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Jornal das 10, com José Rafael Lopes. Já vamos ao possível acordo de paz entre Estados Unidos e o Irão. Primeiro, o caso das crianças abandonadas em Alcácer do Sal. O padrasto das crianças foi transferido para a prisão anexa à PJ, em Lisboa.
Transferido ontem à tarde. Já a mãe dos menores está na cadeia de Tires. Os dois ficaram em prisão preventiva por decisão do Tribunal de Setúbal. O Observador está em Colmar, na França, onde a mãe vivia com as crianças. Foi de lá que saiu de carro com os menores em direção a Portugal. Já nós vamos ao encontro do enviado especial do Observador, o Martim Andrade. Agora em direto. Martim, falaste com alguns vizinhos da mulher. O que é que vão dizendo sobre este caso?
Aqui na Petite Rue les Blaises, no centro de Colmar, não existe muito movimento este domingo de manhã, à exceção dos diferentes órgãos de comunicação social portugueses, que vieram aqui à procura de pistas sobre a vida da mãe que abandonou as duas crianças em Alcácer do Sal na passada terça-feira. Marine Rousseau, uma sexóloga de 41 anos, vivia na casa número oito, no terceiro piso, e só estando aqui no local percebemos que já não vem à casa há algum tempo, pela quantidade de cartas que se vieram acumular na sua caixa de correio. Na vizinhança daqueles que a reconhecem através de breves interações como bom dia ou boa tarde, pouco mais do que isso, notam uma pessoa calma, reservada e sem qualquer comportamento que parecesse suspeito. O dono de um restaurante no final desta rua disse ao Observador que via Marine com os dois filhos todos os dias quando os ia levar à escola, mas que esta não tinha o hábito de interagir com as pessoas que encontrava na rua. Isto porque Marine só se terá mudado para Colmar no verão de 2025, portanto há menos de um ano, depois de sensivelmente uma década na cidade de Troyes, mais no centro do país, onde vivia com o ex-marido e pai das duas crianças abandonadas.
Martim, tu tens estado também a acompanhar a imprensa francesa. Este caso está a ter muito eco aí em França?
Está a ter muito eco, principalmente na imprensa regional. O jornal Alsace, que é o meio de referência aqui da região, não traz nada de novo sobre o caso este domingo, apesar de as notícias sobre as crianças abandonadas continuarem a ser das mais lidas no site. Recordam principalmente as medidas de coação decididas pelo Tribunal de Setúbal este sábado, que colocaram Marine Rousseau e Marc Balabriga, o padrasto, em prisão preventiva. Já na região de Aube, onde a mãe das crianças viveu durante quase 10 anos, surge na manchete uma peça em que recolheram o testemunho de um antigo colega de trabalho de Marine Rousseau, que a descreve como extrovertida, mas que por vezes apresentava comportamentos disfuncionais. Referem também que a sexóloga não se dava muito bem com os colegas de trabalho no hospital em que exercia e que não estava apta para trabalho em equipa. De resto, a nível nacional, o caso não está a ter o mesmo nível de midiatização que em Portugal, mas é seguro afirmar que aqui em Colmar, pelo menos, se antes poucos a conheciam, todos agora sabem o nome de Marine Rousseau.
A reportagem do enviado especial a Colmar, Martim Andrade. O casal francês ficou ontem em prisão preventiva. São suspeitos dos crimes de ofensa à integridade física agravada, exposição e também abandono.
Agora sim, o conflito no Médio Oriente. Donald Trump anuncia que pode estar para breve um acordo de paz entre Estados Unidos e o Irão.
O presidente dos Estados Unidos fala num princípio de entendimento que vai consistir sobretudo na reabertura do estreito de Ormuz, é o que escreve numa publicação na rede social Truth Social. Donald Trump diz que está tudo praticamente negociado entre os Estados Unidos, o Irão e outros países do Médio Oriente. O presidente norte-americano não dá, para já, mais detalhes. Explica que os pontos finais do acordo ainda estão a ser discutidos, mas promete que vão ser anunciados em breve. O portal Axios avança, ainda assim, com alguns detalhes. O cessar-fogo pode ser prolongado por 60 dias e o bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos do Irão vai ser levantado. O acordo prevê também o fim da guerra entre Israel e Hezbollah no Líbano e é o que para já se sabe deste possível acordo de paz.
É um tema para desenvolver já a seguir a este Jornal das 10, no Gabinete de Guerra, hoje com a análise da especialista em Relações Internacionais, Liliana Reis. Zé, hoje, domingo, dia 24 de maio, é dia de final da Taça de Portugal, entre Torriense e Sporting e no Jamor já se vai fazendo a festa a esta hora.
É o habitual. Em dia de final da Taça, a Mata do Jamor enche para receber seja qual for a equipa que vá participar na final da Taça de Portugal. Ainda faltam algumas horas para a bola começar a rolar, mas na Taça de Portugal os adeptos já vão fazendo a festa. É lá na Mata do Jamor, que está o repórter Martim Madeira. Martim, está junto aos adeptos do Sporting, que já se fazem ouvir. O que é que temos no menu por aí? Ou ainda é cedo?
Olha, Zé, o habitual: batatas, chouriço, bifanas e claro, muita cerveja. É assim que se vive a festa da Taça. Eu estou aqui com um grupo que inclusivamente até me pediu boleia quando estava a subir para aqui para ajudar a levar as coisas e que até ajudei. Tenho aqui um dos membros, João Batalheiro. João, vocês vieram de onde e chegaram aqui cedo ou não?
Chegámos ontem, Martim. Nós, alguns somos de Lisboa. Metade é de Lisboa e metade é das Caldas, portanto a malta de Lisboa veio para cá. Chegámos ontem por volta das 19h30. Só vínhamos deixar umas coisas, mas depois vimos que estava cheio de gente e acabámos por procurar aqui um sítio e tenho que fazer um agradecimento especial ao Bruno Rodrigues, ao Eduardo Pedroso e ao Mário Sales, que ficaram comigo aqui a organizar isto tudo e acabámos por ter que pernoitar aqui para conseguir fazer com que isto fosse possível.
Já fazem isto há muitos anos ou não?
É assim, nós vimos ao Jamor há muitos anos. Antes íamos com outro grupo, mas a certa altura quisemos fazer só uma coisa mesmo do nosso grupo. E então desde o ano passado que organizamos isto entre nós. Juntámos uma grupeta, começámos a arranjar os toldos, as geleiras, as coisas e organizamos isto só nós desde o ano passado e agora é para continuar.
Por fim, João, só te queria perguntar apenas qual é que é o teu prognóstico para o jogo. Quem é que vai levar o caneco aqui? Se é o Sporting, se é o Torrense, como é que é?
É o Sporting, claramente, que vai levar o caneco, ainda por cima ao Torrense. Quero acreditar que, com a sequência de jogos com que está, acho que o Sporting é superfavorito e, portanto, a expectativa é que vamos ganhar isto e temos que ganhar isto, que o Sporting tem que ganhar.
A expectativa dos sportinguistas, Zé, aqui no Estádio do Jamor, já tudo organizado, já a festa aqui bem ouvida, bem acesa e também o lume bem aceso para as bifanas, para os chouriços e para toda esta festa, para este jogo, para esta taça que começa às 17h15, um jogo entre o Sporting e o Torrense.
A reportagem do Martim Madeira na Mata do Jamor. A festa da taça tem sempre um tempero especial.
Como ouvimos aqui há pouco. O Torrense está numa final histórica, já não estava no Jamor há 70 anos. E Zé, a Rádio Observador falou com o sócio número um da equipa de Torres Vedras. Chama-se Manuel Rosado e tem quase 100 anos.
E quando se fez sócio do Torrense, Manuel Rosado sabia que o valor das quotas era de dois escudos e meio. Explica que se tornou sócio há muitos anos pela simples vontade de querer assistir aos treinos do Torrense depois do trabalho. E o resto, o resto é história.
Nos tempos de jovem, era hábito sair-se do emprego e ir ao Torrense assistir ao treino de futebol. Havia treinos todos os dias, todas as tardes. De maneira que íamos assistir. Era a prerrogativa que tínhamos, por ser sócio, poder assistir aos treinos. Lá íamos queimar um terço do nosso dia pelo treino, arranjar gargalhas e tal, discussões.
E à segunda-feira lá ia um jogo.
É, segunda-feira era jogo.
Manuel Rosado tem quase 100 anos, é o sócio número um da equipa de Torres Vedras. Quanto à final da Taça, Manuel Rosado diz que vai ser difícil para o Torrense vencer o Sporting e que é preciso que a equipa de Torres Vedras seja realista. Ainda assim, 70 anos depois, lá estão eles na Taça.
E vamos a isso, a essa final da Taça de Portugal entre Sporting e Torrense. Começa hoje às 17h15. Tem relato aqui em direto na antena da Rádio Observador, numa emissão especial de desporto que arranca às 16h. Já a seguir, numa altura em que são 10h09, há gabinete de guerra. Vamos analisar esse princípio de acordo entre Estados Unidos e Irão. Mas para já, Zé, vamos ainda a outras notícias que estão em destaque a esta hora.
Uma série de suspensões e expulsões de militantes do PSD está a causar conflitos internos em vários pontos do país. Há denúncias de uma purga. Em causa estão dezenas de militantes que foram expulsos depois do apoio a listas independentes nas últimas autárquicas. São dezenas os casos em todo o país. O Observador recebeu em concreto vários relatórios sobre o caso do Porto, que contava com vários adversários independentes. Foi abatido o autor de um tiroteio junto à Casa Branca, nos Estados Unidos. O suspeito, de 21 anos, disparou contra uma cabine de controle de segurança. Donald Trump estava no interior da Casa Branca, diz que o suspeito tinha um passado violento. Há registo de pelo menos um ferido que foi atingido pelos disparos. Sete distritos no Norte e Centro estão hoje sob aviso amarelo devido à previsão de chuva e trovoada. São eles Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e também Viseu. O aviso fica em vigor até à meia-noite. Já no resto do continente não está prevista chuva, apenas alguma nebulosidade, mas com temperaturas muito elevadas. E para fechar, João, pastéis de nata. É algo que te atrai?
Gosto e tenho saudades de comer. Agora não posso.
Não podes por causa do dente.
Sim, por causa das dores de dentes, não posso.
Pronto, mas em breve vais poder voltar a comer em Lisboa.
Espero que sim, em breve.
Por todo Portugal. E se quiseres, até em Hong Kong, porque os pastéis de nata vão chegar a Hong Kong. Vai abrir uma loja com esta iguaria portuguesa no início de junho. Ainda assim, há aqui algumas diferenças na receita que vai ser utilizada em Hong Kong. Vai ter menos açúcar e vai seguir a preferência da população por sobremesas menos doces. A ideia depois é, caso haja sucesso em Hong Kong, levar os pastéis de nata a mais sítios na Ásia, como Macau, Coreia do Sul, Cingapura e Tailândia. Agora esperemos é que não mexam muito na receita. Tirar açúcar não parece mau.
Se não alterar muito o sabor. Se ficar desensabido, se calhar não.
Até porque convém deixar uma boa marca, o pastel de nata.
O pastel de nata aqui a internacionalizar-se, quem sabe, no fecho deste Jornal das 10, com edição do José Rafael Lopes.