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Bom dia. Este é o Jornal do Meio-Dia com edição do Miguel Cordeiro. Miguel, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas considera que o aumento do número de colocados no ensino superior pode estar relacionado com a diminuição das provas de ingresso necessárias para fazer as candidaturas.

Declarações à Rádio Observador esta manhã. O presidente do Conselho identifica possíveis razões para o aumento do número de colocados. Luís Ferreira explica que este ano as instituições de ensino superior pediram apenas uma prova de ingresso como requisito mínimo, tal como era permitido há dois anos. O ano passado eram pedidas pelo menos duas provas de ingresso para o ensino superior e, portanto, esta redução das provas pode explicar o aumento do número de candidatos e do número de entradas. O presidente do Conselho de Reitores das Universidades explica também que as revisões das notas podem ter levado a este aumento.

Talvez devido ao número muito elevado de reapreciações de notas, como nós sabemos, foram muito superiores àquilo que é costume. Tivemos mais de 20 mil reapreciações, sabendo que mais de 70% dessas reapreciações conduziram a notas mais elevadas do que tinham anteriormente e, portanto, provavelmente também terá tido alguma influência nisso.

E acrescenta Luís Ferreira que as universidades estão a saber das colocações através da comunicação social. Houve uma fuga de informação. As notas só seriam conhecidas este domingo, na verdade, logo à noite, meia-noite de sábado para domingo, mas acabaram por ser divulgadas ontem, depois de uma fuga de informação. Luís Ferreira diz que soube de todas as notas pela comunicação social.

Nós ainda não recebemos nenhuma comunicação formal do Ministério com essas informações. Essas informações são públicas, são dos meios de comunicação social. Neste momento, já estão também no site da DGES e, portanto, podemos saber que são verdadeiras, mas não foram dadas às universidades nem aos institutos politécnicos.

As universidades estão a saber das colocações pela comunicação social.

Nós estamos a saber pela comunicação social, exatamente.

Luís Ferreira, presidente do Conselho de Reitores das Universidades, no dia em que foram divulgadas as colocações para o ensino superior. Mais de metade dos alunos entrou na primeira opção que escolheu. Quase 85% dos candidatos foram admitidos numa das primeiras três opções. Quase 50 mil estudantes foram colocados já nesta primeira fase. Nesta altura, sobram pouco mais de 6 mil vagas para a segunda fase.

E a Federação Académica do Porto considera que o aumento no número de colocados vem aumentar a responsabilidade das instituições.

À Rádio Observador, o presidente da Federação, Francisco Porto Fernandes, pede atenção acrescida para que seja garantida a equidade entre todos os estudantes.

Temos um recorde absoluto de entradas no ensino superior. É algo que é muito positivo. Apesar do caos nos exames nacionais, o acesso ao ensino superior funcionou. Mas este sucesso é também uma responsabilidade acrescida, uma responsabilidade que o ensino superior tenha de ser verdadeiramente o elevador social que o país precisa e que os estudantes portugueses tenham condições de equidade, que sabemos que devido à crise do alojamento, muitas das vezes não acontece.

E é assim todos os anos. Milhares de alunos vão ter de mudar de cidade ao longo do próximo mês para poderem avançar com estes estudos universitários. O presidente da Federação Académica do Porto critica a falta de investimento do Estado na habitação estudantil.

No alojamento estudantil, em medidas de curto e médio prazo, eu penso que está a ser feito quase tudo o que é possível, mas ao nível do investimento público em residências extra PRR, ainda é muito insuficiente. Eu dou um simples número: um ano e meio de devolução das propinas dava para fazer um investimento igual ao que o PRR faz em residências em Portugal. E isso vai ser a nossa prioridade, ter um discurso e uma pressão política para que Portugal olhe para o futuro e que as políticas sejam a pensar na próxima geração e não tanto na próxima eleição.

A posição de Francisco Porto Fernandes, presidente da Federação Académica do Porto, em declarações à Rádio Observador.

E o economista António Nogueira Leite considera que o governo não deve ir além dos ajustes que tem feito semanalmente no ISP para controlar a subida dos preços dos combustíveis.

O governo anunciou ontem que vai aumentar o desconto no ISP na próxima semana, devido à nova subida do preço da gasolina e do gasóleo, prevista já para segunda-feira. No Explicador, António Nogueira Leite, economista, diz que apesar da pressão externa para o fazer, o governo não deve tentar combater estas subidas mais do que tem feito até aqui, porque os efeitos, diz, podem ser piores.

Acho que o governo não deve, em termos da política de combustíveis, eu sei que não é isso que as pessoas querem ouvir, mas o que deve ser não é necessariamente aquilo de que se gosta. E não me parece que deva dar nenhuma ajuda suplementar àquela que existe, porque não só há distorções, não só isso custa e pagamos uns para os outros, como depois, no futuro, isso pode nos pôr numa posição mais difícil.

António Nogueira Leite, no Explicador desta manhã, onde também esteve presente o especialista em mercados financeiros Filipe Garcia, que explica que a situação atual está a ser mais penalizadora, especialmente para as famílias com menos rendimentos.

A inflação costuma ser chamada de um imposto escondido, um imposto regressivo, porque acaba por afetar aqueles que têm menos rendimentos. E isso é particularmente verdade no contexto atual. Quando vamos olhar para aquilo que mais tem subido este ano em termos de ritmo de crescimento de preços, ou seja, de inflação, vêm os transportes, a alimentação e tudo o que tem a ver com a habitação, nomeadamente gastos com eletricidade, água, gás, etc. E, portanto, a situação acaba por ser mais penalizadora para essas famílias

O aumento do custo de vida esteve em análise esta manhã no Explicador da Rádio Observador.

Numa edição já disponível nas plataformas podcast. E o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, vai suspender o mandato no Parlamento. Vai ser substituído por Andreia Galvão.

Notícia avançada pelo jornal Expresso. Na comunicação que já fez aos serviços da Assembleia da República, o deputado explica que vai ser substituído temporariamente por motivos pessoais. Andreia Galvão assume o lugar de deputada durante o mês de setembro. Fabian Figueiredo regressa em outubro, ainda antes da data da entrega do Orçamento do Estado. Depois da saída de Mariana Mortágua, o plano do Bloco de Esquerda passava por dividir os debates parlamentares entre Fabian Figueiredo e Andreia Galvão, mas as recentes alterações ao Estatuto dos Deputados vieram dificultar a rotatividade de uma forma mais frequente.

12h07, Miguel, que outras notícias há a destacar a esta hora?

Depois do falhanço das negociações comerciais entre os Estados Unidos da América e o Canadá, Washington já impôs novas tarifas de 50% sobre os produtos do país vizinho. Os Estados Unidos responsabilizam o Canadá pelo colapso das conversações, dizem que o país recusou concluir o acordo nos termos que tinham sido acordados no início da semana. A Tesla e outros fabricantes chineses de automóveis anunciaram a recolha de mais de quatro milhões de veículos devido a preocupações de segurança relacionadas com os puxadores das portas. Isto é o que estão a informar as autoridades chinesas. A recolha surge poucos meses depois de as autoridades terem anunciado que a partir do próximo ano vai ser proibida a utilização de puxadores ocultos, muito comuns nos veículos elétricos da Tesla.

É o ponto final no jornal do meio-dia.