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Miguel Videira. Miguel, qual é o tema que está a marcar a atualidade neste jornal das 15h?

Olha, a notícia de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. O porta-voz das Forças de Defesa Israelitas confirma esse entendimento. Já lá vamos. Começamos este jornal com a reação do primeiro-ministro ao chumbo da proposta de lei do governo de alterações ao Código do Trabalho, um desfecho para o qual contribuiu de forma decisiva o voto contra do Chega, que se juntou ao PS, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e JPP. A favor votaram PSD, CDS e Iniciativa Liberal. O primeiro-ministro dá a esta hora uma conferência de imprensa a coincidir com o final da reunião do Conselho Europeu. Foi há instantes questionado, precisamente, sobre este chumbo do pacote laboral. Vamos escutar a reação de Luís Montenegro.

Em primeiro lugar, eu diria que o governo não vai desistir de dar a Portugal condições para que o país seja mais competitivo, seja mais produtivo e por via disso, se possam gerar mais oportunidades de emprego e pagar melhores salários. Esse é o objetivo central do impulso legislativo que propusemos, em primeiro lugar, à concertação social e agora ao Parlamento, para que o país não perca oportunidades e se possa distinguir como um destino de investimento e também como uma economia geradora de melhores oportunidades e de melhores salários. Esse objetivo é central e vai permanecer intacto nas políticas e nas propostas do governo. Não posso deixar, obviamente, de lamentar que, quer à esquerda, quer à direita, este sentido estratégico e de futuro não tenha tido acolhimento e, pelo contrário, os dois extremos do espectro político português tenham se juntado, praticamente utilizando os mesmos argumentos. Também não quero deixar de dizer que depois de não termos tido a oportunidade de chegar a um acordo na concertação social, sobretudo pela intransigência da UGT e da sua tendência socialista, agora no Parlamento, tivemos um processo negocial profundo, sério, com o partido da oposição que tem mais representação parlamentar, o Chega, e eu diria que na grande maioria das matérias se vislumbrava um entendimento relativamente fácil de alcançar. Sucede que uma condição que foi imposta por esse partido para viabilizar o global das alterações que eram propostas, era mexermos na sustentabilidade da Segurança Social e na possibilidade não fundamentada de alterar a idade da reforma, fosse de uma forma generalizada, fosse para um segmento concreto de trabalhadores, no caso, os trabalhadores que trabalham por turnos rotativos de forma permanente. Ora, para o governo e para mim próprio, é um compromisso que eu assumi pessoalmente nas campanhas eleitorais, as pensões são sagradas. E jamais tomarei qualquer medida que possa prejudicar no futuro o pagamento das pensões, que possa levar o país a um corte no montante das pensões ou a uma alteração não calibrada, não amadurecida das contribuições, seja de trabalhadores, seja de empregadores. Tentei até à última hora demonstrar a necessidade de não o fazer de forma precipitada, a quente e de propor que se criasse no Parlamento uma comissão eventual que fizesse o aprofundamento da matéria, das propostas e do seu impacto financeiro, para termos o fundamento para decidir. Infelizmente, o partido Chega não concordou e portanto, fez depender o apoio às alterações da legislação laboral, que diga-se também, não incorporavam nenhuma matéria relativa a reformas e a pensões, mas fez depender a sua posição dessa condição. Do ponto de vista político, é legítimo, do ponto de vista político é admissível, mas do nosso ponto de vista político, é inaceitável. E portanto, foi isso que culminou no resultado que aconteceu na Assembleia da República. Repito, tivemos um processo sério, profundo, de tratamento de todas as matérias que verdadeiramente estavam em causa na legislação laboral. Diria que havia todas as condições para, nessa sede da legislação laboral, ter havido uma aprovação dos dois diplomas, do governo e do partido Chega, aliás, como também da Iniciativa Liberal, para que na especialidade se alcançasse e formalizasse um entendimento global que desse maior competitividade e produtividade à nossa economia e melhores condições de trabalho e de salário aos trabalhadores. Ao fazer depender dessa posição uma outra matéria, de forma, eu diria, precipitada, irrefletida, não fundamentada, a nós não nos restou outra alternativa

Que não dizer que não estávamos disponíveis para isso e foi isso que deu como desfecho a votação que os senhores conhecem.

A reação do primeiro-ministro, que dá a esta hora uma conferência de imprensa, que se segue à reunião do Conselho Europeu, com o lamento de Luís Montenegro, do desfecho dessa votação na Assembleia da República, que chumbou a proposta de lei do governo de alterações ao Código do Trabalho. O líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, fez uma declaração de voto para dizer que o partido liderado por André Ventura cedeu ao ruído e às redes sociais, depois de ontem ter sido alimentada a expectativa, em função daquilo que foi o debate parlamentar desta proposta de lei, de que o partido liderado por André Ventura podia ajudar a viabilização do diploma, senão com o voto contra, pelo menos com a abstenção.

E como é que André Ventura justifica este voto contra do Chega?

Com o não acolhimento às propostas do partido em matéria de pensões.

Por isso, o Chega estabeleceu para esta reforma laboral, não só a importância de acabar com estes erros todos, que penalizavam e penalizam os trabalhadores, como de reduzir um erro histórico português, a idade da reforma dos trabalhadores e o teto às pensões milionárias em Portugal. A diferença quando nós dissemos que não podíamos continuar a ter um país a trabalhar até morrer, enquanto outros fazem o contrário, é esta: é enquanto que o PS, a extrema-esquerda, estão habituados a vender-se, nós não nos vendemos.

É o que diz André Ventura há instantes nos Passos Perdidos. O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, também reagiu a este desfecho. Para dizer o quê, Hugo Fortunato Oliveira, agora aqui em direto.

Brilhante Dias disse que a Chega bateu em retirada. Vamos ouvir essa declaração.

Boa tarde, senhores jornalistas. Este acaba por ser um bom dia para Portugal e para os portugueses. Bateram em retirada, a extrema-direita bateu em retirada, foi derrotada pela força dos argumentos, depois da mobilização não só das centrais sindicais, mas de outras forças sociais e depois de um debate muito duro ontem no Parlamento, a extrema-direita bateu em retirada e foi possível votar esta iniciativa.

Uma declaração de Brilhante Dias, o líder da bancada socialista, que, de resto, foi na linha de toda a esquerda a votar contra este pacote laboral. E também aqui nas declarações aos jornalistas, as únicas palavras de apoio ao governo foram mesmo da Iniciativa Liberal, que votou também a favor desta reforma, mas apelidou o Chega de uma força de bloqueio e de aplaudir de pé a CGTP.

Hugo Fortunato Oliveira, o jornalista do Observador que acompanhou esta conturbada sessão no Parlamento, que teve como desfecho o chumbo da proposta de lei do governo que pretendia alterar o Código do Trabalho.

Miguel, a marcar a atualidade também, Israel e Hezbollah alcançaram um acordo de cessar-fogo.

Precisamente, a notícia foi avançada inicialmente pela agência Reuters, que citava um alto funcionário da administração norte-americana. E há instantes, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel confirmou precisamente que há um entendimento entre Israel e o Hezbollah para cessarem os ataques mútuos. Diz também este porta-voz que, ainda assim, os militares israelitas vão permanecer em vários locais do sul do Líbano. É uma notícia que detalhamos na edição das 16h. Vamos ainda para o Campeonato do Mundo?

Campeonato do Mundo, Rúben Dias falou há pouco com os jornalistas.

E para garantir que está pronto para ir a jogo, esteve afastado do encontro de estreia da seleção frente à República Democrática do Congo, depois de um toque sofrido na partida amigável frente à Nigéria. Mas, Miguel Cordeiro, agora aqui em direto dos Estados Unidos, Rúben já está à disposição do treinador em opção para o encontro frente ao Uzbequistão.

E já está a treinar, está mesmo à minha frente. Estão os jogadores da seleção nacional a fazer o segundo treino depois desse jogo frente ao Congo. Ontem, Rúben Dias foi integrado na equipa. Hoje falou à imprensa, disse que já está melhor, que não foi fácil ficar de fora, mas que agora está já preparado.

Estou bem, estou pronto. É assim, eu acabei por tomar uma decisão que tinha que ser tomada na altura e confesso que no momento me custou bastante, mas foi ainda assim a decisão certa, não tenho dúvidas disso. Mas como é óbvio, custou e eu quero sempre o mais que possa ajudar a minha equipa, ajudar o nosso país, neste caso e nesta ocasião tão especial, a ser feliz. Portanto, como é óbvio, não foi fácil e espero poder ajudar o mais que puder daqui para frente.

A conferência de imprensa ficou também marcada por várias perguntas relacionadas com as críticas à seleção portuguesa. Houve nas redes sociais críticas aos jogadores por não respeitarem Cristiano Ronaldo, de muitos adeptos que, na verdade, são fãs de Ronaldo e não da seleção. Também muitas críticas que foram feitas à prestação. Rúben Dias, sobre tudo isso, sobre todo esse clima, falou em ruído.

Sinceramente, é-me completamente indiferente todas as questões que envolvam esse tema, toda a especulação que se faça à volta desse tema, porque para mim e para todos nós, isso não é um tema sequer. Nós estamos todos juntos, estamos todos juntos em busca de um sonho. Estamos todos juntos em ter noção de que as dificuldades são boas e nas dificuldades vamos ver do que realmente somos feitos. E como tal, nós abraçamos isso como uma oportunidade de fazer algo e criar algo positivo.

Destaques da conferência de imprensa de Rúben Dias. O treino está a decorrer nesta altura e Miguel Videira, para fechar, deixar esta nota: é dia de aniversário de Nuno Mendes. Já houve aqui um aplauso no treino. Está de parabéns o defesa da equipa portuguesa.

Lateral esquerdo, campeão europeu pelo Paris Saint-Germain, um dos melhores na exibição pálida de Portugal no encontro de estreia nesta edição do Campeonato do Mundo. Escutamos aqui a reportagem nos Estados Unidos do Miguel Cordeiro.

E o Miguel Videira esteve com este jornal das 15h, regressa à hora certa para atualizar toda a informação.