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Do Meio Dia. Jornal do Meio Dia com edição do Miguel Videra. Miguel, estão agendados para hoje os primeiros interrogatórios judiciais dos seis detidos pela PSP, na sequência de desacatos junto à Assembleia da República no dia da greve geral.
Sendo que um dos detidos acabou por ser libertado logo na noite de quarta-feira. Os seis estão indiciados, por exemplo, pelos crimes de resistência e coação sobre funcionário. Seguimos até ao Campus de Justiça, em Lisboa, onde vão decorrer estes interrogatórios. É lá que está o jornalista do Observador, Hugo Fortunato de Oliveira. Hugo, os interrogatórios já começaram?
Ainda não, Miguel. A última indicação que recebemos foi de que o processo ainda nem sequer estava aqui no Campus de Justiça. Estes seis indivíduos terão de ser pelo menos identificados até ao final da tarde de hoje, uma vez que foram detidos durante a tarde de quarta-feira. Vão ser presentes a juiz para ficarem a conhecer essas que são as medidas de coação a que estarão sujeitos, medidas essas que vão desde o termo de identidade e residência, a medida menos gravosa, até à prisão preventiva, a medida mais gravosa, que à partida não deverá estar em cima da mesa. Estes seis indivíduos que se envolveram nos desacatos que se sucederam à manifestação da CGTP na quarta-feira, dia de greve geral, vão ficar a conhecer essas medidas. Ainda não sabemos quando. Vamos continuar à espera para sabermos quando serão conhecidas essas medidas.
Para já, com esta indicação aqui deixada pelo jornalista do Observador, Hugo Fortunato de Oliveira, que os interrogatórios dos seis detidos ainda não começaram, com essa indicação também de que têm de ser identificados hoje, a fim de cumprir o prazo de 48 horas após a detenção, prazo definido no Código de Processo Penal.
E a greve do pessoal não docente obrigou ao encerramento de cerca de 60% das escolas.
Números avançados pelo presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e Entidades com Fins Públicos, o sindicato que convocou a greve para esta sexta-feira. À Rádio Observador, Mário Rui diz que há a possibilidade deste número vir a aumentar.
Neste momento, a adesão à greve está a ter bastante adesão. Estamos com uma porcentagem, neste momento, de 60%. Estamos a tentar fechar as escolas todas, porque estamos a tentar perceber que as escolas que estão abertas, se vão manter abertas o dia todo ou se vão encerrar agora à hora de almoço.
Para já, e segundo a indicação do sindicato, são 60% das escolas que estão de portas fechadas na sequência desta greve do pessoal não docente. Entre outras reivindicações, o sindicato reclama aumentos salariais.
E o primeiro-ministro considera que não se está a valorizar como devia a eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Foi o que disse Luís Montenegro há pouco, numa declaração aos jornalistas, à margem da Cimeira União Europeia-Balcãs Ocidentais, que decorre em Montenegro.
Acho que os portugueses estão de parabéns. Talvez em Portugal não se esteja a dar o devido valor. Talvez se desse mais valor se não tivéssemos conseguido a eleição e logo na primeira volta e sendo o país mais votado. Mas independentemente disso, aquilo que me parece importante é que uma nação com quase nove séculos de história continua a ser uma nação que aproxima, que promove o bem-estar, promove o reconhecimento dos direitos humanos, que promove e cultiva uma participação nas grandes questões que o mundo enfrenta hoje.
Os atributos de um país escolhido para estar representado no Conselho de Segurança da ONU, facto que, segundo Luís Montenegro, não está a ser valorizado de forma devida.
A escolha de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações Unidas foi o tema do Explicador desta manhã, da Rádio Observador. Teve como convidados os eurodeputados Francisco Assis e Sebastião Bugalho.
Sebastião Bugalho considera que Portugal tem muito a acrescentar numa ordem mundial que está a mudar e de que é exemplo a não eleição de um país referência.
O facto da Alemanha nunca antes não ter conseguido uma eleição para este lugar mostra bem como as próprias relações de poder dentro do quadro das Nações Unidas estão a alterar e como um país como Portugal, neste momento de transformação da arena internacional e da ordem internacional, pode conseguir preservar e ter um papel especial e diferente até do que sempre teve.
É essa a expectativa de Sebastião Bugalho. Já Francisco Assis realça a capacidade de diálogo de Portugal junto aos membros da ONU. Sublinha também o fato da Alemanha ter ficado fora das escolhas dos países representados na Assembleia Geral das Nações Unidas.
As razões pelas quais a Alemanha não foi eleita devem merecer alguma reflexão, porque aparentemente vários analistas de vários países apontam nesse sentido. Isso poderá ter que ver com o posicionamento alemão na questão da Ucrânia, que levou a uma insidiosa campanha dos russos contra a Alemanha, e também poderá ter que ver, e isso aí já é obviamente uma matéria mais polêmica, mas poderá também ter que ver com a posição alemã face ao tema de Israel em Gaza, que sabemos também que a posição alemã é em grande parte determinada pela própria história alemã, pelo Holocausto, por tudo isso, mas que neste momento os poderá ter prejudicado.
Deve ser motivo de reflexão. Francisco Assis e Sebastião Bugalho foram convidados do Explicador da Rádio Observador esta manhã.
E Volodymyr Zelensky enviou uma carta a Vladimir Putin a propor um encontro tendo em vista o fim da guerra.
Um encontro frente a frente. É a primeira vez que Volodymyr Zelensky escreve uma carta aberta a Vladimir Putin com este propósito, desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022. Ontem, Vladimir Putin não descartou a possibilidade desse encontro vir a realizar-se, tendo por base a proposta dos Estados Unidos para o fim do conflito, que prevê, por exemplo, a cedência de território por parte da Ucrânia.
12:07, Miguel, ainda temos tempo neste jornal para escutarmos os dois alunos portugueses do 12º ano que conquistaram a medalha de prata e de bronze nas Olimpíadas Internacionais de Filosofia.
Na edição 34 desta competição, que reuniu no passado mês de maio em Varsóvia, na Polónia, perto de uma centena de alunos de mais de 50 países. A jornalista Maria Pinto esteve à conversa com Afonso Tavares e Vasco Leal sobre a participação nas Olimpíadas e este gosto pelo estudo do conhecimento, da ética, da moral, da existência do ser humano.
Para Vasco, o início da relação com a filosofia não começou da melhor forma.
No início, parecia um casamento que ia dar em divórcio muito depressa, do gênero "Casados à Primeira Vista", porque quando começámos Filosofia, começámos com uma matéria de lógica, na qual eu, mesmo sendo de Ciências, não me estava a dar muito bem.
Já com o Afonso, a química foi instantânea.
Acho que a Filosofia desenvolveu-me esta capacidade de conseguir duvidar de afirmações que são vistas como verdades absolutas por outras pessoas.
O desafio era, em quatro horas, escrever um ensaio crítico em inglês sobre uma entre quatro citações de diferentes filósofos.
Eu escolhi o mesmo tema que o Vasco, era um tema sobre Aristóteles, sobre a origem da ação, da escolha, da razão contra a paixão e como podemos ser livres nas nossas ações e nas nossas escolhas.
Prova superada com sucesso, o sentimento é de orgulho e dever cumprido.
Eu fiquei muito feliz, foi uma mistura de felicidade e surpresa, e era uma grande responsabilidade estar a representar Portugal e chegar às expectativas das pessoas que estavam a acreditar em mim e a torcer por mim.
Acho que o prémio já tinha vindo antes da medalha, de poder estar lá, de ter aquela experiência toda, de poder conhecer uma nova cidade e logo com colegas tão interessantes e que tinham tanto para dizer.
Numa era digital, ambos acreditam que a inteligência artificial não pode substituir o pensamento crítico.
É triste que às vezes nós possamos, de certa forma, usar, por exemplo, o ChatGPT para tudo e mais alguma coisa. E que a inteligência artificial não deveria ser algo que pensasse por nós.
As pessoas tendem a ter todas opiniões instantâneas, em vez de tentarem justificar primeiro o que é que estão a defender. E eu acho que isso faz com que a filosofia seja bastante importante hoje e ainda mais relevante do que há 100 anos.
O primado do pensamento, da capacidade de refletir na era da desinformação e da inteligência artificial, ferramentas que tornam Afonso e Vasco humanos mais livres.
Maria Pinto, a jornalista Maria Pinto, com este trabalho sobre a participação de Portugal nas Olimpíadas Internacionais da Filosofia e com esta medalha de prata e de bronze de Afonso Tavares e Vasco Leal.
Dois filósofos a fechar o jornal do meio-dia.