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Rádio Observador. Começa agora o Jornal das duas, edição do jornalista José Rafael Lopes. E começamos com a atualidade internacional. Pedro Sánchez dissolveu o Parlamento Espanhol.
Já terminou o Conselho de Ministros, que o líder do governo espanhol tinha anunciado de manhã, com essa decisão de dissolver o Parlamento Espanhol. Este Conselho de Ministros tinha sido marcado depois de Pedro Sánchez ter anunciado eleições antecipadas no país. O ato eleitoral em Espanha avança depois de um chumbo de medidas para a habitação, que leva Pedro Sánchez a avançar para as eleições já marcadas para dia 29 de novembro, sendo que amanhã há nova reunião do Conselho de Ministros de Espanha.
E há uma reação do líder da oposição em Espanha, que saúda o anúncio de eleições antecipadas.
Alberto Núñez Feijóo diz que estas eleições vão ser diferentes. Desta vez, não vai ser uma questão de PP frente a PSOE, mas sim de Espanha contra Pedro Sánchez.
A pergunta que faço aos espanhóis é se querem mais quatro anos disto ou se estão dispostos a dar uma oportunidade à mudança. Sofremos políticas sem escrúpulos e um líder com poder sem limites, um governo disposto a tudo. Agora é momento de escolher entre um projeto de ambição individual ou um projeto para o país. Não são eleições como antes. Este vai ser um duelo entre Espanha e o que representa Pedro Sánchez. A nação e a democracia têm de vencer quem mais dano lhe causou.
A reação do líder da oposição em Espanha. Já Pedro Sánchez tinha dito, antes de dissolver o Parlamento, que quer uma maioria progressista mais ampla.
Para fazer mais, precisamos renovar e ampliar o nosso apoio para dar seguimento às reformas de que precisamos, para que a cidadania possa reduzir os níveis de desigualdade, devemos mobilizar-nos e devemos garantir que o Parlamento nos dote de uma maioria muito mais ampla e progressista, com a qual possamos derrotar as elites, conquistar novos avanços sociais e continuar a transformar Espanha.
É o que pretende alcançar Pedro Sánchez com estas eleições antecipadas. O primeiro-ministro espanhol quer reforçar o poder do PSOE no Parlamento. As eleições têm já uma data, vão decorrer no dia 29 de novembro.
E na análise a esta decisão de Sánchez, o politólogo Diogo Noivo diz que o presidente do governo espanhol procurou um tema para sair em vantagem na campanha eleitoral.
A crise da habitação. Diogo Noivo diz que o tema originou uma onda de protestos em Espanha e é uma oportunidade para centrar a campanha eleitoral num tema importante para a esquerda.
Pedro Sánchez estava à procura do melhor momento e do melhor assunto para ir a eleições e parece acreditar que a habitação é, de facto, ou dá-lhe, pelo menos, essa base para se poder apresentar em eleições de maneira menos má.
Diogo Noivo, politólogo, a comentar o anúncio de eleições antecipadas em Espanha, marcadas para dia 29 de novembro.
E no Brasil, Flávio Bolsonaro e Lula da Silva vão à segunda volta das eleições gerais do Brasil. O candidato do Partido Liberal parte à frente.
47,03% dos votos para Flávio Bolsonaro supera a votação do pai, Jair Bolsonaro, em 2018. Já o atual presidente Lula da Silva não foi além dos 45%. O próximo presidente brasileiro vai ser decidido numa segunda volta, já agendada para o dia 25 deste mês de outubro. Nunca um candidato derrotado na primeira volta conseguiu reverter o cenário na segunda eleição.
E na Rádio Observador escutamos a análise dos partidos, que acreditam que Lula da Silva e o PT têm uma tarefa complicada pela frente na segunda volta das eleições.
O eurodeputado social-democrata Hélder Sousa e Silva conta que durante uma viagem recente ao Brasil, percebeu o desgaste da população brasileira.
Quer masculinos, quer femininos, porque normalmente o voto também depende um pouco do gênero, mesmo os petistas me disseram que estavam muito receosos relativamente ao resultado que viria a acontecer em 4 de outubro, porque aquilo que é o desgaste geral do governo e a polarização que se criou no Brasil levava a que o resultado do Lula não pudesse não ser aquele que os petistas e o próprio Lula desejava. E isso veio a acontecer exatamente ontem, contra todas as sondagens.
Já o deputado do PS, João Torres, lamenta o resultado nesta primeira volta das eleições gerais no Brasil. Admite que pode colocar em causa a democracia no país.
Se Lula da Silva perder as eleições na segunda volta, eu estou absolutamente certo de que Lula da Silva respeitará os resultados eleitorais. Aliás, ontem, na sua intervenção, ele começa justamente por dizer que os brasileiros deram uma lição de democracia ao país ontem. Se Flávio Bolsonaro não vencer as eleições na segunda volta, eu não estou certo de que ele respeitará e aceitará os resultados.
João Torres, do PS, e Hélder Sousa e Silva, do PSD, no Explicador, na análise do resultado da primeira volta das eleições gerais do Brasil.
E José, está atribuído o primeiro Prêmio Nobel. Três cientistas levam o prêmio para casa na sequência de uma investigação sobre células nervosas.
Uma equipa composta pelo norte-americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel ganharam o Prêmio Nobel da Medicina deste ano. Em causa, descobertas relacionadas com canais iônicos controlados por luz e com recurso à optogenética. O anúncio foi feito esta manhã pelo Comitê do Prêmio Nobel. Na Rádio Observador, o investigador da Universidade Nova de Lisboa, Ricardo Henriques, explica que esta descoberta veio mudar a forma como os cientistas estão a estudar o cérebro.
Com esta descoberta da Channelrhodopsin e a sua aplicação nas neurociências, o que acontece é que conseguimos controlar agora um canal iônico em neurônios utilizando luz. Isso significa que conseguimos estimular o cérebro através de luz, em vez de utilizar agulhas Ou seja, existe uma maneira menos disruptiva de começarmos a compreender de que maneira é que um cérebro funciona.
A análise do investigador Ricardo Henrique, da Universidade Nova de Lisboa. Esta técnica permite identificar os neurónios envolvidos em comportamentos específicos, como o medo, e pode abrir caminho ao estudo de doenças como a depressão e a ansiedade.
Também a marcar o dia de hoje: o presidente da República saúda o entendimento entre o governo e o Partido Socialista para aprovar o Orçamento do Estado e apela que mais partidos se juntem para viabilizar o documento.
A proposta do governo ainda não é conhecida, mas já tem aprovação praticamente garantida com o anúncio da abstenção por parte do Partido Socialista. No primeiro discurso como chefe de Estado, no dia da implantação da República, António José Seguro elogiou essa aproximação entre o governo e o PS e pediu, Vasco Maldonado Correia, mais exemplos de políticas pensadas a longo prazo.
No 5 de outubro, como em todo o mandato, António José Seguro deixa o apelo ao entendimento interpartidário.
Precisamos de soluções duradouras e de capacidade política para aplicá-las. Portugal precisa de uma nova cultura política com base em entendimentos e compromissos interpartidários, focada na resolução concreta dos problemas das pessoas e numa visão estratégica para Portugal.
E volta a manifestar vontade em ver uma política que pense a longo prazo.
Agir sobre o curto prazo com uma ideia de futuro para Portugal obriga a políticas públicas que se apliquem em várias legislaturas. Não podemos estar sempre a voltar ao início só porque se mudou uma legislatura.
Com o Primeiro-Ministro na plateia, fica também a lembrança que sem diálogo nada se faz.
Num regime democrático, ninguém abdica das suas diferenças, mas a democracia também não pode transformar as diferenças em impossibilidades de entendimento, nomeadamente quando os governos não dispõem de apoio parlamentar maioritário.
Com a viabilização do Orçamento do Estado praticamente garantida, Seguro deixa um elogio direto a duas das três maiores forças políticas.
Saúdo o governo e o Partido Socialista pelo caminho de aproximação que têm vindo a fazer, tendo em vista a aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano. Oxalá outros partidos possam juntar-se a este caminho de compromisso e de convergência nestes e noutros processos legislativos.
O presidente da República entende que os eleitores sabem distinguir entre populistas e quem procura o bem do país.
E até mesmo aqueles que, porventura, só agem em função de incentivos eleitorais, digo-vos com muita convicção que acredito que os portugueses apreciam e recompensam os partidos e os atores políticos que acordam em soluções para melhorar a vida concreta das pessoas.
Com a mensagem de que os portugueses precisam de razões para continuar a confiar nas instituições, o chefe de Estado pede também soluções para a crise vivida em todo o planeta.
A crise energética, razão fundamental de muitos destes problemas, não pode ser enfrentada apenas com respostas nacionais. Não se resolve país a país. Exige uma resposta europeia coordenada que proteja as pessoas, a economia e reduza estruturalmente a dependência externa da energia.
Há muito a fazer e é preciso vontade para avançar. Mensagens de António José Seguro no primeiro discurso enquanto chefe de Estado, no dia em que se celebra a implantação da República em Portugal. Vasco Maldonado Correia a acompanhar as cerimónias do 5 de Outubro, na Praça do Município, em Lisboa, em que António José Seguro apelou a que mais partidos ajudem a viabilizar o Orçamento do Estado. A proposta do governo deve ser entregue na Assembleia da República na sexta-feira pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.
E na reação ao discurso do presidente da República, José Luís Carneiro afirma que o PS não quer lançar o país numa crise política e que o valor da estabilidade enaltecido pelo presidente da República tem de corresponder a soluções concretas.
O líder socialista quer também, exige ao governo que deixe cair o acordo com o Chega sobre o novo regime de arrendamento urbano.
Em momento algum pensamos poder lançar o país numa crise política, porque uma crise política no atual quadro internacional seria irresponsável. Mas a estabilidade, como disse o senhor presidente da República, tem de servir para responder às necessidades das pessoas. E é por isso que eu aproveito também esta oportunidade para fazer uma exigência ao governo: que deixe cair o acordo que tem com o Chega em relação à lei das rendas. A lei das rendas é de uma grande indignidade, porque ela lança na insegurança os mais idosos, lança na insegurança os mais jovens e põe em risco a sua dignidade futura.
Já Rui Paulo Sousa, deputado do Chega, critica o discurso de António José Seguro por apelar a uma união entre PSD e PS. Diz mesmo que o presidente da República quis mandar recados ao Chega.
O senhor presidente da República, mais uma vez, começou por falar numa união dos partidos, mas acabou a mandar recados, no fundo, ao Chega e novamente a pedir a união dos dois partidos do centro, que, aliás, já assumiram com o Orçamento e que aparentemente já está aprovado. Esperávamos que, pelo menos por uma vez, quando falassem numa união dos partidos, falassem da união dos três principais partidos. E não falassem, no fundo, sempre os dois do costume, porque esse é que é o problema sempre habitual. No fundo, são sempre afastados quando é a altura da decisão.
Do lado do maior partido que suporta o governo, falou o deputado Alexandre Poço, que sublinha os pedidos de diálogo e estabilidade de António José Seguro. Alexandre Poço diz que é isso que já fazem os sociais-democratas.
Em José, um incêndio que deflagrou ontem num prédio em Rio Tinto deixou mais de 20 pessoas alojadas.
No Conselho de Gondomar, um fogo afetou cinco habitações, obrigou à evacuação do prédio de dois andares. A autarquia indicou à Agência Luz que 16 moradores encontraram soluções para passar a noite junto de familiares e as restantes seis pessoas ficaram num apartamento de emergência da Câmara Municipal de Gondomar. A origem das chamas ainda não é conhecida. O incêndio ficou resolvido por volta das 21h de ontem, causou ferimentos ligeiros num bombeiro que foi encaminhado para o Hospital de Santo António, no Porto.
E no desporto, o Benfica entregou à Federação Portuguesa de Futebol um documento com propostas de reforma para a arbitragem do futebol português.
Um documento com quatro eixos estratégicos, no entender do Benfica: independência, profissionalização, transparência e responsabilização. Entre as medidas integradas na proposta, destaca-se a criação de uma entidade autónoma em relação à Federação Portuguesa de Futebol, à Liga Portugal e aos clubes destinada em exclusivo à gestão do setor da arbitragem. A informação está a ser avançada pelo jornal A Bola, que diz que o documento prevê que a liderança deste organismo seja recrutada através de concurso internacional com mandatos fixos. O plano submetido pelo Benfica estabelece também a separação funcional entre a entidade responsável pela nomeação das equipas de arbitragem e a entidade encarregue da avaliação do desempenho dos árbitros.
E assim fechamos o Jornal das Duas, edição dos jornalistas José Rafael Lopes José. Até já.
Até já.