Mortágua, ainda coordenadora do Bloco de Esquerda, que, como referia João, está de saída. A ainda líder anunciou recentemente a saída, depois de uma série de maus resultados eleitorais. José Manuel Pureza, antigo deputado, líder parlamentar e vice-presidente da Assembleia da República, deve ser confirmado como novo coordenador do partido. O João Gama vai acompanhar os trabalhos desta reunião magna bloquista ao longo de todo o fim de semana e já está pronto e a postos no Pavilhão do Casal Vistoso. Tu, João, e os protagonistas também já chegaram?

José Manuel Pureza foi o último protagonista a chegar aqui ao Pavilhão Desportivo do Casal Vistoso. Também alguns fundadores do Bloco de Esquerda, como Luís Fazenda e Fernando Rosas, chegaram esta manhã, ainda antes do arranque dos trabalhos. Sabemos que está marcado para daqui a uma hora. Estão também cá outros membros, como Isabel Pires, que é elemento da atual lista A, que pertence à atual direção. Faço aqui um compasso de espera, porque foram prometidas declarações de José Manuel Pureza aos jornalistas aqui à chegada ao Casal Vistoso. O Bloco de Esquerda volta a reunir-se em peso no Casal Vistoso, onde estiveram há dois anos para consagrar a líder Mariana Mortágua. Foi eleita com 80% dos votos, mas teve uma liderança relativamente curta. Acabou por anunciar no mês passado que não seria recandidata à liderança do Bloco, por causa da sequência de maus resultados eleitorais. Mariana Mortágua é deputada única, ainda, na Assembleia da República. Anunciou que não seria recandidata nem na Assembleia da República, nem a coordenadora. José Manuel Pureza, o favorito, já fala aos jornalistas.

Tantos vaticínios de desaparecimento nunca se cumpriram. O Bloco é um partido que tem força, está numa situação difícil, é evidente. Tem que mudar para crescer, é evidente. E vamos aqui, durante estes dois dias, discutir uma série de propostas, de caminhos, de formas de ganhar força, mas sobretudo de melhor ficarmos ao serviço das lutas de quem não tem poder e de quem está a ser agredido pela extrema-direita, pela direita extrema. É isso que vamos fazer. E no fim, amanhã, por volta da hora do almoço, já saberemos exatamente quais são esses caminhos.

Quais são as propostas principais, se é que nos pode dizer, para essa mudança que propõe?

Eu acho que há, sobretudo, dois pontos que vale a pena sublinhar. Primeiro lugar, é evidente que a nossa organização tem que alterar procedimentos, tem que alterar cultura de organização. Temos que ser uma organização com muito maior capacidade de envolvimento, muito maior capacidade de tratar bem a militância, estimular a militância. Isso é absolutamente fundamental. E temos que nos organizar para isso. Eu acho que há uma vontade unânime nesse sentido. Por outro lado, é evidente que temos que ter a capacidade de, com inteligência, com humildade, fazer todos os diálogos que forem necessários para que a esquerda reganhe iniciativa e reganhe força no nosso país. O Bloco tem isso no seu ADN e vai procurar cumpri-lo.

Acha possível, na situação atual, com a atual liderança mais à esquerda que existe, essa abertura desse diálogo? E pergunto-lhe o que é que vai ser diferente na sua liderança da liderança de Mariana Mortágua?

Eu não vou falar em termos de coisas pessoais, não faz nenhum sentido, mas vou dizer o seguinte: eu bem sei que os diálogos são sempre difíceis, porque nos obrigam a pôr-nos em causa. Essa é a minha vida. E eu não farei outra coisa senão dar tudo aquilo que sei para que esses diálogos sejam necessários e para que esta força política o faça nas melhores condições, para que possamos ter uma participação muito forte nesses diálogos e nessa maior força da esquerda, que é absolutamente necessária para pôr termo à agressão brutal de que o nosso povo está a ser vítima por parte da extrema-direita.

Falando numa solução que dê força ao Bloco, é possível, de certa forma, mudar aqui um pouco o rumo sem alterar posições programáticas? O que poderá ser diferente para cativar jovens que se têm afastado do Bloco, para cativar eleitorado?

O Bloco é desde sempre uma força socialista que não tem vergonha de dizer que é socialista. É uma força de esquerda que não tem vergonha de dizer que é de esquerda. Não há nenhuma gaveta em que nós nos sintamos mal à esquerda. E faremos isso. Agora, evidentemente que o que é preciso é um programa que seja capaz de dar resposta àquilo que hoje está a acontecer no nosso país e no mundo. Mudou muita coisa nos últimos tempos. A mudança tem sido vertiginosa. A cada dia as coisas mudam. E mudam, normalmente, de uma forma muito assustadora. E a esquerda tem que ser capaz de dar resposta às questões da poluição digital, como às questões do trabalho, à questão da nova cruzada contra os direitos das mulheres, tanto quanto à defesa do salário. E nós, Bloco, vamos ter, no próximo futuro, que falar com muita gente, gente independente, gente de outros partidos, gente de movimentos, gente solta, para refazermos o nosso programa político.

Acha que o partido esteve fechado nos últimos anos? Falam muito dessa abertura e dessa ligação nova. Acha que o partido esteve mais fechado para dentro nos últimos anos?

Não, do que se trata é apenas de ter uma atitude certa perante aquilo que é a nossa circunstância atual. Nós nunca nos furtamos a nenhum diálogo em nenhuma das coordenações anteriores do Bloco. Pelo contrário, foi sempre do Bloco que partiu iniciativa no sentido desse diálogo. Eu darei tudo aquilo que sei, tudo aquilo que posso, para que essa forma de articulação seja mais densa, seja mais eficaz.

Os eleitores que depois procuram um Bloco mais moderado, mais maduro, é isso que se procura?

Eu não sei muito bem o que é isso da moderação. Eu vejo o Partido Social-Democrata no governo, vejo Luís Montenegro a ter, relativamente à saúde ou à habitação, a atitude mais radical que alguma vez aconteceu depois do 25 de abril a partir do governo. E, no entanto, dizem que Luís Montenegro é moderado. Não, eu sou radical contra essa situação de exclusão da habitação, exclusão da saúde, agressão à dignidade das mulheres, agressão à dignidade dos imigrantes e das pessoas racializadas. Eu sou radicalmente contra isso. Agora, eu sou esta pessoa, tenho o feitio que tenho, com os defeitos e as virtudes que tenho, e é com isso que eu vou à luta.

Jamal Peres, declarações aos jornalistas à chegada ao Pavilhão Desportivo do Casal Vistoso, a sublinhar estas duas ideias. Miguel Vieira é o candidato da lista A, portanto, o favorito a ser o coordenador do Bloco de Esquerda. O senhor que se segue, a Mariana Mortágua, a dizer que o Bloco precisa de estabelecer diálogo com os eleitores que ficaram desencantados com o partido nos últimos anos, sem criticar diretamente a liderança de Mariana Mortágua, e a reforçar que não será um líder moderado, mas sim radical contra um governo que diz ser cada vez mais radical, este governo do Luís Montenegro.

Palavras captadas pelo microfone do repórter do Observador, João Gama, que com uma vasta equipa desta rádio vai acompanhar ao longo de todo o fim de semana esta 14ª Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, marcada por uma mudança de liderança.

E já a seguir há cinco continentes. Hoje chega mais cedo, Miguel, que outros destaques há nas notícias?

A TAP garante que o impacto e não operação da atualização de software dos aparelhos da família Airbus 320 é reduzido. Não há, para já, registro do cancelamento de voos. É isso que garante fonte oficial ao Observador numa curta nota. A empresa não adianta, no entanto, quantos aparelhos serão afetados ou quando vai ser feita a atualização de software dos aviões. A Airbus anunciou ontem a recolha de cerca de 6 mil A320 para fazer uma atualização urgente de software de controle de voo. A empresa descobriu que o software atualmente instalado nestes aparelhos é vulnerável à radiação solar. Destaque também para a guerra na Ucrânia. Três mortes, 29 feridos, resultado de um ataque russo contra Kiev esta madrugada. O ataque foi feito com recurso a drones. As autoridades ucranianas falam em terrorismo. Na sequência dos bombardeamentos, perto de meio milhão de pessoas está sem energia na capital ucraniana. A seleção nacional de sub-17 de futebol, que venceu o Mundial no Catar, chega hoje a Portugal, chegada prevista para 13h50 ao Aeroporto de Lisboa. Seguem-se as cerimónias no Palácio de Belém e na Cidade do Futebol.