O Partido Comunista Chinês (PCC) inicia esta segunda-feira uma reunião de quatro dias centrada no reforço da disciplina interna, após sucessivas purgas militares e a um ano do congresso que deverá reconduzir Xi Jinping à liderança.

A quinta sessão plenária do 20.º Comité Central do PCC, que decorre à porta fechada até quinta-feira, deverá aprovar novas orientações para reforçar a supervisão dos dirigentes, combater a corrupção e garantir o cumprimento das decisões da liderança chinesa.

A reunião ocorre após uma vaga de afastamentos que atingiu os mais altos escalões do Exército de Libertação Popular (ELP), incluindo oficiais nomeados durante a presidência de Xi.

A Comissão Militar Central, órgão máximo de comando das Forças Armadas chinesas, ficou reduzida a dois dos sete membros que a integravam no início do atual mandato: Xi Jinping e o general Zhang Shengmin.

Dos 44 representantes militares eleitos para o Comité Central em 2022, apenas 17 permanecem formalmente em funções, sendo que só dois foram vistos publicamente nos últimos meses.

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A dimensão das purgas coloca, contudo, um problema de confiança na escolha dos novos responsáveis militares, segundo uma análise do think tank Brookings Institution.

“Se não se pode confiar nos seus próprios aliados no alto comando do ELP, como poderá confiar em quaisquer generais recém-promovidos?”, questionaram os investigadores Jonathan Czin e Allie Matthias.

O encontro marca também o início de um período de reorganização política que deverá culminar na escolha da próxima liderança do partido.

Damien Ma, diretor do grupo de reflexão Carnegie China, considerou que o plenário inaugura o equivalente a uma “época de campanha” no sistema político chinês, durante a qual se intensificarão as movimentações de dirigentes, a disciplina partidária e as negociações internas.

Numa análise publicada pela Carnegie Endowment for International Peace, o investigador defendeu que as futuras promoções poderão revelar mais sobre a evolução do poder em Pequim do que os próprios afastamentos.

“As promoções serão provavelmente um indicador mais revelador da forma como a liderança está a gerir a transição”, escreveu.

As nomeações permitirão perceber quais as redes políticas e os perfis de dirigentes favorecidos pela liderança antes do congresso de 2027, no qual Xi deverá assegurar um quarto mandato de cinco anos como secretário-geral do PCC.

Ao contrário das duas anteriores quintas sessões plenárias, centradas na preparação dos planos quinquenais de desenvolvimento económico, a reunião deste ano terá como prioridade a governação interna do partido.

O Comité Central deverá discutir um projeto de decisão sobre o aprofundamento da governação “rigorosa” do PCC, conceito promovido por Xi desde que chegou ao poder, em 2012.

Citada pela agência Associated Press, Ruby Osman, conselheira sénior do Tony Blair Institute for Global Change, argumentou que a campanha disciplinar visa agora sobretudo assegurar a continuidade das prioridades políticas do Presidente chinês.

“Trata-se menos de eliminar rivais da elite e mais de construir um sistema disciplinado capaz de sustentar as prioridades políticas de Xi ao longo dos ciclos de liderança”, descreveu.

O reforço da disciplina abrange também dirigentes acusados de inação, incumprimento de ordens ou aplicação inadequada das políticas definidas por Pequim.

Num discurso publicado este mês pela revista Qiushi, órgão teórico do PCC, Xi advertiu contra os responsáveis que proclamam lealdade política, mas desobedecem às orientações superiores.

“Não podemos limitar-nos a proclamar palavras de ordem, muito menos dizer uma coisa e fazer outra”, afirmou o líder chinês, defendendo a responsabilização dos dirigentes que não cumpram as decisões do Comité Central.