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Observador. Jornal do Meio-Dia com Miguel Vilar. Miguel, muito boa tarde. Vamos começar com esta notícia do Procurador-Geral da República. Confirma que está em cima da mesa a possibilidade de avançar com a suspensão provisória dos processos que envolvem os 55 manifestantes detidos na Praça do Rossio, nesse protesto em defesa da habitação.
A audição dos 55 manifestantes, o primeiro interrogatório judicial, foi ontem adiada para a próxima terça-feira, 27 de outubro, é a nova data. Amadeu Guerra adianta que todas as soluções estão a ser estudadas, por exemplo, a suspensão provisória do processo, ou seja, o arquivamento do inquérito, mediante o cumprimento, por parte dos arguidos, de um conjunto de obrigações.
As soluções possíveis vamos, obviamente, aproveitá-las e utilizá-las. É uma das possibilidades. Poderá haver outras, terá que haver concordância também do juiz, das pessoas, e os processos estão em curso, concretamente esse. Outras denúncias existem e nós, como sempre, eu disse no outro dia, sempre que é possível, e é necessário, abrimos inquéritos, desde que haja fundamento, independentemente dos fatos.
O procurador-geral da República aqui a deixar em aberta a possibilidade do Ministério Público sugerir a suspensão provisória dos processos, o arquivamento dos inquéritos que envolvem estes 55 manifestantes que foram detidos pelo crime de desobediência.
Em Lisboa, várias dezenas de manifestantes pelo direito à habitação voltaram a pernoitar no Rossio desta feita, Miguel, sem tendas.
Sim, que acabariam por ser montadas às primeiras horas da manhã. A polícia acabou por pedir aos manifestantes para retirarem essas mesmas tendas, o que, Beatriz Félix, agora aqui em direto do Rossio, acabou por acontecer sem problemas de maior.
Precisamente, Miguel. E, pra já, tudo calmo. A tranquilidade reina aqui na Praça do Rossio. Por volta das 6h30 da manhã foi quando estes manifestantes começaram lentamente a montar algumas tendas, permaneceram assim até por volta das 10h, altura em que os agentes da polícia, que também começaram a chegar, fizeram o pedido de sempre pra que as tendas fossem retiradas. Um pedido que foi acatado pelos manifestantes. Ficaram ainda duas tendas, mas que mesmo assim acabaram também por ser desmontadas. Mais tarde, um novo pedido da polícia, desta vez para retirar, no fundo, tudo o que está no chão, a impedir passagem, lixo, cartazes, e também a retirada de outros cartazes que fossem mais alusivos à polícia, a criticar a forma como a polícia tem agido durante estes dias. Há pouco, estes manifestantes começaram também a fazer algum barulho com gritos de ordem, mas vai havendo também, por vezes, alguma tensão entre pessoas que por aqui passam e que criticam estes manifestantes. Quando as coisas se tornam um pouquinho mais tensas, a polícia intervém sem grande pressão, mas naturalmente convida as pessoas que estão a causar distúrbios a afastarem-se aqui da praça, mas que neste momento se preenche por muito mais turistas do que propriamente por manifestantes. Está tudo calmo, como dizia há pouco. Estes manifestantes querem agora, a ordem é pra continuar aqui, mas pra sábado está também marcado uma outra forma de protesto, uma marcha a começar no Marquês de Pombal às 3 p.m. deste sábado, a descer à Avenida da Liberdade e a terminar, como sempre, aqui na Praça do Rossio. Mas pra já, reina a tranquilidade.
É isso que testemunha a repórter do Observador, Beatriz Félix, no epicentro dos protestos pelo direito à habitação na cidade de Lisboa.
Seguimos com o preço dos combustíveis. Antecipa-se uma nova subida no gasóleo e na gasolina à luz da evolução da cotação do barril de Brent nos mercados internacionais.
O barril de Brent, que serve de referência para Portugal, atingiu hoje o valor mais elevado desde maio. Já esteve a ser negociado acima da barreira dos $112. Junta-se a este Jornal do Meio-Dia da Rádio Observador, o especialista em mercados de energia, Filipe Garcia. Boa tarde, bem-vindo, Filipe. Olhe aqui para o gráfico da evolução do preço do Brent e constate que há uma tendência de subida desde o final de setembro. O que é que justifica esta subida mais acentuada? Sabemos que a guerra no Médio Oriente, claro, está a ter impacto direto na evolução do preço do barril de Brent, mas é isso que justifica esta subida, diria uma escalada um pouco mais acentuada?
Olá, bom dia. Sim, é a situação no Médio Oriente, com muito poucas perspectivas de resolução, com o facto nas últimas semanas e mesmo nos últimos dias terem sido atacados alguns navios que estavam a fazer o transporte de petróleo e também alguns alvos na Arábia Saudita e mesmo no Irão. E fica aqui também a sensação que o Irão está muito determinado a dificultar a vida a Donald Trump, pelo menos até às eleições do dia 3 de novembro. E depois, pra além disso, há também riscos muito acrescidos naquilo que é toda a operação. Por exemplo, os custos de transporte e de seguros têm subido de uma forma muito pronunciada. Estima-se que neste momento 10% do custo do petróleo no seu transporte diz respeito a seguros, antes era apenas 3%, o que mostra que há aqui bastantes receios. No entanto, no mercado de gasóleo e de gasolina há um pouco mais de estabilidade, ou seja, apesar dos preços continuarem altos, por exemplo, o gasóleo nos mercados internacionais, já fazendo a conversão para litros e euros, está neste momento a ser transacionado a €1,11, que é um valor relativamente parecido com o que estava há uma semana atrás. E, portanto, se não houver alterações por essa via, poderá haver uma subida na próxima semana, mas que não será tão expressiva.
O que é que se perspetiva para os tempos mais próximos, tendo em conta também este diagnóstico que traça e o período de indefinição até às eleições intercalares de 3 de novembro nos Estados Unidos? A cotação do barril de Brent deve continuar a subir a este ritmo?
Deve continuar alta e a subir, embora nós estejamos só a $14, $15 dos máximos do ano. Portanto, nesta altura, parece que esses máximos estão um bocadinho à vista, podem mesmo vir a ser alcançados, porque não há, neste momento, qualquer interesse por parte do Irão em moderar este conflito. Eu chamaria também a atenção para mais dois aspectos. Um deles é que há duas semanas foram implementadas medidas importantes no âmbito do G7 e Estados Unidos para a libertação de reservas de gasóleo e a não proibição de exportação de gasóleo por parte dos Estados Unidos, mas que estão a ter um efeito muito limitado naquilo que é o mercado, ou seja, seria de esperar que tivesse uma acalmia nos preços e isso não está a acontecer, também devido à subida dos custos de transporte e seguros. E depois uma outra nota que não tem a ver tanto com os combustíveis, mas tem a ver com energia, que é o facto do gás natural na Europa ter voltado a subir ou estar a subir perto de 3% para 90 € o megawatt-hora. Estamos a falar no valor mais alto desde o final de 2022 e como se percebe, é algo bastante relevante, não só para uma boa parte da indústria europeia, mas também porque uma parte da produção de eletricidade recorre a gás natural e estamos agora a entrar na parte do inverno onde o gás natural é mais utilizado.
Seguramente motivo de preocupação para todos nós consumidores. Filipe Garcia, obrigado pela disponibilidade e pelas explicações que aqui nos dá a pretexto da evolução do barril de Brent, que hoje já esteve a ser negociado acima da barreira dos $112.
Médio Oriente. Na Cisjordânia, há um grupo de jovens radicais mascarados que ataca palestinianos, jornalistas e diplomatas.
São apelidados de jovens das colinas, judeus extremistas que vivem nos colonatos ilegais na Cisjordânia, atacam, intimidam e expulsam palestinianos que, por exemplo, fazem a apanha de azeitona na região. De resto, tivemos a oportunidade de ver essas imagens nos últimos dias. O exército israelita é, na maior parte das vezes, mero espectador. O enviado especial do Observador às legislativas israelitas, Pedro Jorge Castro, explica que há centenas de jovens radicalizados que recebem recursos do governo israelita.
Estamos a falar de cerca de 800 jovens radicalizados que vivem nestes colonatos ilegais, dos quais cerca de 300 são suspeitos de envolvimento em atos violentos. São jovens judeus ultranacionalistas e radicais. Eles acreditam que toda a terra histórica de Israel foi dada por Deus exclusivamente ao povo judeu. Eles desconfiam e rejeitam as instituições estatais de Israel, exceto, curiosamente, para receber ajudas materiais. O pretexto é para eles se protegerem e no fundo para manifestarem o apoio à expansão e ao alargamento do território de Israel. Mas na verdade, estes mesmos meios, este recurso todo o terreno e estes meios de vigilância são utilizados por eles precisamente para estes ataques.
O jornalista Pedro Jorge Castro, enviado do Observador a Israel, vai acompanhar as eleições legislativas. Os israelitas são chamados às urnas no próximo dia 27.
Vamos a outras notícias em destaque a esta hora.
Para dar conta da atribuição do Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu, foi distinguido o Tribunal Penal Internacional. É tema que teremos especial destaque na edição da 13h. 30 de outubro, de amanhã a uma semana. Os revisores e trabalhadores da CP vão estar em greve neste dia. Reclamam, por exemplo, uma atualização do subsídio de deslocação face ao aumento dos encargos com combustível. A paralisação é convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, que tal como fonte da administração da CP à Agência Lusa, apontam para perturbações na circulação de comboios.