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Quinta-feira, 10:01. As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. O antigo ministro do PS, Manuel Pizarro, queixa-se de um ato de terrorismo político. Em causa, a votação para os órgãos externos da Assembleia da República. Há nomes que estão em risco, como é o caso do socialista Tiago Antunes, como novo Provedor de Justiça.

Foi o tema do Explicador desta manhã, no dia em que os deputados vão eleger, por voto secreto, os representantes dos órgãos externos do Parlamento. O PS indicou Tiago Antunes, antigo secretário de Estado, depois de um acordo com o PSD. A Iniciativa Liberal, por exemplo, questionou a independência de Tiago Antunes, que foi braço direito de António Costa. Manuel Pizarro responde aqui na Rádio Observador. O ex-ministro socialista defende que ter carreira política não é cadastro.

E essa personalidade começa uma espécie de terrorismo contra essa pessoa. Assim não vamos lá. Eu estou muito preocupado com a incapacidade que os líderes partidários têm demonstrado de compreender que o país não pode estar à espera destas indecisões e deste questionar permanente de tudo.

Manuel Pizarro, o que é o terrorismo contra um candidato? Está a referir-se concretamente aqui?

Refiro-me a qualquer suspeição que ponha em causa a total integridade profissional e pessoal do doutor Tiago Antunes, que é o candidato indigitado para Provedor de Justiça. O fato de as pessoas terem um percurso partidário não pode significar que elas estão inibidas de ocupar lugares que exigem adequada isenção.

O antigo ministro da Saúde critica ainda a incapacidade dos líderes partidários conseguirem chegar a acordo para todos os órgãos externos, como é o caso do Conselho de Estado.

Sendo que o Observador noticiou ontem que mesmo na bancada socialista, o nome de Tiago Antunes não é consensual.

E é mesmo um destacado deputado do PS a admitir que esta eleição do antigo secretário de Estado poder ser comprometida, uma suposta divisão na bancada parlamentar que é desvalorizada por Pizarro.

O fato de haver uma ou outra voz que se opõe, isso faz parte daquilo que é o pluralismo normal da vida democrática no PS, no PSD e nos outros partidos que não são partidos de tradição mais ou menos autocrática. Quer dizer, é normal que haja opiniões diversas. Se estivermos à espera de encontrar alguém que seja absolutamente consensual, se calhar temos que ter Jesus Cristo de volta à Terra pra poder ser eleito Provedor de Justiça em Portugal.

Manuel Pizarro, que ainda assim espera que o acordo entre PS e PSD se mantenha e Tiago Antunes seja hoje eleito Provedor de Justiça.

Também no Explicador da Rádio Observador, o social-democrata Fernando Negrão desvaloriza, diz que a contestação no Parlamento é normal.

E que não é inédito que a eleição de um Provedor de Justiça seja feita à primeira vez.

Isto que está a acontecer, de contestação do nome e da possibilidade de não vir a ser eleito pelo voto direto dos deputados, não é nenhuma novidade no que diz respeito à eleição de provedores de justiça. Eu recordo-me uma vez, já não me lembro bem quem é que veio a ser Provedor de Justiça, mas levou, salvo erro, três ou quatro votações até conseguir eleger uma personalidade como Provedor de Justiça. Portanto, se porventura não for eleito o candidato indicado pelo Partido Socialista hoje, não é nenhuma novidade.

Fernando Negrão, antigo ministro da Justiça pelo PSD. As eleições para os órgãos externos da Assembleia da República realizam-se hoje, finalmente, depois de sucessivos adiamentos.

O Sindicato dos Médicos do Norte defende uma reorganização da escala pra evitar colocar médicos de cirurgia geral a acompanhar doentes de outras especialidades.

Em causa está a escusa de responsabilidade apresentada por 23 cirurgiões do IPO do Porto. Estes médicos alertam que não têm condições para garantir os devidos cuidados aos doentes oncológicos de especialidades. Em comunicado, os profissionais de saúde explicam que estão a ser chamados para assegurar situações clínicas especializadas durante a noite, fins de semana e feriados. A entrevista à Rádio Observador, a presidente do Sindicato dos Médicos do Norte e vice-presidente da FNAM, alerta que em causa está o cumprimento das boas práticas médicas. Joana Bordalo e Sá diz que é preciso uma reorganização urgente das equipas.

Quando um doente é operado pela urologia, se surgir uma complicação, deve ter acesso a cuidados dessa especialidade e não pela cirurgia geral, que não tem essa competência. Aliás, como acontece nos outros hospitais. Isso não é uma recusa de trabalho, é uma questão de segurança clínica e de respeito pelas boas práticas médicas. O que é preciso é organizar o trabalho de forma diferente, porque não há médicos urologistas nem de otorrinolaringologia de apoio no período da noite, noturno, nem ao fim de semana e aos feriados. E há noutras áreas.

Joana Bordalo e Sá, Rádio Observador esta manhã. Os profissionais defendem que não podem assumir falhas de organização que colocam em causa a qualidade dos cuidados de saúde. A Rádio Observador já contactou o IPO do Porto e o Ministério da Saúde aguardando resposta.

Carla, há desenvolvimentos no caso dos pagamentos indevidos em cirurgias adicionais no Santa Maria, em Lisboa. As equipes de dermatologia vão ter de devolver mais de €800 mil ao hospital.

É a conclusão da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde. O inquérito foi aberto pela IGAS em maio do ano passado, na sequência de notícias que davam conta do pagamento de milhares de euros em 10 dias a apenas um médico dermatologista, Miguel Alpalhão. Concluído o inquérito, há 28 profissionais de saúde envolvidos em pagamentos indevidos e, João Gama, vão ter de devolver esse dinheiro recebido indevidamente.

Falamos de 16 médicos, seis enfermeiros e seis assistentes. O Observador teve acesso à nota da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, que dá conta desta decisão, do valor do total das 511 cirurgias. Mais de €818 mil foram pagos indevidamente e vão ter de regressar ao hospital. Cerca de metade desse valor vai ter de ser devolvido pelas mãos de Miguel Alpalhão, médico que mais faturou pelas cirurgias adicionais. A IGAS conclui que esses procedimentos foram abusivamente classificados como cirurgias de ambulatório, quando, na verdade, se tratavam de pequenas cirurgias. Os profissionais já estarão a ser notificados para devolverem este dinheiro.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde destaca também outro dado importante, João.

Que estes valores pagos indevidamente foram sempre autorizados pelo Conselho de Administração do hospital entre os anos de 2021 e 2025. Ora, durante este período de tempo, entre os membros dos conselhos de administração, inclui-se a atual ministra da Saúde. Ana Paula Martins liderou o Hospital de Santa Maria entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2024.

João Gama, olhar para a nota da IGAS, que obriga 28 profissionais de saúde a devolver dinheiro indevido ao Santa Maria. Em novembro do ano passado, Miguel Alpalhão foi suspenso de funções pela ULS de Santa Maria, precisamente por causa desta polêmica.

E falamos agora do apagão. O grupo de trabalho que tem como objetivo estudar o que aconteceu, prevê entregar o relatório no final deste mês. A ideia é fazê-lo no dia 28 de abril, quando o apagão faz um ano.

A data para entrega do relatório é avançada à Rádio Observador pelo coordenador deste grupo de trabalho, o deputado do PSD, Carlos Cação. Este grupo foi criado em julho de 2025, investiga as causas e também medidas de prevenção do corte elétrico que afetou Portugal e Espanha. Sem querer fazer pré-conclusões, o coordenador do grupo diz que poderá sair daqui uma espécie de guião para o governo, para futuras crises.

É um guião que pode depois, cada grupo parlamentar ter alguma iniciativa parlamentar, algumas sugestões ao governo. Há aqui, efetivamente, um empenho de todos os grupos parlamentares, de concluirmos este trabalho com sucesso e ele vai ser conseguido, tenho a certeza absoluta. E a partir daí, depois também cabe a cada grupo parlamentar tomar as suas iniciativas legislativas em função das conclusões do relatório.

O deputado do PSD, Carlos Cação. Já o deputado socialista Pedro Vaz, que propôs a criação do grupo de trabalho, espera que o governo tome, sim, de fato, em consideração as conclusões do relatório final, mas tem dúvidas.

Espero, apesar de este governo ter uma dimensão muito grande de autossuficiência, de soberba no que diz respeito às propostas das outras forças políticas ou mesmo até de outros stakeholders, de outras entidades da sociedade.

Este grupo de trabalho já fez mais de 80 audições. O ponto de situação relativo ao grupo de trabalho criado no Parlamento para debater o apagão é o destaque do "Onde Para o Caso" desta tarde.

Um programa para ouvir na íntegra hoje, depois do jornal das 17h, na tarde política. São agora 10h10. Daqui a pouco, o contracorrente sobre o regresso da Brigada de Trânsito da GNR, mas antes, Carla, tempo para as outras notícias que marcam a atualidade.

O homem que atirou um coquetel molotov na manifestação Marcha pela Vida é militante do PS. Em comunicado, o partido informa que abriria um processo disciplinar e suspendeu. O Observador apurou que o suspeito tem 39 anos, é designer. Pode hoje ficar a conhecer medidas de coação mais gravosas. Para já, está sujeito a apresentações periódicas às autoridades. Versões contraditórias sobre um cessar-fogo entre Israel e o Líbano. O primeiro-ministro israelita vai sentar-se hoje à mesa de negociações com o presidente libanês. É o que garante Tel Aviv, mas o Líbano nega estas negociações, diz que não tem conhecimento de qualquer contacto. Foi Donald Trump que falou do assunto na rede social Truth Social. Afirmou que Israel e Líbano vão ter hoje uma reunião, não adiantando mais detalhes. O Financial Times já tinha avançado ontem que poderia estar para breve o anúncio de um acordo de cessar-fogo. A Rússia lançou um ataque massivo contra a Ucrânia. Nas últimas 24 horas, morreram pelo menos 15 pessoas. As autoridades locais adiantam ainda que duas cidades no sul do país estão sem eletricidade. A União Europeia já garantiu, entretanto, que vai continuar a aumentar a pressão sobre a Ucrânia. O presidente do Conselho Europeu escreve na rede social X que Putin deve parar esta guerra de terror. António Costa garante que a União Europeia vai manter o apoio inabalável à Ucrânia. E agora, assim, contas de cabeça sobre animais. Quanto tempo vive um cão? Ali mais ou menos 10, 15 anos.

Sim.

O gato?

Também.

Por aí. E uma galinha, quanto tempo vive? Nas mãos do Paulo Ferreira, 30 minutos.

Uma galinha.

Se não conseguir fugir.

Depende o que queremos fazer com ela.

30 minutos para o Paulo Ferreira.

Queremos vê-la a crescer feliz. Há um recorde nos Estados Unidos. Então tá bom, Carla. A galinha mais velha do mundo, é nos Estados Unidos, que tem... Vocês estão mesmo com enorme expectativa. 15 anos e 100 dias.

Agora também já não é boa para uma canja, não?

Já é dura.

É mais dura.

Deixa viver essa galinha. Para quê estar aí com essas ideias, João?

Mas também marchava. As galinhas velhas-

Sabem muito

...darão boas canjas, não é?

Sim.

É, pois é. Não é capaz.

Mais gordinhas. Eu pensei que viviam mais.

Sim, este é o recorde dos Estados Unidos, é 15 anos, mas há o recorde do mundo.

Está aí para as curvas. Há um recorde do mundo.

Há, superior.

É onde?

Onde tu quiseres.

O que te trouxe ao ombro?

O que interessa.

Eu quero ir lá visitar a galinha.

Para quê?

Quero ir lá que quero conhecê-la, quero falar com ela.

Já não está em Trás-os-Montes.

Ah, já não está em Trás-os-Montes.

Mas viveu 21 anos.

Ah, 21 anos.

E deu uma belíssima canja.

Duvido.

Acabou no tacho.

Não, acabou-

Não façam mal.

Acabou como alimento para os raposos.

Vamos ter e-mails de ouvintes mais sensíveis a este momento.

Está no campo.

Nunca apanharam uma galinha, nem nunca tiveram de apanhar uma galinha, por exemplo.

Não é fácil.

Nem nunca viajaram em comboios com galinhas.

Não, mas já tentei panar uma galinha.

De penar com água quente?

Exato.

Estavas tu a falar de ouvintes sensíveis.

Não, e o cheiro é horrível, água quente.

Já se experimentou?

Eu, tantas vezes. Usei a mesma estratégia.

Mas nunca se-

E com maçarico.

Fica cozido.

Estás tu.

Não, maçarico, não, queima-se a galinha toda.

Estamos todos a falar ao mesmo tempo, não se percebe nada.

Bom, olha, eu o que sei é que panela velha é que faz comida boa. Não sei se o mesmo se aplica-

E não têm dentes, as galinhas.

Não têm, para já. Mas quando tiverem.

Adoro as patinhas.

Maria João, põe ordem na casa.

Adeus . Se calhar, depois disto, não há mais nada a dizer. Acabamos assim este Fininho.

Uma canja.

Que ama nhés