Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O meio-dia. E começamos este jornal do meio-dia pelo Presidente da República, que saúda o entendimento entre o governo e o Partido Socialista para aprovar o orçamento do Estado e apela a que mais partidos se juntem para viabilizar o documento.

A proposta do governo ainda não é conhecida, mas tem já aprovação praticamente garantida com esse anúncio de abstenção por parte do Partido Socialista. Hoje, no primeiro discurso como chefe de Estado no dia da implantação da República, António José Seguro elogiou essa aproximação entre o governo e o Partido Socialista e pediu mais exemplos de políticas pensadas a longo prazo. Ficamos com os destaques desse discurso de António José Seguro, num trabalho do jornalista Vasco Maldonado Correia.

No 5 de outubro, como em todo o mandato, António José Seguro deixa o apelo ao entendimento interpartidário.

Precisamos de soluções duradouras e de capacidade política para aplicá-las. Portugal precisa de uma nova cultura política com base em entendimentos e compromissos interpartidários, focada na resolução concreta dos problemas das pessoas e numa visão estratégica para Portugal.

E volta a manifestar vontade em ver uma política que pense a longo prazo.

Agir sobre o curto prazo com uma ideia de futuro para Portugal obriga a políticas públicas que se apliquem em várias legislaturas. Não podemos estar sempre a voltar ao início só porque se mudou uma legislatura.

Com o Primeiro-Ministro na plateia, fica também a lembrança que sem diálogo nada se faz.

Num regime democrático, ninguém abdica das suas diferenças, mas a democracia também não pode transformar as diferenças em impossibilidades de entendimento, nomeadamente quando os governos não dispõem de apoio parlamentar maioritário.

Com a viabilização do orçamento do Estado praticamente garantida, Seguro deixa um elogio direto a duas das três maiores forças políticas.

Saúdo o governo e o Partido Socialista pelo caminho de aproximação que têm vindo a fazer, tendo em vista a aprovação do orçamento do Estado para o próximo ano. Oxalá outros partidos possam juntar-se a este caminho de compromisso e de convergência, nestes e noutros processos legislativos.

O Presidente da República entende que os eleitores sabem distinguir entre populistas e quem procura o bem do país.

E até mesmo aqueles que, porventura, só agem em função de incentivos eleitorais, digo-vos com muita convicção que acredito que os portugueses apreciam e recompensam os partidos e os atores políticos que acordam em soluções para melhorar a vida concreta das pessoas.

Com a mensagem de que os portugueses precisam de razões para continuar a confiar nas instituições, o chefe de Estado pede também soluções para a crise vivida em todo o planeta.

A crise energética, razão fundamental de muitos destes problemas, não pode ser enfrentada apenas com respostas nacionais. Não se resolve país a país. Exige uma resposta europeia coordenada que proteja as pessoas, a economia e reduza estruturalmente a dependência externa de energia.

Há muito a fazer e é preciso vontade para avançar. Mensagens de António José Seguro no primeiro discurso enquanto chefe de Estado, no dia em que se celebra a implantação da República em Portugal.

Cerimônias de 5 de outubro na Praça do Município, em Lisboa, em que António José Seguro apelou a que mais partidos ajudem a viabilizar o orçamento do Estado, a proposta do orçamento do Estado do governo. Essa proposta deve ser entregue na Assembleia da República na sexta-feira, é a data limite. Vai ser entregue pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

E na reação ao discurso do Presidente da República, o secretário-geral do PS afirma que o Partido Socialista não quer lançar o país numa crise política e que o valor da estabilidade enaltecido pelo presidente tem de corresponder a soluções concretas.

O líder socialista exige também ao governo que deixe cair o acordo com o Chega sobre o novo regime de arrendamento urbano.

Em momento algum pensamos poder lançar o país numa crise política, porque uma crise política no atual quadro internacional seria irresponsável. Mas a estabilidade, como disse o senhor Presidente da República, tem de servir para responder às necessidades das pessoas. E é por isso que eu aproveito também esta oportunidade para fazer uma exigência ao governo: que deixe cair o acordo que tem com o Chega em relação à lei das rendas. A lei das rendas é de uma grande indignidade, porque ela lança na insegurança os mais idosos, lança na insegurança os mais jovens e põe em risco a sua dignidade futura.

Pelo Chega, falou Rui Paulo Sousa, também na Praça do Município. Criticou o discurso de António José Seguro por apelar a uma união entre PSD e o PS. Esse é o entendimento do Chega. Diz mesmo que o Presidente da República quis, com este discurso, mandar recados ao partido de André Ventura.

O senhor Presidente da República mais uma vez começou por falar numa união dos partidos, mas acabou a mandar recados no fundo ao Chega e novamente a pedir a união dos dois partidos do centro, que, aliás, já assumiram com o orçamento e que aparentemente já está aprovado. Esperávamos que, pelo menos por uma vez, quando falassem numa união dos partidos, falassem da união dos três principais partidos. E não falassem no fundo sempre os dois do costume, porque esse é que é o problema sempre habitual. No fundo, somos sempre afastados quando é a altura da decisão.

Pelo PSD, falou o deputado Alexandre Poço, que sublinha os pedidos de diálogo e estabilidade de António José Seguro. Considera Alexandre Poço que é isso que já fazem os sociais-democratas.

Tivemos o Partido Socialista a anunciar que irá abster-se na discussão e votação do orçamento de Estado para o próximo ano. E, por outro lado, por exemplo, numa matéria setorial muito importante no arrendamento, foi possível com o partido Chega chegar a um entendimento para a viabilização. O PS pede que o PSD acabe com esse acordo com o Chega por causa da lei do arrendamento. É uma possibilidade ou não? Nós continuaremos a negociar com os partidos que em cada momento estão disponíveis para aprovar, discutir, melhorar aquelas que são as propostas do governo.

Reações ao discurso do Presidente da República nas cerimónias da implantação da República, que decorreram na Praça do Município, em Lisboa.

E o líder da oposição em Espanha saúda o anúncio de eleições antecipadas no próximo mês de novembro. Alberto Núñez Feijóo diz que estas eleições serão diferentes. Desta vez não será uma questão de PP contra PSOE, mas sim Espanha contra Pedro Sánchez.

Foi essa a reação de Alberto Núñez Feijóo ao anúncio de Pedro Sánchez desta manhã. Há eleições à porta.

He decidido convocar um Conselho de Ministros e Ministras extraordinário esta misma mañana para dissolver as Cortes Generales e convocar unas elecciones generales que se celebrarán el domingo, 29 de novembro, de acordo com os prazos que estabelece a lei.

E está a decorrer esse Conselho de Ministros, que vai servir principalmente para dissolver o Parlamento espanhol e convocar essas eleições para 29 de novembro. Pedro Sánchez, que no discurso pediu uma maioria progressista mais ampla. Isso é o que pretende alcançar Pedro Sánchez com estas eleições, quer reforçar o poder do PSOE no Parlamento. Mas, Carlos Pedro, agora em estúdio, os jornais espanhóis olham para esta decisão como uma oportunidade para a oposição retirar o poder ao partido de Sánchez.

Sobretudo para Feijóo, o líder do PP, que marcou uma conferência de imprensa na sede do partido. Não respondeu a perguntas, mas garantiu estar ciente da magnitude do trabalho que terá pela frente. "Não hesitarei", diz Feijóo, num discurso com ares de comício eleitoral, escreve o "El País". Já Juan Manuel Moreno, do PP Andaluzia, defende que Sánchez está encurralado e por isso é que vai marcar eleições. Mais duro nas palavras foi o líder do Vox, Santiago Abascal, que diz que Pedro Sánchez será o candidato marroquino na Espanha, aqui numa referência à crise migratória de Ceuta, que afetou também o governo espanhol antes da saída à rua de milhares de manifestantes em protesto contra a crise na habitação. Em entrevista a uma rádio espanhola, o líder da extrema-direita diz que esta não é uma eleição qualquer. A habitação, como dizia, é o principal tema político em Espanha neste momento. Sobre o tema, o líder do Vox salienta que o preço das casas subiu desde que Sánchez tomou posse como presidente do governo espanhol. Também o Junts abordou o mesmo tópico para dizer que Pedro Sánchez está a utilizar a crise da habitação como uma desculpa eleitoral. A acusação é feita pela deputada Judith Toronjo. Mais à esquerda, Irene Montero, líder do Podemos, abre a porta a eleições primárias abertas dentro do próprio partido. Isto para 14 e 15 de outubro. Irene Montero diz querer uma candidatura que represente uma maioria social que quer paz, casa e emprego.

As primeiras reações a esse anúncio de eleições antecipadas em Espanha. Resta dizer que as sondagens, como tem sido noticiado nas últimas semanas, apontam para uma mudança de ciclo em Espanha. Os estudos de opinião em Madrid apontam para a liderança do PP e uma subida acentuada do Vox, o que pode permitir uma coligação em maioria para a direita espanhola.

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva vão à segunda volta das eleições gerais do Brasil. A votação de ontem deu a vitória ao candidato do Partido Liberal, mas sem maioria absoluta.

Consegue Flávio Bolsonaro 47% dos votos. Lula da Silva fica com 45%. A segunda volta vai ser a 25 de outubro, mas nunca aconteceu um candidato derrotado na primeira volta conseguir reverter o cenário na segunda eleição. É isso que vai tentar Lula da Silva, esse caminho difícil de uma vitória na segunda volta. Para já, Flávio Bolsonaro segue na frente. Fica já resolvida parte da eleição para o Senado. Dos 81 lugares do Senado, 54 estavam a eleições. Consegue o partido de Flávio Bolsonaro 28 lugares. O partido de Lula da Silva fica com nove assentos no Senado, os mesmos que conseguiu há quatro anos também nessas eleições. Nos cargos para governador, conseguiu o partido de Flávio Bolsonaro também eleger mais governadores. Elege já cinco nesta primeira volta. O PT consegue três. Há ainda sete cargos de governador que vão a eleições na segunda volta. Vinte ficaram já eleitos dos 27, estão ainda sete por decidir. Estas eleições marcam também já vários recordes. É isso que nos conta o jornalista Hugo Fortunato de Oliveira.

A começar pelo número de inscritos. Foram mais de 158 milhões de eleitores nesta votação. Também em Portugal nunca foram tantos os brasileiros inscritos para votar, mais de 134 mil. Nas duas Câmaras do Congresso foram batidos recordes de votação. Na Câmara dos Deputados, Lucas Pavanato e Nicolas Ferreira, ambos do PL de Bolsonaro, ultrapassaram os dois milhões de votos. E Eric Iltan, do PSOL, tornou-se a mulher mais votada de sempre para a Câmara, com mais de 1 milhão e 400 mil votos. No Senado, o Partido Liberal também fez história. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, eleitas pelo Distrito Federal, ultrapassaram os 800 mil votos, cada uma. A ela junta-se Damares Alves, dos Republicanos, e assim, pela primeira vez, o Senado brasileiro terá uma bancada totalmente feminina. Também nos estados houve um resultado sem precedentes. Vinte dos 27 governos estaduais ficaram decididos logo à primeira volta. Em máximos ficou também a abstenção a rondar os 21%.

Números que ficam já destas eleições, desta primeira volta das eleições gerais do Brasil. Ainda não está decidido quem é o próximo presidente. Há segunda volta a 25 de outubro.

E na Rádio Observador, Miguel, escutámos a análise dos partidos que acreditam que Lula da Silva e o PT têm uma tarefa complicada pela frente na segunda volta das eleições brasileiras.

Análise de partidos portugueses, com destaque para o eurodeputado social-democrata Hélder Sousa e Silva, que recorda as viagens que fez recentemente ao Brasil para destacar que Percebeu um desgaste da população brasileira com as políticas do PT.

Quer masculinos, quer femininos, porque normalmente o voto também depende um pouco do gênero, mesmo os petistas me disseram que estavam muito receosos relativamente ao resultado que viria a acontecer em 4 de outubro, porque aquilo que é o desgaste geral do governo e a polarização que se criou no Brasil, levava a que o resultado do Lula não pudesse não ser aquele que os petistas e o próprio Lula desejava. E isso veio a acontecer exatamente ontem. Contra todas as sondagens.

Hélder Sousa e Silva, que é presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Brasil. Escutámos também a opinião de José Torres, é deputado do Partido Socialista e lamenta estes resultados na primeira volta, porque tem receios que estas eleições possam colocar em causa a democracia no Brasil.

Se Lula da Silva perder as eleições na segunda volta, eu estou absolutamente certo de que Lula da Silva respeitará os resultados eleitorais. Aliás, ontem na sua intervenção, ele começa justamente por dizer que os brasileiros deram uma lição de democracia ao país ontem. Se Flávio Bolsonaro não vencer as eleições na segunda volta, eu não estou certo de que ele respeitará e aceitará os resultados.

João Torres e Hélder Sousa e Silva no Explicador da Rádio Observador, em que escutámos também nesta manhã Marcos Santos, deputado do CHEGA e Catarina Martins, eurodeputada do Bloco de Esquerda. Um explicador especial sobre as eleições no Brasil, um programa que já está disponível em podcast.

E Miguel, está atribuído o primeiro Prêmio Nobel deste ano. Três cientistas levam o prêmio para casa na sequência de uma investigação sobre células nervosas.

Nobel da Medicina. O norte-americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e George Nagel ganharam o Prêmio Nobel da Medicina deste ano. Em causa, descobertas relacionadas a canais iônicos controlados por luz e a optogenética. O anúncio surgiu esta manhã pelo Comitê do Prêmio Nobel. Os premiados na categoria de medicina recebem um prêmio no valor de 12 milhões de coroas suecas, cerca de 1 milhão de euros, quantia que é dividida se existir mais do que um vencedor, como é o caso.

E mais de metade dos ucranianos defende que Zelensky não deve concorrer a um segundo mandato.

Estudo de opinião divulgado hoje, citado pela imprensa ucraniana, realizado pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev. A sondagem indica que 53% dos inquiridos acredita que o presidente ucraniano deve apenas cumprir o mandato atual. Há um ano, essa porcentagem era mais baixa, situava-se na casa dos 46%, portanto, menos de metade. Entretanto, pelo menos uma pessoa morreu e seis ficaram feridas no ataque russo em Kharkiv, balanço desta manhã no nordeste da Ucrânia, junto à fronteira com a Rússia. Mais uma situação de ataque por parte da Rússia à Ucrânia.

Fica por aqui o jornal do meio-dia.