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Jornal das quatro com Miguel Vidar. Miguel, já vamos saber o que disseram Luís Montenegro e Lula da Silva no final de um encontro na residência oficial do Primeiro-Ministro. Mas começamos este jornal com um anúncio do Ministro da Administração Interna no Parlamento.
Luís Neves quer garantir que passem a entrar mais agentes na PSP do que aqueles que saem. Esta é a solução para chegar a um saldo positivo.
A PSP vai ter dois cursos no mesmo ano. A nossa previsão é também voltarmos a ter um saldo positivo pela primeira vez em mais de década e meia entre entradas e saídas. Não é fácil, como todos sabemos, nem quero dourar, desculpem a expressão, a pílula, mas só o facto de haver dois cursos num só ano já representa uma mobilitação acrescida. No próximo dia 29 de maio, finalizam quase 600 elementos o curso e em final de dezembro esperamos ter cerca de 800 a finalizar o mesmo curso.
Anúncio feito durante a audição de Luís Neves na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. É a primeira audição do novo ministro no Parlamento. Luís Neves revelou também que vão ser retomadas as negociações com as associações sindicais da PSP e da GNR.
Anunciamos desde já que iremos muito brevemente voltar a sentar-nos à mesa das negociações com as estruturas representativas, dando continuidade ao processo de diálogo que iniciámos. Apresentaremos as nossas propostas de solução, tendo em conta as reivindicações que nos foram transmitidas nas reuniões que tive já o prazer e a honra de ter com cada uma destas estruturas. Foram seis por parte da Guarda Nacional Republicana e sete por parte da PSP.
As revelações feitas pelo Ministro da Administração Interna há instantes no Parlamento. Luís Neves continua a ser ouvido.
Lula da Silva e Luís Montenegro destacam os esforços de cooperação nas áreas da economia e da imigração entre Brasil e Portugal.
Lula da Silva defende, por exemplo, que os brasileiros são um povo trabalhador e que vêm para acrescentar valor à economia portuguesa.
Posso te assegurar que essas pessoas são trabalhadoras e posso te assegurar que eles vão orgulhar o carinho que vocês de Portugal estão dando a eles. No mais, eu queria, Primeiro-Ministro, lhe dizer o seguinte: muito obrigado pelo carinho.
O agradecimento de Lula da Silva nesta declaração conjunta em São Bento, na residência oficial do Primeiro-Ministro. O presidente brasileiro defendeu também uma maior cooperação a nível económico e promete mais empresas brasileiras em Portugal.
Agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo União Europeia-Mercosul, agora sim, nós conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui em Portugal.
Objetivo traçado pelo presidente brasileiro. Luís Montenegro também fez uso da palavra e para destacar a integração da comunidade brasileira aqui em Portugal, define-a como impecável.
Nunca como hoje houve uma comunidade brasileira tão expressiva a viver em Portugal. Às vezes, na comunicação social, tem-se dado eco a algum adulterar daquilo que é uma relação que tem corrido, de forma global, muitíssimo bem. Os brasileiros que procuram Portugal, que neste momento são mais de 500 mil, têm vindo para trabalhar, para desenvolver os seus projetos de vida e têm tido uma integração social e económica absolutamente impecável.
O Primeiro-Ministro dá conta ainda que o governo português já resolveu mais de 235 mil processos de cidadãos brasileiros. Já no final do encontro, Lula da Silva antecipou um possível encontro com Luís Montenegro nos Estados Unidos, caso as seleções de Brasil e Portugal cheguem à final do Mundial de Futebol. Assim seja.
O presidente brasileiro almoça a esta hora em Belém. É um almoço oferecido pelo presidente da República.
E à chegada a Belém, deparou-se com duas manifestações ruidosas. Uma promovida pelo Chega contra a presença de Lula da Silva em Portugal e contou com a presença do presidente do partido, André Ventura, que não teme o impacto do protesto para as relações diplomáticas entre os dois países.
Os Estados têm as suas relações entre si, isso não tem que ver. Portugal tem relações com muitos Estados do mundo. Como disse, nós já temos cá corruptos a mais e não precisamos de mais um. E, portanto, se pudermos evitar isso, eu acho que é de evitar. E acho que quando eles cá estão, sejam estes corruptos, sejam outros, um país a sério deve defender que a luta pela democracia e a luta contra a corrupção deve ser a nossa prioridade.
Se fosse primeiro-ministro, não receberia Lula da Silva.
Se fosse primeiro-ministro, diria a Lula da Silva exatamente aquilo que disse na campanha. Aliás, é bom que ele me oiça. Nós estamos fartos de corrupção.
André Ventura, presidente do Chega, aqui questionado pelo jornalista do Observador, Martim Madeira. Ora, esta não foi a única iniciativa. A delegação portuguesa do Partido Trabalhista, a que pertence Lula da Silva, também promoveu uma manifestação. André Estevão foi um dos participantes e explicou porquê.
Já pensou se o seu presidente de Portugal fosse no Brasil e eu fosse colocar
Há pessoas contra o seu presidente, na porta, para xingar ele e difamar ele. Eu acho que seria, pelo menos, falta de organização, de respeito com a entidade que é o presidente. E outra, todo mundo que está aqui, faz dias para vir. Não é da noite pro dia, igual o Chega fez. E o que acontece? Acaba mostrando que nós queremos fazer confusão, mas não, nós só queremos nosso direito o quê? De mostrar pro nosso presidente que nós estamos com ele, que ele não está sozinho aqui.
A esta hora, os manifestantes das duas iniciativas já desmobilizaram, já não estão nas imediações do Palácio de Belém, onde permanece o presidente brasileiro Lula da Silva, almoça com o presidente da República Português, António José Seguro.
Esta terça-feira fica ainda marcada pelo sinal que chega do secretário-executivo da UGT. Carlos Alves anuncia que vai votar contra a última versão das alterações ao Código do Trabalho.
Foi durante uma conferência organizada pelo jornal Eco, o dirigente antecipou de que forma vai votar na reunião do Secretariado Nacional da próxima quinta-feira, depois de amanhã, que vai determinar se a UGT dá ou não luz verde à proposta que tem estado a ser negociada com o governo e confederações patronais.
Eu irei votar negativamente contra este anteprojeto, porque acho que apesar de todo o esforço que foi feito e que deve ser valorizado, e acho que não deve ser deitado fora, na generalidade dos casos, penso não houve, de facto, progressos nos aspectos mais importantes que respeitavam essas matérias fundamentais. Não sei se a minha posição será a posição maioritária no Secretariado Nacional da UGT, uma vez que nós levamos muito a sério, ao contrário do que as pessoas pensam, não é uma posição político-partidária ou o que seja, até porque a UGT tem mais que uma tendência sindical dentro de si.
Esta é uma posição que não vincula a UGT, só na quinta-feira, aquando da reunião do Secretariado Nacional da Confederação Sindical, ficaremos a saber se sim ou não, se a UGT dá luz verde à última versão das alterações ao Código do Trabalho.
Ora, a ministra do Trabalho admite que o sentido de voto da UGT vai determinar qual a versão que o governo vai fazer chegar ao Parlamento.
Assim é, Maria do Rosário Palma Ramalho diz que das duas, uma:
Se houver acordo, o governo transporá fielmente o acordo para uma proposta de lei, transformando o anteprojeto em proposta de lei, que tem sempre que fazer, e nessa proposta de lei, será transposto fielmente o conteúdo desse acordo. Se não houver acordo, o governo aproveitará dos muitos contributos que teve, aqueles que considere úteis. Alguns desses contributos vieram da nossa negociação, outros vieram da sociedade civil, e o governo incorporará aqueles que considere úteis, de acordo com a sua própria visão.
Declaração da ministra do Trabalho, que expressou também confiança de que a UGT vai saber, e passo a citar: "Honrar a tradição do diálogo".
Rui Borges e Francesco Farioli fizeram a antevisão do clássico de amanhã para a Taça de Portugal.
Segunda mão das meias-finais do primeiro jogo em Alvalade, o Sporting venceu por 1 x 0, o treinador do Porto, Francesco Farioli, conta com a ajuda do público para dar a volta à eliminatória.
De certeza que vai ser um grande jogo contra um adversário muito forte. Jogar em casa com os nossos adeptos será um fator importante. Internamente, há a crença de que podemos dar a volta ao resultado negativo de Alvalade.
É essa a convicção de Francesco Farioli. Zaidu está fora por lesão, mas há um regresso, o lateral direito Martim Fernandes já recuperou. Os responsáveis azuis e brancos já anunciaram que as bancadas do Dragão vão estar esgotadas, repleto o estádio do Dragão.
Do lado do Sporting, Rui Borges pede uma equipa competitiva para poder assim chegar à final do Jamor.
A receita para ultrapassar a derrota do fim de semana frente ao Benfica.
Eu acho que não vai fugir muito àquilo que é a imagem do Porto e que tem sido, uma equipa muito forte. Em termos físicos, é uma equipa muito forte, nesse sentido de encurtamentos, de pressão, de duelos, seja por chão, seja por ar, são uma equipa fortíssima em duelos. Tornam o jogo muito competitivo, por isso acho que vai ser um jogo competitivo, bastante competitivo, um Porto à sua imagem e um Sporting à sua imagem também. Por isso, acima de tudo, duas equipas que vão querer ganhar e que vão querer muito estar na final da Taça.
Rui Borges, treinador dos Leões, na antevisão da partida de amanhã frente ao Porto. O técnico do Sporting não vai poder contar com os lesionados Iván Fresneda e João Simões. Juntam-se Fótis Ioannidis e Nuno Santos. A bola começa a rolar às 20h45.
E há emissão especial de desporto na Rádio Observador para acompanhar esta partida a partir das 8 da noite. Vamos ainda a outras notícias em destaque a esta hora, Miguel.
Vamos a isso. Começamos com um desacerto de contas. O presidente do Instituto Nacional de Emergência e Médica afirma que o instituto deve aos bombeiros cerca de 9,7 milhões de euros pelo transporte urgente de doentes referente a fevereiro, menos de metade do valor que é reivindicado pela Liga de Bombeiros Portugueses. É a primeira vez em mais de dois anos, as taxas de juro dos contratos de crédito à habitação subiu mês passado. Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística revelam que a taxa subiu para 3,08%, mais cerca de 0,7 pontos percentuais face a igual período do ano passado. Comparando com fevereiro, também se registou uma subida, ainda que mais ténue, de forma substancial, 0,01 pontos percentuais. O INE explica que se trata da primeira subida desde janeiro de 2024, vem interromper um ciclo de 25 meses consecutivos de quebra da taxa de juro. E hoje é terça-feiraDia em que fica disponível mais um episódio do novo podcast plus do Observador, os ficheiros do caso Carlos Castro. Já está disponível o terceiro episódio.
Narra a história de como Renato Seabra, um jovem aspirante a modelo de apenas 21 anos, matou o cronista social Carlos Castro em Nova York. Foi em janeiro de 2011.
O Observador teve acesso a milhares de documentos do processo aberto pelo Ministério Público nos Estados Unidos. Entre estes documentos, mensagens, textos que permitem reconstituir como a relação entre os dois começou menos de três meses antes do crime.
É nesse dia, dentro desse quarto que Carlos Castro faz o primeiro avanço. Aproxima-se de Renato Seabra e dá-lhe um beijo na boca. Renato fica surpreendido. Conhecem-se há uma hora, se tanto. Não estava à espera daquilo, mas também não o afasta. Nesse preciso instante, toma uma decisão. E quando Carlos lhe pergunta se está tudo bem, Renato diz-lhe que sim. Há de explicar por que ao psicólogo contratado pela defesa para o avaliar. Pode ler-se no relatório assinado por Jeffrey Singer: "Queria aquela ajuda e, a partir daí, a relação começou. Eu sabia que ele era gay. Era a minha oportunidade pra alcançar coisas melhores no mundo da moda."
Um excerto do terceiro episódio de os ficheiros do caso Carlos Castro, novo podcast plus do Observador.
É uma série narrada pela atriz Joana Santos, conta com a música original do pianista Júlio Rezende. A investigação e os guiões são da jornalista Tânia Pereirinha, sonoplastia do Bernardo Almeida.