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Edição das 10 na Rádio Observador com Miguel Cordeiro, o antigo ministro da Economia. António Costa Silva considera que o mundo ainda não está perante um choque petrolífero, mas alerta para uma situação gravíssima se o conflito se prolongar.
O preço do petróleo tem vindo a disparar face ao impacto direto da guerra no Médio Oriente e do bloqueio do estreito de Ormuz. Esta semana, o preço do gasóleo em Portugal pode mesmo atingir uma subida recorde já na próxima segunda-feira. O gasóleo pode subir até 25 cêntimos e a gasolina cerca de sete cêntimos. Isto deve acontecer já na próxima segunda-feira. A corrida para abastecer começou a notar-se ontem e deve acentuar-se durante todo este fim de semana. António Costa e Silva, antigo ministro da Economia, diz que ainda não se pode falar no choque petrolífero, apesar de a situação ser grave.
Eu penso que nós ainda não estamos num choque petrolífero e não podemos dramatizar e ser muito alarmistas, mas a situação é gravíssima se se prolongar no tempo.
António Costa e Silva, antigo ministro da Economia do Partido Socialista, gestor e especialista na área da energia, dá estas declarações à agência Lusa. Afirma também que o governo está a ser lento e pede mais medidas para dar resposta ao impacto do conflito. Lembra que as empresas já estão a sofrer por causa do impacto das tempestades do mês passado.
É a combinação de dois choques. Há o choque interno, com o que se passou em termos das tempestades, das inundações, e que atingiu severamente toda a nossa indústria da fabricação de componentes para o setor automóvel, dos moldes, da cerâmica, do vidro. Aquele eixo que vai da Marinha Grande até Aveiro está fortemente fustigado e eu recomendo profundamente ao governo português que olhe para estes setores. E não bastam linhas de crédito, porque as linhas de crédito significam endividamento maior das empresas. As empresas estão numa situação muito difícil e o governo está a ser muito lento a atuar nesta área. Nós já devíamos ter subvenções no terreno para as empresas restabelecerem a sua capacidade produtiva.
Os avisos de António Costa e Silva, antigo ministro da Economia do Partido Socialista. O Observador apurou que as operadoras de rede de retalho de combustíveis têm vindo a aumentar os stocks ao longo desta semana, perante essa previsível corrida às bombas de abastecimento, que já se começou a notar ontem.
O secretário-geral do PS também pede mais medidas ao governo para responder ao impacto da guerra no Médio Oriente, no setor da economia. José Luís Carneiro sugere um plano de mitigação.
O líder do PS diz que o plano do governo não é suficiente. Ontem, Luís Montenegro anunciou um desconto extraordinário do ISP no gasóleo perante o aumento repentino. José Luís Carneiro pede mais.
O governo anunciou uma medida de redução do ISP, que me parece uma medida escassa nos seus efeitos. E aquilo que eu quero dizer é que o governo deve preparar um plano de mitigação dos efeitos desta guerra no Médio Oriente, que não apenas tenha efeitos nos combustíveis, mas também possa ter efeitos na redução dos custos com os bens alimentares e dos custos, nomeadamente, com os empréstimos à habitação. Esse pacote de medidas de mitigação dos efeitos da guerra no Médio Oriente devem ser adotados não apenas pelo governo da República, e também é importante que o governo regional dos Açores prepare um conjunto de medidas, porque aquilo que é expectável é que os efeitos nocivos desta guerra sejam profundos e possam ser mesmo duradouros.
Palavras do líder do Partido Socialista ontem à noite nos Açores. Falou à entrada para uma reunião com militantes socialistas na ilha de São Miguel.
E Miguel, o conflito no Irão começou há precisamente uma semana. Hoje o presidente iraniano volta a dizer que não vai baixar as armas.
"A rendição incondicional é um sonho." É desta forma que o presidente do Irão responde a Donald Trump, que tinha exigido essa rendição total do Irão para poder negociar o fim da guerra. As declarações de Masoud Pezeshkian foram transmitidas esta manhã pela televisão estatal iraniana. Pede também desculpa aos países vizinhos do Irão pelos ataques que começaram há precisamente uma semana. Esta madrugada houve lançamento de drones e mísseis nos Emirados Árabes Unidos, no Kuwait, no Qatar, Bahrein e Arábia Saudita. Entretanto, Israel expandiu a agressão contra o Líbano e nas últimas horas também voltou a atacar Beirute, depois de ter ordenado a evacuação da parte sul da capital do Líbano.
Por cá, as cerimônias fúnebres de António Lobo Antunes começam a esta hora no Mosteiro dos Jerónimos.
Esta hora há a celebração de uma missa de corpo presente. O funeral segue depois para o Cemitério de Benfica, em Lisboa. O velório decorreu ontem, também no Mosteiro dos Jerónimos, e contou com a presença do presidente da República, membros do governo e várias personalidades da cultura. A jornalista Beatriz Félix está em direto no Mosteiro dos Jerónimos. Beatriz, as cerimônias já arrancaram?
Oficialmente, sim, Miguel, as cerimônias já arrancaram. Começaram esta hora, às 10:00, mas a missa só está marcada para o meio-dia. Para já, ainda se espera que cheguem as pessoas que vêm prestar esta última homenagem ao escritor António Lobo Antunes. Para já, as portas do mosteiro abrem-se às 10:30, para que essas pessoas possam começar a entrar. Se ontem no velório estiveram várias personalidades, hoje também se esperam algumas personalidades, algumas delas já confirmadas, como o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas. A partir de agora, espera-se a qualquer momento que as pessoas comecem a chegar. A Rádio Observador chegou aqui numa altura em que ainda se preparava a logística de todas estas cerimônias fúnebres. Para já, continuamos a aguardar que as pessoas continuem a chegar. Há também ainda uma fase de preparação visível em curso, alguns ensaios para a saída do corpo de António Lobo Antunes, que depois seguirá para o Cemitério de Benfica. Isto só depois da missa de corpo presente, que só deverá ter fim por volta das 14:00 ou 14:30.
Beatriz Félix, no Mosteiro dos Jerónimos, a acompanhar as cerimônias fúnebres de António Lobo Antunes, escritor que morreu esta quinta-feira aos 83 anos.
Está em andamento no desporto uma jornada decisiva para a Primeira Liga de futebol, Miguel.
Os quatro primeiros jogam entre si durante este fim de semana. Amanhã há um Benfica-Porto no Estádio da Luz, ou seja, o primeiro classificado contra o terceiro. Hoje o Sporting joga no terreno do Sporting Braga, o segundo classificado contra o quarto. Sporting Braga x Sporting às 18h, tem relato em direto aqui na Rádio Observador. Esta jornada 25 começou ontem com o Falamicão a vencer o Arouca por 1 x 0, gol de Rodrigo Pinheiro. Hoje há mais três jogos, para além do Sporting Braga x Sporting. Às 15h30, o Moreirense recebe o Nacional e o Alverca joga em casa com o Aves. Às 20h30, o Estoril recebe o Casa Pia.
Temas que também vamos dar destaque nesta edição de "E o Campeão É?" para ouvir depois das 23h30. No automobilismo, a Fórmula 1 está de regresso, Miguel.
Grande Prêmio da Austrália, a corrida é na próxima madrugada e vai contar com George Russell, da Mercedes, na pole position. Na qualificação, Kimi Antonelli, também da Mercedes, parte do segundo lugar e Zak Adjar, da Red Bull, parte da terceira posição.
E esta temporada de Fórmula 1 fica marcada por uma grande revolução nas regras e nos carros.
Há um novo regulamento, há também uma nova filosofia para os motores, há também mais uma equipa, portanto, mais dois carros. O jornalista João Lourenço conta-nos os detalhes.
22 carros, mais dois que no ano passado. Um dos desportos mais seguidos do planeta está de volta e com a maior revolução da história. Quem o diz é João Carlos Costa, comentador da Zone Portugal e uma das vozes do automobilismo em português.
Esta é a maior revolução, em termos regulamentares, da história da Fórmula 1. Mudou-se a unidade motriz, ou seja, o motor, mudou-se o chassi, mudaram-se os pneus, mudou-se a forma como olhamos para as corridas.
Os barulhos dos monolugares vão ser diferentes, até porque as mudanças vêm mesmo por aí. A partir deste ano, a componente elétrica dos motores vai ser igualmente importante à parte da combustão. Os pilotos vão ter de se adaptar à nova realidade, mas o instinto de corredor não muda.
Max Verstappen dizia de forma ainda mais expressiva: "Bom, nós como pilotos, nem que seja com o carrinho do supermercado, nós vamos otimizar aquilo que o carrinho do supermercado é capaz de dar."
A novidade causa incerteza, mas os testes no Bahrein já levantaram o véu aos mais fortes.
Não é fácil apontar um verdadeiro favorito, ainda que se me perguntarem de caras, diria que é a Mercedes de George Russell.
O comentador da Zone espera que as equipas consigam encontrar os buracos no novo regulamento para levantar a criatividade dos engenheiros das equipas. O início das 24 etapas da Fórmula 1 2026 começam já este fim de semana.
A corrida na Austrália começa às 04:00, já na próxima madrugada.
Miguel, em última hora podemos avançar: morreu Nuno Morais Sarmento.
Uma informação avançada nos últimos minutos pela CNN Portugal, já confirmada pelo Observador. Nuno Morais Sarmento nasceu a 31 de janeiro de 1961, foi ministro da Presidência com Durão Barroso e com Santana Lopes. Foi também membro da Comissão Nacional de Proteção de Dados e representante de Portugal na Autoridade do Controlo Comum dos Passes Schengen. Fez parte também do Conselho Superior do Ministério Público, eleito pela Assembleia da República. Uma notícia de última hora. Esteve à frente da FLAD, deixou esse cargo no início deste ano por motivos pessoais e de saúde. Foi substituído por Durão Barroso. Lidava já há vários anos contra o câncer e acabou por morrer. Uma informação que nos chega esta manhã, morreu Nuno Morais Sarmento. Temos conosco em linha Duarte Pacheco. Duarte Pacheco, muito obrigado por estar conosco. O que nos pode descrever de Nuno Morais Sarmento neste dia, nesta manhã em que sabemos da morte do antigo ministro?
Muito bom dia, Miguel. É sempre difícil falar quando uma pessoa que nos é próxima nos deixa. Nuno Morais Sarmento era um dos melhores da minha geração na área política e no PSD. Uma pessoa superinteligente, que tinha uma perspicácia política acima da média e que se dedicava a todas as causas que abraçava com muita força. E, ao mesmo tempo, uma pessoa transparente. Eu recordo os problemas que teve de toxicodependência na sua juventude e como ele os assumiu mais tarde, porque nenhuma família está livre que isso lhe aconteça. Ou agora, na sua luta contra o câncer, também não fez bandeira, mas também não escondeu, porque são aquelas coisas que nos acontecem na vida e que temos que conseguir superar com os meios que temos ao alcance. É uma pena que tenha ido ainda tão novo, mas certamente que vai deixar uma marca na política portuguesa.
Lutou vários anos contra essa doença prolongada, foi dando entrevistas, foi falando também dessa fase e apontando sempre para esse passado de toxicodependência na juventude. O trabalho de Nuno Morais Sarmento mostra que é possível dar essa volta de um período mais complicado, mesmo durante a juventude, e é também possível depois lidar da melhor forma com todas essas consequências?
Precisamente, ele era facto balhado, quer do ponto de vista acadêmico, quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista político Todos nós podemos ter, ao longo da nossa vida, momentos mais difíceis, momentos felizes. Uma coisa é querer esconder e fingir que isso não aconteceu. Não, aconteceu e temos que assumir o que fizemos de bem e às vezes o que fizemos de menos bem, mas simultaneamente isso só nos pode dar mais força para superar essa fase, querendo mostrar e até servir de exemplo a outros que podemos um dia cair numa valeta, mas temos que nos levantar, ir em frente e ter forças para o fazer. E ele fez e por isso chegou às posições a que chegou no governo, no Parlamento, na vida académica, na vida profissional, sendo um advogado de sucesso e nos últimos anos já gerente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, algo que ele estava a dinamizar e que foi agora substituído já nesta fase terminal por Durão Barroso. Portanto, eu acho que é um exemplo de vida. É um exemplo de vida que há obstáculos, aparecem-nos, superamos e vamos mostrar até ao mundo que conseguimos vencer e que ele conseguiu vencer até esta última batalha.
Duarte Pacheco, muito obrigado por ter estado conosco aqui na Rádio Observador. Duarte Pacheco, antigo deputado do PSD, trabalhou também de perto com Nuno Morais Sarmento, antigo ministro da Presidência, morreu hoje, uma notícia avançada pela CNN Portugal, já confirmada pelo Observador. Foi ministro no início deste milénio, no governo de Durão Barroso entre 2002 e 2004, e depois também ministro da Presidência com Santana Lopes. Lutava já há vários anos contra o cancro. Hoje esta notícia: morreu Nuno Morais Sarmento.