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Uma da tarde. Está no ar o Jornal da Uma, que tem edição do jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, o julgamento de José Sócrates foi marcado para 3 de julho e assim que começar, vai ser interrompido por causa das férias judiciais.

O julgamento vai decorrer no Campus da Justiça, em Lisboa, três vezes por semana, às terças, quartas e quintas, mas assim que começar, vai parar por causa do início das férias judiciais a 15 de julho. A data foi anunciada pela juíza Susana Seca, que vai presidir ao julgamento da Operação Marquês, isto depois de uma reunião com os advogados de defesa esta manhã. José Sócrates não esteve presente, nem ele, nem o advogado. O ex-primeiro-ministro divulgou, no entanto, uma nota à comunicação social a criticar o julgamento. Diz que não deveria acontecer, porque, para já, não há acusação nem pronúncia.

E quanto à data, os advogados têm opiniões diferentes.

O representante de Ricardo Salgado lembra que também está a decorrer o julgamento do processo BES e que o ex-banqueiro não tem condições para enfrentar dois processos.

Queria evitar, e vou ser completamente sincero, que aquilo que se passou aqui em outubro do ano passado, volte a passar. O meu cliente padece de Alzheimer, a situação não melhora, e ele não pode prestar declarações, não tem condições de se defender, de se autodefender. Portanto, é absolutamente indigno que tenha que acontecer uma situação dessas.

Já Rui Patrício, o advogado de Hélder Bataglia, olha para a data de 3 de julho com normalidade.

Vejo com normalidade, foi a data que se encontrou. Não tem nada de especial.

Faz sentido começar o julgamento e passados uns dias parar logo?

São as férias judiciais, é o que diz a lei. Eu não vejo, nem nas datas, nem em nada neste processo, nada de especial. E gostava que as pessoas todas não vissem. Isto é um processo como qualquer.

Naturalidade, declarações dos advogados de defesa à saída do Campus de Justiça, em Lisboa, esta manhã, no final da reunião com a juíza Susana Seca.

E no Porto, Fernando Madureira nega que tenham existido agressões na Assembleia do Futebol Clube do Porto em novembro de 2023.

Fernando Madureira, que acusa o atual presidente, André Villas-Boas, de espalhar desinformação, é o que vai marcando este primeiro dia de julgamento da Operação Porturiano, que tem estado a ser acompanhado pela Maria Rego. Maria, boa tarde, agora em direto neste jornal. Vamos aos principais destaques desta manhã, agora que foi feita uma pausa para almoço.

Boa tarde, Vasco. Foi uma manhã marcada principalmente pelo testemunho de Fernando Madureira, ele que desde o momento que chegou, foi escoltado por vários agentes da Polícia do Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais, incluindo mesmo dentro do próprio tribunal. Durante a sua intervenção, que ocupou cerca de duas horas neste julgamento, Fernando Madureira nega que a claque dos Super Dragões e o coletivo estivessem ilegais. Diz que tinham protocolo e estavam legalizados. Relativamente à Assembleia Geral a 13 de novembro de 2023, que constitui o centro da acusação por parte do Ministério Público, Fernando Madureira diz que não viu qualquer agressão acontecer, mas apercebeu-se da agitação. Questionado sobre acusações e insultos direcionados aos sócios que votariam contra a revisão estatuária que viria a desfavorecer a direção do Futebol Clube do Porto, dirigida por Jorge Nuno Pinto da Costa, Fernando Madureira voltou a negar. A procuradora questionou ainda sobre o que o antigo chefe da claque dos Super Dragões teria pedido aos chefes dos núcleos. Pergunta que foi respondida, e cito: que Fernando Madureira pediu para levarem três, quatro pessoas, mas nunca pediu para baterem em ninguém. Entre a dúzia de arguidos, Fernando Madureira é o único que está em prisão preventiva, a medida de coação mais forte, enquanto os restantes arguidos foram sendo libertados em diferentes fases, incluindo Sandra Madureira, Fernando Saúl, Vítor Catão e Hugo Carneiro, igualmente com ligações à claque. Os trabalhos foram, como disseste agora, interrompidos por uma pausa de almoço. Retomam de novo às 14h.

A jornalista Maria Rego, junto da Rádio Observador, a acompanhar o julgamento da Operação Porturiano, agora que foi feita uma pausa para almoço.

E o ministro dos Negócios Estrangeiros não vê qualquer problema nas conversas entre Donald Trump e Vladimir Putin. Diz que os Estados Unidos estão a funcionar apenas como mediadores.

Conversa telefónica que foi confirmada esta madrugada por Donald Trump, entretanto também pelo Kremlin. Vai acontecer amanhã ao telefone e à margem da reunião dos chefes da diplomacia da União Europeia, que decorre hoje em Bruxelas, Paulo Rangel explica que se trata de um processo normal.

Primeiro, também não houve uma negociação direta entre a Ucrânia e a Rússia ainda. Portanto, há aqui um mediador, que são os Estados Unidos, e é natural que ele faça o seu trabalho. Isso, sinceramente, não tem nada de anormal. O que é normal numa negociação é isso. A questão, depois, é saber se a partir do momento em que se constrói uma base negocial, há ou não há espaço para os diferentes parceiros que vão ser chamados a atuar, especialmente na circunstância pós-cessar-fogo ou pós-fim do conflito, se eles depois estão envolvidos ou não.

Paulo Rangel, aqui em Bruxelas, na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia. Esta manhã esteve em debate o futuro do apoio à Ucrânia.

A questão do alargamento também esteve bastante em cima da mesa. E a questão do apoio que se tem que dar à Ucrânia no futuro, seja em termos militares, seja em termos financeiros, seja até para a reconstrução. Isso, como sabe, o presidente Zelenskyy até fez. Ele próprio relatou isso quando publicou o nosso encontro, a dizer que pediu uma ajuda especial pra área da educação, que é algo muito relevante. Também passei essa mensagem ao Conselho.

Declarações de Paulo Rangel esta manhã. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, já se tinha mostrado cética em relação à intenção da Rússia de acabar com a guerra.

E a especialista em Relações Internacionais, Daniela Nunes, avisa que a ideia de um possível cessar-fogo está a perder credibilidade.

E se chegar a acontecer, vai acabar por beneficiar a Rússia, é o que diz Daniela Nunes, ouvida esta manhã no "Contra Corrente", explica que a postura de Trump indica que um acordo de paz está cada vez mais distante.

Um acordo, qualquer que seja ele, é uma realidade que caiu muito em descrédito nos últimos dias e nas últimas semanas, e eu julgo que muito por conta da postura de um ator específico, que é Donald Trump. E a haver um cessar-fogo, não me parece que esse acordo seja muito mais do que essa pausa.

Do que possa servir para mais do que essa pausa dos 30 dias que está em cima da mesa.

Do que essa pausa de 30 dias e, portanto, não servirá certamente como uma rampa de lançamento para a paz. Aliás, muito pelo contrário, acredito que a Rússia utilize esse timing, esse tempo para se reorganizar no sentido de dar continuidade ao conflito.

Análise de Daniela Nunes, especialista em Relações Internacionais, ouvida no "Contra Corrente" desta manhã. O anúncio da conversa entre os dois líderes chega na mesma manhã em que a imprensa internacional revela que os Estados Unidos vão abandonar o Centro Internacional para a Acusação do Crime de Aggressão contra a Ucrânia, o grupo de investigação à invasão.

E a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, critica a atuação da Câmara Municipal de Loures na gestão do território e diz que a possível demolição de várias construções clandestinas no concelho não passa de uma campanha populista.

Declarações da líder do Bloco aos jornalistas durante uma ação de solidariedade no bairro das Marinhas do Tejo, em Santa Iria da Azóia, concelho de Loures, onde a autarquia deu ordem para a demolição de várias habitações clandestinas em dezembro do ano passado. A Câmara de Loures justificou a decisão dizendo que foi detectada no local uma situação de risco para a saúde pública e 99 pessoas vivem sem eletricidade própria ou água potável. No entanto, para Mariana Mortágua, a solução não passa pela demolição destas infraestruturas. A coordenadora do Bloco de Esquerda apela a outras alternativas.

É preciso ter limites máximos das rendas para garantir que elas são adequadas aos salários. Temos que garantir que as casas são usadas para habitação, que não estão a ser usadas para fins que não são a habitação, como acontece no alojamento local. Temos uma Câmara Municipal que gosta de fazer estes espetáculos por campanha populista, sem nenhuma solução para dar para peditórios de conversas discriminatórias e racistas, e nós não podemos aceitar isso. Se não há solução imediata, deixem as pessoas ficar nas casas delas.

Apelo da coordenadora do Bloco de Esquerda aos jornalistas, aqui num registo captado pela SIC Notícias, em visita às Marinhas do Tejo, Santa Iria da Azóia, onde a demolição de várias casas clandestinas está iminente. Mariana Mortágua acusa a Câmara de Loures de agir com violência contra os moradores deste bairro.

Uma hora e oito minutos, Vasco, que outros temas estão em destaque a esta hora?

Carlos Moedas garante que o primeiro-ministro cumpriu todas as obrigações legais nas obras que fez em Lisboa. O presidente da Câmara da capital assegura tratar todos os cidadãos por igual, sem qualquer tratamento especial a Luís Montenegro. Em causa está o processo de obras de junção de dois apartamentos da família do primeiro-ministro na Estrela, em que os vereadores do PS e do Bloco de Esquerda pediram informações sobre uma alegada isenção de fiscalização. Na atualidade internacional, de olhar para a cultura, Conan O'Brien vai voltar a apresentar a cerimônia dos Oscars no próximo ano, isto depois de se ter estreado este mês, anúncio feito pela Academia de Hollywood, diz que o humorista norte-americano foi um anfitrião perfeito e, por isso, vai voltar a apresentar a principal cerimônia do cinema em Los Angeles em março de 2026.

Vasco Maldonado Correia e o Jornal da Uma.