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É uma hora. Está a começar o Jornal da Uma, com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, começamos com a reação do PCP à entrevista de Pedro Passos Coelho. Paulo Raimundo diz que o antigo primeiro-ministro quer voltar a 2015.
Falou na última hora o secretário-geral do PCP, numa visita a uma fábrica de produtos de pastelaria nos arredores de Sobral de Monte Agraço. Falou sobre esse possível regresso de Pedro Passos Coelho à vida política ativa e Paulo Raimundo considera que o antigo primeiro-ministro tem saudades de tempos de grande sobressalto social.
O Passos Coelho está com saudades de 2015. Está com saudades desse tempo. Está com saudades do tempo dos cortes das pensões. Está com saudades do tempo do corte dos feriados. Está com saudades do tempo em que os manuais escolares não eram gratuitos. Está com saudades do tempo em que não havia passe social na dimensão em que há hoje. Está com saudades desse tempo. É um direito que tem, eu não quero questionar isso.
Palavras do líder comunista, que nesta visita hoje, a Sobral de Monte Agraço, quis falar do custo de vida, abordou algumas questões relacionadas com o aumento dos custos da energia e criticou várias opções do governo em relação ao orçamento do Estado do próximo ano, especialmente na descida do IRC.
E Luís Filipe Menezes, antigo presidente do PSD, diz que não percebe as críticas que estão a ser feitas a Pedro Passos Coelho. Na Rádio Observador, o antigo líder social-democrata apontou para uma estratégia errada.
Até porque ontem Luís Montenegro respondeu Pedro Passos Coelho, sem nunca mencionar o nome do antigo primeiro-ministro. Disse Montenegro que quem espera o insucesso do PSD, pode esperar sentado. Já sobre a estratégia de um acordo de entendimento de governação com o Chega, que foi definido por Pedro Passos Coelho nessa entrevista, Montenegro acabou por dizer que o governo não pode governar o país na base de birras. Ora, Luís Filipe Menezes, perante estas declarações de Luís Montenegro, diz que não compreende esta posição de confronto. Diz que o PSD tem força precisamente por ser um partido plural, com diferentes opiniões, e utiliza casos do passado para comprovar.
É uma tradição democrática e sempre foi a força do PSD. Lembra-se bem quando Cavaco Silva foi uma peça fundamental da queda de Pedro Santana Lopes, quando escreve aquele famoso artigo das duas moedas.
Boa moeda, má moeda.
Lembra-se, por exemplo, quando o próprio Santana Lopes abandona o PSD, embora agora seja muito crítico do Pedro Passos Coelho, mas quando abandona o PSD discordando da liderança do Rio. Ou quando eu próprio discordei da liderança de Manuela Ferreira Leite. Portanto, é preciso que os líderes do PSD leiam a história do partido e convivam com a crítica.
Antigo presidente do PSD diz que o governo deve aproveitar os avisos de Pedro Passos Coelho. Palavras de Luís Filipe Menezes no Explicador desta manhã.
E aqui na Rádio Observador escutámos também João Almeida, deputado do CDS, que considera que Pedro Passos Coelho não é um inimigo da Aliança Democrática.
João Almeida admite, no entanto, que as críticas do antigo primeiro-ministro não são confortáveis para o atual governo.
Não é um inimigo, de maneira nenhuma. Nem acho que queira o mal do governo. Acho que tem opiniões que são próprias, não são novas. Eu acho que, mesmo com divergências, o passado dos partidos é relevante, até porque há sempre militantes que continuam a rever-se em cada uma das fases e, portanto, deve haver cuidado nessa gestão.
Se isto atrapalha de alguma forma a ação do governo, para todos os efeitos, é um incidente.
Não é bom, isso eu disse até recentemente. Claro que não é bom ter o último primeiro-ministro de uma AD, ex-líder do PSD, a fazer críticas que são críticas à condução política do governo. Não é bom, mas como alguém disse na política há uns anos, é a vida.
Palavras de João Almeida esta manhã na Rádio Observador.
E o Bloco de Esquerda considera que o Ministério da Administração Interna é uma novela permanente de casos e pede esclarecimentos ao secretário-geral do ministério.
A mais recente polêmica envolve o afastamento de Ricardo Carrilho do cargo e o ministério justifica com uma relação que se tornou insustentável. Agora o ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna acusa Luís Neves de pressões ilegítimas e de uma interferência política asfixiante. O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, classifica esta mais recente polêmica como constrangedora.
É um bocadinho constrangedor tudo isto, não é? Ou seja, um ministério como o Ministério da Administração Interna, qualquer outro ministério, mas desde logo o Ministério da Administração Interna, ser palco de uma novela permanente de casos, de trapalhadas, de situações que degradam a vida política, degradam a democracia. Este ministro tem claramente consigo essa imagem de alguém que decide muitas vezes não cumprindo escrupulosamente os procedimentos que são necessários.
Palavras do coordenador do Bloco de Esquerda, que diz que Luís Neves acumula situações que considera serem trapalhadas e por isso José Manuel Pureza redobra os pedidos de esclarecimento do Ministério da Administração Interna, mas agora chama também o secretário-geral do ministério ao Parlamento.
É necessário que no Parlamento, desde logo, se prestem todos os esclarecimentos, neste caso através destas duas figuras que são o ministro da Administração Interna e o anterior secretário-geral do ministério. Mas mais do que tudo, o que nós desejamos é que esta sucessão de situações que apoucam a democracia, as instituições, que termine de uma vez por todas. Já o dissemos e não o dizemos com satisfação. Nós entendemos que o ministro Luís Neves já há algum tempo que não tem condições para ser ministro
Palavras do coordenador do Bloco de Esquerda esta manhã, com pureza, a falar à margem da entrega de uma queixa junto ao Provedor de Justiça sobre o erro no cálculo de pensões que levou a que perto de 3 mil pensões fossem fixadas acima do valor previsto na lei.
E o secretário-geral do PCP também falou sobre este caso no Ministério da Administração Interna. Pede clarificação ao governo acerca da demissão de Ricardo Carrilho, da Secretaria-Geral de Administração Interna.
Considera que Luís Neves devia estar mais preocupado em fazer um bom serviço ao país e deixa críticas ao modelo de gestão do SIRESP.
O modelo do SIRESP SA, nas condições em que descreveu, é o mesmo que o governo quer fazer para a Saúde SA, para a Educação SA, para a Economia SA, para as Finanças SA, para a Habitação SA. E um país, Portugal SA, não é o caminho para Portugal, nem para estes pequenos e médios empresários, nem para os trabalhadores.
Críticas de Paulo Raimundo, deixadas também esta manhã, a criticar a situação no Ministério da Administração Interna.
E em Espanha, o rei Felipe VI foi recebido pelo presidente da Cidade Autônoma de Ceuta.
E neste momento, o discurso do presidente de Ceuta, numa cerimônia em que entrega a chave da cidade aos reis. Antes estiveram reunidos com representantes da polícia e das sociedades. Ainda hoje, Felipe e Letizia vão visitar uma escola e um cemitério muçulmano, onde vão honrar os migrantes que morreram a tentar chegar à Espanha este verão. O ministro das Finanças, Arcadi España, anunciou uma subvenção direta de 45,3 milhões de euros para a cidade de Ceuta, com o objetivo de cobrir as despesas decorrentes da crise migratória. Esta marca a primeira presença de um chefe de Estado espanhol ao enclave em quase 20 anos.
Uma hora e oito minutos, Miguel, que outras notícias marcam a atualidade?
Falamos do Papa Leão XIV, que já chegou ao Hospital Gemelli, em Roma, para ser submetido a uma cirurgia para remover um nódulo pulmonar. Chegou por volta do meio-dia, hora de Portugal continental. Ao chegar ao hospital, o Papa, de 71 anos, saiu da viatura com um sorriso no rosto, cumprimentou as milhares de pessoas que se encontravam no local. O anúncio de que o Papa Leão iria ser operado foi feito durante a missa de domingo, na Praça de São Pedro, no Vaticano, pelo próprio Papa. Ao que tudo indica, o nódulo está circunscrito ao pulmão e foi detectado numa fase muito inicial. Ainda não se sabe se é benigno ou maligno. A Netflix vai transmitir o Mundial de 2030 em Espanha e em Andorra. Comprou os direitos desse mundial para Espanha e para Andorra. A plataforma anunciou a aquisição dos direitos exclusivos de transmissão de competição desportiva. No total, são 104 o número de jogos que vão ser transmitidos em direto pela plataforma em território espanhol e em Andorra. Um jogo em cada jornada vai poder ser visto de forma gratuita pelos espanhóis. Recordar que o Mundial de 2030 vai ter lugar em Espanha, Marrocos e também em Portugal. Fechamos com o quinto episódio do novo podcast Plus do Observador, que já estreou. Conta a história de Ani Silva Pais, filha do último diretor da PIDE, que abandonou tudo para se juntar à revolução cubana.
E o podcast chama-se "Os Escândalos de uma Revolucionária" e revela a história da filha única de Fernando Silva Pais, um dos homens mais próximos de Salazar.
E depois de abandonar o marido para se juntar à revolução cubana, Ani Silva Pais ficou ainda mais próxima da cúpula do regime de Fidel. Vamos escutar um excerto deste quinto episódio.
José Manuel Abrantes Fernandes é ministro do Interior, a pasta do governo de Fidel Castro que controla a segurança do Estado, a polícia, os sistemas de informação, a imigração, as fronteiras e as cadeias. O militar cubano é um dos homens de confiança de Fidel. Começou como chefe dos guarda-costas do líder cubano, fez parte da polícia política e, nos últimos anos, chegou ao governo. Não é de agora que conhece Ani. José Manuel, ou Zé Manel, como é muitas vezes referido nas cartas entre ela e a mãe, já era um dos amigos da portuguesa quando ela chegou à Havana há mais de 10 anos. Fazia parte do grupo restrito de cubanos que Ani convidava para a Embaixada da Suíça, quando ainda lá vivia e era casada com Raymond Candau.
Um excerto deste quinto episódio de "Os Escândalos de uma Revolucionária", o novo podcast Plus do Observador. Esta série é narrada pela atriz Bárbara Branco, tem música original de Fran Kid Chaves e a investigação e os guiões são da jornalista Inês André Figueiredo.
E, como sempre, todas as terças-feiras há um novo episódio no site do Observador, nas plataformas de podcast e também no YouTube. Se for assinante Standard ou Premium, tem acesso antecipado a todos os episódios no site e também na aplicação do Observador. É o ponto final no Jornal da Uma.