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Está a começar o Jornal do Meio-Dia com a edição do José Rafael Lopes. José, um dos três portugueses desaparecidos no Nepal foi encontrado com vida.
Encontrado hoje, é o que diz o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado enviado às redações. Ainda assim, continuam desaparecidos dois portugueses, duas mulheres, na sequência da enxurrada da última quarta-feira que atingiu o Nepal. Uma catástrofe que matou mais de mil pessoas dos dois lados da fronteira entre o Nepal e o Tibete. De acordo com as autoridades nepalesas, neste momento, já quase 12 mil pessoas foram resgatadas, sendo que a informação mais recente é que uma dessas pessoas é um dos três portugueses que estava desaparecido no Nepal.
Foi encontrado então com vida. E o ministro da Administração Interna promete novos esclarecimentos sobre os casos em que está envolvido. Luís Neves vai falar numa altura em que o Chega ameaça com uma moção de censura.
Mas o governante admite estar absolutamente tranquilo. É a resposta do ministro da Administração Interna quando confrontado ontem pelos jornalistas com esta possível moção de censura por parte do Chega. Luís Neves remeteu novos esclarecimentos para hoje, garante que não tem nada a esconder. A qualquer momento podemos escutar o ministro da Administração Interna. A esta hora, o ministro está na Madeira para celebrar os 148 anos da existência da PSP na região autónoma. A cerimónia comemorativa é presidida precisamente pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, e conta com a presença do presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque. Ao que tudo indica, o ministro vai discursar. Ainda não é certo quando é que vão ser dados esses novos esclarecimentos prometidos para hoje pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves.
E o Ministério Público abriu um inquérito à correção digital dos exames nacionais do ensino secundário. Foi na sequência de uma queixa apresentada pela FENPROF.
A Procuradoria-Geral da República confirma que a queixa da FENPROF deu origem a um inquérito. O processo está no Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa, informação avançada pela Agência Lusa. A queixa foi entregue em julho, motivada sobretudo pelos relatos de folhas desaparecidas em vários exames nacionais. Ao longo de várias semanas, os professores relataram também atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das respostas e muitas dificuldades na plataforma de classificação. Perante este cenário, o Ministério Público confirma então a abertura de um inquérito à correção digital dos exames nacionais do ensino secundário.
Ainda sobre este assunto, o antigo ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo, considera que a correção digital dos exames do ensino secundário não é uma reforma nenhuma.
Eduardo Marçal Grilo esteve na Rádio Observador, convidado na comissão de inquérito, onde defende que o que devia ser reformado é, no entender de Marçal Grilo, o acesso ao ensino superior.
O que se passou foi considerado uma reforma. Eu acho que aquilo não é reforma nenhuma. Aquilo é, sobretudo, e bem, o aperfeiçoamento de uma parte de um processo, que é o processo de validação e da avaliação das provas dos exames do 12º ano. Mas isso faz parte de um processo. Eu que acho que vale a pena, e pensei muito nisso, é reformar o acesso ao ensino superior. Isto não tem nada a ver com a reforma do acesso ao ensino superior.
Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação, na comissão de inquérito desta segunda-feira aqui na Rádio Observador, a dar conta dessa necessidade de reformar o acesso ao ensino superior.
E o antigo ministro da Economia, António Costa Silva, avisa que depois do PRR, o país vai ter de ser criativo nas políticas públicas.
O ex-governante apontou dedo à compra das três fragatas italianas por parte do Governo como um exemplo. Diz António Costa Silva que é tempo de potenciar as empresas portuguesas depois do prazo para a aplicação do PRR ter chegado ao fim. Sobre a história das fragatas, o antigo ministro defende que a construção de duas delas deveria ser feita nos estaleiros navais de Viana do Castelo.
Por que nós vamos comprar três fragatas à Itália? Por que não associamos uma das nossas grandes empresas, que é a West Sea, que é do grupo Martifer e que opera os estaleiros de Viana do Castelo? Isto é uma questão crucial. Se for olhar para os estaleiros de Viana do Castelo, em 2014, como se recordarão, estavam na falência. O Estado conseguiu chegar a acordo com a Martifer, pegou nos estaleiros, criou a West Sea. Nestes últimos 12 anos, estes estaleiros construíram 23 navios e, por ano, estão a reparar 50 navios.
Na sua opinião, em vez de comprar ao exterior, temos capacidade para construir.
Não, a primeira fragata, muito bem, é construída em Itália, mas temos que associar a West Sea. Repara, a tecnologia da West Sea é referenciada hoje no mundo.
António Costa Silva, no Explicador, esta manhã na Rádio Observador, a compra de três fragatas a uma empresa italiana continua, entretanto, a gerar polémica, com o governo a não revelar quanto é que Portugal vai pagar em juros.
António Costa Silva, antigo governante do PS, falou ainda sobre a entrada do Estado no capital da REN.
Para levantar questões sobre a pertinência do negócio.
A REN não faz nada sem ser aprovada pelo Estado em termos de investimento. E depois tem a ERSE, que é o grande regulador da energia, que intervém na regulação dos preços da energia. Portanto, o que eu levanto aqui é esta entrada, qual é o custo da oportunidade. E se aquele dinheiro, evidentemente, que é um investimento financeiro, vai funcionar porque há um dividendo de 4% ou mais que vai ser adquirido, mas esse dinheiro era necessário ser nesta altura?
Este investimento faz mais sentido do ponto de vista da soberania ou do ponto de vista económico?
É mais do ponto de vista da soberania.
António Costa Silva deixa também alertas sobre o estado da economia portuguesa, influenciada pelo cenário geopolítico.
No segundo trimestre cresceu, o crescimento em cadeia foi 0,8%, o que é positivo, mas nós quando analisamos o investimento direto estrangeiro, e tínhamos colocado já Portugal no mapa, no top 10 dos países europeus que mais investimento direto estrangeiro atraíam, quando analisa o que se passou entre 2024 e 2025, há uma queda de quase 35%. Quando analisa as exportações, elas atingiram 50% do PIB em 2022, no ano seguinte 49%, mas nos últimos anos têm vindo a declinar. E temos vindo a perder competitividade a nível de quase 57% dos nossos mercados-alvo. Isto combinado com outro fator: nós temos a despesa estrutural do Estado a aumentar e, portanto, os excedentes estão a diminuir e se não tivermos atenção a isso, podemos entrar em déficit.
O antigo ministro da Economia do PS, António Costa Silva, no Explicador da Rádio Observador. O antigo ministro diz ainda que foi o responsável por elaborar a visão estratégica para o plano de recuperação económica de Portugal 2020-2030, documento que serviu de base para o PRR.
Oito minutos para lá do meio-dia. José, que outras notícias estão a marcar a atualidade a esta hora?
Estão disponíveis cerca de 11 mil vagas na segunda fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. As candidaturas estão abertas até ao dia 20 de setembro. Este ano, a primeira fase correspondeu ao maior número de colocados da última década. Das 56 mil vagas iniciais, foram colocados quase 50 mil alunos. Deste número, cerca de 4,5 mil não se inscreveram. Por isso, segundo os dados divulgados hoje pelo Instituto para o Ensino Superior, há 11.112 lugares disponíveis na segunda fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. A taxa de inflação anual da zona euro acelerou 1,3% em agosto, face ao mesmo mês de 2025, para 3,3%. Dados revelados hoje pelo Eurostat. Na variação em cadeia face a julho deste ano, a taxa de inflação aumentou ligeiramente 0,4 pontos percentuais. De acordo com o Eurostat, a principal pressão sobre os preços veio da energia. A PSP já sinalizou, no último mês, 284 idosos em situações de vulnerabilidade. Dos casos identificados, 182 idosos estavam em situações de risco social, sobretudo por falta de autonomia, isolamento e suspeitas de serem vítimas de crimes. A operação decorre em todo o país até 25 de setembro, pretende identificar situações de fragilidade e abrir caminho para que os idosos tenham o apoio necessário. E fechamos, João Miguel, este jornal do meio-dia com uma história de espionagem, segredos e traições. Aconteceu há apenas 10 anos no Serviço de Informações de Segurança. Isto porque já está disponível o sexto e último episódio do mais recente podcast do Observador.
"A Vida Dupla do Espião Traidor" revela a história de Frederico Carvalhão Gil, o agente do SIS que foi apanhado a vender segredos da NATO à Rússia de Putin.
Carvalhão Gil ainda estava preso em Évora quando pediu à Caixa Geral de Aposentações para calcular o valor da pensão a que teria direito. Tinha mais de 60 anos e mais de 40 de descontos. Estava na hora de pensar na reforma. O cálculo do valor, responde-lhe, andará à volta dos € 1.500 mensais. É menos de metade do salário que tinha antes da detenção em Roma. Carvalhão Gil contesta. Não concorda com o valor. Estão a tirar-lhe anos de serviço. Recorre formalmente da decisão e consegue que o valor seja revisto. Agora é um homem livre. Cumpriu a pena a que foi condenado, mas também perdeu tudo. Não pode voltar ao SIS e as poupanças estão a esgotar-se.
Um excerto do sexto e último episódio do novo podcast Plus da Rádio do Observador, "A Vida Dupla do Espião Traidor", uma série em podcast narrada pelo ator Ivo Canelas, música original de Bruno Pernadas.
E todos os episódios estão disponíveis no site do Observador, nas plataformas podcast e também no YouTube. A partir de hoje estão disponíveis todos os episódios. Foi o jornal do meio-dia.