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São 10:01. As notícias com Luís Soares. O ex-presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, alerta que as declarações do ministro da Administração Interna colocam em causa não só o funcionamento das instituições, como o primeiro-ministro e também o presidente da República.
Ideia transmitida por Rui Rocha no Explicador desta manhã. O deputado liberal não revela o sentido de voto do partido, caso a moção de censura pré-anunciada pelo Chega avance, mas avisa, desde já, Rui Rocha, que as polémicas estão a prejudicar a Polícia Judiciária, Luís Montenegro e António José Seguro.
Já não é só Luís Neves não ter condições para estar em funções por aquilo que foi a sua gestão da Polícia Judiciária, é não ter condições para estar em funções por aquilo que representa do ponto de vista das instituições enquanto ministro. E portanto, há aqui um salto qualitativo muito relevante, porque aquela conferência de imprensa de ontem já não é só uma questão do Luís Neves, é que põe em causa o primeiro-ministro e põe em causa o presidente da República.
Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, pede a intervenção do Presidente da República e acusa Luís Neves de falta de noção, também sublinha as palavras de ontem à Rádio Observador, de Adalberto Campos Fernandes, que considera que se estão a acumular vários casos sobre o ministro da Administração Interna, que podem pôr em causa o regular funcionamento das instituições.
Do lado do Chega, a deputada Vanessa Barata justifica uma eventual moção de censura com aquilo que descreve como conivência do Governo perante as polémicas de Luís Neves.
A deputada diz ainda que o ministro piora a situação cada vez que fala sobre o caso.
O Chega fez várias diligências até chegar à moção de censura. De facto, de cada vez que o ministro Luís Neves fala, a situação torna-se mais grave, porque ele não é capaz de explicar. Roga para si o direito de exercer o seu mandato legitimamente, porque não existe um pedido de demissão, nem existe uma demissão por parte do primeiro-ministro. O primeiro-ministro não fala. Portanto, é preciso lançar mão, eventualmente, será preciso, de outros instrumentos parlamentares para censurar esta conduta, tanto de Luís Neves como do próprio Governo, que está a sustentar toda esta situação insustentável de Luís Neves.
Ainda assim, o Chega não decidiu ainda se avança ou não para essa moção de censura. Já o líder parlamentar do LIVRE, Paulo Muacho, diz que há interesses por detrás das suspeitas levantadas acerca do ministro. Alega Paulo Muacho que uma moção de censura não vai esclarecer ninguém acerca destas polémicas.
Há uma série de situações que foram reveladas no espaço público, que é importante que sejam esclarecidas. Algumas delas já foram esclarecidas. Outras não foram ainda esclarecidas e precisam de ser esclarecidas. Agora, também é preciso dizer que há também aqui um interesse em manchar aquilo que tem sido o trabalho da PJ e aquilo que foi o trabalho da PJ nos últimos anos e que há um objetivo político também por detrás, de tentar derrubar o ministro da Administração Interna e o ministro Luís Neves.
Paulo Muacho, do LIVRE, no Explicador desta manhã. Estiveram também a Vanessa Barata, do Chega, e Rui Rocha, da Iniciativa Liberal. O Chega anunciou hoje a decisão final sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo, depois de ontem o ministro Luís Neves ter voltado a afastar um eventual cenário de demissão.
É um episódio que dentro de instantes fica disponível tanto no site do Observador como nas habituais plataformas de podcast. Os juros da dívida portuguesa há 20 anos atingiram ontem máximos de quase uma década. O governo português prevê um novo agravamento dos encargos no próximo ano.
Em causa estão os receios dos investidores em relação a uma subida das taxas de juro dos bancos centrais para controlar a inflação. Ontem, os juros da dívida portuguesa subiam cerca de três pontos base para o valor mais alto desde 2017. As subidas dos juros das obrigações de outros países são ainda mais intensas, como é o caso de França ou de Itália. De resto, também as taxas de dívida dos governos da zona euro têm estado em alta. O governo português estima que no próximo ano os juros da dívida portuguesa acrescentem mais €776 milhões à despesa do Estado. Junta-se a nós, em direto, Pedro Lino, analista de mercados e CEO da Optimize. Bom dia, Pedro Lino. Como é que estão hoje a negociar os juros da dívida?
Bom dia, Luís. Os juros continuam a subir. No caso português, estão a subir cinco pontos base, 3,68% para 3,72%, as obrigações a 10 anos. Nos Estados Unidos até estão estáveis, os 4,84%, mas em máximos de 20 anos. Na Alemanha continuam também a subir para 3,37%, máximos desde 2011. E a França, que já está a ser um problema para a zona euro e com as eleições aproximando, ainda pior, está nos cerca de 4,25%. Ou seja, a França neste momento paga mais de 0,5% acima do Portugal, que era algo impensável há uns anos atrás.
Percebemos que isto é um cenário idêntico em vários países. Aquilo que lhe pergunto, Pedro, é se há motivos para preocupação perante esta subida dos juros.
Há motivos para preocupação, ainda não de alarme, porque o que está a fazer os juros subirem? Temos dois fatores. Por um lado, o Índice de Preços ao Consumidor, que está a subir. Nós nos últimos dois dias tivemos o IPC em Portugal e o Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor que mostraram uma subida da inflação de 3,3% no Índice de Preços ao Consumidor e 3,6% no Índice Harmonizado, bastante acima do objetivo do Banco Central Europeu. E mesmo na zona euro, 3,3% é uma inflação muito elevada. Isto tem a ver, sobretudo, pela subida dos preços da energia, petróleo e gás, que afeta toda a economia. Mas, por outro lado, temos também a oferta de dívida que está a ser na ordem dos trilhões de dólares ou de euros por ano. E temos os governos a precisarem de emitir mais dívida. No caso dos Estados Unidos, a dívida ultrapassou os $40 trilhões e com os juros mais altos, significa que só para financiar esta dívida Vão ser necessários custos anuais e novas emissões de dívidas de cerca de 1,3 trilhões de dólares, mas também temos agora a concorrência das empresas, incluindo a social. Para financiarem os ambiciosos programas de crescimento, todas estão a ir ao mercado. E nós vimos a Alphabet, empresas como a Amazon, a Broadcom, a SpaceX, todas elas estão a ir ao mercado, a emitir dívidas, na ordem dos milhares de milhões de dólares, porque precisam de se financiar os seus planos de crescimento. E, na realidade, o que estão a fazer é uma concorrência aos governos, porque se essas entidades precisam todas de emitir dívida, claro que os investidores vão subscrever as dívidas ou as emissões que pagam mais juros, e nisso os governos também vão ter que acompanhar. Por isso temos essas duas componentes, mais dívidas a ser emitidas no mercado e o índice de preço ao consumidor, que irá espoletar uma subida das taxas de juro no Banco Central Europeu já na próxima semana.
E isso pode ter impacto também no momento em que o governo português prepara o orçamento do próximo ano, não só no agravamento da fatura com juros, mas também na necessidade de manter contas certas e contas equilibradas para não agravar essa tendência de subida dos juros?
Portugal está um pouco protegido. É verdade que a fatura com os juros vai subir, dos cerca de 7,1 mil milhões este ano para quase 8 mil milhões no próximo ano, ou seja, pouco mais de 10%. Mas também não nos podemos esquecer que a economia portuguesa tem uma dinâmica muito diferente do resto da zona euro. E os dados do crescimento, que foram conhecidos também na semana passada, demonstraram que Portugal está a crescer a cerca de 2,5%, enquanto a zona euro cresce a 1%. Este dinamismo da economia portuguesa pode fazer com que este aumento do peso dos juros da dívida seja relativizado. Mas de qualquer das formas, estamos num ambiente económico de muita incerteza, com a crise do Médio Oriente a prolongar-se, e vamos ver se isso não se torna numa Ucrânia. Todas as cautelas são poucas e o governo deve acautelar também no próximo ano manter as contas certas, porque é isso também que está a proteger o país de situações como, por exemplo, a França, que neste momento está a pagar juros muito superiores.
Pedro Linde, muito obrigado por ter estado em direto conosco, analista de mercados e CEO da Optimada.
Obrigado a vocês.
Bom dia, obrigado por nos ajudar a olhar para as taxas de juro da dívida que, como percebemos, continuam hoje a agravar-se.
Portugal vai convocar ainda hoje o embaixador da Rússia em Lisboa para discutir os ataques híbridos ao aeroporto de Leipzig, que a Alemanha atribui à Rússia.
Anúncio feito esta manhã por Paulo Rangel, à entrada para a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, na Irlanda. O chefe da diplomacia portuguesa explica que é natural que nos próximos dias o embaixador russo seja chamado a esclarecer o caso junto das autoridades portuguesas. A Alemanha acusou ontem formalmente a Rússia de ser responsável pelo ataque híbrido registrado no aeroporto de Leipzig. Foram detetados drones com explosivos no aeroporto alemão. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, também promete uma resposta robusta e alinhada por parte dos Estados-membros.
É claro que toda a gente vai discutir os ataques de Leipzig. É evidente que tudo aponta para um ato de terrorismo patrocinado pelo Estado. A questão é: o que fazemos face a isto? Já convocámos o embaixador russo, tal como fizeram muitos Estados-membros, e iremos discutir o que mais podemos fazer.
A chefe de diplomacia europeia, Kaja Kallas, à entrada para a reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, na Irlanda. A Alemanha fala no elevado nível de ameaça depois deste ataque híbrido registrado no aeroporto de Leipzig.
São 10:11, Luiz, que outras notícias estão em destaque antes do Contracorrente?
Subiu para 18 o número de mortos na sequência da troca de ataques entre Estados Unidos e Irão desta madrugada. Os Estados Unidos atacaram vários alvos no Irão em resposta a ameaças contra navios no estreito de Ormuz. De acordo com o novo balanço das autoridades iranianas, 18 pessoas morreram, incluindo uma criança, mais de 50 ficaram feridas. E Irão retaliou com ataques aéreos contra alvos norte-americanos no Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. O Hospital Amadora-Sintra chegou esta manhã, quase às 13 horas, de tempo de espera nas urgências. Situação semelhante no Hospital do Barreiro. Esta manhã esteve perto das 12 horas. São dados oficiais do SNS. A Ministra da Saúde avisou ontem que as próximas semanas vão ser de grande pressão nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo. Imaginem comprar, por exemplo, um castelo.
Por que não?
Por que não? As casas estão caras, os castelos estão mais baratos.
Os castelões.
Ora, foi isso mesmo que fez Mark Zuckerberg. Comprou um castelo.
Mais um. Onde fica este?
Este foi o desta semana, na Irlanda. A nova casa de Zuckerberg, que foi construída nos idos de 1830.
Deve estar cheio de bicho.
Fantasmas. Muito fantasma.
O certo é que o dono da Meta gastou entre 20 e 30 milhões de euros na compra deste castelo. E é um castelo tão grande, mas tão grande, que ir da cozinha à sala de jantar demora qualquer coisa como quatro minutos.
Já chega a cima.
Tem de apanhar o Uber.
Chega tudo frio. Claro.