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O Luís Soares. Jornal do Meio-Dia, na Rádio Observador, com a edição do Luís Soares. Luís, o Prêmio Nobel da Paz foi atribuído a uma organização japonesa que representa sobreviventes dos ataques nucleares de Hiroshima e Nagasaki.

Uma associação que se chama Nihon Hidankyo, foi distinguida por, através do testemunho pessoal, ter contribuído para que as armas nucleares nunca voltem a ser usadas. É o que explica o Comitê Nobel no anúncio feito esta manhã em Oslo. Conosco em estúdio está a editora de internacional do Observador, Cátia Bruno. Boa tarde, Cátia. Que organização é esta?

Olá, Luís. Esta é uma organização que tem feito muita pressão interna no Japão e também a nível internacional, usando os testemunhos dos chamados hibakusha, não sei se a minha pronúncia nipônica está muito boa, mas que basicamente é a expressão que representa os sobreviventes das bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki, e que tem feito um esforço de relações públicas, digamos, usando os testemunhos pessoais dessas pessoas para pedir aos governos internacionais que não recorram nunca mais a armamento nuclear.

Cátia, por que agora esta distinção, esta associação e este tema das armas nucleares?

Parece-me que há um ponto relevante que tem a ver com o facto da média de idades dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, neste momento, ser de 84 anos. E, portanto, creio que há aqui uma tentativa do comitê de fazer um reconhecimento em vida a estes sobreviventes, mas não há dúvidas que também há aqui uma leitura política do momento em que vivemos.

E qual é essa leitura?

O próprio responsável do comitê, quando fez o anúncio, explicou que Hiroshima e Nagasaki serviram para criar um tabu nuclear, ou seja, a ideia de que nunca mais se deve recorrer a este tipo de armamento. E, dizia ele, esse tabu está ameaçado neste momento, no tempo em que vivemos. Claro que o comitê não nomeou diretamente países, mas é inevitável fazermos uma leitura de que temos tido ameaças de uso de armamento nuclear por parte de países como a Rússia e a Coreia do Norte. E, portanto, há aqui uma espécie de aviso ou pedido, um apelo a estes governos para que não recorram a isso. E temos também, ao mesmo tempo, olhando para a situação no Médio Oriente, não podemos esquecer que Israel, embora não assuma publicamente, é uma potência nuclear e o Irão está a desenvolver um programa de armamento nuclear. Portanto, parece-me que tentando evitar dizê-lo diretamente para não se envolver em possíveis polêmicas, o Comitê de Oslo quis, ao mesmo tempo, reconhecer estes sobreviventes e o seu papel, mas também deixar um apelo político às organizações internacionais.

Cátia Bruno, obrigado pela tua análise. Cátia Bruno, editora de internacional do Observador, ela que assina um artigo no nosso site, precisamente sobre este Prêmio Nobel da Paz, que foi atribuído a esta organização japonesa que representa sobreviventes dos ataques nucleares de Hiroshima e Nagasaki. E um dia depois de apresentado o orçamento, o deputado social-democrata Hugo Carneiro assegura que o governo respondeu a 99% das preocupações do PS.

Garantia deixada no explicador desta manhã aqui na rádio, Hugo Carneiro. Sublinha, no entanto, que o documento não pode ser descaracterizado, porque, lembra, é um orçamento da Aliança Democrática.

A nossa disponibilidade para acolher propostas já se materializou quando nós fizemos uma revisão do IRS Jovem para ir ao encontro, em larga medida, daquilo que eram as preocupações do Partido Socialista e também com a redução apenas de um ponto percentual no IRC, mais a introdução de medidas de valorização salarial e de recapitalização da empresas. Portanto, nós correspondemos quase integralmente, há pequenos pormenores que não nos permitem dizer às tantas que é exatamente 100%, mas será 99% relativamente àquilo que eram as preocupações do Partido Socialista para o ano de 2025, uma vez que é esse o orçamento que nós estamos a tratar. Agora, claro que mantemos a linha orientadora do programa do governo, não vamos descaracterizar o programa do governo e este é um orçamento da AD, não é um orçamento de qualquer outro partido.

Ideia sublinhada por Hugo Carneiro, do PSD. Já o deputado do PS, António Mendonça Mendes, quer agora discutir o documento de forma concreta. Também no explicador desta manhã, pede tempo para o partido refletir sobre que voto dar ao orçamento do Estado para o próximo ano.

O que é importante é estarmos a discutir aquilo que é a substância do documento. Nós já passamos muito tempo a discutir sobre se o orçamento podia ou não podia ser viabilizado pelo PS. Acho que deve ser respeitado o tempo do PS para tomar a sua decisão. É normal que um partido, que é um partido com grandes responsabilidades no país, tenha que ter o tempo necessário para fazer a reflexão a uma decisão, que é uma decisão que é complexa, não é uma decisão simples. Agora, do ponto de vista da discussão, parece-me que seria mais útil centrarmo-nos na discussão substantiva do orçamento.

A troca de argumentos entre António Mendonça Mendes, do PS, e Hugo Carneiro, do PSD, a propósito do orçamento do Estado para o próximo ano, o debate que decorreu no explicador desta manhã aqui na Rádio Observador.

E apesar dos avisos para algumas zonas do país, a Proteção Civil avisa que as condições meteorológicas vão melhorar nas próximas horas.

Desde as 16h de ontem, as autoridades registraram um total de 116 ocorrências, a maioria delas associadas a quedas de árvores e inundações. As zonas mais afetadas foram as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, mas para as próximas horas, a Proteção Civil espera alguma melhoria nas condições meteorológicas, como explica o oficial de operações Pedro Araújo.

Para as próximas horas é de desagravamento relativamente àquilo a que assistimos nas últimas horas E, por isso, iremos assistir progressivamente a um desagravamento quer da precipitação, quer da intensificação do vento. No entanto, não é de descartar que possam ocorrer localmente ainda precipitações fortes, muito embora com menor probabilidade.

Pedro Araújo, oficial de operações do Comando Nacional da Proteção Civil, em declarações à Rádio Observador. Apesar da previsão de melhoria, as autoridades apelam à população para ser cuidadosa. Desde as 18h de ontem, as autoridades registaram mais de 100 ocorrências, 116 ocorrências, a maioria delas associadas a quedas de árvores e inundações.

Olhamos agora para o desporto. A seleção portuguesa de futebol joga amanhã com a Polónia e Roberto Martínez destaca a qualidade do adversário da equipe nacional.

Na conferência de imprensa de antevisão desta partida, Roberto Martínez elogia a qualidade da equipe da Polónia e fala no adversário que, diz, vai complicar a vida à seleção portuguesa.

Acho que a Polónia é uma equipe que toma riscos, gosta de ter muitos jogadores nas duas áreas. Acho que o treinador tem ideias muito claras, equipe bem estruturada e a toma de riscos é para otimizar o talento individual dos seus jogadores. Jogadores com a experiência do Zieliński, o Lewandowski, uma equipe que também joga em casa. Para nós, é um desafio.

Roberto Martínez, na antevisão do jogo de amanhã entre Polónia e Portugal, partida marcada para Varsóvia amanhã.

Começa às 19h45 e vai contar com relato e análise aqui na Rádio Observador. Luís, é agora 12h07, que outras notícias vão marcando a atualidade?

O Chega acusa os governos PS e PSD de falharem na prevenção dos incêndios. Na abertura do debate de urgência requerido pelo Chega no Parlamento sobre os incêndios e as falhas no combate, Rita Matias, do Chega, disse que os vários governos não aprenderam nada com aquilo que aconteceu em 2017 e defendeu um agravamento de penas para os incendiários. Também neste debate, o governo garantiu que todos os meios estavam no terreno a combater os incêndios da terceira semana de setembro e prometeu que tudo fará para melhorar e corrigir eventuais erros que sejam identificados. Foram declarações feitas pelo secretário de Estado da Proteção Civil no debate de urgência requerido pelo Chega. António Guterres criticou Israel após o novo ataque às instalações da missão de paz da ONU no Líbano, um ataque que provocou mais dois feridos ontem. Um ataque idêntico já tinha causado ferimentos a dois elementos da organização. A participar numa cimeira com líderes do Sudeste Asiático em Laos, António Guterres sublinha que o incidente é intolerável e não pode ser repetido. Entretanto, o primeiro-ministro do Líbano pediu hoje uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para um cessar-fogo imediato e completo, com o acordo do grupo xiita Hezbolá, admitindo enviar o exército libanês para o sul do país. Hugo Viana é dado como certo no Manchester City. De acordo com o especialista do mercado de transferências, Fabrizio Romano, o diretor desportivo do Sporting já terá chegado a acordo com os citizens para rumar ao clube no ano que vem. Hugo Viana estava no topo da lista de preferências do City.

Luís Soares e o Jornal do Meio-Dia.