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Jornal das quatro com Luís Soares. O líder do PS, José Luís Carneiro, recusa uma aproximação do partido ao governo no que toca à reforma do Código Laboral.

José Luís Carneiro reforça que o atual pacote laboral apresentado pelo executivo de Luís Montenegro não tem pernas para andar e, por isso, não pode contar com o apoio socialista.

Os sindicatos dirão o que entendem. Aquilo que o PS diz é isso que eu estou a dizer. Ou seja, a proposta de alteração da legislação laboral apresentada pelo governo ofende os mais jovens, ofende as mulheres, ofende as famílias e ofende os trabalhadores mais vulneráveis e, portanto, não pode contar com o apoio do PS. E outra coisa, o PS não descobriu agora isso. Alguns descobriram isso depois das manifestações dos trabalhadores. Foi o caso do Chega. O PS descobriu isso logo quando o governo apresentou a proposta e por isso é que desde o dia 3 de agosto de 2025, fomos o primeiro partido a dizer que essa proposta não tinha pernas para andar.

O líder do PS acusa também Luís Montenegro de não ter visão para o país e de tentar criar distrações ao colar o Chega à CGTP.

O que falta ao governo é uma visão estratégica para o país. E como não tem visão estratégica, passa a vida de atropelo em atropelo sem conseguir chegar a objetivos de política, porque é disso que estamos a falar. Isso são manobras táticas que o governo faz para esconder a incapacidade e a falta de uma visão para o país. Estas gerações que estão aqui e as gerações que estão lá fora, querem alguém que lhes apresente uma visão do futuro.

Ora, em declarações aos jornalistas na Feira de Educação em Lisboa, José Luís Carneiro comentou também as declarações de Castro Almeida, que atirou responsabilidades dos atrasos dos apoios às pessoas afetadas pelas tempestades para as autarquias. Ora, o secretário-geral do PS classifica essas declarações como uma falta de respeito.

Eu vi nos mesmos termos em que os autarcas da região de Leiria viram. Consideraram isso uma falta de respeito pelo esforço dos autarcas. Logo estarei em Leiria, será aliás uma das minhas últimas sessões de diálogo com a sociedade civil e com os militantes e simpatizantes do Partido Socialista, e vou ouvir presencialmente aquilo que os autarcas têm para me dizer.

Declarações de José Luís Carneiro, que defende também que é preciso proteger os interesses dos mais jovens.

E os representantes da Comunidade Intermunicipal de Leiria chamam a atenção para o fato de não terem sido os autarcas a definir as regras dos apoios à reconstrução de casas atingidas pelo mau tempo. É, Luís Soares, mais uma resposta àquilo que disse Castro Almeida?

Exatamente. O Ministro da Economia, que responsabilizou os municípios por esses atrasos. Ora, os autarcas da região de Leiria foram recebidos pelo presidente da Assembleia da República e, no final, o presidente da Comunidade Intermunicipal, Jorge Vala, devolveu essas críticas.

Abraçamos esse desígnio sem sequer sermos consultados, mas abraçamos o desígnio. Mas não fomos nós que criamos as regras. Não fomos nós que definimos que até €5.000 se pagava tudo a troco de uma fotografia em apenas três dias. E aquilo que os autarcas entendem é que, se a competência é nossa, o rigor tem que ser nosso. Nós temos dois números de contribuintes que vivem na mesma casa e que fizeram pedidos autónomos, por exemplo. E são as câmaras que estão a detetar essa irregularidade e, portanto, fossem pagas todas as candidaturas que foram feitas, provavelmente estaríamos a desbaratar dinheiro público.

A resposta de Jorge Val a ao Ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que esta manhã, aqui na Rede Observador, insistiu no diagnóstico e diz até que não vê motivo para voltar atrás no que disse.

Eu diria que sim, se sentisse que tinha feito uma má avaliação, mas eu hoje repito-lhe a avaliação que fiz ontem. Eu entendi que tínhamos que respeitar a posição daquelas pessoas que foram afetadas por aqueles vendavais, sobretudo ali na região de Leiria, e há milhares de pessoas que pediram apoio ao Estado para recuperar as suas casas. O Estado garantiu esse apoio e o apoio não está a chegar às mãos das pessoas, o dinheiro não está a chegar-lhes às mãos. E era preciso dar uma palavra de explicação a essas pessoas. É preciso sermos transparentes com o que está a acontecer.

Manuel Castro Almeida, no Explicador desta manhã aqui na rádio, a dizer também que os pagamentos às empresas estão a ocorrer de forma célere e o processo de reparação de casas da população está a ser mais demorado, porque há atrasos na avaliação por parte das câmaras municipais.

E numa outra matéria, a oposição levanta reservas à proposta do PSD na regulação dos TVDE.

Os chamados Uber, os sociais-democratas apresentaram a iniciativa esta tarde no Parlamento perante dúvidas dos partidos da oposição. Uma das propostas é permitir que os táxis possam prestar serviço nas plataformas como a Uber ou a Bolt. Uma iniciativa sobre a qual o PS, pela voz do deputado Luís Testa, mostra bastantes reservas.

Confunde dois serviços que são diferentes, tentando transformar dois serviços diferentes num só. É que o serviço de táxi é um serviço público e o serviço TVDE é um serviço liberal, concorrencial. O que é que vai acontecer? É que os táxis, que são de manhã e que transportam os idosos aos centros de saúde, vêm fazer à tarde serviço TVDE pra Grande Lisboa, prejudicando as pessoas e prejudicando o transporte público.

Deputado do PS, Luís Testa, com os alertas sobre esta iniciativa do governo. Já o CDS e o Chega defendem que os motoristas devem ser obrigados a falar português. O PSD defende-se, o deputado Alexandre Poço diz que o partido não quer contribuir para uma guerra entre táxis e TVDEs e tenta ir ao encontro daquilo que é pedido pelos partidos mais à direita.

Por isso, sim, defendemos a língua portuguesa, garantindo que, quando um utilizador pretende que o motorista fale português, lhe apareça um motorista que saiba falar português. Nós não estamos aqui para gerar guerras entre o setor do táxi e o setor do TVDE. O PSD não quer alimentar essa guerra. Aquilo que o PSD quer é permitir que quer o setor do táxi, quer o setor do TVDE, possam ajudar a resolver o problema da mobilidade urbana.

Alexandre Poço, no encerramento do debate esta tarde na Assembleia da República. A proposta do PSD de regulamentação do setor dos TVDE vai ser votada amanhã.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira, 12 de março.

O presidente dos Estados Unidos garante que está mais preocupado em impedir que Teerão desenvolva armas nucleares do que Washington em ganhar dinheiro com petróleo. Na rede social Truth, Donald Trump escreve que é muito mais interessante e importante impedir que o Irão tenha armas nucleares e destrua o Médio Oriente. E, na verdade, diz Donald Trump, o mundo sublinha também que nunca vai permitir que isso aconteça. É uma mensagem que surge depois de o novo líder supremo do Irão ter emitido a primeira declaração gravada, em que assegura que o estreito de Ormuz vai continuar encerrado. Moqtada Khamenei diz que o encerramento do estreito, por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo, é uma forma de pressão sobre a comunidade internacional. No entanto, não foi o novo líder a ler essa mensagem, mas sim o apresentador do canal de televisão público do Irão. No gabinete de guerra desta tarde, o historiador Bruno Cardoso Reis explica que isso pode significar que Moqtada Khamenei está ferido e que, nesse caso, há a possibilidade de existir até um líder fantasma.

Parece-me que a única justificação para isto é que ele está, apesar de tudo, seriamente ferido e, portanto, não estará em condições para aparecer projetando uma imagem de força, pelo menos. Enfim, acho que se isto se prolongar, vão surgir suspeitas que temos aqui uma espécie de guia supremo fantasma e que, na verdade, é a linha mais dura do regime que efetivamente controla as coisas.

Análise de Bruno Cardoso Reis ao discurso do novo líder supremo do Irão, Moqtada Khamenei, ele que não apareceu a ler essa mensagem, que foi lida pelo apresentador do canal de televisão público do Irão. O velório do escritor e jornalista Mário Zambujal vai decorrer na Basílica da Estrela no sábado, dia 14 de março, a partir das 17h, com missa às 20h. O funeral realiza-se no domingo, às 11h, no Cemitério do Alto de São João. Mário Zambujal morreu hoje, aos 90 anos. Tem uma carreira literária de mais de 40 anos. É autor de "A Crônica dos Bons Malandros", publicado em 1980, romance de grande sucesso, depois adaptado também para o cinema pela mão do realizador Fernando Lopes. Contava no elenco com o ator Virgílio Castelo, que à Rádio Observador lembra Mário Zambujal como uma pessoa bem-disposta e solidária.

Eu acho que o Mário não gostaria que nós ficássemos tristes com a sua morte. A memória que eu tenho dele é a memória de uma pessoa sempre muito bem-disposta e sempre a tentar descomplicar aquilo que era mais difícil. E guardo a memória de alguém sempre muito solidário, também preocupado com as carreiras dos mais novos e sempre com uma palavra de incentivo e sempre sem qualquer espécie de crítica ou de indicação de caminho.

Virgílio Castelo a recordar Mário Zambujal, que além de escritor, foi também jornalista, diretor do jornal A Bola, recorde aqui de Lisboa, foi, de resto, na Bola que começou aos 25 anos. Também o presidente da República, António José Seguro, expressou tristeza pela morte do jornalista e escritor Mário Zambujal. António José Seguro recorda-o como orgulhosamente alentejano e também um desalinhado com sentido de humor marcante. Mário Zambujal morreu hoje, aos 90 anos. O Luís Soares vai regressar às 16h30.