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Rádio Observador. Jornal das duas com o Vasco Maldonado Correia. Vasco, o incêndio em Vouzela está descontrolado e há duas aldeias que foram evacuadas na Serra do Caramulo, em Tondela.

Uma delas, Matadagos, durante a última noite, a outra, Mansores, ao início desta tarde. É o que explica o comandante dos Bombeiros de Vale de Besteiros, Miguel Santos. Tentamos agora estabelecer ligação neste jornal com Carla Antunes Borges, presidente da Câmara de Tondela. Estamos a tentar perceber se temos, de facto, essa ligação. Não, creio que nesta altura não é possível. Voltaremos a tentar esse contacto ao longo deste jornal, se assim for possível.

O ministro da Administração Interna não exclui a hipótese de fogo posto neste incêndio em Vouzela e acredita que as próximas horas vão trazer condições mais favoráveis para o combate às chamas.

Luís Neves está no terreno, neste momento em Águeda, aos jornalistas ao início da tarde, manifestou esperança no trabalho dos bombeiros.

A partir de agora, as condições atmosféricas permitem-nos atuar de outra forma. Os ventos têm sido fortes, muito inconstantes, uma baixíssima umidade e, portanto, nós temos que contar com tudo isto. Quer dizer que há muitos meios, quer meios humanos, quer do ponto de vista de maquinaria, quer do ponto de vista de meios aéreos, que estão muito concentrados neste foco. E quero vos dizer que o dia de hoje, a partir de agora, pelas condições que já referi, será um dia de grande combate, a ver se conseguimos circunscrever este grande incêndio.

O incêndio de Vouzela, diz o ministro, é o que mais preocupa as autoridades nesta altura, sendo que neste momento estão no terreno mais de 900 operacionais e uma dezena de meios aéreos.

E vamos também falar neste jornal das duas. André Ventura pediu ao primeiro-ministro que volte para Portugal para coordenar este combate aos incêndios.

Luís Montenegro, que regressa hoje do Canadá, onde assistiu ao jogo da Seleção Nacional Portuguesa frente à Croácia, em declarações aos jornalistas no Parlamento. O líder do Chega aconselhou o líder do governo a não repetir os mesmos erros do passado.

Nós estamos outra vez com incêndios no nosso país. Nada foi feito durante um ano para evitar que os incêndios acontecessem. E eu espero que o senhor primeiro-ministro não cometa o mesmo erro político do ano passado de estar ausente da coordenação dos esforços contra os fogos. É preciso que o primeiro-ministro volte para Portugal, assuma o combate contra os fogos como a grande prioridade deste momento. Não dá mais para fugir, tem mesmo que estar cá a cumprir o seu papel. É para isso que os portugueses lhe pagam o salário.

André Ventura, aqui em declarações nos Passos Perdidos da Assembleia da República. Nesta altura, temos condições para ir em reportagem até ao terreno, ao encontro do jornalista Miguel Pinheiro Correia, que tem estado a acompanhar a situação dos incêndios. Está nesta altura em a aldeia de Castanheira de Vouga. Boa tarde, Miguel, como é que está a situação por aí?

Ora, aqui em Castanheira do Vouga, onde nós estamos, o cenário é um bocado mais tranquilo do que estava, por exemplo, de madrugada. Nós temos aqui o morador, que estava a falar conosco há pouco, que nos descreveu uma situação de maior aflição. Diz que esta zona já está habituada a incêndios, mas que hoje ou esta madrugada, sobretudo, viveu aqui momentos de maior aflição.

Sim, por volta das 05:00 foi quando o fogo aqui atingiu o pico e nós tínhamos quase a aldeia cercada com lume e com muito vento. E meteu um bocado de respeito. À pesar das populações já estar habituada a incêndios, uma maneira de rir, mas complicada.

E foram mesmo momentos complicados. Estava a descrever que, no seu caso, as chamas não afetaram ou não ameaçaram a sua casa, mas que teve que ajudar vizinhos.

Sim, temos vizinhos que tivemos que socorrer, porque o lume era tão forte, o vento era tão forte que muitas projeções, muitas folhas pelo ar a arder, se incendiavam aqui e ali e tivemos que socorrer uns aos outros, que é o habitual.

E descrevia-me há pouco que se sentiram um pouco sozinhos, sem o apoio necessário, pelo menos no momento de aflição.

Não quero culpabilizar ninguém, mas infelizmente tivemos os carros de bombeiros de fora do Conselho de Águeda, que nos tiveram a dar algum apoio. Temos de contar com a nossa associação local, a Associação Humanitária Castanheirense, que faz um trabalho espetacular, com voluntários só, mas que nos ajudou também muito de noite.

E a expectativa para as próximas horas, no momento em que o incêndio se afastou um pouco de Castanheira do Vouga, mas falámos há pouco com uns vizinhos que diziam ou que temem que regressem as chamas aqui.

Ele não saiu toda a Castanheira, ele está na parte sul da Castanheira do Vouga, mas como não tem havido vento agora ultimamente, ele está mais calmo, mas se o vento se levantar, como costuma dizer, ele vai voltar a ameaçar a Castanheira, porque a parte sul da Castanheira ainda não ardeu.

O receio dos moradores e também dos bombeiros, a questão do vento, que se agora, pelo menos aqui em Castanheira do Vouga, deu algumas tréguas, pode sempre voltar e voltando, coloca em risco também esta zona de muitas casas de habitação, que viveram esta madrugada aqui momentos de maior aflição.

Creio que perdemos contacto com o Miguel Pinheiro Correia. É também um dos efeitos dos incêndios nesta altura, as dificuldades de rede, que também nos obrigam a fazer estes diretos por telefone. Fica também esse retrato da situação deste incêndio em Vouzela nesta altura.

Seguimos com outro assunto que está a marcar a atualidade. A Polícia Judiciária está a fazer buscas na Junta de Freguesia das Avenidas Novas, em Lisboa.

Notícia avançada pelo "Correio da Manhã", confirmada, entretanto, pela própria autarquia, através de uma publicação no Facebook. Nessa publicação, a Junta de Freguesia refere também a total colaboração com as autoridades. Ao que o Observador apurou, está a ser recolhida a documentação relacionada com contratos feitos em 2025, ainda no mandato anterior da Junta, também presidida pelo social-democrata Daniel Gonçalves. Em causa está uma investigação nova que surgiu na sequência de uma denúncia anônima. De acordo com o "Correio da Manhã", as buscas abrangem procedimentos dos departamentos de licenciamento, aprovisionamento e contabilidade.

No Mundial de Futebol, hoje há Cabo Verde com a Argentina, com a campeã do mundo em título.

Os Tubarões-Azuis procuram manter a performance histórica, sem derrotas neste mundial. Junto ao Marquês de Pombal, na Associação Cabo-Verdiana de Lisboa, está o repórter do Observador, Martim Madeira. Martim, apesar de não haver muitos cabo-verdianos ainda por aí, há pelo menos a presidente da associação, que tem esperança nos Tubarões-Azuis.

Sim, aqui na Associação Cabo-Verdiana de Lisboa, tivemos a oportunidade de visitar o restaurante da associação, onde se come, por exemplo, uma boca chupa, se quiserem experimentar, claro. Mas também tivemos a oportunidade de falar com a presidente da associação, Dulcineia Sousa, que curiosamente entrou justamente no edifício quando estávamos a sair. Na conversa, a presidente da associação contou-nos um pouco dos planos da associação para este jogo.

Vamos fazer um jantar dançante à moda daquilo que é habitual aqui na Associação Cabo-Verdiana, portanto, um jantar com música ao vivo e a seguir ao jantar vamos assistir ao jogo.

Já sobre o jogo, fala-nos de uma esperança deste Cabo Verde, que é sempre a última a morrer.

Sim, a esperança é a última que morre. Há uns meses atrás, se calhar, não tínhamos esperança nem de entrar no mundial, quanto mais agora passar à segunda fase e afinal de contas estamos aqui. Portanto, aquilo que eu espero é que haja um bom espetáculo de futebol, um bom desempenho, sem faltas, um jogo bonito e claro, que demos mais um passo.

E independentemente dos jogadores ganharem ou perderem, o orgulho está sempre presente.

Sempre, independentemente do resultado, o nosso orgulho é imenso.

E de um orgulho imenso, fala também sobre o desempenho do mundial. Dulcineia Sousa fala num pequeno passo para o homem e um grande salto para Cabo Verde.

Eu acredito que todo este desempenho é, como se diz, um pequeno passo para o homem e um salto gigantesco para a humanidade. E então para Cabo Verde vai ser um salto gigantesco. Acho que já está todo mundo de olho em Cabo Verde e vai-se ver, de facto, a necessidade de escolas de futebol, melhoramento de infraestruturas. Isto para não falar na projeção que isto dá a Cabo Verde em outras áreas.

Uma projeção enorme. É esperada muita festa aqui na associação, que vai organizar todo um evento com jantar e dança a partir das 20h, mas às 23h é hora do sonho de Cabo Verde persistir.

Reportagem do Martim Madeira, aqui em direto da Associação Cabo-Verdiana de Lisboa, já à procura de adeptos de Cabo Verde para essa partida com a Argentina.

Vamos a outras notícias em destaque a esta hora, Vasco.

Subiu para 84 o número de cidadãos portugueses mortos nos sismos da Venezuela, sendo que 15 são crianças, outros 69 são adultos. Destes 84 mortos, 72 tinham a dupla nacionalidade. Está eleita a nova Provedora da Justiça. Depois de três tentativas, o PS saúda o regresso da normalidade institucional. Luísa Neto foi eleita com 159 votos a favor, 29 brancos e 30 votos nulos. Consegue assim, à segunda tentativa, alcançar a maioria de dois terços, o mínimo necessário para ser eleita, sendo que no mês passado a candidata proposta pelo PS tinha falhado a eleição por uma margem curta, ficou a sete votos de ser eleita, tendo em conta que foi a segunda candidata ao cargo de Provedora da Justiça. Em abril, Tiago Antunes também já tinha sido chumbada, também tinha sido indicado pelo Partido Socialista.