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O Observador. Jornal das duas com o Luís Soares. Luís, depois de sete cortes consecutivos, o Banco Central Europeu decidiu agora manter a taxa de juro nos 2%.
A decisão foi comunicada depois da reunião de governadores do BCE e confirmou as expectativas de vários analistas. De resto, na última reunião da instituição liderada por Christine Lagarde, já tinha sido sinalizado que depois de sete descidas consecutivas da taxa de juro, desde setembro do ano passado, deveria seguir-se uma pausa. Esta é a primeira reunião deste ano em que não são anunciados cortes nos juros. No comunicado, o Banco Central Europeu não antecipa mudanças no rumo da inflação, face ao que tinha previsto na última reunião de junho, na qual previa uma inflação média de 2% este ano. A instituição diz que está determinada em garantir que a inflação estabilize na meta dos 2% a médio prazo, mas não se compromete com o rumo para as próximas decisões, que vão ser avaliadas reunião a reunião. Ainda assim, sublinha que a pressão do lado dos preços continua a diminuir, enquanto os salários estão a crescer mais lentamente. Por agora, a taxa de juro mantém-se nos 2%, mas até o fim do ano ainda pode ser anunciada uma outra descida, que não deve passar, no entanto, dos 1,65%, uma descida de 25 pontos base. Esta poderá também ter sido a última reunião do Conselho de Governadores, que contou com a presença de Mário Centeno.
E para esta hora está marcada a conferência de imprensa do governo, em que deve ser anunciado o nome do novo governador do Banco de Portugal.
Conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros, que começou às 9h30 da manhã, na sede do governo, no Campos XXI, está o repórter Carlos Pedro. Agora em direto, Carlos, esta hora aguarda-se por esse anúncio do governo.
Precisamente, Luís, aguarda-se a esta altura a entrada em sala do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, para este briefing do Conselho de Ministros. Leitão Amaro que vem acompanhado de outro membro do governo. À partida, resta saber quem. A expectativa é para se saber o nome proposto pelo governo para a liderança do Banco de Portugal. Uma decisão já tomada há algum tempo, revelou o primeiro-ministro, mas que só vai ser divulgada hoje, dentro de alguns instantes. Foi o principal tema em discussão na reunião do Conselho de Ministros esta manhã no Palácio de São Bento. É naturalmente também o grande destaque deste briefing do Conselho de Ministros, uma conferência de imprensa que começará dentro de alguns momentos. Estava marcada para esta hora, para as 14h. Ficaremos a saber dentro de alguns minutos, se se mantém a tradição recente de reconduzir o governador do Banco de Portugal ou então se há esse romper com a normalidade dos últimos anos, com a saída de Mário Centeno, o antigo ministro do PS. O nome apontado para a sucessão é do antigo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.
Carlos Pedro, aqui em direto, ele que vai acompanhar a conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, numa altura em que José Luís Carneiro presta declarações aos jornalistas em Setúbal. Vamos escutar o líder do PS.
As pessoas que serviram a instituição, não é adequado, é imoral.
Teme que seja uma decisão mais política do que propriamente técnica?
Com certeza que é uma decisão política, estritamente política, porque se fosse técnica, de mérito, de competência e de prestígio junto dos seus colegas europeus, com certeza que o professor Mário Centeno ficaria na função, porque é dos mais competentes entre todos os seus pares europeus.
Admite que a tensão que foi pública entre os recados do Banco de Portugal sobre o crescimento da economia, por exemplo, e o regresso dos défices e as previsões do governo podem ter estado na base de uma não recondução de Mário Centeno? E pergunto-lhe também se o nome que vier a ser escolhido, se for uma pessoa mais ligada, por exemplo, à área do governo, também pode piorar o cenário nesta leitura que faz.
Bom, todos nós desejamos que a economia do país continue a crescer, que a economia cresça, que os rendimentos melhorem, que sejamos capazes de modernizar as funções sociais do Estado. Mas há algo que nós avisamos há muito tempo. Há opções de política económica que são erradas e queremos que não venha a acontecer no futuro aquilo que se tem vindo a prever, que é haver quebras significativas na economia europeia, que vão ter impactos na economia nacional. Qual é o dever de um governador do Banco de Portugal? É olhar para os dados e comunicar o que deve ser comunicado ao país e também ao governo. Portanto, não se pode pedir ao governador do Banco de Portugal que esconda as informações, que são informações que são do interesse público e do interesse do nosso país. Independência, isenção e imparcialidade é uma exigência para quem vier a governar o Banco de Portugal, que é uma instituição de prestígio e que é supervisionada pelas instituições europeias. Muito obrigado.
José Luís Carneiro, líder do PS, que falava aos jornalistas e que escutamos aqui através da Sic Notícias, no final de uma reunião com o cardeal Américo Aguiar, o bispo de Setúbal, num encontro que se insere num conjunto de contactos que o secretário-geral do PS tem vindo a realizar com diferentes personalidades da vida pública portuguesa. Sublinhar José Luís Carneiro, que Mário Centeno é um nome com prestígio internacional e a lembrar também que a tradição é reconduzir o governador, algo que poderá não acontecer no dia de hoje. Aguardamos então o início dessa conferência de imprensa do governo para anunciar o nome do novo governador do Banco de Portugal.
Uma conferência de imprensa que vamos acompanhar em direto assim que se inicie. Olhamos agora para as conclusões de um relatório sobre os benefícios fiscais que recomenda ao governo a subida do IVA na restauração para 23%.
Recomendação da unidade, que foi criada para avaliar os benefícios fiscais para que o IVA seja reposto nos 23% na restauração. Considera que a taxa de 13% atualmente em vigor, beneficia quem ganha mais. Vai começar o briefing do Conselho de Ministros. No final da reunião, vamos em direto ao Campos XXI, onde está o Carlos Pedro. Carlos, Leitão Amaro prepara-se para falar.
Precisamente, já fala o ministro, vamos ouvir.
Amiciosa, modernizante reforma do mercado laboral e da legislação laboral. Este governo veio para transformar
E aqui estamos nós a propor ao país mais transformação. Uma reforma que é hoje aprovada sob a forma de anteprojeto, que a senhora Ministra do Trabalho e da Segurança Social apresentará, em seguida, nas linhas gerais às senhoras e senhores jornalistas, que apresentará depois em detalhe, naturalmente, e em primeira mão aos parceiros de concertação social, em reunião que se irá. Uma reforma indispensável do mercado de trabalho, que pretende flexibilizar para valorizar e crescer. Flexibiliza para aumentar a competitividade, valoriza o trabalho, valoriza o mérito, estimula o emprego jovem, muito importante o emprego jovem, e a negociação coletiva. A senhora Ministra apresentará, como disse, em seguida, os espíritos, os objetivos e as linhas gerais desta importante reforma que o país precisa, e precisa mesmo. É uma das áreas cruciais para a dinamização, o crescimento econômico e as oportunidades de uma geração mais jovem, que continua a sofrer com o mercado de trabalho demasiado segmentado, por causa também da sua rigidez. Aprovamos mais uma série de decisões, iniciativas legislativas. Destacaria a estratégia para os portos comerciais do continente para os 10 anos e a década de 2025, 2035. Não darei mais detalhes hoje, remetendo para o senhor Ministro das Infraestruturas e Habitação, que no início da próxima semana fará uma apresentação dedicada e específica desta importante estratégia numa área onde Portugal pode ser um ator fundamental no plano da economia internacional, uma estratégia de grande fôlego e mais uma mudança estratégica para o país. Um governo que em pouco tempo reduziu o IRS e IRC, conseguiu garantir um suplemento para as pensões mais baixas, também de grande fôlego, que reforçou o controle na imigração, que iniciou a privatização parcial da TAP, que aprovou a proibição do uso de telemóveis até o sexto ano e reviu a disciplina da educação para a cidadania. É um governo que está a transformar, que está a reformar, e esta reforma do mercado de trabalho e esta estratégia para os portos são mais duas ferramentas fundamentais para o crescimento, a dinamização e a competitividade da economia portuguesa. Aprovamos também um decreto-lei para esta audição da Associação Nacional de Municípios, que permite a transferência de estradas em perímetros urbanos para municípios, se e quando estes tenham a iniciativa de pedir essas transferências para poderem cuidar, em conjunto ou apenas o próprio município, ou em conjuntos de municípios, dessa estrada. Aprovamos também a aquisição de mais uma aeronave KC-390, a sexta de um pacote antigo, mas aprovado agora ao preço original, recordando que esta aeronave KC-390 tem uma elevada parte de produção nacional, de componente de produção nacional, com base, obviamente, como sabem, nas instalações e no projeto da Embraer em Portugal. Aprovamos ainda decisões relevantes de nomeações para cargos importantes. Começo com uma nomeação definitiva, e não o início de um processo. O novo Conselho de Administração do Mecanismo Nacional de Combate à Corrupção, conhecido por MENAC. A aprovação e a composição que hoje aprovamos resulta, como manda a lei, de uma proposta conjunta da senhora Presidente do Tribunal de Contas e o senhor Procurador-Geral da República. Então, este conselho de administração, deste importante órgão para o combate à corrupção, terá como presidente o conhecido juiz Morais Lopes, como vogais, Ana Paula Lourenço, até recentemente vogal da Comissão Nacional de Proteção de Dados, e o doutor António Delicado, vice-presidente do GRECO, organização mundial ligada ao Conselho da Europa no Combate à Corrupção, e também integra a Direção-Geral de Política de Justiça. Portanto, esta é uma nomeação definitiva para cargos que se iniciam. Muito importante este novo conselho de administração, que permite uma nova força ao Mecanismo Nacional de Combate à Corrupção. Depois, duas decisões de indigitação. Indigitação por quê? Porque são duas nomeações que dependem de um parecer de uma audição e de um parecer da Assembleia da República. Portanto, é isso que fazemos, ambas sob a proposta do ministro das Finanças, que propôs ao Conselho de Ministros. O Conselho de Ministros aprovou, remeterá rapidamente para o Parlamento, para que o Parlamento faça as audições e emita o seu parecer. A primeira: o presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Pensões será, segundo a nossa indigitação, o doutor Gabriel Bernardino. O doutor Gabriel Bernardino nem mais nem menos que o presidente, por uma década, da Autoridade Europeia, a EIOPA, para os seguros e as pensões complementares de reforma. Foi também presidente da CMVM. Portanto, um currículo na área, um reconhecimento, uma reputação internacional e uma independência, já agora, a toda a prova, um nome de grande qualidade que, naturalmente, em iniciando funções, honrará seguramente o país na liderança da ASF. Depois, a indigitação do nome para governador do Banco de Portugal, que por decisão do Conselho de Ministros, por proposta do ministro das Finanças, será o professor doutor Álvaro Santos Pereira, economista-chefe da OCDE Doutorado e com uma carreira acadêmica internacional, é hoje o economista principal de uma das principais organizações internacionais na economia mundial. É um profundo conhecedor da economia portuguesa, um profundo conhecedor da economia internacional, conhecedor do sistema financeiro, uma voz muito reputada internacionalmente, tal como o doutor Gabriel Bernardino, duas pessoas que triunfaram por mérito próprio e com caminho próprio no plano internacional como especialistas independentes nas suas áreas. Pessoas que não saem das respectivas instituições, vêm de fora, pessoas que triunfaram lá fora e que Portugal tem muita honra de serem portugueses de sucesso, de reconhecimento internacional e que estes dois, depois do parecer e da pronúncia do Parlamento, esperamos poder nomear definitivamente e entrarem em funções. É também momento, naturalmente, de aproveitar para agradecer aos líderes destas três organizações, em particular agora, que me refiro à ASF e ao Banco de Portugal, agradecer à doutora Margarida Correia Aguiar e ao professor Mário Centeno os mandatos que exerceram à frente das respectivas instituições, que agora, concluído este processo, terminarão e terão essas organizações, sangue novo, lideranças de grande credibilidade, reconhecimento, competência técnica que naturalmente servirão estas instituições para novos ciclos e servirão por essa via o país. Passo então agora a palavra à senhora Ministra do Trabalho e da Segurança Social para apresentar a reforma ambiciosa do mercado de trabalho, legislação laboral, que o governo hoje iniciou com a aprovação deste anteprojeto, que será em detalhe apresentado esta tarde aos parceiros sociais. Senhora Ministra. Fica então confirmada a escolha do governo de Álvaro Santos Pereira, o antigo ministro da Economia. É essa a escolha do governo para suceder a Mário Centeno na liderança do cargo de governador do Banco de Portugal.
Carlos Pedro a acompanhar esta reunião do Conselho de Ministros, que acaba então de confirmar esse nome de Álvaro Santos Pereira. Também estão a ser anunciadas alterações às leis laborais. Daqui a pouco já vamos também perceber melhor que outros anúncios estão a ser feitos, neste caso, pela Ministra do Trabalho. Álvaro Santos Pereira é o novo governador do Banco de Portugal, na escolha que foi explicada há instantes pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que está a dar conta dessas decisões da reunião do Conselho de Ministros. Álvaro Santos Pereira, que tem 53 anos, sucede a Mário Centeno. Ele que já foi também ministro da Economia do governo de Pedro Passos Coelho e José Rafael Lopes, Álvaro Santos Pereira deixa a OCDE para então assumir a liderança do Banco de Portugal, José.
Desde abril de 2014 que Álvaro Santos Pereira é economista-chefe do Departamento de Economia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, local onde disse estar muito feliz e sem querer comentar uma possível lida para a liderança do Banco de Portugal. Fê-lo numa entrevista ao Expresso, onde defendeu também que o cargo de governador do Banco de Portugal não pode ser político, isto numa crítica velada a Mário Centeno. Foi pela OCDE que passou mais de uma década antes de aceitar este cargo para a liderança do Banco de Portugal. Antes de abraçar o desafio europeu, foi ministro da Economia e do Emprego do governo de Pedro Passos Coelho. Natural de Viseu, o economista esteve no executivo entre 2011 e 2013. Formou-se em Economia pela Universidade de Coimbra. Álvaro Santos Pereira concluiu os estudos no estrangeiro, tornou-se mestre em Inglaterra, fez doutoramento no Canadá. Especializou-se em áreas como crescimento econômico, mercados laborais e políticas públicas. Mais tarde, foi professor na universidade em que concluiu o doutoramento, foi também professor na Universidade de York e da British Columbia. Enquanto ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira não teve missão fácil. Escolhido por Pedro Passos Coelho, foi ministro durante o período de intervenção da Troika em Portugal, figura com forte exposição midiática. Álvaro Santos Pereira esteve em conjunto com Vítor Gaspar, ministro das Finanças da altura, no lote de ministros mais debaixo de fogo. À chegada para assumir o cargo de ministro, ele que veio do Canadá pra o fazer, foi diferente. Era apenas Álvaro e não o ministro da Economia.
Continuo a chamar-me Álvaro e sempre me irei chamar Álvaro.
O apenas Álvaro foi alvo de muitas críticas, de ter pouca voz no executivo, de ser inexperiente enquanto ministro e de estar em posição mais frágil face ao colega do governo, Vítor Gaspar. O ministro da Economia era independente, veio do Canadá com o objetivo de promover o crescimento da economia. Sempre defendeu a internacionalização da economia portuguesa e da marca Portugal em todos os setores, em todos os produtos, nem o pastel de nata escapou.
Até hoje, nenhum empreendedor português ou estrangeiro pegou nas natas e comercializou-as como se fez, por exemplo, com os McDonald's, ou como se fez com donuts, ou como se fez com outros produtos. Isto é interessante porque se pensarmos que foi um empreendedor português, um imigrante português na África do Sul, que já pegou em um dos nossos produtos de eleição, que é o frango de churrasco, e tornou-os no McDonald's do frango de churrasco, que é o Nando's
Álvaro Santos Pereira tentou a industrialização da economia, enfrentou guerra prolongada com a concertação social e também greve prolongada dos estivadores e viu o projeto de uma rede de combustíveis low cost acabar por cair por terra. Sempre apontado como o ministro remodelável, deixou o governo após dois anos no cargo, foi sucedido por António Pires de Lima. Portugal contava com economia em recessão, o desemprego acima dos 17%. Ainda assim, grande parte da carreira foi feita fora de Portugal. Após deixar o executivo, em 2014, o economista foi nomeado diretor de Estudos Nacionais do Departamento de Economia da OCDE. Em junho do ano passado, foi promovido a economista-chefe daquela organização. Álvaro Santos Pereira tem ainda historial como autor publicado, vários livros em seu nome. Agora sucede a Mário Centeno como governador do Banco de Portugal.
José Rafael Lopes e o perfil de Álvaro Santos Pereira, que é o novo governador do Banco de Portugal. Sucede Mário Centeno, que agora deixa o cargo. É, de certa forma, um fim de ciclo para aquele que foi apelidado como o Ronaldo das Finanças, ainda antes de assumir o cargo. Foram cinco anos à frente do Banco de Portugal, José Rafael, com vários casos polêmicos a envolver Mário Centeno.
Da política e do governo para o Banco de Portugal, foi o caminho de Mário Centeno. Apenas 37 dias separaram a saída do executivo para o desafio de liderar a instituição, o Banco de Portugal. Foi um mandato polêmico, que teve o primeiro percalço ainda antes de Mário Centeno assumir a liderança. Em 2016, já quando era ministro das Finanças do governo de António Costa, Mário Centeno acusou o então governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, de uma falha grave de transmissão de informação, por entender que o Banco de Portugal não tinha passado ao governo informação relevante sobre o BANIF. Foi uma alfinetada ao homem que se tornaria seu antecessor. Longe, ainda assim, estava a ideia de que Mário Centeno seria o líder do Banco de Portugal. Antes, recebeu esse outro título que falavas, dado pelo ministro das Finanças alemão, que o apelidou de Ronaldo das Finanças pelo trabalho que fez no ECOFIN. Tornou-se líder do Banco de Portugal em julho de 2020. O momento em que tomou posse foi também a primeira polêmica de Mário Centeno. A passagem direta de um cargo para o outro, de ministro das Finanças para governador do Banco de Portugal, levou a críticas sobre falta de independência política no papel do governador, bem como críticas de conflitos de interesses quando Mário Centeno tivesse de tocar nos temas que decidiu e que acompanhou como ministro. Temas como a resolução do BANIF, a venda do Novo Banco, sem esquecer também a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. Na audição prévia no Parlamento, que todos os governadores do Banco de Portugal têm de fazer, Mário Centeno negou a existência de qualquer problema ou qualquer incompatibilidade para poder assumir o cargo. Avançamos até 2021, altura de subida significativa de juros por parte do Banco Central Europeu. Aqui também Mário Centeno colocou-se numa posição contrária à do BCE. Ele, que era membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu, colocou-se do lado de uma política monetária menos agressiva e com menos subida de juros. Em novembro de 2023, nova polêmica a incluir o nome de Mário Centeno. Desta vez, após a queda do governo do PS, por causa do caso judicial Influencer, António Costa apresentou a demissão e na altura falou com Mário Centeno para lhe oferecer a possibilidade de ocupar o cargo de primeiro-ministro. O governador do Banco de Portugal pediu tempo, com a ideia de que esta iniciativa de António Costa teria também o aval de Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da República. Sem esperar pela resposta de Mário Centeno, António Costa acabou por depois divulgar esse convite que tinha sido feito, tinha sido dirigido a Mário Centeno. O próprio Mário Centeno falou sobre essa hipótese numa entrevista ao Financial Times, onde acabou por dizer que o convite não era só de António Costa, mas também de Marcelo Rebelo de Sousa. Tal não foi o caso e a Presidência da República fez saber que tinha sido apenas António Costa a contactá-lo. 2024 trouxe novo governo e nova polêmica a envolver Mário Centeno. Já com Luís Montenegro a liderar o executivo, Hélder Rosalino foi o escolhido para a nova função de secretário-geral do governo. O administrador teria direito a manter o salário, cerca de € 15 mil brutos do Banco de Portugal, e passaria também a consultor da administração da empresa. O governo queria que fosse o Banco de Portugal a suportar o vencimento de Rosalino. Mário Centeno recusou. Alegou que as regras da instituição não o permitiam. Não se conhecia do caso. Luís Montenegro reconheceu as dificuldades e a nomeação de Hélder Rosalino acabou por cair. São algumas das polêmicas, Luís.
Sim, já vamos retomar, José Rafael, essas polêmicas, porque importa voltar ao Conselho de Ministros. Nesta altura, há mais esclarecimentos sobre a nomeação de Álvaro Santos Pereira. Carlos.
Precisamente, o ministro vai respondendo neste momento a uma pergunta sobre o porquê de não ter reconduzido Mário Centeno.
Nós temos perante nós uma reforma fundamental que, se me permitem dizer, acelerará mais as condições de vida dos portugueses e a competitividade da economia que qualquer liderança de instituição reguladora ou supervisora, que são muito importantes, mas uma reforma estrutural desta ambição, desta dimensão, é muito importante e seguramente fará correr também muita tinta, se hoje for dividida com outros interesses. É normal, mas é uma reforma muito importante mesmo e muito ambiciosa, que aproximará Portugal do equilíbrio regulatório no mercado de trabalho de outros países europeus e fará tudo daquilo que a senhora ministra explicou. Procurando responder às perguntas, que são essencialmente do mesmo tipo. Em primeiro lugar, sobre o professor Mário Centeno. Um, agradecemos o exercício da sua função como Governador do Banco de Portugal. Segundo, o professor Mário Centeno é hoje e continuará a ser nos próximos dias, até ser substituído, esperamos e desejamos que assim seja, pelo professor Álvaro Santos Pereira, o Governador do Banco de Portugal. Portanto, nós respeitamos o exercício do seu mandato e, da parte do Governo, procuraremos respeitar e preservar essa independência e eu não farei aqui observações e avaliações sobre o professor Mário Centeno no seu desempenho enquanto Governador, além de agradecer o serviço que fez ao país. A resposta à pergunta: por que não foi escolhido? Porque escolhemos alguém que entendemos que é melhor pro cargo, naturalmente. Entendemos que o professor Álvaro Santos Pereira serve melhor os objetivos que se pretendem para um banco central, que é a autoridade de supervisão, que tem responsabilidades de estudos, que tem responsabilidades estatísticas, que é parte do Eurosistema, do mecanismo europeu de supervisão, e essas características que nos fizeram fazer esta escolha são várias das que eu referi. O professor Álvaro Santos Pereira é a melhor escolha por ser independente, não vem nem de dentro do banco, nem vem de um governo, é independente, é com muito mérito pessoal e do seu talento, um economista altamente reconhecido e um responsável de departamentos econômicos e de organizações econômicas altamente reconhecido. Recordo, ele é o principal economista numa das mais importantes organizações internacionais na área da economia, a OCDE, mérito alcançado pelo próprio, entrou na OCDE com cargo de diretor por concurso, subiu à função máxima de economista-chefe, por mérito próprio, reconhecido internacionalmente, um grande talento, uma pessoa de grande capacidade, de grande reconhecimento e credibilidade internacional, que por isso também prestigiam e reforçam o papel do Banco de Portugal. Tudo isto sendo simultaneamente independente, profundo conhecedor da economia nacional, da economia internacional e do sistema financeiro. E portanto, a escolha do professor Álvaro Santos Pereira deve-se ao fato de entendermos que ele é a melhor escolha para este cargo. Passamos às perguntas seguintes. TVI.
Muito boa tarde, Gonçalo Cabral.
"Escolhemos alguém que entendemos ser a melhor opção" é a justificação do Governo para a escolha de Álvaro Santos Pereira para suceder Mário Centeno no cargo de Governador do Banco de Portugal. Prosseguem as perguntas, vamos ouvir.
Umas medidas concretas, mas eu tentaria perceber se há alguma medida concreta que nos pode adiantar antes de apresentar aos parceiros sociais. E deixe-me voltar à questão do Governador, senhor ministro, porque recorda-se bem, porque calculo que estaria na bancada do PSD quando o ministro Álvaro Santos Pereira foi ministro da Economia do governo de Pedro Passos Coelho. O ministro Mário Centeno foi ministro das Finanças de um governo do Partido Socialista. Não teme que daqui pra frente, é um cargo independente, que isto de alguma forma se torne um cargo dependente dos governos, uma vez que as escolhas a partir de Mário Centeno, sobretudo, mas houve outras, recaem sobre personalidades que já serviram nos partidos que tiveram no governo, como é o caso de Álvaro Santos Pereira? Muito obrigado.
Aqui uma pergunta sobre a independência do cargo de Governador do Banco de Portugal, uma questão que foi sublinhada pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, sublinhou a importância da independência desse cargo de Governador do Banco de Portugal, daí também a escolha por Álvaro Santos Pereira.
Sabia quando é que terminava o mandato do atual Governador e queria perceber se o Governo enviou convites que foram recusados, nomeadamente por parte de Ricardo Reis e Vítor Gaspar. E depois pra senhora ministra, tinha três perguntas que herdei do meu colega, também do ECO, da Salomé. De que forma é que vão garantir e definir os serviços mínimos nas greves e vão alargar os setores essenciais, quais? Depois, na reforma laboral, está previsto o fim dos limites ao outsourcing após os despedimentos? E a última pergunta é se está prevista ainda a compra de dias de férias em troca de salário e sem perda de outros benefícios. Obrigado.
Muito obrigado pelas vossas questões. Para que não haja dúvidas, esta é a nossa escolha, é a nossa proposta ao país, por entendermos que o professor Álvaro Santos Pereira é melhor e é a melhor escolha pra governador. Não vou pronunciar sobre nomes. Ainda por cima, no caso do professor Ricardo Reis, até tenho uma espécie de um pequeno conflito de interesses, que foi meu supervisor de doutoramento, mas é uma personalidade, obviamente, de talento indiscutível, como seriam outros nomes de que falou e muitos que se especularam na comunicação social nos últimos dias. Mas eu só fiz esta referência, na verdade, pra fazer a ligação à resposta à pergunta anterior sobre a posição e a experiência como ex-governante. E se me permita fazer isto, eu responder-lhe-ia nos mesmos termos que respondi como acadêmico Há uns um par de anos atrás, abordando e discutindo essa questão na minha tese de doutoramento, que era exatamente sobre independência de bancos centrais. O que é isto? No caso português, como sabe, aliás, houve vários governadores, e é assim no resto da Europa, vários governadores com experiência governativa. Isso é uma coisa. Outra coisa é vários governadores saídos ou um governador saído de um governo. O professor Álvaro Santos Pereira, como sabe bem, não é governante há mais de uma década, não é membro de nenhum partido político, nunca foi candidato por um partido político, serviu Portugal e, portanto, se me permite só ajustar um bocadinho a sua formulação, o professor Álvaro Santos Pereira não, e a expressão foi sua, servir nos partidos. O professor Álvaro Santos Pereira nunca serviu num partido. Mas o teste de independência política aqui é o teste de sair ou não diretamente ou, se quiser, se eu retomar as minhas reflexões como acadêmico, que boas práticas dizem que as boas justificações, a boa preservação da independência diz que não se deve sair de um governo para a liderança de um banco central num período mínimo que habitualmente se discute ser entre dois e três anos. Há um período, e o governo não mudou dessa opinião, é consistente e há bons economistas no governo também, mas está fora de questão porque nós vivemos por aquilo que sempre dissemos, e vários de nós que estamos neste governo que sempre dissemos que não se deve sair de um governo direto ou com uma pausa curta para a liderança do Banco de Portugal. Em particular, o governador, mais que qualquer outro cargo, na medida em que o governador tem assento no Conselho de Governadores do Banco Central Europeu, onde se decide a política monetária e a política monetária é, e já agora também se decide na composição alternada que decide sobre matérias de supervisão financeira, é no BCE e é o governador do Banco de Portugal que tem assento no BCE, é sobre ele que incumbem as maiores exigências de independência. Não deve ser alguém que vem diretamente de um governo, porque nesse cargo de governador se tem assento no BCE e no BCS se decide política monetária e medidas de supervisão financeira. E, portanto, o que António Leitão Amaro, acadêmico, defendia é o mesmo que como ministro de um governo que defende, e o governo defende, que a boa prática é não haver uma passagem, nem imediata, nem com prazo curto. As minhas reflexões acadêmicas, eu remetia isso para isso, são dois, três anos de período adequado. Também disse, já agora, nessas reflexões acadêmicas, que há vantagens, sendo um cargo que tem uma relação pública, que exerce um poder público, que tem decisões com grande impacto na vida pública, que tenha compreensão do fenômeno político. E, portanto, a experiência, não a partidária, mas a experiência de cargos executivos, designadamente, pode ser uma mais-valia, desde que sejam garantidas as condições de independência e não haja uma passagem quase que mudar de barco sem molhar os pés. E, portanto, nós garantimos assim plenamente a independência. São vários anos, creio que uma década, a servir a OCDE e com isso os cerca de 40 países membros e a economia internacional, e a honrar já agora Portugal a partir dessa função. E portanto, é isso que está em causa, é pela independência, pelo reconhecimento internacional, pelo talento, pelo conhecimento da economia nacional e internacional e do sistema financeiro, que Álvaro Santos Pereira é a melhor escolha e a melhor escolha, e a escolha que o governo português propõe, se prepara fazer e quer agora ouvir a Assembleia da República.
Novamente o ministro Leitão Amaro a justificar a escolha de Álvaro Santos Pereira para suceder a Mário Centeno na liderança do Banco de Portugal. Deixou uma palavra de agradecimento pelo trabalho realizado pelo antigo ministro socialista, mas os grandes elogios, esses, foram para o novo líder do Banco de Portugal. Não quis também falar em outros nomes apontados para o cargo e reforçou a importância de o posto não ser ocupado por alguém que vem diretamente do governo. O próprio Álvaro Santos Pereira já tinha dito em entrevista ao Expresso que o cargo de governador do Banco de Portugal não deve ser político, mas sim independente e técnico.
Carlos Pedro, que continua a acompanhar esta conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros, em que Álvaro Santos Pereira, indigitado governador do Banco de Portugal, economista, foi ministro da Economia entre 2011 e 2013, no governo de Pedro Passos Coelho, é atualmente economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Juntam-se a nós ao telefone para analisar esta escolha Hugo Carneiro, do PSD, Rui Afonso, do Chega, e também Carlos Pereira, do PS. Boa tarde aos três, obrigado por se juntarem a nós ao telefone nesta altura. Começava, se calhar, por si, Rui Afonso. Como é que olha para esta escolha de Álvaro Santos Pereira?
Muito boa tarde, boa tarde a todos os ouvintes da Rádio Observador. Olhamos com expectativas. Neste momento, acreditamos que seja uma pessoa com credenciais para assumir o cargo. Parece-nos uma pessoa com independência e esperamos, acima de tudo, que seja uma pessoa que saiba analisar e escrutinar erros passados, nomeadamente os erros que foram cometidos pelo antigo governador ou que estão neste momento
Ao suspeita pelo antigo governador, nomeadamente a construção da nova sede do Banco de Portugal em Entrecampos, a situação de promoções e renovações de mandatos que foram feitas já no término do seu mandato e que seja um governador que saiba garantir a transparência e isenção que é necessária numa instituição tão importante como o Banco de Portugal. Que seja uma pessoa que saiba garantir, acima de tudo, a imparcialidade e que consiga guiar os caminhos e o futuro do Banco de Portugal para uma história de sucesso. Mário Centeno deixou nogle situações por esclarecer. Esperemos que essas situações sejam rapidamente esclarecidas e que o novo governador assuma um papel preponderante na resolução das mesmas. Esses serão os nossos anseios prioritários. Mas sem sombra dúvida que é uma pessoa credenciada. Foi um antigo ministro da Economia no tempo de Passos Coelho, era economista-chefe na OCDE, uma importante instituição a nível internacional e acreditamos que tem a credenciação. Vamos dar o benefício da dúvida e vamos acreditar que poderá ser um bom elemento para o futuro.
Carlos Pereira, partilha desta expectativa de Rui Afonso?
Boa tarde a todos que nos estão a ouvir, também cumprimentos ao painel, aos meus colegas. Em primeiro lugar, eu lamento que o Governo não tenha resistido à tentação de fazer mais uma nomeação política. Foi isso que aconteceu hoje, que foi sendo mais ou menos avisado ao longo das últimas semanas, mas que acabou por se concretizar hoje. Estamos a falar, de facto, de uma nomeação política, apesar de todas as tentativas do senhor ministro Leitão Amaro de até usar o seu doutoramento para justificar uma clara nomeação política, o que não deixa de ser um pouco caricato, mas a verdade é que é isso que se trata. O Mário Centeno foi um bom governador do Banco de Portugal, foi aliás reconhecido pelos seus pares no quadro europeu quando foi presidente do Eurogrupo. Tem um currículo absolutamente inabalável. Não é possível criticar, do ponto de vista do mérito curricular, Mário Centeno, mas além disso, junta a esse mérito curricular, como eu já disse várias vezes, a sua experiência como Ministro das Finanças, com resultados bastante bons, que porventura são esses mesmos resultados que, de alguma forma, incomodam a AD e o governo. Portanto, eu acho que a grande questão nesta nomeação é menos a nomeação de Álvaro Santos Pereira e bastante mais o afastamento político, com intenções políticas de Mário Centeno. Mário Centeno, parece-me evidente, fez um mandato imaculado e a tentativa, no fim do mandato, de encontrar situações que possam de alguma maneira justificar o seu afastamento, diz bastante sobre aquilo que se está a passar hoje em Portugal.
Hugo Carneiro, há incómodo ou houve incómodo com Mário Centeno, como diz Carlos Pereira, este afastamento é um afastamento político?
Mais muito boa tarde, cumprimentar-vos e também os meus colegas de painel e quem nos ouve. Eu gostava de lamentar estas palavras do meu colega, deputado Carlos Pereira, porque dizer que esta é uma nomeação política, sabendo nós que Mário Centeno quando foi nomeado, indigitado pelo Partido Socialista, saltou diretamente ministro das Finanças para governador do Banco de Portugal, quer dizer, eu vou ali e já venho. Parece quase anedótico. O que é que é importante no dia de hoje realçar? Isso, sim, que é aquilo em que nos vemos-
Não comparo, é uma coisa diferente.
Eu sei que incomoda.
Não, é só para pesquisar.
Eu ouvi com atenção, Carlos, pedia também que ouvisse com atenção.
Sim, claro que sim. É só para ser preciso, Carneiro.
Álvaro Santos Pereira foi governante no passado, é verdade. Antes de ser governante, já tinha uma carreira e depois de deixar de ser governante, isso aconteceu há muitos anos, foi continuar a sua carreira ao ponto de ter chegado a economista-chefe da OCDE. Isso é um facto notório, que até supera, provavelmente, em muitos aspectos, o currículo do anterior governador, mas eu já nem vou entrar em comparações dessa natureza, porque cada um faz o caminho profissional que muito bem entende. Agora, nós não podemos desconsiderar o percurso que Álvaro Santos Pereira teve, a sua independência e aquilo que é mais relevante hoje assegurar é que o Banco de Portugal é uma instituição independente e portanto, esta indigitação assegura-nos que no futuro o Banco de Portugal será independente. Não há dúvidas nenhumas sobre isso. É um economista reconhecido, é doutorado, tem uma carreira internacional, é conhecedor, como o ministro Leitão Amaro ainda há pouco referia, dos assuntos da economia portuguesa, das dificuldades que muitas das vezes o país tem e os desafios. Aquilo que nós esperamos é que Álvaro Santos Pereira venha garantir que o Banco de Portugal é uma instituição independente, que valorize os seus recursos humanos e técnicos e que a instituição tão relevante como é esta do Banco de Portugal, continue a prestar os serviços à República Portuguesa, que são tão reconhecidos ao longo de décadas. Isso para nós é aquilo que é mais importante. Deixe-me também dar uma nota relativamente ao governador que cessa funções. Desejamos naturalmente os maiores sucessos no seu futuro profissional e agradecemos os serviços que ele prestou. Ao contrário do meu colega Carlos Pereira, eu não vou aqui entrar numa lógica de desvalorização das pessoas, porque isso não seria correto nem adequado, como ainda agora tentou fazer relativamente a Álvaro Santos Pereira. Mas também devo realçar, para terminar, uma outra notícia que o governo nos trouxe hoje relativamente a estas nomeações
Que foi a nomeação de Gabriel Bernardino para a Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões, também uma pessoa absolutamente independente, com uma carreira internacional, foi presidente da EIOPA, que é a autoridade equivalente ao nível europeu e da CMVM. E portanto, o governo hoje traz-nos isto. Não são nomeações partidárias, não são nomeações que suscitem perplexidade pela falta de isenção, bem pelo contrário, são pessoas com um percurso bem firmado nos setores onde se inserem e nomeadamente o setor econômico e segurador, e garantem a independência às instituições que vão coordenar, e isso para nós é fundamental.
Rui Afonso, há aqui um afastamento político. Como é que olha para a saída de Mário Centeno e como é que olha para a questão da independência ou não de Álvaro Santos Pereira para ser governador do Banco de Portugal?
Aquilo que eu lhe posso garantir é que efetivamente, em termos de independência e pelo histórico que houve entre um e outro, compreende-se que Álvaro Santos Pereira terá condições para ser muito mais independente do que propriamente Mário Centeno. Mário Centeno foi um ministro das Finanças que saltou para o Banco de Portugal e acabou por ser quase um instrumento de captação de boys do PS para uma instituição que deveria ser totalmente independente. Foi alguém que nunca conseguiu, enquanto governador do Banco de Portugal, manter a independência e a credenciação necessária de uma instituição daquela envergadura. Esperemos que Álvaro Santos Pereira não caia nesses erros, pelo menos em termos de passado, de currículo, não parece que isso vá acontecer, mesmo em termos de postura, mas veremos no futuro como é que será o seu desempenho enquanto futuro governador. Esperemos realmente que não seja um instrumento, que eu acredito que não seja, de captação de boys de tachos. Acredito sinceramente que é uma pessoa com uma postura muito profissional, uma pessoa com uma credenciação muito grande em termos históricos, com um currículo bastante preenchido, bastante denso, e acredito que poderá fazer um bom trabalho no Banco de Portugal. Portanto, estamos a falar de duas situações completamente diferentes. Estamos a falar de uma pessoa que passou diretamente de ministro das Finanças do Partido Socialista para o Banco de Portugal, e que por aí também acabou por ser quase um condutor de captação de boys, face a uma pessoa que neste momento tem um currículo mais ou menos caracterizado pela independência face ao poder político e que realmente tem condições para poder desempenhar um excelente papel enquanto governador. Vamos acreditar no futuro, vamos dar o benefício da dúvida. Nós não fomos tiros rinchaços nesta nomeação, mas vamos acreditar que realmente possa ser a escolha certa para avançar. Vamos aguardar então o que é que nos reserva o futuro.
Carlos Pereira, como é que analisa também este fato de Mário Centeno ter sido diretamente quase de um governo para governador e agora termos uma pessoa que já há vários anos que saiu de funções governativas e que é aqui apelidado por António Leitão Amaro como alguém que serve melhor os objetivos por ser independente, que não vir nem de dentro do banco nem de um governo?
Eu queria notar antes disso algo que me parece até muito útil neste debate que estamos a ter. E é muito útil para os portugueses que nos estão a ouvir, que é a total convergência que se verifica entre o Chega e o PSD/AD em relação a estas matérias e outras que temos assistido. Não deixa de ser caricato ver Rui Afonso, do Chega, sublinhar as palavras elogiosas da AD relativamente a uma nomeação. Não deixa de ser até caricato face àquilo que André Ventura anda a dizer por aí sobre aquilo que são as eleições políticas, em primeiro lugar. Em segundo lugar, eu quero dizer ao senhor deputado Carneiro que não percebeu nada daquilo que eu disse no início, nem sequer fiz nenhuma observação sobre Álvaro Santos Pereira na minha primeira intervenção. E portanto, aquilo que diz Júlio Carneiro do que eu fiz isto e fiz aquilo, sobre se eu disse isto e disse aquilo sobre Álvaro Santos Pereira, deve ter sido uma ficção que ouviu algures, porque não foi a minha conversa. A minha conversa foi só uma: lamentar a tentação que a AD teve, não resistiu, de não reconduzir o governador do Banco de Portugal, o que é uma coisa absolutamente inédita e por isso é que eu disse, e interrompi-o para lembrar, que no passado não era uma recondução, era de facto uma demissão que tinha que acontecer. E portanto, são coisas bastante distintas. Isto como nota. Por outro lado, se é para dizer alguma coisa sobre o currículo de Álvaro Santos Pereira, há alguma coisa que de facto podemos dizer e que talvez esteja na origem desta escolha. É que Álvaro Santos Pereira fez parte de um governo, no período da Troika, que de facto é um governo de más recordações para os portugueses. É de facto um governo de más recordações para os portugueses. Isso é o currículo de Álvaro Santos Pereira, no que diz respeito à passagem pelo governo. E isso é, do meu ponto de vista, preocupante. Por outro lado, aquilo que eu entendo que de facto incomoda bastante, aquilo que leva a AD a não reconduzir Mário Centeno, tem a ver precisamente com a distance absolutamente ... especial que Álvaro Santos Pereira e Mário Centeno tinham a encarar a recuperação do país de uma crise, nomeadamente com Álvaro Santos Pereira a veicular a ideia de que é preciso mais austeridade, até além daquilo que a troika pedia, e Mário Centeno a demonstrar que o país podia sair da crise com menos austeridade, com crescimento econômico e sem prejudicar as pessoas como estavam sendo prejudicadas na altura da troika. Portanto, nós estamos perante duas personalidades, do ponto de vista daquilo que foi o seu comportamento no governo, bastante distintas. E sim, isto marca uma diferença significativa e leva a que haja, de facto, expectativas sobre aquilo que Álvaro Santos Pereira fará no Banco de Portugal. Não quero aqui antecipar aquilo que vai ser o mandato de Álvaro Santos Pereira, não farei isso, mas não posso deixar de constatar que Álvaro Santos Pereira é, de facto, uma personalidade intimamente ligada ao PSD, bastante ligada ao grupo de pessoas que hoje estão no governo e, portanto, de alguma maneira, sublinhar aquilo que disse inicialmente, a tentação do governo em colocar um boy no Banco de Portugal e não reconduzir, e isto sim é a questão fundamental, um governador que estava a fazer um bom trabalho. Eu discordo completamente daquilo que disse Rui Afonso, não sei onde é que foi buscar argumentos para isso e onde é que está sustentado que-
Eu vou ter uma pergunta
Não sei onde é que está sustentado que no plano internacional Mário Centeno foi um mau governador. Mário Centeno foi escolhido pelos seus pares para ser presidente do Eurogrupo. Mário Centeno foi-
Pelos seus pares não foi, de certeza.
Mário Centeno foi, de facto, um bom governador do Banco de Portugal, conforme é possível demonstrar e portanto nem percebo muito bem, era bom que justificasse, demonstrasse.
A promoção da diretora de Mourinho. A promoção a um cargo de direção, depois a de um secretário de estado do PS. A renovação do mandato do chefe de gabinete antes de sair. As suspeitas que recaem sobre a nova sede. Estamos a falar de milhões e milhões de euros que podem ter sido sonegados só em Portugal.
Isto não é sustentável, mas é verdadeiramente aquilo que eu discuto e agora está completamente alinhado com o discurso da AD e isso é, do meu ponto de vista, lamentável. Mas é uma boa notícia, conforme comecei por dizer no início, porque assim Portugal fica a conhecer como é que estas nomeações estão a ser feitas em estreita ligação com o Chega.
Já lhe dou a palavra, Rui Afonso. Já lhe dou a palavra. Deixe-me só passar primeiro pelo Carneiro para continuarmos a seguirmos aqui a ordem, que também certamente terá alguma coisa a dizer em relação ao que disse o Carlos Pereira. Mas queria também perguntar-lhe se o facto de haver uma nomeação para o governador do Banco de Portugal, novamente, de alguém que já esteve num governo, independentemente de ter sido há mais ou menos tempo, é algo que pode vir a passar a ser tradição e colocar um pouco em causa a independência deste órgão.
Eu antes de responder à sua pergunta, gostava de dizer ao meu colega Carlos Pereira, senhor deputado Carlos Pereira, que de facto é surpreendente aquilo que ele acaba daqui de referir. Primeiro começou por dizer, corrigindo-me, foi assim que ele referiu, que não tinha dito mal ou não tinha insinuado nada de negativo com Álvaro Santos Pereira. E depois perdeu para aí cinco ou 10 minutos a dizer mal de Álvaro Santos Pereira, que teve ligado à troika. Não deixa de ser caricato que o senhor deputado Carlos Pereira não tenha resistido à tentação de dizer mal de Álvaro Santos Pereira. Foi o que fez desde o início, insinuou, e depois na segunda parte da sua intervenção acentuou essa crítica e essa, às tantas, até difamação. Mas deixem-me dizer-nos também que nós não nos esquecemos quem é que trouxe a troika para Portugal e o país com muita dificuldade viveu por causa do Partido Socialista ter levado o país à falência. Mas deixem-me também dizer-vos o seguinte: esta posição do senhor deputado Carlos Pereira é uma posição que me surpreende porque demonstra bem, e os portugueses têm que perceber isto, e têm que estar atentos a isto e identificar estes sinais que vêm do Partido Socialista, é que o Partido Socialista não percebeu o resultado das eleições. E eu espero que o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, que é uma pessoa moderada, por quem eu tenho respeito e consideração, que de facto consiga controlar estes ímpetos extremistas e radicais da crítica pela crítica, do bota abaixo, que nós continuamos a identificar no Partido Socialista. E eu devo lamentar. Eu espero mesmo que o secretário-geral, que eu sei que é uma pessoa moderada, o secretário-geral do Partido Socialista, consiga controlar e moderar estes ímpetos que vêm do Partido Socialista e que nós temos visto nesta matéria ainda agora, mas também noutras áreas, como por exemplo, estas que têm sido discutidas nos últimos dias na imprensa de forma muito ampla. Agora, sobre a sua pergunta que colocou, eu gostava de dizer o seguinte: o doutor Álvaro Santos Pereira é economista-chefe da OCDE, que é uma das maiores organizações internacionais, com uma altíssima credibilidade, e chegou lá não por indicação de ninguém, mas pelo seu esforço, pelo seu trabalho, candidatando-se quando se tinha que candidatar e superando as provas que tinha que superar para poder atingir esses altos patamares da economia internacional. E, portanto, desconsiderar isso deve suscitar a nossa perplexidade. O doutor Álvaro Santos Pereira não saltou diretamente, ao contrário de Mário Centeno, do governo para governador. Não saltou. E, portanto, ele está pelo menos há uma década afastado de qualquer função governativa. Pelo menos há uma década. Tendo em conta que a AD saiu do governo em 2015 e nós estamos em 2025, pelo menos há uma década que está afastado de qualquer função governativa em Portugal. E partidária não tem. Não é dirigente de nenhuma estrutura do PSD a nenhum nível.
O Dr. Álvaro Santos Pereira, e é isto que suscita este fantasma junto do Partido Socialista, é caracterizado efetivamente pela sua independência e pela sua qualidade técnica. E é isso que nós precisamos no Banco de Portugal. É isso que o governo conseguiu encontrar com este nome, com esta pessoa, juntamente também com o Dr. Gabriel Bernardo, que ainda há pouco referi para a Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões, foram as duas pessoas indigitadas hoje, e é isso que eu devo louvar. Quanto ao mais, isto é ruído da política que o Partido Socialista, pelos vistos, pretende continuar a promover. Eu espero que o secretário-geral do Partido Socialista consiga moderar esses comportamentos.
Rui Afonso.
Sim.
Quer responder também àquilo que foram as declarações do Carlos Pereira?
Queria. Repare, Mário Centeno pode ter deixado uma bomba para o futuro no Banco de Portugal. Mário Centeno celebrou um contrato de promessa de compra e venda de terrenos numa operação da construção da nova sede do Banco de Portugal, que está avaliada à volta de € 200 milhões, contra oito pareceres técnicos e jurídicos que afirmavam claramente que se tratava de uma operação que implicava contingências de alto risco. Contra pareceres técnicos e jurídicos, Mário Centeno avançou com a compra de terrenos e com a celebração de contratos para a construção da nova sede do Banco de Portugal. Mário Centeno, sabendo que ia terminar o seu mandato, promoveu à última da hora a mulher de Marinho Félix para um cargo de direção no Banco de Portugal. Marinho Félix foi antigo secretário do Partido Socialista, renovou o mandato do seu chefe de gabinete e, portanto, isso mostra claramente que havia intenções aqui, muito mais além das intenções puramente do cargo do governador do Banco de Portugal. Há aqui, notoriamente, questões partidárias e espero bem que, no futuro, o governador não olhe só para o futuro desempenho das suas funções, mas que também veja essencialmente esta operação, que é uma operação de alto risco para o Banco de Portugal e pode pôr em causa as próprias contas do Banco de Portugal, que veja com atenção essas promoções que foram feitas à última hora por Mário Centeno, porque isto realmente revela muito daquilo que o Partido Socialista sempre fez ao longo dos anos nas instituições que teoricamente deveriam ser instituições independentes. E, portanto, aquilo que eu neste momento posso afirmar é que nós precisamos de escrutinar ao máximo os cargos que são desempenhados em órgãos independentes. Espero sinceramente que agora numa futura governação, que o futuro governador do Banco de Portugal realmente consiga não só limpar o que está no passado, mas sobretudo aprender para o futuro e consiga garantir que o Banco de Portugal se torne uma verdadeira instituição isenta, transparente e que realmente transmita a confiança necessária ao mercado para realmente podermos continuar com o trabalho sério e que Portugal nunca saia prejudicado por decisões que eventualmente possam pôr em causa o seu desenvolvimento. Isso para nós será sempre o mais importante.
Carlos Pereira, já percebemos que existe aqui algum desagrado relativamente a esta nomeação, ou pelo menos ao afastamento de Mário Centeno. Aquilo que lhe pergunto é qual é que vai ser o posicionamento também do Partido Socialista, nomeadamente no Parlamento, que sinal é que vai dar relativamente àquilo que também tem que ser a palavra do Parlamento perante esta indigitação?
Eu acho que a pergunta está mesmo muito bem feita. É que há algum desagrado relativamente ao afastamento. Relativamente ao perfil de Álvaro Santos Pereira, do ponto de vista técnico, eu continuo a sublinhar que não fiz nenhum comentário negativo sobre isso. Fiz comentário sobre aquilo que acredita Álvaro Santos Pereira. O que acredita Álvaro Santos Pereira ficou demonstrado quando foi ministro e isso, do meu ponto de vista, não é algo de bom para o país. O país conheceu aquilo que era o perfil de Álvaro Santos Pereira no que diz respeito à forma que ele considera adequada para que o país saia de uma crise como aquela que tivemos. Considera que a austeridade é de facto um caminho e nós achamos que esse não é um caminho e esse foi um caminho que prejudicou Portugal. E esse foi o meu sentido de crítica, que sublinho agora. E sublinho dizendo uma outra coisa que eu acho que é relevante neste debate, que é questionar esta atitude pidesca do deputado Hugo Carneiro, de que espera que o secretário-geral do Partido Socialista ponha sim a isto ou aquilo. Eu confesso que não consigo compreender o alcance deste tipo de comentários do deputado Hugo Carneiro. Parecem, de facto, maus do ponto de vista daquilo que deve ser o comentário de um deputado e além disso, não me parece sequer que venham ao encontro daquilo que seja uma resposta adequada de um partido como o PSD. Mas enfim, essa é uma responsabilidade apenas sua e não de mais ninguém.
Já decidiu o ganhador disso. Muito bem.
E relativamente àquilo que disse Rui Afonso, eu queria voltar a dizer aquilo que acho que está a acontecer. O Chega mantém o seu perfil de intervenção pública, anudrontando sempre que há alguma coisa que queira resolver a seu bem e a seu proveito. E portanto, o medo faz sempre parte do discurso e deste lançar a ideia de que no mandato de Mário Centeno houve