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Por Dez e Três. As notícias das 10 com Carla Jorge Carvalho. A pouco tempo de arrancar a discussão e votação na generalidade das alterações propostas pelo governo ao Código do Trabalho, o socialista João Costa acusa o PC de estar casado com o Chega. Já o social-democrata Duarte Pacheco rejeita e diz que foi o PS quem se colocou de fora das negociações.

Foi o tema que esteve em discussão no Explicador desta manhã. João Costa fala de uma relação a três entre PSD, CDS e Chega. O antigo ministro socialista acredita que o partido de André Ventura vai nesta manhã viabilizar o pacote laboral proposto pelo governo e diz que o PSD colou-se a um partido sem coluna vertebral.

Neste momento, eu não vejo o PSD como refém do Chega. Eu vejo o PSD completamente casado com o Chega e num casamento que pros dois está a ser muito feliz. É melhor assumir que o parceiro, a coligação do PSD é com o CDS e é com o Chega. É o que alguns de nós temos dito na brincadeira, que já não é uma AD, é uma ADEGA, porque integra o Chega nesta coligação.

João Costa, que diz ainda que o Chega está a reclamar vitórias em assuntos menores e a afastar da discussão pública os aspectos inaceitáveis da proposta do Executivo. Ora, do lado social-democrata, a ideia é rebatida pelo antigo deputado Duarte Pacheco. Ele destaca a aproximação do Chega ao governo como positiva para o pacote laboral e responsabiliza os socialistas por se colocarem de fora das negociações.

Na negociação laboral, o Partido Socialista quis ficar de fora a partir do momento em que disse que, não havendo existido acordo na concertação social, assumia como suas exposições da UGT que o governo não tinha aceito e a partir daí, o diálogo morreu, ficou impossível de concretizar-se. Ora, ou o governo desistia, ou o governo procurava chegar a entendimento com outras forças políticas. E aqui, claramente, houve uma alteração, uma evolução, uma mudança por parte do Chega.

Duarte Pacheco e também João Costa foram os convidados do Explicador desta manhã. A votação das alterações ao Código do Trabalho vai realizar-se esta manhã, ao final da manhã. Já ontem o líder parlamentar do PSD deu como certa a aprovação da reforma laboral na generalidade. O presidente do Chega disse que iria acontecer uma grande vitória para os trabalhadores, abrindo assim caminho à viabilização do documento. O novo Código do Trabalho terá assim, provavelmente, a viabilização de toda a direita, incluindo a iniciativa liberal. À esquerda, a rejeição é total. A proposta do governo vai ter o chumbo do PS, Livre, PCP e Bloco de Esquerda.

A madrasta suspeita de ter matado uma criança de oito anos em Valpaços fica hoje a conhecer as medidas de coação.

A criança foi morta em Valpaços, o corpo foi abandonado depois na Serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar. E o jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia, esteve na localidade de Carrazedo de Montenegro, onde vivia a criança, conta o que aconteceu durante o dia do desaparecimento e como é que autoridades e população perceberam que algo estava a correr mal.

Segundo os relatos de alguns pais aqui perto da escola e também de alguns vizinhos, esta criança apanhava sempre o autocarro. E neste dia não foi diferente, nesta quarta-feira não foi diferente. Apanhou o autocarro e foi deixada na escola. Aí é que o trajeto fugiu à norma. Ela em vez de entrar na escola, surgiu a madrasta, que a impediu de entrar na escola por algum motivo, mas impediu-a de entrar na escola e levou-a com ela e depois entretanto foi dada como desaparecida. Foi nesse momento que foi vista pela última vez.

Sendo que o pai da criança acredita que o crime foi premeditado e que a madrasta planeou o homicídio após uma desavença com o marido, dias antes de tudo acontecer. Esta suspeita vai conhecer hoje as medidas de coação no Tribunal de Vila Pouca de Aguiar. Foi ontem detida pela Polícia Judiciária e já confessou o crime.

Este é o tema da história do dia de hoje, que já está disponível em podcast. Pode também ler o artigo do Miguel Pinheiro Correia, que faz esta hora manchete no site do Observador. O Ministério Público acusa nove pessoas ligadas ao grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano de 29 crimes, incluindo o de terrorismo. A acusação indica ainda que a organização tinha uma lista de indesejáveis com mais de uma centena de nomes.

Em que constavam nomes como o primeiro-ministro Luís Montenegro ou o ex-presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O Movimento Armilar Lusitano foi desmantelado há um ano pela Polícia Judiciária, mas só agora foi conhecida a dimensão do grupo e das intenções. Afinal, Carlos Pedro, que grupo é este e quais eram as motivações?

De acordo com o despacho de acusação a que o Observador teve acesso, este grupo nasceu em setembro de 2019, a partir de outros movimentos neonazis. É um grupo de extrema-direita, nacionalista, neonazi, fascista, supremacista branco e antissistema. Foi desmantelado pela Unidade Nacional contra Terrorismo da Polícia Judiciária.

Já dissemos que este grupo tinha uma base de dados, mais de 120 nomes, entre figuras e organizações. O que é que pretendia exatamente?

Pretendia investigar estas personalidades e até ponderava a criação de tribunais populares com o objetivo de julgar e punir os condenados. Propunha enfrentar as ameaças contra Portugal e os portugueses e depois apresentar uma alternativa ao regime instalado. Nada aconteceu e o Ministério Público justifica, diz que faltaram meios humanos e materiais a este grupo.

Ainda assim, Carlos, dentro das intenções deste grupo, estava um ataque à casa do primeiro-ministro. Como?

Através de uma granada que seria lançada pela janela da casa do chefe do Executivo. Foi essa a proposta lançada pelo agente da PSP, Bruno Gonçalves, que está atualmente em prisão preventiva. Bruno Gonçalves teve conhecimento da morada da casa de Luís Montenegro a partir do sistema da Polícia Municipal de Lisboa, onde estava colocado. Destaque ainda para Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva, Rui Tavares e as irmãs Mortágua, que também foram considerados alvos, assim como figuras públicas como Nuno Markl, Ricardo Araújo Pereira, Tânia Graça ou Diogo Faro.

Carlos Pedro, com o despacho de acusação do Ministério Público a que o Observador teve acesso, quatro suspeitos deste Movimento Armilar Lusitano, incluindo o líder e o número dois, aguardam julgamento em prisão preventiva.

Este é um artigo da editora adjunta de sociedade do Observador, Leonor Riso. Atenções viradas para o Médio Oriente. Israel continua a atacar o Líbano, apesar do entendimento entre Estados Unidos e Irão.

Dos ataques desta madrugada, há registo de pelo menos 18 mortos e mais de 30 feridos numa nova vaga do exército israelita contra vários locais no sul do Líbano. Israel afirma que continua a atacar o território devido às violações repetidas do cessar-fogo por parte do Hezbollah. Tel Aviv anunciou que três soldados e um comandante israelitas foram mortos em combate, outros cinco ficaram feridos. Na reação, o ministro israelita da Segurança Social diz esta manhã que, depois disto, todo o Líbano deve arder.

E hoje, Carla, ia realizar-se uma ronda de negociações entre Estados Unidos e Suíça, mas foi entretanto cancelada.

O anúncio começou por ser feito pelo ministro suíço dos Negócios Estrangeiros, e isto depois da Casa Branca ter revelado que afinal J. D. Vance não ia viajar para a Suíça. A Casa Branca explica que os planos para as próximas negociações técnicas ainda não foram finalizados. Acrescenta, por escrito, que a logística destas negociações nunca foi simples ou previsível e, por isso, decidiu adiar a viagem prevista para hoje. Para já, ainda não há uma reação do Irão. Para hoje estava também inicialmente prevista a cerimônia de assinatura do memorando de entendimento entre os dois países, mas o documento foi assinado de forma digital, à distância, na noite de quarta-feira.

São agora 10h11. Carla, que outras notícias marcam a atualidade?

O PS volta a aparecer no primeiro lugar de uma nova sondagem. A AD cai para terceiro lugar, atrás do Chega. É o que revela um estudo da Intercampus para o "Now" e o Correio da Manhã. Os socialistas reúnem 24,3% das intenções de voto. É uma tendência que tem vindo a solidificar-se nos mais recentes estudos de opinião. O Chega aparece com 20,3% e só depois a AD, com 19,5%. O Movimento Vida Justa marcou para amanhã, em Lisboa, uma manifestação contra a decisão do Tribunal de Sintra sobre o homicídio de Odair Moniz. A decisão é contestada pelos ativistas, que consideram a pena suspensa de três anos e meio aplicada ao agente Bruno Pinto como injusta e desumana. A manifestação está marcada para às 17h, no Largo de São Domingos. Há 23 conselhos em perigo máximo de incêndio em Portugal continental, nos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro. O perigo de incêndio rural vai agravar-se no fim de semana com mais regiões em risco máximo ou muito elevado.