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Luís Soares. Luís, começamos este jornal com desenvolvimentos na Operação Emergente, que envolve o poder autárquico do PS. Os contratos que estão a ser investigados chegarão aos € 2 milhões.
É pelo menos o que confirma o DIAP regional de Lisboa, através do comunicado. No centro de investigação estão ajustes diretos a empresas associadas a elementos do PS e contratação de militantes socialistas. O valor global dos contratos suspeitos em investigação ascende a quase € 2 milhões. É esse valor avançado pelo DIAP regional de Lisboa, que está a dirigir este inquérito criminal. Entretanto, o PS confirma que a Polícia Judiciária está a fazer buscas na sede nacional do partido, mas afirma que o partido não é visado, diz que as diligências estão relacionadas com um dos trabalhadores e não propriamente com o PS. Antes, a Polícia Judiciária já tinha confirmado a detenção de pelo menos cinco pessoas, entre elas estará Duarte Mural, assessor de José Luís Carneiro, é pelo menos o que está a avançar alguma imprensa, como o Correio da Manhã e a CNN Portugal. Há ainda 37 arguidos nesta megaoperação que envolveu e envolve cerca de 400 inspetores. Em causa estão suspeitas de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de vários contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia. Vamos agora em direto até à sede do PS em Lisboa, um dos locais onde decorrem buscas da Polícia Judiciária, onde está o Miguel Pinheiro Correia. Agora em direto, Miguel, nos últimos minutos houve algumas movimentações por aí.
Tivemos movimentações aqui na sede nacional do Partido Socialista. Saíram há cerca de 20, 30 minutos, sete inspetores da Polícia Judiciária, sete membros de uma equipa bastante alargada de inspetores. Não podemos garantir que as buscas já terminaram aqui na sede do Partido Socialista, porque também não sabemos quantos inspetores foram mobilizados para o edifício. Sabemos, sim, que estão envolvidos nesta Operação Emergente, assim batizada pela Polícia Judiciária, 400 inspetores, mas esse aparato, pelo menos aqui, não se sente muito. Vimos o normal movimento de carros, algumas pessoas que passam e perguntam aos jornalistas o que é que está a acontecer aqui. Isto porque quem passa no Largo do Rato e olha para a sede nacional do Partido Socialista não vê nada de extraordinário. A porta está aberta, as persianas das janelas também, mas olhando para o interior não se vê grande movimento. Mas sabemos que as buscas começaram esta manhã e há pouco saíram daqui sete inspetores dessa equipa alargada de 400. E é um número expressivo não só de inspetores mobilizados, mas também de mandados. São 60 mandados de busca domiciliária, 32 de busca não domiciliária e um grande número que também se traduz nas detenções. Cinco, até o momento, para já, também não sabemos se alguma dessas detenções ocorreu aqui no Largo do Rato. O Partido Socialista ainda não prestou declarações de viva voz, como já fomos referindo ao longo da última hora. Fez apenas um curto comunicado em que confirmou que estavam a decorrer buscas na sede do partido, mas disse que são atividades imputadas a um dos trabalhadores, não visando assim o partido, ou seja, afastando o partido desta operação. Certo é que por aqui o movimento continua normal, sem grande aparato. Tivemos os sete inspetores que saíram há pouco, mas de resto, tudo igual, Luís.
Miguel Pinheiro Correia, que está em direto da sede do PS em Lisboa, um dos locais onde há buscas, ou pelo menos houve, já saíram alguns inspetores. Outro dos locais é a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, um dos principais focos também desta investigação, onde está Laura Figueiredo. Laura, há pouco davas conta de que pelo menos as portas da junta estavam fechadas. Não sei se aí também já houve alguma movimentação, entretanto.
Ainda não, as portas mantêm-se fechadas. Da rua não se vê grande coisa, apesar de serem quatro portas, todas de vidro, têm bastantes cartazes colados e portanto acaba por ser difícil também ver para o interior, mas sabemos que os inspetores da Polícia Judiciária ainda lá estão, até porque continuam aqui os dois carros que estão aqui já estacionados desde bem cedo. Portanto, não sabemos se vão sair agora à hora de almoço ou não, mas por enquanto continuam lá dentro a recolher provas ligadas a contratos aqui feitos de ajuste direto, que terão sido celebrados a militantes do Partido Socialista na altura em que o presidente da Junta era Miguel Coelho, do PS, e que terá beneficiado alguns amigos do núcleo de Mafra com os tais contratos de ajuste direto na ordem de milhares ou até milhões de euros. Hoje o Ministério Público pôs na rua cerca de 400 inspetores para esta operação policial denominada Emergente, uma operação para cumprir muitos mandados de busca. São 60 de busca domiciliária, 32 de busca não domiciliária nas zonas não só de Lisboa, mas também Mafra, Oeiras, Coimbra. Até agora foram feitas já quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito por posse ilegal de arma. Sabemos também, como já disseste, Luís, que entre os detidos está Duarte Mural, assessor do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, e uma pessoa que é também próxima de António Costa. Mas por aqui, nesta Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, como dizia, aparentemente na rua, tudo calmo, tirando os jornalistas que fazem com que as pessoas que passem questionem o que é que se passa aqui e também alguns cidadãos que vinham precisamente tentar tratar de algum assunto na Junta de Freguesia. Chegam aqui, não percebem porque é que está fechada, mas de facto voltam para trás, porque hoje tudo indica que a junta não deverá voltar a abrir ao público.
Não vão conseguir tratar desses assuntos. Laura Figueiredo, em direto da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, um dos focos desta investigação. Vamos agora em direto até ao Parlamento, onde está o repórter Miguel Pina Andrade. Miguel, houve aí esta manhã a reunião habitual da bancada parlamentar do PS, uma reunião que terminou sem declarações aos jornalistas. Reação mesmo só remetida para esse comunicado que foi emitido esta manhã.
É isso mesmo, Luís. Até porque o primeiro deputado a sair foi o líder da bancada parlamentar, o socialista Eurico Brilhante Dias, que não quis prestar declarações aos jornalistas, cumprimentou-os e depois remeteu para o comunicado do PS. Um comunicado que já foi aqui referido, em que o PS confirma as buscas da PJ na sede nacional no Largo do Rato, mas afasta o partido da investigação. Como disseste, Luís, acabou a reunião semanal da bancada parlamentar socialista. Começou ao meio-dia, durou pouco mais de meia hora. O secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, não esteve presente, mas também só costuma estar em momentos-chave, como a discussão do Orçamento do Estado. É mais um dia rotineiro do partido aqui na Assembleia da República. A reunião semanal foi no auditório António de Almeida dos Santos, na Assembleia da República, uma reunião que, realço, não teve nada a ver com as buscas da PJ. Não houve reações nem de Eurico Brilhante Dias, nem de qualquer outro deputado que saiu depois e que continuam a sair a conta-gotas. Ontem à noite previa-se para hoje um dia normal, até porque estava marcada para esta tarde, às 18h, uma conferência de imprensa de José Luís Carneiro na sede do PS, no Largo do Rato. Ainda não se sabe, Luís, quando é que o PS vai reagir de viva voz a estas buscas da Polícia Judiciária.
O Miguel Pina Andrade vai continuar pelo Parlamento a aguardar por eventuais reações por parte do Partido Socialista a esta operação, que já tem cinco detidos que serão presentes ao Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação.
E vamos às primeiras reações. Augusto Santos Silva falou aqui na Rádio Observador há pouco, sublinhou que o PS deve mostrar total disponibilidade para colaborar com a Justiça.
Antigo presidente da Assembleia da República, antigo dirigente socialista, Augusto Santos Silva começa por dizer que é cedo para tirar conclusões, mas garante que o partido deve afirmar a disponibilidade para colaborar com toda a investigação.
Devem dar um esclarecimento público, informando os portugueses, porque creio que há também buscas a decorrer ou houve buscas que decorreram ou estarão ainda a decorrer na sede nacional do partido. Portanto, um esclarecimento público é necessário, assim como a afirmação da atitude do PS perante isto. Julgo que um esclarecimento sobre a disponibilidade da colaboração do PS com a Justiça será bem-vindo e tenho a certeza de que há de vir.
Reação de Augusto Santos Silva esta manhã aqui na Rádio Observador.
Destaque também para a reação do vereador da Câmara de Lisboa, eleito pelo Chega. Bruno Mascarenhas afirma que o partido já denuncia à própria autarquia da capital casos semelhantes há anos.
E dá um exemplo também de outras situações que denuncia relativamente à autarquia de Lisboa.
Como é que é possível que transferências de verbas, por exemplo, da Câmara de Lisboa, e eu alertei o executivo na altura de Carlos Moedas, que foi reeleito presidente da Câmara, como é que se transferem € 50 milhões para as Juntas de Freguesia sem visto prévio do Tribunal de Contas? O visto prévio do Tribunal de Contas para estes contratos interadministrativos deixou de ser feito a partir de 2018 e nós denunciámos também isso.
Garantia deixada por Bruno Mascarenhas, vereador do Chega na Câmara de Lisboa.
Vamos a mais reações. A Iniciativa Liberal diz que não é surpresa ver pessoas ligadas aos dois maiores partidos envolvidas em casos judiciais.
A presidente do partido lamenta que os dois partidos mais tradicionais, PS e PSD, estejam de forma recorrente envolvidos neste tipo de casos. Declarações de Mariana Leitão numa primeira reação à operação da Judiciária.
Espero que a Justiça faça o seu trabalho, que a investigação criminal faça o seu trabalho, mas há uma coisa que eu constato com esta nova operação é que, infelizmente, não é novidade que os dois partidos que vão disputando o poder entre eles no nosso país, estão sempre envolvidos num conjunto de situações de grande opacidade, até mesmo algumas de ilegalidades, no exercício do poder político. E, portanto, aquilo que eu espero é que, até mesmo através destas situações que se vão conhecendo, que as pessoas comecem a exercer os cargos públicos com muito mais seriedade e com muito mais respeito.
Declarações de Mariana Leitão, a líder da Iniciativa Liberal, aos jornalistas, à margem da Conferência da Bola Branca, da Rádio Renascença. É naturalmente um tema, Nelson, a que vamos continuar atentos ao longo das próximas horas e trazer também aqui todas as reações e os detalhes conforme forem sendo conhecidos.
Jornal da Uma, com edição do Luís Soares.